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Capa do romance Vidas Quebradas

Vidas Quebradas

Tyron Grosvenor é um magnata temido em Londres que, após uma traição, comete um erro violento contra a jovem Silvia Morrison. Tempos depois, Silvia brilha na Solutions Corporate, mas entra em choque ao descobrir que deve trabalhar com o homem que a traumatizou. Entre o medo e a atração, ambos enfrentam uma tensão perigosa. Enquanto Tyron busca redenção, Silvia tenta superar a dor. Será que duas vidas destruídas podem encontrar cura e perdão no mesmo lugar?
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Capítulo 1

Tyron fitava o caixão de mogno polido enquanto as últimas pessoas deixavam a capela vitoriana em Kensington. O perfume adocicado das flores não conseguia mascarar o gosto amargo da verdade que agora o consumia. Richard colocou a mão em seu ombro, num gesto silencioso de apoio, enquanto Salvio permanecia alguns passos atrás, mexendo nervosamente em seu relógio Patek Philippe.

"Quinze anos de casamento", murmurou Tyron, sua voz rouca. "Quinze anos de mentiras."

O envelope em seu bolso pesava como chumbo - fotos, mensagens, registros de encontros clandestinos em hotéis de luxo em Mayfair e Knightsbridge. Elena, sua falecida esposa, havia construído uma vida paralela tão elaborada quanto os eventos beneficentes que costumava organizar no British Museum.

"Vamos sair daqui", sugeriu Salvio, finalmente quebrando seu silêncio. "Conheço um lugar discreto em Chelsea onde podemos beber algo forte."

Richard assentiu em concordância. "Você não precisa lidar com isso sozinho, meu amigo."

Tyron ajustou sua gravata de seda italiana, um presente dela. Cada objeto agora carregava um novo significado, uma nova dor. Os corredores do poder em Westminster, onde transitava, pareciam agora um palco vazio, onde sua vida havia sido apenas mais uma performance bem ensaiada.

"Sabem o que é mais irônico?", disse Tyron, enquanto caminhavam em direção à sua Bentley. "Eu controlava impérios, manipulava mercados, dobrava políticos ao meu favor... mas não consegui ver o que acontecia debaixo do meu próprio teto."

O motorista abriu a porta do carro enquanto uma típica garoa londrina começava a cair. O céu cinzento sobre o Tamisa parecia espelhar perfeitamente o estado de espírito dos três homens que embarcavam no veículo luxuoso, cada um carregando seus próprios segredos e arrependimentos.

O ambiente exclusivo do clube privado em Chelsea envolvia os três homens em sua atmosfera de madeira nobre e couro envelhecido. Tyron girava o copo de cristal entre os dedos, observando o líquido âmbar do Macallan dançar contra a luz suave. Seu terceiro copo já estava pela metade.

"Aquele maldito instrutor de tênis", rosnou ele, sua voz começando a ficar mais áspera. "E pensar que eu mesmo paguei as aulas."

Richard e Salvio trocaram olhares preocupados enquanto Tyron virava mais um gole generoso. Suas mãos, normalmente firmes ao fechar contratos multimilionários, agora tremiam levemente ao pousar o copo na mesa.

"E aquele idiota do conselho da empresa... James. Agora entendo seus sorrisos durante as reuniões." Tyron socou a mesa, fazendo os copos tilintarem. "Ela transformou minha vida num circo, e todos sabiam, menos eu."

O quarto copo de Macallan foi servido, o líquido precioso escorrendo pela garrafa como os segundos de uma ampulheta invertida. A raiva de Tyron crescia proporcionalmente ao nível de álcool em seu sangue, seus olhos antes calculistas agora faiscavam com uma fúria contida.

"Sabe o que mais me enfurece?" Sua voz estava mais alta agora, atraindo olhares discretos dos outros frequentadores. "Não foram só as traições. Foi a humilhação. Cada sorriso falso, cada 'te amo' mentiroso, cada jantar em família enquanto ela..." Ele engoliu mais um gole, deixando a frase morrer no ar.

Salvio inclinou-se para frente, tentando manter a voz baixa. "Tyron, talvez devêssemos..."

"Não!", cortou Tyron, seu punho encontrando novamente a mesa. "Vocês não entendem. Eu construí um império. Pessoas tremem ao ouvir meu nome em reuniões de conselho. E ela... ela fez de mim um fantoche."

O quinto copo de Macallan foi derramado, cada gota parecendo alimentar não apenas sua embriaguez, mas também uma resolução sombria que começava a se formar em seus olhos. O homem que sempre manteve o controle estava perdendo as rédeas, e seus dois amigos podiam apenas testemunhar enquanto a tempestade se formava.

Um homem se aproximou da mesa com passos seguros, seu terno Savile Row impecavelmente ajustado. Marcus Blackwood, 38 anos, sócio de um dos maiores escritórios de advocacia de Londres. Um dos nomes daquele maldito envelope.

"Tyron, meus sinceros pêsames", disse ele, com aquela voz modulada de advogado, estendendo a mão.

Tyron fixou os olhos no copo, seus dedos apertando o cristal com tanta força que os nós dos dedos embranqueceram. Richard e Salvio instantaneamente se aproximaram, tensos como cordas de violino prestes a estourar.

"Sua audácia é impressionante, Blackwood", Tyron murmurou, sua voz perigosamente baixa, sem erguer o olhar.

Marcus hesitou, a mão ainda estendida no ar. "Perdão?"

"Não se faça de idiota." Tyron ergueu finalmente os olhos, vermelhos pela mistura de álcool e fúria. "O Claridge's, quarto 506. Toda terça-feira às quatro. Sua preferência por champagne Krug e morangos."

O rosto de Marcus empalideceu visivelmente. Salvio segurou firmemente o braço de Tyron, que já começava a se levantar.

"Eu sugiro", Richard interveio, sua voz cortante como gelo, "que você saia daqui. Agora."

"Tyron, eu..." Marcus começou, recuando um passo.

"FORA!" O rugido de Tyron ecoou pelo ambiente refinado, silenciando todas as conversas. O copo em sua mão voou em direção à parede, explodindo em mil fragmentos cristalinos, o precioso Macallan escorrendo como sangue pela parede.

Richard e Salvio praticamente arrastaram Tyron de volta à cadeira, enquanto Marcus batia em retirada apressada. Os outros clientes fingiam não notar a cena, mas seus olhares furtivos traíam a curiosidade mórbida.

"Me soltem", Tyron rosnou, sua respiração pesada. "Aquele verme... teve a coragem... depois de tudo..."

"Não aqui, meu amigo", Salvio sussurrou, ainda mantendo o aperto firme. "Não assim."

O garçom aproximou-se discretamente com uma toalha para limpar os cacos, mas Richard o dispensou com um gesto. Tyron afundou na cadeira, seu corpo tremendo de raiva contida, enquanto gotas do Macallan continuavam seu caminho descendente pela parede, como lágrimas douradas de uma tragédia em desenvolvimento.

A chuva londrina havia se intensificado quando Tyron cambaleou pela calçada escura, seus passos instáveis ecoando contra as pedras molhadas. Através da névoa do álcool, aquela silhueta feminina o paralisou - o mesmo andar elegante, o mesmo coque negro, o mesmo perfil delicado que o atormentara por quinze anos.

"Elena!", seu grito rasgou a noite enquanto atravessava a rua, ignorando a buzina estridente de um táxi que foi forçado a frear bruscamente.

Seus dedos se fecharam com força nos braços da mulher, girando-a violentamente. "Como você pôde? Como...?" As palavras morreram em sua garganta quando dois olhos esverdeados assustados, que não eram os de Elena, o encararam com terror.

"Por favor, me solte!", gritou a desconhecida, seu sotaque claramente diferente do de sua falecida esposa. "Socorro!"

Mas Tyron, perdido entre realidade e delírio alcoólico, continuava sacudindo-a. "Você mentiu! Estes anos..."

Tyron, tomado pela confusão e pela dor, arrastou a jovem em direção ao carro, sua mente em um turbilhão. O desespero e a frustração o cegavam, e ele não percebia o quanto estava ultrapassando limites. A jovem, com os olhos arregalados de medo, lutava para se desvencilhar, suas roupas desordenadas refletindo o estado caótico da situação.

"Me solte!", ela gritou, mas sua voz se perdia na noite chuvosa e nos ecos da cidade. O desespero a impulsionava a buscar uma saída, enquanto a pressão de Tyron a impedia de escapar.

Enquanto arrancava suas roupas, Tyron a esbofeteia e rasgando suas roupas íntimas a invade com fúria e insultos. Por mais que a jovem se debatesse, a altura e força de Tyron eram assustadoras.

O som da chuva intensificava-se, misturando com os soluços da jovem. Tyron, agora em cima dela, continuava a forçá-la, ignorando os apelos desesperados por misericórdia. A luz de um farol distante iluminou o rosto contorcido do homem, revelando um olhar selvagem e inumano. A noite parecia conspirar com a obscuridade dele, ocultando a cena horrorosa do olhar indiferente do mundo.

Foi então que, em um momento de clareza, Tyron olhou em seu rosto e viu não apenas o medo, mas também a fragilidade de alguém que não merecia aquilo. A realidade da situação o atingiu como um soco no estômago. O que ele estava fazendo era impensável.

Tyron ficou paralisado, as consequências de seus atos começando a se formar em sua mente. Ele não sabia o nome dela, mas a imagem de seu rosto assombraria seus pensamentos. Em um instante, ele a soltou, um grito de horror ecoando em sua mente. "Eu... eu não sabia. Desculpe...", balbuciou ele, mas a jovem, encolhida no chão, continuou a chorar e a implorar por que parasse.

 A jovem, percebendo a oportunidade, deu um passo para trás e, em seguida, virou-se para correr. O desespero tomou conta de Tyron, mas ele sabia que tinha que deixá-la ir. Ele não poderia se permitir ser o monstro que sua dor o estava transformando.

A jovem, tomada de pavor, abriu a porta do carro e na tentativa caiu no chão molhado, respirando com dificuldade. As roupas dela estavam rasgadas, os seios nus, a pélvis exposta. A chuva fria que lhe cobria o rosto misturou-se com as lágrimas que deslizavam por ele. Tyron, enxugando a cara com a mão, tentou falar, mas as palavras se enroscaram em seu garganta seca. "Espera!", ele gritou, mas as palavras soavam vazias enquanto ela desaparecia na escuridão, deixando para trás um rastro de lágrimas e confusão.

Quando Salvio e Richard chegaram, a cena era caótica. Tyron estava encostado no carro, com o olhar perdido, a respiração ofegante e o corpo tremendo. A chuva caía incessantemente, misturando-se com as lágrimas que escorriam por seu rosto.

"Tyron! O que aconteceu?" Richard gritou, a preocupação estampada em seu rosto.

Ele ergueu a cabeça, os olhos vidrados, como se ainda estivesse lutando para se desvencilhar da névoa da embriaguez. "Eu... eu fiz algo errado", balbuciou, a voz trêmula, enquanto tentava compreender a realidade ao seu redor. "Eu me vingar... da mulher morta."

Salvio trocou um olhar preocupado com Richard, ambos atordoados. "Que mulher? O que você está dizendo?" Salvio tentou acalmá-lo, mas a confusão no olhar de Tyron era palpável.

"Ela estava lá... eu não sabia o que estava fazendo...", ele murmurou, a mente ainda confusa entre a embriaguez e a dor. "Eu só... só queria que parasse. Eu a arrastei, e então... eu não sei o que aconteceu!"

Richard se aproximou, tentando entender. "Tyron, você precisa se acalmar. Ninguém morreu. Vamos conversar sobre isso. Onde está a jovem?"

Tyron balançou a cabeça, desorientado. "Ela fugiu... eu não sabia o nome dela. Eu apenas... eu não queria isso. Eu a assustei, e agora... agora talvez tenha feito algo irreversível."

Salvio respirou fundo, percebendo a gravidade da situação. "Tyron, você precisa se lembrar do que realmente aconteceu. Vamos encontrar essa garota e esclarecer tudo. Não se deixe consumir por essa culpa."

Os três ficaram ali, na chuva, enquanto Tyron tentava juntar as peças de uma noite que havia tomado um rumo terrivelmente errado. A luta interna dele refletia a batalha que todos enfrentavam: a necessidade de redenção e a busca por um caminho que o levasse a consertar o que havia quebrado.

Com a determinação estampada em seu rosto, Salvio não hesitou. Ele sabia que precisava agir rapidamente. "Eu vou encontrá-la!", gritou, antes de sair correndo pela calçada molhada, os pés afundando em poças d'água enquanto a chuva insistia em castigar a cidade.

Enquanto corria, seu coração batia acelerado, misturando-se com a adrenalina e a preocupação. Ele olhava para todos os lados, buscando qualquer sinal da jovem, qualquer pista que a levasse de volta ao grupo. A escuridão da noite parecia engolir cada sombra, mas ele não podia desistir.

Porém, após alguns minutos de busca frenética, a realidade começou a se instalar. As ruas estavam desertas, e a única coisa que acompanhava seu desespero eram os ecos de seus próprios passos e o som da chuva caindo. Ele parou, ofegante, e olhou em volta, sentindo o peso da frustração.

Foi então que algo prendeu sua atenção. No chão, reluzindo sob a luz fraca de um poste, havia um colar de prata com uma medalha antiga. Salvio se agachou, pegando o colar entre os dedos, examinando-o com cuidado. A medalha estava desgastada, mas ainda era visível, um símbolo de proteção e fé.

Richard, percebendo a gravidade da situação e a condição de Tyron, decidiu que era melhor levá-lo para um lugar seguro. "Vamos para minha mansão", disse ele, com uma expressão decidida. "Lá você pode se acalmar e eu posso tentar ajudá-lo a entender tudo isso."

Tyron, ainda lutando contra a confusão provocada pelo álcool, balançou a cabeça em concordância, incapaz de articular palavras coerentes. Richard o apoiou enquanto caminhavam, seus passos pesados e vacilantes. Assim que chegaram à mansão, Richard fez questão de acomodá-lo em um sofá confortável, tentando oferecer um pouco de paz em meio ao caos.

"Fique aqui um momento", disse Richard, antes de sair para buscar água e algo para ajudar Tyron a se sentir melhor. Mas enquanto aguardava, Tyron começou a sentir a pressão e a tensão acumuladas em seu corpo. A cabeça girava, e a realidade começou a se desfocar. Em um instante, ele se viu mergulhado na escuridão, perdendo a consciência, o peso do álcool finalmente o derrubando.

Enquanto isso, Salvio decidiu que a melhor maneira de ajudar seria verificar os hospitais nas proximidades. Ele sabia que, se algo tivesse acontecido com a jovem, era lá que ela poderia estar recebendo atendimento. Com a determinação renovada, ele se despediu de Richard e se afastou, correndo em direção ao primeiro hospital.

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