Capa do romance Domando o Valentão

Domando o Valentão

9.6 / 10.0
Julieta Oliveira, uma jovem humilde e esforçada, realiza o sonho de ingressar na prestigiada Universidade de Arcaico, reduto da elite global. Lá, seu caminho cruza com o de Vicente Gomes, um herdeiro bilionário devastado pelo fim de um namoro. A pedido de amigos, a inocente Julieta tenta ajudá-lo a superar a depressão, mas Vicente promete transformar a vida dela em um pesadelo cruel. Entre traumas e hostilidade, será que ela conseguirá curá-lo ou sucumbirá ao bullying?

Domando o Valentão Capítulo 1

PONTO DE VISTA DE JULIETA OLIVEIRA

"Julieta, Julieta!

A mesa 4 precisa ser atendida! Os cafés da mesa 7 também estão prontos", Lisa gritou.

"Estou indo!", Eu gritei em resposta.

Lisa era minha melhor amiga, e sua mãe era dona de uma pequena cafeteria. A mãe de Lisa sempre foi como a segunda mãe para mim, e fazia um ano que eu estava trabalhando na cafeteria, como um emprego de meio período.

Lisa me dava uma ajuda enquanto isso. Eu estava economizando dinheiro para pagar as mensalidades da universidade na qual eu irei estudar, a Universidade de São Jorge.

Sempre foi meu sonho estudar lá. Eu ouvi dizer que aquela era uma das melhores universidades do mundo, mas seria difícil para minha família suportar os custos das mensalidades de lá.

A situação financeira da minha família era muito complicada. Eu não estou reclamando... mas mamãe e eu éramos dependentes demais do meu pai. Nós o considerávamos nosso único provedor e dependíamos dele financeiramente.

Ele era funcionário de uma fábrica de aço, trabalhou duro diariamente para que eu pudesse ter um bom futuro. Eu odiava sobrecarregá-lo.

O salário dele não era suficiente para levar uma vida luxuosa, mas nós éramos uma família feliz, independente da nossa condição financeira. Sempre agradecemos a Deus por isso e nunca fomos de reclamar da nossa vida.

Eu amava muito meu pai. Ele era um bom homem sem vícios e temente a Deus, além de uma pessoa alegre, um marido muito amoroso e um pai atencioso também. Eu tinha muito amor pela minha família.

Minha mãe tinha doença cardíaca e precisou fazer uma cirurgia. Nós batalhamos pela vida dela. Abrimos mão das nossas economias e do nosso chalé só para poder arcar com as despesas dos medicamentos e, claro, da cirurgia.

Graças a Deus, ela sobreviveu. Ela tinha dores leves, mesmo após a cirurgia. Ela foi orientada pelo seu médico a não fazer tarefas árduas, e nós nunca permitimos que ela trabalhasse fora. Então, eu tinha que trabalhar meio período para ajudar com as despesas da minha família.

A mãe de Lisa me pagava bem, não era um grande salário, mas era o suficiente para cobrir minhas despesas diárias e economizar para a faculdade.

Lisa e eu estudávamos na mesma escola e terminamos o ensino médio juntas. Completamos 18 anos este ano, o que significava que estávamos prontas para ir para a faculdade. Uhuuul!

Nós fizemos vestibular juntas, na esperança de sermos ambas aprovadas para receber uma bolsa de estudos.

Eu tenho que admitir... eu era meio nerd. Bem, eu não podia evitar, tinha que estudar muito para ser aprovada naquela faculdade e receber uma bolsa de estudos. Aquilo era muito difícil, já que a concorrência para entrar na famosa Universidade de São Jorge era muito acirrada.

Se eu me formar naquela universidade, as condições financeiras da minha família vão melhorar e eu vou ser capaz de ajudar mais a minha família conseguindo um emprego decente. Aquele era o principal motivo para eu querer entrar naquela universidade.

Eu estava recolhendo alguns pratos e a gorjeta que o cliente deixou, quando de repente, Lisa se meteu na minha frente. Ela estava linda usando aquele vestido.

"Espera, por que você está de vestido?" Eu arqueei as sobrancelhas.

"Ah... desculpa não ter te contado... bem, é meio que culpa sua, você estava tão ocupada aqui que me ignorou completamente", ela fez beicinho.

"Tudo bem, me conte agora."

"Mamãe e eu vamos a uma festa. O irmão da minha mãe que nos convidou, então..."

"E então...?"

"Então nós vamos ter de sair mais cedo. Desculpa, desculpa, você já tem tanto trabalho a fazer...", ela disse rapidamente, fechando os olhos.

"Ah, deixa disso bebê, eu dou um jeito. Vá curtir a festa." Eu sorri.

"Você tem certe-"

"Sim, Lisa, só vai! Amanhã nós temos o dia de folga."

"Tá bem, só tome cuidado ao voltar pra casa", ela me abraçou com força.

"Tchau Julieta, tome cuidado!" Eu a ouvi gritar já do lado de fora.

Eu observei enquanto ela entrava em seu carro. Eu peguei os pratos e fui em direção à pia. Eram 23h e eu tinha começado a lavar a louça, quando de repente, ouvi o som do sino da porta de entrada, avisando que mais clientes chegaram.

A cafeteria ficou em completo silêncio.

O que fez com que movimentação da cafeteria parasse?

Espera! Os clientes estão entrando ou saindo?

Eu me virei de repente e me engasguei. Havia um homem na minha frente. Ele não era muito velho, parecia ser um universitário.

Ele estava me encarando. Eu senti como se ele estivesse me despindo com os olhos. Quando eu recuei, ele deu um passo à frente.

Meu coração estava batendo forte em meu peito.

"Posso... lhe... ajudar com algo, senhor?" Eu gaguejei, me sentindo muito nervosa.

Eu entrei em pânico ao suas mãos imensas em meus braços desocupados, me puxando para perto do seu corpo.

"Como você pôde fazer isso comigo, Eva?", ele demandou em um tom perigoso.

Sua voz me fez extremecer. Era tão grossa e rouca... meu cérebro parou de funcionar.

"Eu não... sou... Eva", gaguejei. A forma como ele me encarava me deixou arrepiada. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se ele tivesse chorado bastante antes.

Será que ele era um psicopata?!

"Por que você sempre mente para mim...? Você me odeia tanto assim? Você esqueceu tudo que nós tivemos?!" Ele bradou, ainda me prendendo contra o seu peito.

"Me desculpe senhor, mas eu não faço ideia de quem você seja! Por favor, me deixe ir", eu tentei me soltar do seu abraço.

"Você me traiu, porra. Ele era melhor do que eu?! Me responde, Eva!", ele estava ainda mais bravo agora.

"Eu nunca traí ninguém! Na verdade, eu estive solteira a minha vida inteira... Eu nunca tive um namorado antes", eu berrei.

"Você continua mentindo, merda!", ele me empurrou para longe e, com uma força desumana, me deu um tapa tão forte na bochecha que eu tropecei e caí no chão. Eu estava me sentindo tonta depois daquilo.

Eu nunca tinha levado um tapa assim antes. Eu olhei para ele, em choque com tudo que ele tinha feito. Eu queria chorar, mas não podia demonstrar fraqueza na sua frente. Ele não podia saber que eu estava indefesa.

Eu podia ver a raiva em seu olhar... a frieza.... o ódio... tudo aquilo direcionado a mim? Mas que culpa eu tinha? Eu nem o conheço!

As lágrimas começavam a cair, mas eu respirei fundo e segurei o choro. Ele dava passos largos em minha direção, parecendo completamente maluco.

Comecei a recuar, mas ainda estava caída no chão. Eu estava me afastando dele com ajuda das minhas mãos.

"Por favor... não se aproxime... de mim! Quem é você?", Eu gaguejei.

De repente, ele me agarrou e me pressionou contra a parede com força.

Aquele comportamento me deixou bastante assustada.

"Me solte... por favor, senhor, eu não faço ideia de quem você seja." Eu gritei de dor, me sentindo muito assustada.

"Por onde você esteve?! Você não sentiu a minha falta?" Ele estava muito colado em mim, eu podia sentir sua respiração no meu pescoço. Tentei afastá-lo, mas ele nem sequer se mexeu.

"Não é da sua conta. Esse é seu último aviso: se você não me soltar, eu vou ter que abrir um boletim de ocorrência contra você na delegacia."

"O quê?", ele disse em um tom espantado.

Isso! Eu acho que ele tem medo da polícia!

"Isso mesmo! Por favor, me deixe em paz... Não me faça ter que chamar a polícia", eu falei, mordendo meus lábios.

Por que ele estava irritado? E por que ele estava rangendo os dentes? E se ele estava rangendo os dentes, por que eu estava sentindo dor... nos meus braços?

Eu olhei para meu braço e a força como aquele maníaco estava o apertando com força. Ele estava apertando minha mão com muita força, "Você não pode fugir de mim, garota, não importa o que... e o quanto você tentar", ele sussurrou em meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha. Aquilo me deixou completamente arrepiada. Meus olhos se arregalaram de medo.

"Ahhhh... por favor, tá doendo", eu chiei quando a mão dele apertou meu maxilar.

"Não se preocupe... eu não vou te machucar, querida", ele soava como um psicopata.

'Esse é meu fim! Socorro! Por favor, alguém me ajude!'

Eu queria gritar, mas minha voz não saía. Meu corpo inteiro congelou. Meu cérebro estava girando.

Ele inclinou a cabeça para me beijar...

Não... não... meu primeiro beijo estava prestes a acontecer!

Eu estava perdendo a força devido à forma como ele estava me apertando, quando de repente, alguém o agarrou por trás e o puxou. Eu senti seu aperto afrouxar. Aquilo me deixou respirando de maneira ofegante.

"Que merda, me solta", o maníaco gritou enquanto dois rapazes que pareciam ser da sua idade o agarravam.

"Cara, ela não é Eva... pelo amor de deus, você está exagerando." Um dos rapazes falou com um olhar de preocupação em seu rosto.

Minha cabeça começou a girar. Eu estava tendo uma crise de pânico. Eu notei uma moça se aproximando de mim...

"Não... não toque em mim. Por favor, vá embora... não me toque... saia...", eu gritava, segurando minha cabeça com as mãos. Eles estavam segurando aquele maluco com as duas mãos, enquanto ele gritava e se debatia contra o aperto deles.

"VOCÊ É MINHA E EU VOU TE TER PRA MIM EM BREVE!"

Uma jovem estava me encarando com preocupação, mas eu sinalizei para que ela me deixasse em paz. Eles saíram, levando aquele maníaco para fora da cafeteria. Eles o fizeram entrar em uma SUV e deixaram o local.

Minhas pernas não conseguiram mais me sustentar e eu caí no chão. Na mesma hora, eu comecei a chorar bastante. Eu estava esgotada, machucada.

Eu não podia ficar mais nem um instante ali— quer dizer, já pensou se ele voltar?!

Peguei minhas coisas no armário e saí pela porta, me tremendo inteira. De alguma forma, eu consegui trancar a loja e desci a rua correndo.

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