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Capa do romance Vidas Quebradas

Vidas Quebradas

Tyron Grosvenor é um magnata temido em Londres que, após uma traição, comete um erro violento contra a jovem Silvia Morrison. Tempos depois, Silvia brilha na Solutions Corporate, mas entra em choque ao descobrir que deve trabalhar com o homem que a traumatizou. Entre o medo e a atração, ambos enfrentam uma tensão perigosa. Enquanto Tyron busca redenção, Silvia tenta superar a dor. Será que duas vidas destruídas podem encontrar cura e perdão no mesmo lugar?
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Capítulo 2

A jovem, tomada pelo pavor, encontrava-se caída no chão molhado, a chuva fria escorrendo por seu corpo e misturando-se com as lágrimas que deslizavam pelo seu rosto. As roupas rasgadas deixavam sua pele exposta, e a vulnerabilidade daquela situação a fazia sentir-se ainda mais assustada.

Com o coração acelerado, ela não parou para olhar para trás, determinada a deixar aquele pesadelo para trás. No entanto, ao virar uma esquina, seu pé escorregou em uma poça d'água, e ela caiu de joelhos no chão, a dor aguda subindo pela sua perna.

Silvia respirava com dificuldade, tentando recuperar o fôlego. As roupas rasgadas a deixavam vulnerável, e a sensação de desamparo a envolvia. Ela se encolheu no chão, as lágrimas escorrendo enquanto a chuva continuava a cair, como se o céu também estivesse chorando por ela.

"Por que isso está acontecendo?", ela pensou, a mente em um turbilhão. A lembrança do que havia acontecido a assombrava, e cada pensamento a fazia sentir-se mais perdida. "Eu só queria estar em casa, segura..."

A chuva caía cada vez mais forte, e a jovem sentia que estava sozinha no mundo. Tentando se acalmar, ela fechou os olhos por um momento, ouvindo apenas o som da água e os batimentos acelerados de seu coração. A luta interna a consumia, mas, em meio ao desespero, uma centelha de determinação começou a surgir.

Enquanto a chuva caía, ela olhava ao redor, desesperada, como se cada sombra pudesse esconder alguém. O medo de ser perseguida a dominava, e a sensação de que alguém ainda estava atrás dela a deixava em alerta constante. O eco de seus próprios passos parecia amplificado, e cada som ao longe a fazia estremecer.

"Preciso me esconder", pensou, o instinto de sobrevivência gritando dentro dela. O coração batia descompassado, e a mente se enchia de imagens da noite anterior, os momentos que a levaram até ali. O pavor a envolvia como uma névoa espessa, e ela se lembrava de cada olhar, cada risada que se tornara uma ameaça.

Silvia se movia rapidamente, mas a dor em seu corpo a tornava lenta. Ela precisava encontrar um lugar seguro, um espaço onde pudesse se proteger e se recompor. Cada passo era um lembrete do que havia passado, e a insegurança a acompanhava como uma sombra.

De repente, ouviu um barulho atrás dela. O som de algo se movendo, a sensação de que estava sendo observada. O coração disparou, e a adrenalina tomou conta. "Não... não pode ser", sussurrou, girando-se para olhar. Um frio na espinha a fez hesitar, e ela se encolheu, as mãos apertando-se em punhos.

Silvia sabia que não podia ficar parada. Com um último olhar para o que deixara para trás, ela começou a correr novamente, os pés descalços cortando a água acumulada nas poças, cada gota que espirrava, lembrando-a da intensidade de sua fuga. O medo a impulsionava, e a necessidade de escapar se fortalecia a cada segundo.

Ela precisava encontrar abrigo, um lugar onde pudesse se sentir segura, longe da dor e do terror de ser perseguida. A chuva que caía incessantemente parecia lavar suas lágrimas, mas não podia apagar a memória do que havia acontecido. Com cada passo, Silvia lutava contra o medo e a dor, determinada a sobreviver e encontrar um caminho de volta à sua vida.

As memórias da noite anterior invadiam sua mente, acompanhadas pela certeza de que as autoridades poderiam não apenas duvidar de sua história, mas também criticá-la. "Você deveria ter se afastado", "Você não deveria ter estado lá", eram vozes que ecoavam em sua cabeça, alimentadas por experiências que ouvira ao longo da vida. A vergonha e o medo do julgamento a faziam sentir que não tinha o direito de pedir ajuda.

Ela se lembrou de outras mulheres, de histórias que ouvira sobre como foram tratadas, como se a culpa fosse delas, como se fossem responsáveis por suas próprias dores. Essa ideia a atormentava. "E se eles não me acreditarem?", pensou, a ansiedade crescendo. "E se eles me olharem com desprezo?"

Silvia sabia que precisava de ajuda, mas a dúvida a impedia de seguir em frente. A luta interna entre a necessidade de proteção e o medo do desprezo a deixava paralisada. "O que eu faço?", ela sussurrou para si mesma, enquanto a chuva continuava a escorrer pelo seu rosto.

Ela parou em um canto, ofegante e confusa, a água escorrendo por sua pele, misturando-se com suas lágrimas. O medo e a vergonha a mantinham presa, e, enquanto olhava ao redor, percebeu que estava sozinha, cercada pela escuridão e pela incerteza.

Mas, no fundo, uma pequena voz dentro dela começou a se elevar, um sussurro de coragem. "Você merece ser ouvida", dizia essa voz, insistente. "Você não está sozinha." Com dificuldade, Silvia começou a caminhar, decidida a encontrar um lugar seguro, onde pudesse se sentir protegida. Mesmo que isso significasse enfrentar o medo e a vergonha, ela sabia que precisava lutar por sua verdade.

A determinação começava a tomar forma, e, mesmo que hesitante, ela decidiu que não deixaria que o medo a silenciasse. Se houvesse uma chance de se libertar daquela dor, ela estaria disposta a encontrá-la, mesmo que isso significasse enfrentar os desafios que viriam.

Silvia mal conseguia manter os olhos abertos enquanto se arrastava pelos corredores do prédio. O sangue escorria de suas feridas, e cada movimento provocava uma onda de dor que a fazia estremecer. A chuva que a havia acompanhado começou a se transformar em um lembrete cruel do que havia acontecido, e o frio a envolvia, não apenas pela temperatura, mas pela sensação de desamparo.

Ao chegar à entrada do seu apartamento, um alívio momentâneo atravessou seu corpo cansado. O prédio estava vazio, e ela respirou fundo, agradecendo por não haver ninguém por perto para a observar em seu estado vulnerável. Com dificuldade, ela abriu a porta e entrou, fechando-a atrás de si com um leve clique que parecia ecoar em seu coração.

Silvia se arrastou até o banheiro do seu elegante, mas simples, apartamento. As paredes, normalmente acolhedoras, pareciam agora frias e distantes. Ao olhar para o espelho, viu seu reflexo desfigurado, com os olhos inchados e o rosto marcado pelo medo e pela dor. Não havia lágrimas, apenas uma sensação de vazio, um abismo que parecia se abrir dentro dela.

Com um esforço, ela ligou o chuveiro, deixando a água quente escorrer. Assim que o jato de água começou a tocar sua pele, um pouco da tensão se dissipou. A água quente não curava as feridas, mas suavizava a dor física, dando a ela um momento de conforto em meio ao caos. Silvia se deixou ficar sob o chuveiro, tentando se perder na sensação da água que escorria, como se pudesse lavar não apenas a sujeira do corpo, mas também as marcas do terror que havia enfrentado.

Mas mesmo enquanto a água quente a envolvia, a frieza da experiência ainda permanecia em sua mente. Cada gota que caía parecia lembrar-lhe do que havia acontecido, e a sensação de insegurança a mantinha alerta. Ela não podia simplesmente esquecer. O que havia vivido a marcaria para sempre, e a dor emocional era tão intensa quanto as feridas visíveis em seu corpo.

Silvia se apoiou contra a parede do chuveiro, sentindo a água escorrer, e permitiu-se um momento de reflexão. "Eu sou mais forte do que isso", pensou, tentando encontrar uma centelha de coragem em meio à escuridão. A luta não terminaria ali. Ela precisava se recompor e encontrar uma maneira de lidar com o que havia acontecido, não apenas com as feridas físicas, mas também com as cicatrizes emocionais que começavam a se formar.

Silvia se deixou cair na cama limpa e aconchegante, sentindo a suavidade dos lençóis contra sua pele ainda úmida. O cansaço a envolveu como um manto pesado, e, após tomar alguns comprimidos que ajudariam a aliviar a dor e a ansiedade, ela fechou os olhos, permitindo que a escuridão a envolvesse.

O sono veio como um refúgio temporário, um escape da realidade que a assombrava. Enquanto sua mente mergulhava em um estado de descanso, flashes do que havia acontecido se misturavam com sonhos distorcidos. As imagens eram confusas - momentos de alegria e segurança misturados a cenas de desespero. Mas, à medida que o sono a envolvia, esses pensamentos começaram a se dissipar, deixando espaço para um alívio momentâneo.

No conforto de sua cama, Silvia se permitiu sonhar com um futuro diferente. Um futuro onde as sombras do passado não a seguissem. Ela imaginou dias ensolarados, cercada por amigos que a apoiavam e a amavam, sem o peso do medo e da dor. Era uma visão ideal, mas naquele momento, era tudo o que ela precisava para encontrar um pouco de paz.

As horas passaram, e o sono a carregou para longe das memórias dolorosas. Ela estava em um lugar onde a dor não existia, onde podia sonhar livremente. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dela sabia que ao acordar, precisaria enfrentar a realidade. A batalha pela recuperação começaria novamente, mas, por enquanto, ela se permitiu apenas descansar.

Quando a luz do dia começou finalmente a entrar pela janela, banhando o quarto em tons suaves, Silvia despertou lentamente. O corpo ainda doía, mas sua mente estava um pouco mais clara. Ela se sentou na cama, a respiração ainda pesada, mas sentindo uma leveza na alma. A noite de descanso havia sido necessária, e, embora as cicatrizes ainda estivessem presentes, ela se sentia um pouco mais forte.

Silvia sabia que precisava agir rapidamente. A vida não podia parar, mesmo diante do que havia enfrentado. Com um suspiro profundo, ela se levantou da cama e se dirigiu ao banheiro, onde se olhou no espelho. As marcas de sono ainda estavam visíveis em seu rosto, mas havia algo mais agora - uma determinação começava a surgir em seus olhos.

Ela precisava avisar o banco sobre o cartão perdido, buscar um novo celular e, acima de tudo, se preparar para a entrevista de trabalho que se aproximava. A pressão era intensa, e o peso das dívidas e da possibilidade de perder seu apartamento a acompanhava como uma sombra. Mas, ao invés de se deixar dominar pelo desespero, Silvia decidiu que era hora de cuidar de si mesma.

Com cuidado, ela começou a se arrumar. Lavou o rosto e aplicou um creme hidratante, tentando suavizar a aparência cansada. Escolheu uma roupa que a fazia sentir-se confiante - algo simples, mas que refletia sua personalidade. Ao se vestir, ela se lembrou da importância de se sentir bem consigo mesma, especialmente em um momento tão crucial.

Enquanto se preparava, Silvia fez uma lista mental das coisas que precisava resolver. O banco era prioridade; sem o cartão, suas finanças ficariam ainda mais complicadas. Em seguida, ela planejou visitar uma loja para comprar um novo celular, algo que a ajudaria a se manter conectada e a facilitar a busca por trabalho.

Por fim, a entrevista de trabalho estava em sua mente como um farol de esperança. Era uma oportunidade de recomeçar, de dar um novo rumo à sua vida. Com cada passo que dava, Silvia sentia que estava recuperando um pouco de controle. A pressão era grande, mas ela estava determinada a enfrentar seus desafios.

Enquanto Silvia arrumava a cama, o movimento automático e repetitivo trouxe à tona emoções que ela tentava reprimir. O coração doía, e a realidade do que havia vivido se infiltrava em sua mente como uma sombra persistente. Cada dobra do lençol parecia carregar o peso das suas lembranças, e, sem querer, as lágrimas começaram a escorregar pelo seu rosto.

Ela tentou se concentrar na tarefa, mas as memórias a invadiam, e a solidão e o desespero que havia sentido retornavam com força. A dor emocional era quase palpável, e, apesar de seus esforços para se manter firme, o choro começou a fluir. As lágrimas caíam silenciosamente, misturando-se com a umidade do dia e com o que restava da chuva da noite anterior.

"Por que isso aconteceu comigo?", Silvia murmurou, a voz embargada, enquanto se deixava levar pela tristeza. O ato de arrumar a cama, que normalmente seria um gesto simples e cotidiano, agora se tornava um lembrete doloroso de sua vulnerabilidade. Ela se sentia despedaçada, como se cada lágrima fosse uma parte dela que estava se desprendendo.

Mas, à medida que as lágrimas escorriam, algo começou a mudar. A dor que a dominava também parecia liberar um pouco da pressão que havia se acumulado dentro dela. Era como se, ao chorar, ela estivesse soltando um pouco do peso que carregava. O choro não era apenas um sinal de fraqueza, mas uma forma de processar a dor.

Silvia parou por um momento, respirando fundo, tentando encontrar um pouco de clareza em meio à tempestade de emoções. Ela sabia que precisava seguir em frente, mas isso não significava que não pudesse sentir a dor. Reconhecer o que havia passado era parte do processo de cura.

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