
A Companheira Indesejada: O Lobo Branco Desperta
Capítulo 3
Ponto de Vista de Eva:
O cheiro de bacon e ovos enchia a cozinha, geralmente um aroma reconfortante, mas hoje fazia meu estômago revirar.
"Sente-se, Eva", disse Samuel, puxando uma cadeira. Ele estava agindo como o Alfa benevolente, forçando harmonia onde só havia traição. "Lívia fez o café da manhã."
Lívia levantou os olhos do prato, inocentes e arregalados. Ela estava usando um dos meus roupões de seda antigos. "Espero que não se importe, Luna. Eu não tinha nada confortável para vestir."
Encarei o roupão. Foi um presente da minha mãe.
"Tire isso", eu disse.
"Eva!" Samuel bateu a mão na mesa. "Seja razoável. É apenas tecido."
"Eu quero que a mamãe e o papai durmam comigo hoje à noite!" Nina anunciou alto, batendo a colher.
Lívia a fez calar, mas lançou um sorriso presunçoso em minha direção. "Shiu, Nina. A Luna é sensível."
Ignorei-os e sentei-me, principalmente porque minhas pernas pareciam fracas. Minha loba andava de um lado para o outro dentro da minha mente, arranhando as paredes da minha consciência, exigindo sangue. Ainda não.
"Aqui", disse Lívia, deslizando uma cesta de pães em minha direção. "Assei este pão especial. Tem erva-doce nele. Minha avó costumava dizer que ajuda com... problemas de fertilidade."
O insulto veio embrulhado em um sorriso.
Olhei para o pão. Parecia dourado e macio. Erva-doce era comum, inofensiva.
"Não estou com fome", eu disse.
"Por favor, Eva", Samuel suspirou, parecendo exausto. "Lívia está tentando fazer as pazes. Coma o pão. Mostre-me que você pode ser uma Luna que aceita sua Alcateia."
Aceita sua Alcateia. Ele queria dizer aceita sua infidelidade.
Estendi a mão. A ponta dos meus dedos roçou a crosta do pão.
Instantaneamente, uma sensação aguda e ardente subiu pelo meu braço. Parecia que eu tinha tocado em um fio desencapado. Minha pele queimou.
Puxei minha mão de volta.
"O que há de errado?" Samuel perguntou.
Encarei o pão. Minha loba rosnou.
"Isso não é erva-doce", sussurrei, olhando para Lívia. O sorriso dela vacilou por uma fração de segundo.
"Claro que é", disse Lívia, a voz trêmula. "Eu mesma colhi."
"É Acônito", eu disse, minha voz subindo.
Acônito. Mortal para a nossa espécie. Em pequenas doses, causa doença e aborto espontâneo. Em grandes doses, fecha a garganta e para o coração.
"Você está louca!" Samuel levantou-se. "Acônito? Na cozinha? Eva, seu ciúme te deixou insana."
"Toque, Samuel", desafiei-o. "Se é erva-doce, coma."
Samuel hesitou. Ele olhou para o pão, depois para Lívia. Os olhos de Lívia estavam cheios de lágrimas novamente. "Ela está me acusando de tentar matá-la! Samuel, não posso ficar aqui! Ela é perigosa!"
"Ela é perigosa", concordou Samuel, olhando para mim com nojo. "Eva, você está perdendo a cabeça."
"Eu posso sentir o cheiro!" Eu gritei. "Ela está me envenenando!"
"Chega!" Samuel rugiu. Ele usou o Comando de Alfa. O ar na sala ficou pesado, pressionando meus ombros como pesos de chumbo. "Silêncio!"
Minha boca se fechou contra a minha vontade. O poder do Alfa sobre um membro da alcateia era absoluto, a menos que o membro fosse mais forte. E agora, no meu estado enfraquecido, ele era mais forte.
"Vou levar a Nina lá para cima para brincar", disse Samuel, a voz fria. "Você e Lívia vão resolver isso. Peça desculpas a ela, Eva. Ou juro pela Deusa da Lua, vou trancar você no seu quarto."
Ele pegou a mão de Nina e marchou para fora.
Fiquei sentada lá, lutando contra o Comando, meu maxilar doendo.
Assim que Samuel se foi, as lágrimas desapareceram do rosto de Lívia. Ela pegou o pedaço de pão que eu havia tocado.
"Você tem um bom nariz", ela sussurrou, inclinando-se sobre a mesa. "Para uma cadela estéril."
"Por quê?" consegui ranger os dentes, o Comando diminuindo ligeiramente com a distância de Samuel.
"Porque esta é minha Alcateia agora", sibilou Lívia. Seus olhos brilharam em amarelo — a cor de um lobo comum. "Samuel precisa de um herdeiro. Dei a ele um falso para entrar pela porta. Mas assim que você estiver morta... darei a ele um verdadeiro. Ou talvez eu apenas pegue o dinheiro dele. Quem se importa?"
"Ele vai descobrir", eu disse.
"Ele vê o que quer ver", Lívia sorriu. Ela se levantou e contornou a mesa até mim. "E agora, ele vê uma ex-esposa louca e ciumenta."
Ela agarrou meu maxilar com uma força surpreendente. "Coma."
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