Capa do romance A Esposa do Promotor: Fúria Materna

A Esposa do Promotor: Fúria Materna

8.1 / 10.0
Após o pequeno Léo ser brutalmente espancado na escola, sua mãe descobre que o marido, o promotor Caio, protege a mãe do agressor, uma antiga paixão. Para acobertar Betina, Caio destrói a esposa: causa sua demissão, afasta seu advogado e manipula vídeos para culpar a criança ferida. Diante de um tribunal hostil e da traição cruel do homem que deveria amá-la, ela decide reagir. No auge da humilhação pública, ela interrompe o veredito com uma revelação impactante.

A Esposa do Promotor: Fúria Materna Capítulo 1

Meu filho Léo estava no hospital, seu corpo pequeno coberto de hematomas depois que um valentão da escola o deixou como se estivesse morto.

Mas logo descobri a verdade aterrorizante. Meu marido, Caio, um promotor de justiça poderoso, não estava apenas ignorando a dor do nosso filho — ele estava protegendo ativamente a mãe do agressor, sua antiga paixão, Betina.

Ele usou seu poder para me destruir sistematicamente. Fez com que eu fosse demitida do meu emprego e convenceu meu advogado a abandonar nosso caso. Ele plantou um vídeo falso online que pintava meu filho ferido como um agressor violento, transformando nossa comunidade em uma turba odiosa que gritava conosco na rua.

Em um tribunal lotado de estranhos zombeteiros, com o próprio Caio presidindo minha humilhação pública, ele pensou que tinha me quebrado. Ele havia sacrificado sua própria família para proteger sua amante e seus segredos.

Mas enquanto ele se preparava para dar o veredito final, eu me levantei, minha voz quebrando o silêncio.

"Meritíssimo", eu disse, olhando-o diretamente nos olhos.

"Eu quero substituir o réu neste caso."

Capítulo 1

O lustre de cristal acima de nós brilhava, lançando diamantes de luz pelo chão de mármore polido. Tudo era tão perfeito, tão impossivelmente grandioso. Mas dentro de mim, tudo estava se estilhaçando.

"Foi só uma briguinha de escola, Clara. Coisa de criança", disse Caio, sua voz monótona, desprovida de qualquer preocupação real.

Ele me conhecia bem demais, ou pelo menos a versão de mim que ele havia moldado. "Você vai deixar pra lá, não vai? Pelo bem da paz."

Ele não estava errado. Eu sempre escolhi a paz. Eu sempre escolhi a nós, acima de tudo. Meus próprios sonhos, guardados em caixas empoeiradas.

Ele provavelmente pensou que meu silêncio significava concordância. Seus olhos, frios e calculistas, não perceberam o tremor em minhas mãos.

"Ele sempre consegue o que quer, não é?", uma voz baixa veio de uma mesa próxima. "Desde o colégio. Lembra daquela garota, a Moraes?"

Outra voz, de mulher, respondeu: "Ah, a Betina. Ele acobertou ela naquela época também, não foi? Depois daquele 'acidentezinho' com o carro do diretor. Disse que foi ele, assumiu toda a culpa."

Os nomes me atingiram como um golpe físico. Moraes. Betina Moraes. A mãe do valentão do nosso filho. E Caio, assumindo a culpa por ela? Não fazia sentido. Nada daquilo.

O homem que pregava integridade, que construiu sua carreira sobre a justiça, tinha um histórico secreto de enganos. A verdade tinha um gosto amargo na minha boca.

Meu estômago se revirou. Um suor frio brotou na minha testa, me deixando tonta. Tive que me segurar na beirada da mesa para me firmar.

Todo esse tempo, eu estava lutando por Léo, e Caio estava lutando contra mim, por ela. As peças se encaixaram, grotescas e dolorosas.

Caio, alheio ao meu terremoto interno, ainda falava sobre seu próximo grande caso, com um zumbido arrogante na voz. Ele nem sequer olhou para mim.

Como ele podia ficar ali sentado, tão calmo, tão impecável, quando nosso filho estava sofrendo? Quando eu estava sofrendo por causa de suas lealdades distorcidas? Era imperdoável.

Levantei-me, empurrando minha cadeira para trás com um arrastar alto o suficiente para finalmente chamar sua atenção. "O que você está fazendo, Caio?", perguntei, minha voz mal um sussurro, mas carregada de veneno.

Ele suspirou. "Sobre aquilo? A escola está cuidando disso. Existem protocolos. Está tudo andando, Clara, só... devagar."

Não estava andando. Ele estava enrolando. Ele a estava protegendo. A percepção me gelou até os ossos, mais fria do que qualquer verdade que eu já havia enfrentado.

"Não", eu disse, minha voz ganhando força. "Não está andando. Faça andar, Caio. Ou eu farei."

Seu rosto perfeitamente composto vacilou. Um músculo se contraiu em sua mandíbula. Ele não esperava por isso. Ele esperava minha retirada de sempre.

"Não seja ridícula, Clara", ele retrucou, recuperando a compostura. "Você está sendo emotiva. Pense na nossa imagem. Pense no Léo. Você quer arrastar o nome dele na lama ainda mais?"

Ele usou o nome de Léo, nosso filho, para me manipular. A audácia daquilo me tirou o fôlego. Era esse o homem com quem me casei?

Ele se levantou da mesa, a cadeira arrastando. Sem outra palavra, caminhou até seu escritório e bateu a pesada porta de carvalho, o som ecoando pela casa enorme e vazia.

Meu celular vibrou então, uma distração bem-vinda. Era Sara, uma amiga que trabalhava com direito de família. "Oi", eu disse, tentando firmar a voz. "Preciso da sua ajuda com o caso do Léo."

A voz de Sara estava tensa. "Clara... eu queria poder. Mas... eu não posso. Não nesse caso."

Meu sangue gelou. Não era "não posso", era "não vou". E eu sabia exatamente o porquê.

"Foi o Caio, não foi?", afirmei, não perguntei. "Ele te pressionou."

Sara ficou em silêncio, confirmando tudo. Eu não precisava da resposta dela. "Tudo bem", eu disse, uma nova determinação endurecendo minha voz. "Então vou encontrar alguém que não tenha medo dele. E vou processar os dois."

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