Capa do romance Alem da Escuridão

Alem da Escuridão

9.0 / 10.0
Medson perdeu a visão e se afastou de Fabrício, seu grande amor, após traumas familiares. Anos depois, sua mãe a vende para Miguel, um mafioso obcecado que explora sua cegueira. No entanto, Fabrício reaparece como um policial implacável que esconde sua origem criminosa. Ao reencontrar a mulher que sempre buscou, ele enfrentará o próprio pai e a máfia para protegê-la. Em um mundo de traições, Medson lutará para retomar sua vida e encontrar a luz em meio ao caos.

Alem da Escuridão Capítulo 1

Medson estava sentada no chão frio daquela casa que hoje se faz seu cativeiro. As suas veste rasgadas, seu rosto machucado e as lágrimas que já não escorria mais, presas em seus olhos, sentindo a brisa sombria e o medo que a persegue abraçar seu corpo. Ela se lembrava vividamente do dia em que tudo mudou. A primeira vez que sentiu seu coração disparar, quando enfim se declarou para Fabrício, a traição da mãe, o acidente que tirou sua visão e o primeiro contato com o homem que destruiu a sua vida.

Ela tentava se reerguer, mas parecia que o peso de todas as adversidades era esmagador demais. A voz de sua mãe ecoava em sua mente, as palavras cruéis que ela disse quando descobriu a traição com o melhor amigo de seu pai.

Medson se perguntava como poderia seguir adiante. Naquele tempo a escola parecia tão distante, ela havia se afastado dos seus amigos, pois acreditou que eles fossem incapazes de lidar com a nova realidade de sua vida. Ela se sentia sozinha, uma solidão que ela mesmo se colocou, perdida na escuridão que agora era sua constante companhia.

Mas hoje com sua nova realidade, estar sozinha, era a melhor opção.

Como ela poderia imaginar que aquela ida mais cedo para casa, iria lhe trazer tanto medo e dor? Como ela poderia imaginar que sua própria mãe lhe venderia sem sentir o menor remorso?

Medson não conseguia entender o que a levou a estar naquela situação. Ainda tentava processar a traição de quem ela tanto precisou de proteção. Ela se sentia traída, abandonada e perdida. Tudo o que ela queria naquele momento era voltar no tempo e consertar o que estava quebrado, mas ela sabia que isso era impossível.

Enquanto estava imersa em seus pensamentos, ela ouviu passos pesados se aproximando. O coração de Medson acelerou com o medo do que estava por vir. Ela já sabia o que esperar, sabia que por mais que tentasse lutar, ela não conseguiria se livrar dele... o homem que destruiu a sua vida.

Enquanto a porta se abria lentamente, Medson se encolheu abraçando fortemente seu próprio corpo e respirou fundo, preparando-se para mais um dia do seu pior pesadelo.

Os passos se tornam cada vez mais próximos, Medson estava com misto de sentimentos, mas o medo e a angústia a consumia a cada soar das batidas dos sapatos no chão, até que de repente um toque delicado a fez tremer e uma voz que até então era desconhecida, soou aos seus ouvidos.

— Medson... meu Deus, enfim te encontrei.

Anos atrás...

Medson Parker nasceu e cresceu no Texas. Como toda adolescente de 15 anos faz planos de crescer, estudar e trabalhar naquilo gosta. Seu sonho sempre foi ser estilista. Apesar da vida simples que leva, sua vontade de crescer e ajudar o pai era imensa.

Como todos os dias quando o fim das suas aulas chegam, ela senta num banquinho de cimento que tem na praça que fica atrás escola. Seus olhos percorrem entre os adolescentes que ali estavam e param em uma única pessoa. Lá estava ele, seu primeiro amor. Fabrício era um garoto muito gentil e educado. Medson sempre se sentia extremamente feliz por estar com ele mesmo sendo somente como amigos.

— Oi para garota dos olhos verdes mais lindos que já vi.— Fabrício fala a cumprimentando, ele senta ao seu lado e ficam por alguns minutos em um silêncio confortável.— Esse é seu caderno de desenhos?— ele diz puxando das mãos dela.

— Não, devolve, você não vai gostar.— Medson sussurrou tentando pegar, seu corpo se inclina um pouco perto dele e por uns segundos ela sente seu coração acelerar, ela sorri disfarçadamente sentindo seu rosto corar.

— Nossa que incrível os seus desenhos.— ele diz, foleando o caderno admirado com tamanho talento que ela tem, mas para quando em algumas folhas vê que Medson desenhou seu rosto, Fabrício começa a encara-la diferente de todas as outras vezes.

— Você gostou?– Medson pergunta envergonhada.— Acho que preciso melhorar em muita coisa.— Ela sussurra desviando o assunto.

— Melhorar o que? Está perfeito.

— Ah, você sabe! Minha mãe sempre diz que não tenho talento para isso.

— Como não? Sua mãe não sabe de nada. Medson, você é incrível, olha seus desenhos, isso daqui é uma obra de arte! Nem mesmo muitos profissionais conseguem dar tanta perfeição. Ouça, você pode se tornar tudo aquilo que você quiser. Nunca deixe as palavras negativas das pessoas te dizerem ao contrário.

— Você tem razão, minha mãe nunca está satisfeita com o que eu faço mesmo.— Medson desvia o olhar e olha para o chão.— As vezes até penso que ela só me suporta por causa do meu pai.

— Ela não sabe a a garota incrível que tem.— ele leva os braços para cima do ombro dela e a abraça.

— Obrigada, Fabrício...

Os dois se olham novamente com carinho e admiração, Fabrício leva os dedos para o rosto dela e gentilmente acaricia sua bochecha. Novamente Medson sente um arrepio percorrer em seu corpo e seu coração começa a bater mais rápido. Ela nunca havia sentido coisas tão intensa antes.

Sentindo tamanha conexão, Medson se inclina levemente em direção a Fabrício. Seus lábios se aproximam lentamente, como se o tempo estivesse parado naquele momento. O coração de Medson está prestes a entrar em curto quando seus lábios finalmente se encontram em um beijo suave e doce. O mundo ao redor desaparece e tudo o que importa é a sensação maravilhosa de estar perto de Fabrício. Medson sente uma mistura de felicidade e emoção, tudo se misturando em um único momento mágico, o seu primeiro beijo.

O beijo dura apenas alguns segundos, mas parece uma eternidade para ambos. Eles se separam lentamente, saboreando a doçura desse momento especial.

Medson olha nos olhos de Fabrício, seu sorriso tímido revelando toda a felicidade que ela está sentindo. Fabrício sorri de volta, seus olhos brilhando com sinceridade.

— Já tem um tempo que venho pensando em fazer isso.— Diz Fabrício, encarando seus olhos com ternura e admiração.

— Eu não sei o que falar.— ela sorri timidamente, fazendo ele sorrir.

Novamente eles se beijam, um beijo inocente, sem querer precipitar nada. Apesar de Fabrício ter 18 anos, já ter conhecimento de coisas que Medson desconhece, ele se sentiu tão bem com aquela cumplicidade que tiveram.

Enquanto eles se abraçam, Medson encosta a cabeça no seu peito, eles ficam ali apreciando a companhia um do outro até entardecer.

No decorrer da semana, Medson e Fabrício se encontram na praça da escola. O sol estava se pondo e a brisa suave traz consigo uma sensação de conforto. A amizade entre eles cresceu desde aquele primeiro beijo, e agora, se encontram com mais frequência para conversar e compartilhar momentos especiais.

Sentados no mesmo banco de sempre, Medson e Fabrício sentem-se à vontade um com o outro. A conversa flui naturalmente, como se não houvesse espaço para silêncios desconfortáveis. Eles riem juntos, compartilham seus sonhos e até mesmo seus medos.

Enquanto trocam confidências, Fabrício olha para Medson com admiração e carinho. Seu coração ainda se lembra daquele primeiro beijo, que foi tão especial para ele. Mas agora, ele sabe que precisa agir com cautela, pois Medson é jovem e está começando a explorar o mundo.

— É tão bom estar com você.— Ele diz segurando Levementesua mão.— Só ao seu lado consigo ser eu mesmo, sabe. Sem aquela cobrança do pai com os treinamentos.

— É difícil fazer o que a gente não gosta.

— Muito. Meu pai mora em outro país, porém todos os dias ele deixa seu braço direito me seguindo para ver se farei o que ele manda.

— O que seu pai faz?— ela pergunta curiosa. Fabrício suspira pesadamente sentindo exausto.

— Infelizmente não posso te contar. Ele é tudo aquilo que eu abomino. Mas sei que assim como eu, ele não teve escolha.

— Hum, seu pai é um mafioso?— Ela brinca e Fabrício desvia o olhar.— Seja como for, sei do seu caráter e nada me faria perder essa admiração que tenho por você.— Medson se aproxima e da um leve beijo nele, Fabrício a abraça e suspira aliviado.

Por outro lado, Medson sente-se atraída por Fabrício de uma maneira que nunca experimentou antes. Seus beijos são suaves, gentis e despertam uma sensação de conforto. Ela se sente protegida em seus braços.

Aquelas palavras são um alívio para Fabrício.

— Sua maturidade me surpreende.— Ele brinca e eles começam a rir.— É tão bom saber que posso contar com você, que não tem cobrança em saber coisas que é tão importante. Eu prometo que vou fazer de tudo para que nosso relacionamento seja sempre assim.

— Eu amo você Fabrício, e quero muito nos ver conquistar tudo que merecemos.— Medson da um leve beijo nele e logo separa envergonhada.

— Voce é uma fofa.— ele sorri com as bochechas dela ficando avermelhadas.— Tendo você do lado, não preciso de mais nada.

— Já escolheu a faculdade ou instituição de ensino que ofereça o curso de formação?

— Sim, já me escrevi no curso de formação de policiais.

— Que legal. O que tanto você vai ter que fazer?

— Tanyas coisas, nada que eu já não tenho feito por ordens do meu pai. Vou começar a defesa pessoal, armamento e tiro, primeiros socorros essa semana.

— Hum, vou ser namorada de um futuro policial?— Ela brinca.

— Sim. E futuramente um chefe de polícia.

Medson sorri orgulhosa com a forma que ele fala. Fabrício se aproxima e envolve ela um longo beijo. Um beijo inocente e cheio de sentimentos.

— Agora tenho que ir, namorado.— ela brinca.— Até amanhã.

— Tá bom, namorada. Amo você. Nunca se esqueça disso.

— Não vou esquecer.

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