
Vingança E Amor: Um Recomeço
Capítulo 2
Naquele dia, o sol da tarde caía sobre o asfalto, fazendo o ar tremer. Eu estava parada na esquina, vendo meu irmão mais novo, Lucas, de oito anos, correr animadamente em direção a um carro preto e luxuoso que havia parado na beira da rua.
A porta do carro se abriu e um homem de terno sorriu para ele.
Na minha vida passada, eu gritei. Corri como uma louca, agarrei o braço de Lucas e o puxei para trás, gritando por socorro, achando que ele estava sendo sequestrado.
Mas desta vez, eu apenas observei.
Fiquei parada, imóvel, enquanto Lucas entrava no carro com um sorriso radiante no rosto, como se estivesse indo para o paraíso. O carro partiu lentamente, sem pressa, e desapareceu na esquina.
Meu coração não sentia nada, nem tristeza, nem pânico, apenas um vazio gelado e uma sensação de alívio.
Porque eu já sabia para onde aquele carro o levaria.
Lembrei-me da minha vida passada, uma vida inteira de miséria orquestrada por ele. Décadas depois, quando eu já tinha quase quarenta anos, Lucas me visitou. Ele era um fracassado, amargo e cheio de ressentimento. Eu, por outro lado, vivia uma vida medíocre, cheia de dificuldades, mas ainda tentava cuidar dele.
Naquele dia, ele me ofereceu um copo de água.
"Sabe, Sofia", ele disse, com um sorriso estranho, "eu sempre me perguntei como sua vida teria sido se você não tivesse me 'salvado' naquele dia."
Eu não entendi.
"Do que você está falando, Lucas? Era um sequestrador."
Ele riu, uma risada seca e cheia de ódio.
"Sequestrador? Aquela era a minha chance! Uma família rica, sem filhos, que tinha me escolhido. Eles iam me adotar, me dar tudo! Eu teria sido um príncipe, mas você, sua idiota, estragou tudo!"
Meu corpo começou a ficar frio, uma dormência estranha subindo pelas minhas pernas.
"Você arruinou meu plano de ascensão, Sofia. Então, eu decidi arruinar a sua vida."
O veneno era de ação lenta. Enquanto eu perdia a sensibilidade dos meus membros, ele confessou tudo, com um prazer doentio em cada palavra.
Ele confessou como sabotou meu vestibular, trocando minha ficha de inscrição para um curso sem futuro em uma cidade distante.
Ele confessou como espalhou boatos maliciosos sobre mim na universidade, me isolando de todos e destruindo minha reputação.
Ele confessou como seduziu e depois destruiu o relacionamento com o único homem que amei, fazendo-o acreditar que eu era uma traidora.
Ele confessou como trocou meus medicamentos de fertilidade por pílulas de farinha, garantindo que eu nunca pudesse ter os filhos que tanto desejava, para que eu sentisse a mesma dor que nossos pais sentiram ao "perdê-lo".
"Eu fiz você sofrer, Sofia. Cada lágrima sua, cada fracasso, foi uma pequena vitória para mim. Você mereceu. Você tirou meu futuro, e eu tirei o seu."
Eu estava no chão, incapaz de me mover, de falar. Eu só conseguia olhá-lo, o irmão que eu tentei proteger, o monstro que ele realmente era. A última coisa que vi foi seu rosto satisfeito, virando as costas e saindo do meu apartamento, me deixando ali para morrer.
Minha morte foi lenta e agonizante, e a única coisa em minha mente era um ódio profundo, uma sede de vingança que consumiu minha alma.
Então, eu acordei.
De volta aos meus dezesseis anos, de volta àquela esquina, com o mesmo sol da tarde queimando o asfalto.
E desta vez, eu vi o carro preto parar. Vi Lucas correr. Vi a porta se abrir.
E não fiz nada.
Deixei meu irmão ir em direção à sua tão sonhada "ascensão".
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