Capa do romance Eu sou a Lei!

Eu sou a Lei!

9.6 / 10.0
Comandando uma das maiores facções do país, assumi o lugar do meu pai após sua morte. Sou respeitado por todos, mas uma advogada atrevida desafia minha autoridade. Mesmo preso, sigo no controle e me vejo obcecado por essa mulher de olhos cor de mel, contratada para me defender. O desejo por ela me consome e não aceitarei um não como resposta. Assim que eu cruzar os portões deste presídio, farei de tudo para que essa morena seja minha, custe o que custar.

Eu sou a Lei! Capítulo 1

O sistema prisional e judiciário sempre teve muitas falhas no nosso país. Infelizmente, em sua maioria a corrupção impera e com isso, nós acabamos por nos corromper de um modo ou outro. No meu caso, eu me corrompi ao conhecê-lo. Desse conhecer, me envolvi demais. Não só como a sua advogada, mas como a baixinha astuta como ele me chama sempre que o conquistou e acabou sendo conquistada por esse homem que me fez ver a verdadeira vida no Morro dos Macacos no Rio de Janeiro.

Me chamo Eduarda Medeiros e tenho 25 anos, sou nascida e criada no Rio de Janeiro na zona Sul, mas precisamente na Barra da Tijuca. Minha mãe não está mais entre nós, ela morreu vítima de uma bala perdida quando estávamos saindo de um shopping quando eu tinha apenas 12 anos. Desde então, o meu pai Emílio Medeiros, um renomado juiz, foi quem esteve comigo durante todos esses anos. Ele nunca mais se casou depois da minha rainha. E de fato não o julgo por isso, pois encontrar uma outra mulher como a dona Júlia, acho que será um pouco complicado.

Eu sou formada em direito. Me formei com honras. Para nós que somos pretos, é difícil termos uma melhoria de vida, mas graças ao meu pai ter sido adotado por um casal de holandeses quando vieram ao Brasil para morar, eles se apaixonaram pelo meu pai que ainda era um bebê de seis meses de idade cujo a sua mãe biológica havia morrido vítima de uma overdose de craque.

Sou uma das melhores advogadas do país. E foi aí que algumas pessoas me procuraram, para defender ele. O Henrique Fontes mais conhecido como Alemão Dark, acusado de estupro de menor e tentativa de homicídio da mesma. Ele alega inocência, mas a partir do momento em que se é preso, até que se prove o contrário, é considerado suspeito.

Infelizmente, a ficha dele não é das melhores, traficante, chefe de um morro que é mais perigoso de todos já vistos que até a polícia respeita e se amedronta com ele. Fora alguns roubos a mão armada que o mesmo já cumpriu as suas penas relacionadas a isso.

Quanto ao tráfico, ele por não ter sido pego em flagrante e ter algumas cartas na manga, não foi indiciado por isso.

Eu sempre fui a menina dos olhos do meu pai. Preta, cabelos encaracolados, olhos cor de jabuticaba, 1,65m de altura, quadris e seios fartos. Digamos que sou a fora dos padrões de beleza, mas não me considero assim. Me amo do jeito que sou. Sim, sou baixinha, com excesso de gostosura e da cor do pecado.

Para a sociedade como eu ia dizendo, se você é preto e pobre, dá para ladrão, mas se é preto e rico é visto como uma abominação. No meu caso, eu sou a burguesinha. Meu pai teve as melhores educações, os melhores carros, etc., tudo graças aos meus avós adotivos. Sei que se minha avó biológica estivesse viva, provavelmente o meu pai não tivesse um terço do que ele tem hoje. E vou te falar viu, ele não teve nada de mão beijada. Sempre correu atrás de tudo.

Enfim, hoje estou aqui para contar a minha história deitada nesse divã. E espero que com esse desabafo, eu possa enfim tomar uma decisão, entre a razão ou coração. Só sei que algo aqui se quebrará dentro de mim e por causa de apenas estar entre a cruz e a espada, eu sei que não sairei machucada, pois já estou machucada por estar pensando em que decisão tomar.

Um Ano Antes...

- Henrique Fontes, visita para você! – O carcereiro se aproxima da cela anunciando.

Henrique que estava deitado sobre o fino colchão em cima de uma cama de cimento olha para o carcereiro com cara de poucos amigos. Ele bufa e revira os olhos. Senta-se na cama e calça os seus chinelos de dedo.

- Vamos logo Henrique que eu não tenho o dia todo. – O carcereiro já fala sem paciência.

Ele o encara e arrastando os seus chinelos, ele se aproxima da grade que logo é aberta. Ele passa olhando de relance para o carcereiro e o mesmo fecha a grade em seguida e dá um leve empurrão nas suas costas.

Henrique sorri de canto de boca e acena em afirmação. Ali, ele poderia até assinar a sua sentença, já que o mesmo ultimamente anda sem paciência. Mal sabia ele, que a sua sorte mudaria naquele dia em que alguém o aguardava.

Com as algemas no pulso que o parceiro de cárcere havia colocado, ele continua andando com a sua bermuda surrada jeans e camiseta regata branca colada ao seu corpo musculoso e mostrando as diversas tatuagens que tem pelo braço.

Ouvindo a conversa entre eles, Henrique presta bastante a atenção quando falam especificamente da visita que o aguarda.

- Você viu, até que ela é bem gostosinha. – O carcereiro que algemou Henrique fala com o outro com uma certa malicia.

- Cara, você é um pervertido. Vê se uma mulher daquela vai dar bandeira para um de nós. Nem se fosse esse aqui, ela ia querer nada.

- Mas se ela me desse bola, dava um trato legal que baixinha mais gostosa.

O carcereiro que abriu a cela chamando Henrique, balança a cabeça em negação com uma careta.

Henrique, ouvia tudo calado e se perguntava quem era essa beleza toda que estava por ali, será que ela veio vê-lo? Não, ele não achava que teria essa sorte nos seus 33 anos de idade.

Uma sala reservada ele foi encaminhado. Já estava achando aquilo estranho já que dias de visitas ou que seja alguém que não fosse importante, era em uma sala nada especial, o que dirá reservada.

Um arrepio percorreu pelo seu corpo, pois o mesmo achava que algo detrás daquela porta mudaria a sua vida. E de certo, iria acontecer. Mas não iria mudar a vida dele, mas de quem o esperava.

Sentada com uma pasta aberta e alguns papeis sobre a mesa, estava lá uma mulher linda. A mulher que ele jamais pudesse jamais cobiçar ou querer. Aquela que mudaria de vez o seu destino, ou ele ao dela.

Ela estava concentrada ao ler aqueles papeis e Henrique ao ser conduzido a entrar naquela sala, engoliu em seco e sentiu o seu coração bater fora de compasso com a imagem daquela que depois daquele dia, perturbaria o seu sono e pensamentos.

O carcereiro conduziu-o até a cadeira frente a ela e prendeu os seus pulsos algemados na corrente que há presa no meio da mesa de ferro. Ao sentir o cheiro másculo e vil vindo de Henrique, ela ergue a sua cabeça e com aquele óculos quadrado de grau em seu rosto quase caindo do mesmo por estar na ponta do nariz, encara com aqueles belos olhos que o mesmo se perdeu ao fita-los.

Uma voz em seu consciente lhe dizia, ele estava perdido. Ele sorriu para aquela bela mulher que ainda estava enfeitiçada com a beleza daquele homem. Moreno, olhos castanhos cor de mel, cabelos pretos lisos na altura do queixo, barba rala, de 1,75m de altura com os seus músculos bem distribuídos pelo corpo. Dono de um sorriso que derrete e deixa qualquer mulher louca, mas não ele. Pelo menos, era o que ela não demonstrava para ele quando lhe sorriu. Ela estava séria.

Ele ficou surpreso pelo seu sorriso não ter surtido o efeito que ele esperava, até que um pouco enraivecido pelo ego ferido, com a voz rouca e séria, ele a indaga.

- Quem é você?

Ajeitando os óculos de volta no seu rosto, ela cruza os braços e o encara. Ela responde no mesmo tom que ele.

- Eu sou Eduarda Medeiros, a sua advogada.

Perplexo pela revelação, Henrique engole em seco não acreditando que aquela perdição na sua frente, era a famosa advogada que tanto os seus braços direitos falavam.

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