
VIAJANDO COM O CEO - DANTE ORSINI
Capítulo 2
Dante respirou profundamente, recostou-se contra os travesseiros e cruzou os braços atrás da cabeça.
Casamento? Uma esposa? Filhos? De jeito nenhum. Depois de anos tentando decidir o que fazer com sua vida, às vezes chegando perto de perdê-la em lugares que nenhum homem sadio deveria estar, ele finalmente pusera as coisas em ordem. Agora possuía tudo que um homem podia querer: aquela cobertura, com o sol matinal se infiltrando pela clarabóia acima de sua cabeça. Uma Ferrari vermelha. Um avião particular.
E mulheres.
Um sorriso malicioso iluminou seu rosto bonito.
Mais mulheres, às vezes, do que um homem podia lidar, e todas lindas, sensuais, mas não tolas para esperar qualquer coisa além de um relacionamento... e, Deus, ele detestava essa palavra... um relacionamento de alguns meses de duração.
Estava sozinho no momento. Uma pausa para respirar, Falco tinha comentado. Verdade. E apreciando cada minuto. Como a loira no evento beneficente na semana anterior. Ele tinha ido a uma festa supostamente tediosa. Salvar a Cidade, salvar o Mundo, salvar os Esquilos, quem sabia? A companhia Investimentos Irmãos Orsini havia comprado quatro ingressos, mas somente um dos irmãos aparecera.
Como Rafe colocara, aquela era a vez de Dante cumprir a tarefa.
Então ele tinha ido. E depois de cumprimentar algumas pessoas e pegar uma taça de vinho, sentiu alguém a observá-lo.
Era a loira, e ela era espetacular. Pernas longas, cabelos brilhantes. Um sorriso lento e sexy o suficiente para deixá-lo zonzo.
Dante atravessara o salão e se apresentara. Após alguns minutos de conversa e a moça chegara ao ponto que interessava.
— Está tão barulhento aqui — resmungou ela, e Dante sugeriu levá-la para um lugar tranquilo, a fim de poderem conversar.
Mas o que aconteceu no táxi que o porteiro chamou não tinha nada a ver com conversa. No momento em que chegaram ao apartamento de Carin ou Carla... ele não se lembrava mais... estavam tão excitados que mal conseguiram atravessar a porta...
Dante se levantou da cama e seguiu para o banheiro. Tinha o número do celular dela, mas não o usaria hoje. Esta noite, tinha um encontro com uma ruiva engraçadinha que conhecera na semana anterior. Quanto ao sonho...
Ridículo.
Tudo aquilo havia acontecido quase 15 anos atrás. Sabia agora que não amara a mulher que mentira, alegando estar grávida de seu filho, embora fosse grato a ela por ter lhe ensinado uma lição de vida importante.
Quando você levava uma mulher para a cama, era sua calça que deixava no chão, não seu cérebro.
Dante inclinou a cabeça para trás, fechou seus olhos azuis, deixou a água remover o xampu de seus cabelos negros.
Nenhuma mulher, por mais linda que fosse, merecia um envolvimento mais profundo do que aquele entre os lençóis.
Sem aviso, uma lembrança surgiu em sua cabeça. Uma mulher. Olhos cor de café. Cabelos com incríveis mechas douradas. Uma boca suave e rosada, com gosto de mel...
Irritado, Dante fechou o chuveiro e pegou uma toalha. Qual era o seu problema esta manhã? Primeiro o sonho insano. Agora isso.
Gabriella Reis... incrível como podia lembrar-se do nome dela, mas não do nome da mulher com quem estivera na noite anterior, especialmente uma vez que fazia um ano que não via Gabriella.
Um ano e dois meses. E, sim, certo, 24 dias... Dante suspirou.
Esse era o problema de ter fixação por números, pensou. Tornava-o bom naquilo que fazia na Orsini, mas também despertava pensamentos tolos na sua mente.
Ele vestiu uma camiseta surrada da Universidade de Nova York e um short de ginástica, igualmente surrado, e desceu a escadaria circular para o piso inferior de sua cobertura, passando pelos grandes quartos de teto alto até chegar à sala de ginástica. Não era uma academia completa. Possuía apenas um Nautilus, alguns pesos e uma velha esteira. Só usava aquilo quando o tempo estava muito ruim e não podia correr no Central Park. Porém, naquela manhã, apesar do sol, sabia que precisava de mais do que uma corrida de oito quilômetros se quisesse tirar aqueles pensamentos perturbadores da cabeça. Era sábado e tinha tempo de sobra.
Quando terminou, Dante passou algumas horas on-line, olhando sites de leilão com excelentes Ferraris, verificando se havia algo parecido com o que estava procurando: uma Ferrari 250GT Berlinetta 1958. No ano anterior, descobrira que havia uma no mercado em Gstaad, e pensara em voar para lá a fim de ver o carro, mas algum fato... ele não se recordava o que... havia acontecido e...
Suas mãos pararam no teclado.
Gabriella Reis. Era isso que tinha acontecido. Ele a conhecera e tudo desaparecera de sua mente.
— Droga! — exclamou Dante, nervoso. Era a segunda vez em que pensava nela hoje, e isso não fazia sentido. Gabriella era passado.
Desistindo de ficar sentado, ele desligou o computador, trocou de short e camiseta e saiu para correr.
Gastar aquela energia resolveu a sua agitação. Dante voltou para casa se sentindo bem, e sentiu-se ainda melhor quando Rafe telefonou para informá-lo de que tinha fechado o negócio do banco francês que eles estavam querendo. Ele já ligara para Falco e Nick. Que tal se reunirem para um drinque no seu ponto de encontro favorito, O Bar, em Chelsea?
No momento em que os irmãos se separaram, era difícil lembrar que o dia começara ruim, mas seu bom humor desapareceu quando sua mãe ligou. Dante amava-a com todo seu coração... e nem mesmo as perguntas usuais dela: se ele vinha se excedendo muito no trabalho, se estava comendo apropriadamente, se conhecera uma boa garota italiana para levar para jantar... diminuíam seu prazer em ouvi-la.
O recado que ela lhe deu de seu pai tirou o prazer de Dante.
— Dante, miofiglio, papa quer que você e Raffaele venham para o café amanhã.
Ele sabia o que isso significava. Seu pai estava num humor estranho ultimamente, falando sobre idade e morte, como se o "anjo da morte" estivesse batendo à porta. Aquele seria outro discurso infindável sobre advogados e contas bancárias... como se os filhos fossem tocar num dólar do pai depois que ele falecesse.
Sua mãe sabia como ele se sentia. Como todos os seus filhos se sentiam. Apenas ela e as irmãs deles, Anna e Isabella, persistiam em acreditar na ficção de que Cesare Orsini era um homem de negócios legítimo, em vez do farsante que era.
— Dante? — O tom de Sofia se suavizou. — Vou fazer aquele pesto frittata que você adora. Si?
Dante fez uma careta. Detestava o cheiro e o gosto de pesto, mas como um homem poderia dizer uma coisa dessas para a mãe sem magoá-la? Motivo pelo qual Cesare havia incumbido a esposa de fazer aquele convite.
Então ele suspirou e disse que estaria lá.
— Com Raffaele, às 8h. Você liga para ele, si? Aquilo, pelo menos, o fez sorrir.
— Claro, mama. Sei que Rafe ficará encantado.
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