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Capa do romance A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

Arthur Montenegro, o renomado promotor que acreditei ser meu salvador, destruiu minha vida ao me incriminar para proteger sua ex, Catarina. Após três anos de prisão injusta, fui recebida com humilhação e abandono médico enquanto agonizava. A dor transformou meu amor em um desejo implacável de vingança. Não busco justiça comum; quero arruinar a carreira, a reputação e o relacionamento de Arthur. Ele sentirá na pele cada perda que me causou.
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Capítulo 2

Arthur parecia o mesmo. Seu terno era impecavelmente alinhado, seu cabelo escuro perfeitamente penteado. Ele se movia com a mesma confiança fácil que encantava júris e desarmava oponentes. Ele era o sol, e todos os outros eram apenas planetas presos em sua órbita.

Senti um fantasma de um recuo quando ele se aproximou do carro, meu corpo se lembrando de um tempo em que sua presença significava segurança. Agora, parecia apenas uma ameaça.

Ele abriu minha porta, a mão repousando em meu braço. O toque era para ser reconfortante, possessivo. — Helena. Você está em casa.

Antes que eu pudesse responder, outra voz cortou o ar, doce e enjoativa. — Helena! Oh, querida, você finalmente chegou!

Catarina.

A mão de Arthur imediatamente caiu do meu braço como se estivesse quente. Ele se virou para ela, um reflexo que eu conhecia muito bem.

Eu não disse nada. Apenas a observei. Ela era uma visão em um vestido branco, seu cabelo loiro capturando a luz da tarde. Ela correu para frente, as mãos unidas em uma performance de emoção avassaladora.

— Sinto tanto, tanto por tudo — ela sussurrou, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. — Você não tem ideia do quanto rezei por este dia.

— Ela está sendo sincera, Helena — disse Arthur, colocando-se entre nós. Seu tom era firme, um comando sutil. — Catarina tem sido uma rocha. Foi ela quem planejou tudo isso, para você.

Ele estava me dizendo para ser grata. Ele estava me dizendo que eu devia algo a ela. A injustiça daquilo era uma pressão física no meu peito.

Abri a boca para falar, para dizer qualquer coisa, mas Arthur pegou meu cotovelo. — Vamos, todos estão esperando.

Ele me guiou para o pátio, seu aperto inflexível. O murmúrio baixo da conversa parou. Todos os olhos se voltaram para mim. Eu podia ouvir seus sussurros, nítidos e cruéis.

— É ela? Parece acabada.

— Ela matou o próprio pai. Dá pra imaginar?

— O que o Arthur vê nela? Ela não chega aos pés da Catarina.

— Ouvi dizer que a família dela é gente baixa. Sofria abuso ou algo assim.

— O Arthur e a Catarina namoraram na faculdade, sabe. Eles sempre foram o casal perfeito.

Vi a mandíbula de Arthur se contrair. O sorriso em seu rosto ficou tenso. Ele me puxou para mais perto, o braço envolvendo meus ombros em um gesto protetor que parecia anos atrasado.

— Não dê ouvidos a eles — ele murmurou em meu ouvido, seu hálito quente contra minha pele.

Mas seu abraço não oferecia conforto. Meu corpo era um bloco de gelo. Eu não me inclinei para ele. Eu não tremi. Apenas fiquei ali.

Gentilmente, deliberadamente, afastei seu braço.

Ele olhou para mim, os olhos arregalados de surpresa. Um lampejo de algo — confusão, talvez até mágoa — cruzou seu rosto antes que ele o mascarasse.

Lembrei-me de mil vezes em que ele me abraçou daquele jeito. Depois de um pesadelo. Depois de um dia estressante. Ele tinha sido meu escudo. O homem que me protegia do mundo.

Mas era tudo mentira. A única pessoa de quem eu precisei de proteção foi ele.

Eu não precisava mais da proteção dele.

A frustração de Arthur era palpável. Ele não conseguia controlar minha reação, e isso o incomodava. Ele lançou um olhar furioso para os convidados fofoqueiros.

Ele caminhou para o centro do pátio, sua voz retumbando com autoridade. — Silêncio!

Os sussurros morreram instantaneamente.

— Quero deixar uma coisa bem clara — disse ele, seus olhos percorrendo a multidão. — Esta é minha esposa, Helena Montenegro. Ela passou por uma provação que nenhum de vocês poderia imaginar.

Sua defesa de mim era tanto uma performance quanto as lágrimas de Catarina.

— O que quer que vocês pensem que sabem, estão errados. Ela é a pessoa mais forte que conheço, e está em casa. Comigo. Se alguém tiver algum problema com isso, pode resolver diretamente comigo.

Um silêncio tenso caiu sobre o pátio. As pessoas se mexeram desconfortavelmente, evitando seu olhar.

Pelo canto do olho, vi Catarina observando-o, um flash de puro ciúme em seus olhos antes de ser substituído por seu olhar característico de vulnerabilidade frágil. Ela pegou uma taça de espumante, a mão tremendo levemente.

Ela deu um gole dramático.

Então ergueu a taça para mim, a voz soando com uma sinceridade falsa. — A Helena. Bem-vinda de volta.

Ela deu um passo à frente, seus olhos se fixando nos meus. — Por favor. Você consegue me perdoar?

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