
A Companheira Indesejada: O Lobo Branco Desperta
Capítulo 2
Ponto de Vista de Eva:
"Eva, espere, deixe-me explicar!" Samuel deu um passo à frente, mãos levantadas. Ele soltou um rosnado baixo, um uso sutil de seu tom de Alfa destinado a fazer os membros da alcateia se submeterem. "Acalme-se."
Geralmente, a voz do Alfa faria meus joelhos tremerem. Mas hoje, a raiva no meu sangue agia como um escudo.
"Não", avisei. "Não se atreva a usar sua Voz comigo."
Olhei para a criança, Nina. Ela estava se escondendo atrás das pernas de Lívia. Respirei fundo, deixando o ar fluir sobre minhas glândulas olfativas.
Samuel cheirava a medo e almíscar. Lívia cheirava a baunilha e leite. E a criança...
Franzi a testa. A criança cheirava a Samuel. Era uma camada espessa de cheiro. Mas por baixo disso... não havia ligação genética.
Lobos podem cheirar laços de sangue. É biológico. Um pai e uma filha compartilham uma ressonância subjacente específica. Nina não tinha isso.
"Ela te chama de papai", eu disse calmamente. "Mas ela não tem o cheiro do seu sangue, Samuel."
Samuel congelou. Seus olhos dispararam para Lívia.
Lívia imediatamente caiu no choro. "Como você pode dizer isso?" ela soluçou, puxando Nina para mais perto. "Só porque você não pode ter filhos, Luna Eva, não significa que deva negar a nossa! Você é tão invejosa assim?"
"É verdade, Eva", Samuel disse rapidamente, agarrando-se à mentira. "Nina é minha. Eu... eu cometi um erro cinco anos atrás. Antes de sermos 'Escolhidos'. Eu não queria te machucar."
Ele estava mentindo. Eu podia sentir o cheiro acre do engano emanando dele. Ele não estava com medo de que eu o deixasse por traição; ele estava com medo de que eu fosse embora e levasse a influência da minha família comigo. Meu pai era um Alfa Líder. Samuel usava essa conexão para empréstimos e respeito.
"Você está mentindo", eu disse. "E você é patético."
"Mamãe, estou com medo", Nina choramingou.
"Está tudo bem, bebê", Lívia arrulhou, me fuzilando com o olhar através das lágrimas. "A moça má só está chateada porque ela é vazia por dentro."
Algo dentro de mim se partiu.
"Quero que você processe os papéis de adoção", eu disse, minha voz desprovida de emoção. "Se ela é sua filha, torne isso legal. Pare de escondê-la como um segredo sujo."
"Eu... sim, claro", Samuel gaguejou, claramente confuso com minha mudança repentina. "Eu farei isso."
"Vou para o carro", eu disse. "Não me siga."
Virei as costas. Enquanto me afastava, o vento carregou os sussurros de dois lobos de baixa patente limpando o pátio do orfanato.
"Você ouviu? O Alfa e a Lívia são registrados na Alcateia Riacho Vermelho. Companheiros reais. Dizem que ele só está esperando a Luna morrer ou ir embora."
Minhas mãos apertaram o volante até meus nós dos dedos ficarem brancos. A Alcateia Riacho Vermelho. Ele tinha um certificado real lá.
Sentei no banco do motorista, o silêncio do carro ensurdecedor. Alcancei o porta-luvas e peguei um celular descartável que eu mantinha para emergências. Disquei um número que não ligava há cinco anos.
A tela piscou e uma chamada de vídeo conectou.
Um rosto apareceu. Severo, com cicatrizes, com olhos cinzentos como uma tempestade de inverno.
"Eva?" A voz era profunda, retumbando como um trovão.
"Pai Alfa", sussurrei. Minha garganta apertou. "Eu... eu quero voltar para casa."
Meu pai, o Alfa da Alcateia Real do Norte, inclinou-se para mais perto da câmera. Ele viu meus olhos vermelhos, o tremor dos meus ombros. Um rosnado baixo começou em seu peito.
"Quem fez isso?" ele exigiu. "Foi aquele vira-lata com quem você se casou?"
"Cometi um erro, papai", solucei, a primeira lágrima finalmente caindo. "Não sou estéril. Ele... ele mentiu. Tudo é uma mentira."
"Arrume suas coisas", meu pai ordenou. "Estou enviando a Guarda de Elite. Eles estarão aí em dois dias. Não deixe ele tocar em você."
"Não vou", prometi.
"E Eva?"
"Sim?"
"Deixe sua loba acordar. Você é uma Loba Branca. Nós não nos curvamos para o lixo."
A chamada encerrou. Olhei no espelho retrovisor. Meus olhos, geralmente de um azul suave, estavam brilhando com um traço momentâneo de prata.
Dirigi de volta para a casa da Alcateia. Esperava que Samuel ficasse longe.
Mas na manhã seguinte, desci as escadas para encontrá-los lá. Samuel, Lívia e Nina. Sentados à minha mesa de jantar. Comendo panquecas.
"Bom dia, Eva", disse Samuel, sua voz forçando normalidade. "Eu os trouxe aqui. Pensei... já que você sabe, poderíamos tentar ser uma família. Pelo bem da Alcateia."
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