Capa do romance A Rosa Proibida do Don

A Rosa Proibida do Don

8.0 / 10.0
Sophia levava uma vida simples na Sicília, focada em quitar dívidas como dançarina de flamenco. Tudo muda quando ela presencia um crime brutal em uma festa de gala. Agora, ela está na mira de Alessio Ricci, o implacável Don da máfia italiana. Para garantir o silêncio dela, ele decide mantê-la sob custódia, mas a proximidade desperta um desejo fatal. Em meio a traições e segredos, essa paixão proibida ameaça o destino de ambos nesse perigoso submundo.

A Rosa Proibida do Don Capítulo 1

O salão vibrava com vida, exalava um charme antigo no tijolo aparente, e na madeira gasta do chão que rangia a cada passo apressado sobre ela.

O cheiro de vinho e tabaco se misturava ao perfume amadeirado dos móveis envelhecidos e, ao fundo, a guitarra sendo afinada emitia um suave som.

As mesas, espalhadas de forma desordenada, estavam cheias de gente — alguns conversavam baixo, outros fitavam o palco, ansiosos pelo espetáculo.

Escondida, a dançarina mantinha o lento inspirar e expirar enquanto fitando as pessoas e tentando suprimir o velho nervosismo de toda noite.

No centro, um tablado escuro brilhava sob os refletores, à espera da dançarina que transformaria aquele espaço num templo de ritmo e paixão.

O brilho suave das velas tremulava sobre as mesas de madeira rústica. A penumbra tornava o ambiente íntimo, como se todos fossem confidentes.

Ali era, decerto, um lugar onde o tempo parecia desacelerar; a música era sentida, antes de ouvida…

O salão mergulhou em silêncio quando Sophia pisou no tablado. As luzes desenhavam sombras douradas sobre sua pele morena, realçando o brilho selvagem dos olhos de mel — o vício dos expectadores.

Seus cabelos longos e escuros, soltos como uma promessa não feita, desciam em ondas leves pelos ombros, prontos para acompanhar cada giro.

A guitarra soou, e ela começou. Primeiro, um movimento lento, quase provocador — o arrastar suave dos pés, o balançar natural dos quadris, como se ela carregasse um ritmo independente da música.

Sua cintura fina se curvava com leveza, enquanto as mãos traçavam gestos fluidos pelo ar, contando longas histórias sem nenhuma palavra.

Num golpe firme, o taconeo estalou no tablado e a dança explodiu. Sua saia rodopiava como uma chama viva, acompanhando a intensidade dos giros.

Havia algo nela que os hipnotizava — uma força além da beleza exótica de seus traços estrangeiros.

A cada batida dos pés e arquejo do corpo, uma sensualidade crua se mesclava à vibrante juventude.

Quando o último acorde se desfez no ar, Sophia parou, com o peito arfando, e o olhar fixo, ardente.

Observando o salão, o feitiço da dança rompeu num instante. Um arrepio rastejou por sua pele ao notar homens ao canto do salão. Não bebiam, nada falavam — só observavam e… observavam demais.

Suor frio se misturou ao brilho da pele sob os refletores, mas ela forçou um sorriso ao cruzar o olhar com um cliente — difícil saber quem era quem…

Ela engoliu em seco, mas forçou um sorriso quando um cliente comum cruzou seu olhar — era difícil saber quem era quem dentre os clientes…

Antes de ser engolida por temor, os aplausos vieram — altos, intensos, mas incapazes de capturar o que deixara ali, impresso no chão, no ar, nos olhares.

Os aplausos ecoavam ao sair do palco, já soando distantes. A cada passo, a tensão da dança dissipava, dando lugar a outro peso — mais cruel e conhecido.

O peito arfava, mas não só pelo esforço. O frio da preocupação se infiltrava sob a pele quente do palco.

A altiva postura da dançaria se desmanchava enquanto os ombros voltavam a pesar e a realidade, muito cruel com a moça, se impunha fortemente.

— Foi ótima! — Álvaro, garçom de sorriso fácil e jeito descontraído, se achegou, sempre a elogiando.

— Eu sei! — Suspirou. — Eu sei! — reafirmou-se.

Aos vinte, ele carregava uma leveza natural.

Alto e de físico esguio, se movia pelo salão com a graça de quem sempre soube dançar, mesmo que seus passos fossem apenas entre mesas e bandejas.

Álvaro tinha cabelos castanho-claros, quase dourados sob a luz quente do restaurante, sempre bagunçados de um jeito proposital — seu charme.

De traços delicados, uma beleza andrógina que chamava atenção sem esforço, e gosto impecável para roupas, mesmo no uniforme simples do trabalho.

— Agora chega o trabalho, não? — A moça o olhou com certa decepção. — É uma vida difícil… Al.

— Vamos agitar! — Ele já se exaltou num tom muito animado. — Não quero essa carinha de quem acabou de ser abandonada no altar… nem é noiva!

Sempre falante, espirituoso e exagerado nos gestos, mas, detrás de seu humor afiado, Álvaro guardava um coração muito leal e generoso.

Eles se entendiam sem precisar de muitas palavras — talvez porque ambos soubessem o que era lutar para tentar achar seu espaço no mundo.

Puxando-a, ainda a girou e a moça acabou se rendendo por um sorriso intruso que lhe surgiu.

— Assim é melhor… Vamos! — Ele a puxou na direção da área dos funcionários, onde cuidou de deixar o uniforme de Sophia destacado. — Só se vestir.

Respirando fundo, Sophia abriu um sorriso forçado, fazendo-o assentir, e tomou o uniforme para dar início ao seu expediente como garçonete.

Seus dias eram em jornada dupla, tripla ou quádrupla… o necessário para ela tentar diminuir as dívidas que já se somavam em casas milenares.

Não porque a moça gastou tanto, mas porque acabou herdando uma grande dívida do falecido pai — nem sequer sabia onde ele tinha gastado tanto.

— Vieram pelo dinheiro, eu acho. — Confirmou o que ela já temia, recostado na porta fechada enquanto Sophia, do outro lado, se vestia com pressa.

— Notei… — A moça abaixou a cabeça.

Seu corpo já estremeceu de medo.

— Tinha um aparente chefe deles… Saiu antes da dança acabar. — Seguiu a fofoca. — Era um gato — riu.

“Como consegue pensar nisso?”, ela se perguntou mentalmente enquanto o olhar já lacrimejava. Tentou respirar fundo, mas já não funcionou tanto assim.

— Você podia conversar com Giuseppe… Ver se ele me consegue um adiantamento… — Ela o sugeriu.

— Por que acha que eu conseguiria?

— Ah, Al! — Ela bufou. — Sei bem o que vocês andam fazendo quando o restaurante fecha… acha que me engana? — A moça o repreendeu e ele riu.

— Shhh, não pode falar assim… ele é casado!

— Casado com seu… — Ela se interrompeu.

— Também! — Ele continuou rindo. — Eu falo com ele… Digo que é para garantir a continuidade da vida da dançarina de flamenco mais barata da Itália.

— Ai, Al… Não humilha! — Ela abriu a porta.

— A mais barata e mais linda. — Complementou, fitando os olhos da moça e a abraçando. — Precisa se acalmar… Eles não aceitaram ser servidos ainda…

— Devem querer que eu vá. — Sophia suspirou.

— O tal chefe pareceu gostar do que viu. — Álvaro lançou um olhar travesso, como quem sugeria uma ideia absurda de propósito. — Podia tentar subornar…

Sophia arqueou a sobrancelha, cínica.

— Com o quê? Meu sorriso?

— Com outra coisa… e mais valiosa…

— Álvaro! — Empurrou-lhe, fingindo indignação, mas seu riso nervoso a traiu. — Isso não é hora disso.

— Sempre é! — Ele gargalhou.

Ficando mais sério, aproximou-se para segurar as mãos da amiga, tentando lhe encorajar a seguir:

— Enquanto você lida com eles, eu lido com o chefinho… — Álvaro falou. — Tenho certeza que ele vai aceitar. Giuseppe é um bom homem… Sei que vai!

Aquela repetição era indício de uma coisa para Sophia: ele teria certa dificuldade e provavelmente negociaria alguma coisa para conseguir o que queria.

Minimamente acalmada, Sophia olhou à porta.

Álvaro soltou sua mão e ela seguiu, já trajada como garçonete. A guitarra ainda tocava, o que sustentava um fio de normalidade no ar.

Então ela o viu. Um único homem, sozinho à mesa do canto, de terno impecável, olhar indecifrável.

A tensão em sua postura era sutil, mas presente — como quem não precisa se impor para ser temido. O coração de Sophia acelerou, e não foi pela música.

Engoliu em seco, mas deu o primeiro passo…

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