Capa do romance Kendra - O Destino da Fênix

Kendra - O Destino da Fênix

9.2 / 10.0
Após a reconstrução de Rowena, o surgimento de figuras lendárias traz esperança e alertas sombrios que confirmam os temores da Rainha. Entre aventuras e traições, Aidan e Rowena vivem um jogo de provocações perigosas. Mesmo ferido por uma adaga lançada por ela, ele percebe que o sentimento entre ambos persiste. Em meio ao caos que ameaça o reino, será que o casal superará o orgulho? Descubra os segredos e o destino reservado a eles em Kendra - O Destino da Fênix.

Kendra - O Destino da Fênix Capítulo 1

Querido leitor, saiba que o primeiro livro foi para introduzir e familiarizar vocês com o Reino de Kylanir, e de agora em diante, com poucas pausas para respirar... O Destino da Fênix!

ALERTA DE GATILHO: essa obra pode conter conteúdo sensível em relação a tortura e crueldade. Contém cenas de sexo e violência.

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OBS: não esqueçam de avaliar, É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!

CAPÍTULO 1 - Adaga

Lanço a faca já sabendo que não vou acertar meu alvo.

— Ai, Wena! Sou eu — Aidan sibila, a voz alarmada.

Ops.

Ou vou.

Ele leva a mão à bochecha, há sangue brotando ali.

— Eu sei — ronrono. Mal consigo conter o sorriso.

— E atirou a adaga mesmo assim? – Ele encara a própria mão, manchada com sangue. O cheiro almiscarado e picante me atrai de alguma forma. — Estou sangrando! — constata, indignado.

Minha risada ecoa na tenda. Baixa e melódica. E um pouco maléfica.

— Significa que está vivo, né?

— O quê? — questiona, franzindo as sobrancelhas.

— O que, o que, Aidan? — pergunto, já perdendo a paciência e o olhando por entre os cílios. Não tenho tempo para isso.

— O que tem a ver o sangue e estar... Ah...

Sorrio de novo, ele entendeu, afinal.

— Não é tão lerdo quanto pensei, principezinho.

— Para sangrar basta estar vivo, não é? — sua voz tem um toque de mágoa.

— Exatamente.

— Ainda não acredito que você fez isso – ele rosna, a mágoa dando lugar ao ressentimento. Cerro os olhos e o encaro.

— Não seja dramático. É o que acontece quando você entra na tenda de uma rainha sem ser convidado – novamente, ele parece se magoar diante de minhas palavras.

Não ligo. Ele me magoou primeiro. Que peça para sua noiva lamber as feridas. Diante de seu silêncio, questiono:

— E agora, o que quer? — minha voz soa impaciente.

Mas não é exatamente assim que me sinto. Estou... curiosa, e talvez um pouco saudosa. Eu sei, é contraditório. Mas não posso me dar ao luxo de me apegar ainda mais a ele ou nutrir falsas esperanças. Ele escondeu coisas de mim. Coisas muito importantes.

— Eu... É...

Somos interrompidos por Celeste. Que está linda como sempre. A roupa de couro colada ao corpo musculoso. Resultado do treinamento pesado que vem tendo com bruxas e homens. Seus cabelos estão trançados e bem presos à cabeça, revelando suas feições angulosas e as maçãs do rosto altas e salientes.

Antes essa bruxa era uma gostosa e cheia de curvas, agora é uma montanha de músculos. Das duas formas ela é de dar inveja. Mas seu rosto está um pouco pálido e sua expressão alarmada, o que é algo atípico dessa bruxa tempestuosa. Ela traz algo na mão.

— Majestade, você não... – ela para de súbito ao ver o Príncipe.

Ela desvia o olhar dele, e se dirige a mim:

— Preciso falar com você.

Estalo a língua.

— Parece que todos estão se sentindo no direito de invadir meus aposentos hoje – comento, mas não estou reclamando, gosto da movimentação.

— Me desculpa – ela abre um sorriso e solta o ar. – É muito importante.

— Certo – desvio o olhar para Kenom. – E então? O que você queria?

Ele pisca ao perceber que está sendo dispensado. Mas não pode me culpar por isso, nunca fez parte do meu conselho.

— Melhor deixar para um outra hora – ele diz. E começa a se retirar.

— Pensei que tivesse mandado ele de volta para o pai dele, Majestade – Celeste provoca e seguro o riso. Celeste, Celeste...

— Você fala demais – ele responde.

A expressão dela se torna letal e quando abre a boca para responder, corto:

— Ele insiste em ficar – respondo. – E acolho a todos.

— Escute sua rainha – Kenom faz menção de ser sarcástico.

Amo quando se alfinetam, mas não tenho tempo para isso, estou curiosa para saber o que há de tão importante.

— Principe, recomendo que não provoque minha general. E me faça um favor? Chame Lana, Misty e ... – sou tomada pela dor ao me lembrar que uma delas falta.

— Já entendi, suas meninas.

Ele se retira, mas antes:

— Ah e Kenom? — chamo.

Ele coloca a cabeça para dentro dos meus aposentos de novo.

— Quem é Wena? — pergunto.

Queria que o apelido não me afetasse, mas afeta. E não vou permitir. Abro um sorriso presunçoso, que está longe de ser verdadeiro. Arqueio as sobrancelhas.

— Voltamos as formalidades, então? — ele questiona antes de se retirar.

É. Parece que sim. E isso me magoa mais do que eu poderia esperar. Quando ele se recusou a ir embora, a sair de perto de mim. Eu desacreditei. E quanto mais eu bato, quanto mais eu forço a barra, mais resignado ele se mostra.

Ele não passa perto de Ólive. Eu sei porque pedi para Misty observá-los em sua forma de Encantadora, me sinto patética mas o sentimento faz isso. Ela diz que ele a rejeita de todas as formas, e parece sentir nojo. E muito, muito a minha falta.

Neste momento não consigo sustentar a máscara que criei, a armadura contra essa torrente de sentimentos que ele me causa. E o ditado é verdadeiro, para ambos os lados: você sangra para saber que vive.

— Eu é... – havia me esquecido de Celeste.

Coloco a cabeça entre as mãos.

— Vou te dar uns minutos e esperar as meninas aqui do lado de fora. Se recomponha.

E com isso, ela se retira. Sempre dando ordens… Ela é uma general, afinal. As meninas entram uma a uma alguns minutos depois. Lana, Misty, Gen, Flora e Celeste. E se sentam comigo na mesa de jantar.

Minhas juradas de sangue.

— E então? – Lana questiona. – O que é tão importante?

— Também quero saber – digo.

Celeste coloca um pergaminho lacrado à minha frente.

— O que é isso? – questiono, estendendo a mão em direção ao pedaço de papel.

— Estamos prestes a descobrir – Celeste responde, mas engole em seco.

Ela sabe de algo.

Lanço a ela um olhar questionador, mas ela apenas maneia a cabeça em direção ao pergaminho.

— Que brasão é esse? – Gen pergunta, não mais do que um delicado sussurro.

O papel está quente em minhas mãos, em um tom amarelado e com cheiro de... que cheiro é esse? Levo o pergaminho ao nariz. Penas? Franzo a testa. Girassol e... lírios? O que é isso?

O selo da insígnia é uma águia cortada por duas flechas. Sinto meu estômago pesar. Meu sangue congela. Não poderia ser… poderia?

Rompo o selo e abro a carta, agora com pressa.

“Exijo uma audiência com a Rainha das Bruxas, Rowena, a Treze das Treze.

Estaremos aguardando seu sinal.

Rei do Clã das Águias do Céu.”

Ele não escreveu o próprio nome, o desgraçado. Mas sabe o meu, e quero saber como. Eles devem ter Encantadores entre eles. Esse clã é antigo, é forte. E era apenas uma lenda. Sou tomada por uma náusea forte.

— Onde você conseguiu isso? – questiono a Celeste, mais ríspida do que eu gostaria.

O alarme em minha voz faz com que todas fiquem inquietas. Se forem inimigos, estamos ferradas. Não há como lutarmos contra os humanos e os pássaros do céu.

— O que é isso? – Misty pergunta.

A ignoro e encaro Celeste. Sua expressão é estranha. Meu sangue começa a ferver com sua quietude. Essa bruxa nunca mantém a língua dentro da boca, e agora está silenciosa?

— Te fiz uma pergunta Celeste – meu tom é para poucos amigos. – Isso é muito sério.

— Eu não vi, tá legal? É como se tivesse caído do...

— Céu – completo.

Ela me olha, semicerrando os olhos, uma interrogação no olhar. Entrego a carta a ela. Ela lê e me encara buscando por uma confirmação. Faço que sim.

— O que?! – Misty está perdendo a paciência.

Celeste passa o recado para ela, que lê em voz alta.

— Pensei que fossem apenas uma lenda – Flora verbaliza o que todas pensamento.

— Parece que não – Celeste responde.

— Como pretende responder? – Lana pergunta para mim.

— Eles simplesmente soltaram a carta nas minhas mãos... Como esperam que responda? – Celeste completa.

— Tenho uma vaga ideia – abro um sorriso. O primeiro verdadeiro em dias.

Saio da tenda para o acampamento e, para a surpresa de todos – e assustando alguns no processo, flexiono os joelhos e elevo os braços para o céu, lançando uma bola de fogo no ar. Ela se eleva sobre nós e quando explode, revela uma imagem:

Uma águia cortada por duas flechas.

— Não pensou em nos consultar sobre isso antes? – Celeste chia, baixinho em meu ouvido. — Eles virão em peso para o nosso acampamento!

Olho dentro de seus olhos violeta-prateados e com um grande sorriso, respondo a ela:

— Deixe que venham.

Não terei medo. Dou as costas às minhas juradas de sangue, que estão no momento, boquiabertas e revezando entre olhar para o céu e para mim, enquanto assumo minhas vestes de rainha, deixando que o fogo me consuma.

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