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Capa do romance A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

A Armação do Marido, a Justiça Feroz da Esposa

Arthur Montenegro, o renomado promotor que acreditei ser meu salvador, destruiu minha vida ao me incriminar para proteger sua ex, Catarina. Após três anos de prisão injusta, fui recebida com humilhação e abandono médico enquanto agonizava. A dor transformou meu amor em um desejo implacável de vingança. Não busco justiça comum; quero arruinar a carreira, a reputação e o relacionamento de Arthur. Ele sentirá na pele cada perda que me causou.
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Capítulo 3

Olhei para a taça que Catarina me oferecia. Não me movi.

— Não, obrigada — eu disse. Minha voz era baixa, mas cortou o silêncio.

Uma onda de murmúrios percorreu os convidados.

— Que grosseria.

— A Catarina está se esforçando tanto, e ela simplesmente a ignora.

— Ela é uma ingrata.

— Arthur, o que há de errado com ela? — alguém perguntou, a voz pingando pena dele.

Vi o conflito nos olhos de Arthur. Ele olhou para Catarina, que parecia prestes a se despedaçar. Então ele olhou de volta para mim. Vi o momento em que ele fez sua escolha. Ele sempre a escolhia.

Ele pegou a taça da mão de Catarina.

— Helena — ele disse, a voz baixa e perigosamente suave. Ele se aproximou, me bloqueando da vista dos outros. — Pegue a taça.

Não era um pedido. Era uma ordem.

— Vovó não está bem — ele sussurrou, suas palavras um golpe preciso e calculado. — Seria uma pena se os cuidados de enfermagem dela fossem subitamente... interrompidos.

Minha avó. A única pessoa no mundo que já me amou incondicionalmente. A ideia dela, frágil e sozinha, fez meu estômago se contrair de medo.

Minha mão tremeu quando estendi a mão e peguei a taça de espumante. Levei-a aos lábios e bebi. As bolhas queimaram minha garganta ferida.

A tensão no pátio diminuiu. Os convidados sorriram, aliviados.

Os brindes continuaram. Um após o outro, as pessoas erguiam suas taças para mim, para Arthur, para a ideia distorcida deles de uma reunião feliz. Cada vez, esperava-se que eu bebesse. Olhei para Arthur em busca de ajuda, de um sinal, de qualquer coisa.

Ele apenas me deu um pequeno aceno de encorajamento. Entre no jogo.

Ele estava ocupado demais observando Catarina, garantindo que ela estivesse bem, me deixando afogar em um mar de espumante e sorrisos falsos. Eu podia sentir os olhos de Catarina em mim, um brilho sutil e triunfante em suas profundezas.

Eu bebi. E bebi.

Uma dor aguda começou a se formar no meu estômago, uma dor familiar das úlceras que me atormentaram na prisão. Ela crescia a cada taça que me forçavam a beber.

A dor se intensificou, torcendo-se em um nó de fogo.

Catarina se aproximou com uma última taça, seu sorriso largo e predatório. — A saideira?

De repente, uma onda de náusea me atingiu. Dobrei-me, uma tosse estrangulada escapando dos meus lábios. Senti algo quente e úmido espirrar na toalha de mesa branca e imaculada.

Sangue.

Os convidados ofegaram de horror.

O primeiro movimento de Arthur não foi em minha direção. Ele correu para o lado de Catarina, puxando-a para longe como se eu fosse contagiosa.

O mundo girou. A dor no meu estômago era uma agonia incandescente. Os rostos ao meu redor se borraram, suas vozes um zumbido distante. Então tudo ficou preto.

Acordei com o brilho ofuscante das luzes fluorescentes. O cheiro de antisséptico encheu meu nariz.

Eu estava em uma cama de hospital.

Arthur estava sentado em uma cadeira perto da janela, de costas para mim.

— Você acordou — ele disse, a voz carregada de acusação. Ele se virou, e eu vi a raiva em seus olhos.

— O que foi aquilo, Helena? Tentando fazer uma cena? Tentando me envergonhar?

— Eu não estava... — Minha voz era um sussurro fraco. Era a primeira vez que conversávamos, de verdade, desde a minha soltura.

Ele se levantou e caminhou até a minha cama. Ele olhou para mim, olhou de verdade para mim pela primeira vez. Vi seus olhos traçarem o ângulo agudo da minha mandíbula, a nova magreza das minhas bochechas. Eu havia perdido mais de quinze quilos na prisão.

Um lampejo de culpa cruzou seu rosto. Apenas um lampejo.

Ele estendeu a mão para tocar meu cabelo, seus dedos roçando minha têmpora. — Vamos te deixar saudável de novo — ele murmurou, seu tom suavizando para aquele que ele usava quando prometia o mundo. — Vamos para Trancoso, como sempre planejamos. Vamos comprar aquela casinha perto do mar. Seremos só nós.

Ele pintou um belo quadro de um futuro que parecia uma mentira.

Eu não me importava com Trancoso. Eu não me importava com a casa. Havia apenas uma coisa com que eu me importava.

— Vovó — sussurrei. — Como ela está?

Ele pareceu surpreso. Ele estava começando um monólogo sobre nosso futuro, e eu o interrompi para perguntar sobre minha avó.

— Ela está... ela está bem — ele disse, um pouco rápido demais.

Naquele momento, seu telefone vibrou. Ele olhou para a tela. Era Catarina.

Ele se levantou imediatamente, o rosto uma máscara de preocupação. — Eu tenho que ir. Catarina está tendo um ataque de pânico. O sangue... a deixou em choque.

Ele caminhou até a porta sem um segundo olhar para trás.

Claro. Catarina estava em choque. E eu? Eu era apenas o objeto que causou o choque.

Uma risada seca e oca escapou dos meus lábios. Ele nem a ouviu. Já tinha ido embora.

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