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Capa do romance A Obsessão do Mafioso - A Filha do Amigo

A Obsessão do Mafioso - A Filha do Amigo

Dante Moretti, um mafioso moldado pela violência, encontra em Aurora St. James sua maior obsessão. Presa a um pacto de sangue entre impérios, a herdeira torna-se rainha e prisioneira de um homem implacável. Entre jogos de poder e um desejo tóxico, o ódio se confunde com uma paixão visceral. Enquanto segredos sombrios ressurgem, o casal enfrenta perigos letais. Em um mundo onde o amor é cruel, eles se devoram em meio ao caos, seduzidos pela dor e pelo prazer.
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Capítulo 2

Capítulo 2 – "Testando Limites"

(Narrado por Dante Moretti)

A chuva caía pesada sobre Nova Iorque, golpeando com força os vidros amplos do escritório. A cidade brilhava com luzes difusas, borradas pelas gotas incessantes. A penumbra preenchia cada canto da sala, interrompida apenas pelo brilho âmbar do whisky girando lentamente no copo de cristal em minha mão.

O cheiro de couro impregnava o ambiente, misturado ao leve aroma de tabaco queimado que ainda pairava no ar. As prateleiras de madeira escura, repletas de livros intocados, me cercavam, sufocando mais do que confortando. Cada detalhe ali gritava poder, controle. Mas, naquele momento, era como se o ambiente fosse pequeno demais para conter o turbilhão dentro de mim.

Eu deveria estar concentrado. Planos, contratos, negócios. E, no entanto, minha mente se arrastava de volta para aquela garota.

Aurora St. James.

Filha do meu melhor amigo. Um território que não poderia, não deveria, ser tocado.

Levei o copo aos lábios, sentindo o calor do álcool deslizar garganta abaixo. Não era suficiente para silenciar a lembrança do olhar dela me desafiando. Da forma como sussurrou aquela advertência:

"Você deveria."

Ela brincava com fogo. E eu sabia, melhor do que ninguém, o que acontecia com quem se aproximava demais das chamas.

Internamente, uma batalha se formava. O homem disciplinado, moldado pela violência e pela frieza dos negócios, sabia que precisava manter distância. Aurora era proibida, uma linha que não poderia ser cruzada. Mas havia algo nela... aquela ousadia, aquela vulnerabilidade camuflada por insolência... que me fazia querer quebrar cada maldita regra.

Externamente, eu precisava manter a aparência. Victor estava próximo, conversando sobre acordos e estratégias, completamente alheio ao veneno que se espalhava lentamente entre mim e sua filha. O mundo dos negócios era implacável, e uma fraqueza pessoal podia ser fatal.

Victor entrou no escritório, ajustando os punhos da camisa sob o terno impecável.

- Dante, preciso revisar os termos daquele contrato com os fornecedores de Boston. Não quero surpresas.

Assenti, forçando-me a focar.

- Está tudo encaminhado. Lorenzo já fechou os detalhes.

Victor se aproximou da mesa de madeira maciça, espalhando papéis.

- Confio mais em você do que nele.

Sorri de canto. Lorenzo era eficiente, mas imprevisível. Victor sabia disso.

E então, a porta se abriu.

Aurora entrou sem bater, descalça, usando um vestido curto demais para aquele ambiente. O tecido preto colava-se ao corpo, contrastando com a pele clara.

Ela não olhou para mim de imediato. Estava ocupada demais vasculhando a mesa do pai.

- Aurora, o que está fazendo aqui? - Victor resmungou, sem paciência.

- Pegando meu livro. Deixei aqui.

Ela se esticou para alcançar algo, o corpo inclinando-se de forma descuidada. Meu olhar foi inevitável. O tecido subiu um pouco mais, revelando pele demais.

Merda.

Ela encontrou o livro e, ao se virar, nossos olhos se encontraram. Eu deveria ter desviado o olhar. Mas não desviei.

Ela também não.

- Com licença. - Sua voz foi baixa, mas carregada de algo mais.

E quando passou por mim, roçou propositalmente a mão sobre a superfície da mesa, perto demais da minha. Não houve toque. Mas a intenção foi clara.

Na saída, ela parou por um segundo. Ligeiramente de costas, inclinou o rosto só o suficiente para que eu a ouvisse.

- Não é seguro brincar com monstros, não é? - repetiu, sussurrando a frase que eu mesmo havia dito antes.

Aurora desapareceu pelo corredor.

Victor continuava falando ao fundo, mas as palavras dele eram apenas ruído.

Ela estava me provocando. Testando limites. E eu não tinha certeza de quanto tempo conseguiria segurá-los.

Horas mais tarde, encontrei-me em frente ao espelho no banheiro. A água fria escorria pelos pulsos, mas não dissipava a tensão.

O reflexo mostrava o homem que eu era, frio, calculista, intocável. Mas havia rachaduras.

Eu podia sentir. Ela estava entrando por essas frestas.

Lembrei-me do calor da pele dela, mesmo sem tocá-la. Do cheiro leve de algo doce e proibido. Era só uma garota. A filha de Victor.

Nada mais.

Mas minha mente discordava.

🔥🔥

O silêncio do escritório era preenchido pelo som suave da chuva batendo no vidro. O aroma amadeirado dos móveis se misturava ao perfume distante de Aurora que parecia ter impregnado o ar.

O couro da poltrona rangia sob meu peso, e o gelo no whisky estalava suavemente.

Pequenos detalhes, cada um servindo como lembrete de que havia algo fora de controle.

O vidro do escritório, onde a chuva caía incessante, simbolizava a barreira tênue entre o autocontrole e o desejo reprimido. Assim como a água deslizava pelo vidro, Aurora estava lentamente atravessando essa barreira invisível.

O telefone vibrou. Uma mensagem de Lorenzo.

"Temos um problema no The Serpent's Den. Preciso de você."

Eu deveria focar no problema.

Mas tudo o que conseguia pensar era se Aurora sabia no que estava se metendo.

Levantei-me, ajustando o paletó. Eu precisava colocar um fim nisso antes que começasse.

Mas, no fundo, já havia começado. E eu não sabia se queria parar.

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