
A Obsessão do Mafioso - A Filha do Amigo
Capítulo 3
Capítulo 3 – "Provocação Silenciosa"
(Narrado por Aurora St. James)
O som seco dos meus saltos ecoava pelo mármore frio do corredor. Cada passo parecia mais alto do que deveria, reverberando nas paredes da mansão como um aviso. Ou talvez uma promessa.
A casa estava viva esta noite. As luzes douradas pendiam dos lustres de cristal, lançando reflexos nas paredes cobertas de obras de arte. O cheiro de rosas recém-arranjadas misturava-se ao aroma de pratos sofisticados vindo da cozinha. O som abafado de risadas e conversas fluía da sala de recepção, misturado ao tilintar de taças.
Mas nada disso me importava.
Diante do espelho, estudei meu reflexo com atenção.
O vestido que escolhi não era uma escolha inocente. Preto, justo, de cetim liso, com alças finas que mal sustentavam o tecido contra a pele. A fenda lateral era ousada demais para um evento familiar, e o decote era profundo o bastante para sugerir intenções que eu não tinha coragem de admitir em voz alta.
Passei os dedos pelo tecido, sentindo a suavidade contrastar com o frio que subia pelas minhas pernas.
Eu sabia que ele estaria aqui. Sabia que me olharia. E queria ver até onde podia ir.
Prendi o cabelo em um coque baixo, deixando algumas mechas soltas. Deliberadamente despretensiosa. Ou era o que queria parecer.
Coloquei brincos discretos, um anel simples. Nada que distraísse. A mensagem era clara, o corpo falava por si.
Inspirei fundo.
Que comece o jogo.
🔥🔥
A cada passo em direção à sala principal, sentia meu coração acelerar. Uma parte de mim gritava que isso era loucura. Que ele não era o tipo de homem com quem se brinca.
Mas a outra parte... A outra parte queria mais.
Queria ver até onde ele iria. Até onde eu poderia forçá-lo.
Não era apenas desejo. Era poder. E eu queria senti-lo.
A sala estava lotada. Homens de ternos bem cortados, mulheres em vestidos de grife, taças de cristal erguidas em mãos cuidadosas. Sorrisos falsos. Conversas vazias.
Meu pai, Victor, estava cercado por seus parceiros de negócios. Ria alto, orgulhoso, enquanto apertava mãos e fechava acordos disfarçados de simpatia.
Pessoas se moviam ao meu redor, mas meus olhos procuravam apenas uma.
E então, encontrei-o.
Dante estava recostado perto da varanda, uma taça de whisky na mão. O terno escuro abraçava seu corpo com perfeição. A luz dourada realçava as linhas duras do rosto, a barba por fazer, o olhar cortante.
Ele falava com Lorenzo, mas não sorria. Não precisava.
Não me olhava. Não ainda.
Fingi desinteresse. Sorri para um convidado qualquer, aceitei uma taça de champanhe. Murmurei algo irrelevante, rindo baixinho.
Mas me movi. Passei perto. Perto demais. O perfume dele misturou-se ao meu, e por um segundo, o mundo pareceu desacelerar.
Nada. Nenhuma reação.
Até sentir. Uma mão firme, quente, fechou-se ao redor do meu pulso. Rápida, precisa.
Puxou-me discretamente para um canto mais escuro do corredor.
- Está brincando com o quê exatamente, princesa? - A voz dele era baixa, arrastada.
A pele sob seus dedos queimava. O aperto não era forte o suficiente para machucar, mas também não era gentil.
- Quem disse que estou brincando? - Sussurrei, sem recuar.
Os olhos dele desceram lentamente pelo meu corpo. Não havia pressa. Não havia vergonha.
- Tome cuidado.
Os dedos dele deslizaram do meu pulso até minha mão, soltando-a lentamente.
- Porque se começar algo que não pode terminar, vai se arrepender.
Fiquei ali, imóvel, enquanto ele se afastava. A pele ainda formigava onde ele me tocou.
E eu... Sorri.
Voltei para o salão, os dedos ainda levemente marcados pelo toque dele.
A cada passo, sentia o calor subir pelo corpo. Ele havia me avisado. Mas não me afastou.
Era uma linha tênue, e eu estava disposta a atravessá-la.
Ao longo da noite, nossos olhares se cruzaram mais de uma vez. Ele não sorria. Não demonstrava nada. Mas havia algo no olhar dele, algo que me despia lentamente, sem tocar.
Quando Lorenzo se aproximou para conversar comigo, notei o leve tensionar do maxilar de Dante. Um detalhe quase imperceptível. Mas estava lá.
E isso me alimentou.
Deslizei o dedo pela borda da taça, provocando sem precisar de palavras. Ele não se aproximou de novo. Mas me observava.
Sempre.
O frio do mármore sob meus pés contrastava com o calor crescente na pele. O som abafado da música preenchia o ambiente, misturado às vozes e risadas.
O perfume amadeirado de Dante parecia me seguir, se misturando ao aroma adocicado do meu próprio perfume. A leve pressão do toque dele ainda estava ali, como uma sombra.
O vestido preto era mais do que uma peça de roupa. Era uma armadura e uma arma. Representava a dualidade entre inocência e provocação, o limite tênue entre o jogo e o perigo real.
A taça de champanhe que eu girava nas mãos era frágil, prestes a se partir, assim como o controle que ambos tentavam manter.
Pouco antes de sair do salão, notei Dante falando ao telefone. O olhar dele estava mais sombrio, tenso.
Lorenzo passou por mim rapidamente, com uma expressão dura. Algo estava acontecendo. Mas isso não era problema meu.
Ou era?
Enquanto subia lentamente as escadas para o meu quarto, ouvi passos pesados atrás de mim.
Não precisei olhar para saber.
A voz dele veio baixa, firme:
- Você não entende, entende? Isso não é um jogo.
Virei-me lentamente, sorrindo de canto.
- Talvez seja.
E fechei a porta com calma. Mas o coração martelava no peito. Porque, no fundo, eu sabia.
Ele estava prestes a me mostrar que monstros também sabem brincar.
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