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Capa do romance VIAJANDO COM O CEO - DANTE ORSINI

VIAJANDO COM O CEO - DANTE ORSINI

Após viver uma paixão intensa com Dante Orsini, Gabriella Ramos-Viera engravidou e foi abandonada, retornando ao Brasil para criar seu filho em segredo. Anos depois, o implacável magnata ressurge com o objetivo de comprar a fazenda de sua família. O reencontro é inevitável e Dante se depara com uma mulher transformada. Ao ver um menino que se parece muito com ele, o bilionário questiona o passado e as escolhas que os afastaram, mudando seus planos.
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Capítulo 3

No domingo de manhã, quando o resto de Manhattan certamente dormia, Dante entrava na propriedade Orsini no que um dia fora Little Italy, mas que era agora uma parte incrivelmente moderna de Greenwich Village.

Rafe havia chegado antes dele.

Sofia já o acomodara na grande mesa da cozinha, onde eles faziam frequentes refeições afamiglia. Rafe, apesar de ter passado a noite se divertindo com Dante, nas companhias de uma ruiva e uma loira, não parecia cansado ou aborrecido.

Rafe olhou para cima e o cumprimentou. Dante murmurou um bom-dia de volta.

Ele tinha dançado muito com a ruiva na noite anterior, primeiro na boate, depois na cama dela. Uma noite longa, com muita risada e sexo, mas sua mente estivera em outro lugar. Acordara sozinho em sua própria cama... nunca passava a noite na cama de uma mulher... com dor de cabeça, mau humor e nenhum desejo de conversar com seu pai.

Ou de comer a frittata que sua mãe colocou na sua frente.

— Mangia — disse ela.

Era uma ordem, não uma sugestão. Dante tremeu interiormente... comida não deveria ser verde... e pegou o garfo.

Os irmãos estavam na segunda xícara de café quando o braço direito de Cesare, Felipe, entrou na sala.

— Seu pai quer vê-los agora.

Dante e Rafe se levantaram. Felipe meneou a cabeça.

— Não juntos. Um de cada vez. Raffaele, você primeiro. Rafe sorriu e murmurou alguma coisa sobre seus privilégios.

Dante riu.

— Divirta-se.

E quando olhou para o seu prato, havia outra frittata ali. Ele comeu, empurrando-a com mais café, enquanto sua mãe continuava oferecendo... Queijo? Biscoitos? Aquele pão redondo de Celini que ele tanto gostava?

Dante assegurou-a de que estava satisfeito, consultando o relógio o tempo todo, enquanto sua irritação aumentava. Após quarenta minutos, levantou-se.

— Mama, tenho coisas para fazer. Por favor, diga ao meu pai que...

Felipe apareceu à porta.

— Seu pai irá recebê-lo agora.

— Tão bem treinado — disse Dante. — Igual a um pequeno cãozinho.

O empregado de seu pai não respondeu, mas o olhar no rosto dele era fácil de ler.

Dante sorriu.

— O mesmo para você, amigo — murmurou e seguiu para o escritório de seu pai.

A sala era como sempre tinha sido. Grande. Escura. Mobiliada com muito mau gosto, com santos e Virgens Marias espalhados pelas paredes. Cortinas pesadas estavam fechadas contra as portas francesas que levavam ao jardim.

Cesare, sentado numa cadeira que lembrava um trono, atrás de sua mesa de mogno, gesticulou para que Felipe saísse.

— E feche a porta — disse com a voz afônica depois de décadas de charutos.

Dante sentou-se na frente do pai, as pernas longas estendidas e os braços cruzados. Estava vestindo jeans, moletom azul-marinho e tênis surrados. Seu pai nunca aprovara tais trajes... uma razão, é claro, pela qual Dante gostava disso.

— Dante.

— Pai.

— Obrigado por ter vindo.

— Você me intimou. O que quer?

Cesare suspirou, meneou a cabeça e entrelaçou os dedos sobre a mesa.

— Como você está, pai? Quais as novidades de sua vida? Tem feito algo interessante ultimamente? — Ele arqueou as sobrancelhas. — Você é incapaz de uma conversa educada?

— Sei como você está. Muito saudável, apesar de sua convicção de que a morte se aproxima. Assim como sei que é melhor não mencionar as novidades de sua vida. — Dante sorriu friamente. — E se você fez coisas interessantes ultimamente, talvez deva contar aos agentes do governo federal, não a mim.

Cesare riu.

— Você tem senso de humor, meu filho.

— Mas não muita tolerância, então vamos diretamente ao ponto. O que você quer? E uma outra sessão de "Estou morrendo e vocês precisam saber de certas coisas"? Porque se for isso...

— Não é.

— Honesto e direto. — Dante assentiu. — Estou impressionado. Tão impressionado quanto é possível estar quando se trata de tipos como o seu.

— Insultos de dois filhos numa única manhã — disse Cesare. — Sou eu quem está impressionado.

— Imagino que sua conversa com Rafe foi tão agradável que ele decidiu sair pelo jardim, em vez de passar um minuto a mais debaixo de seu teto.

— Dante. Pode me conceder um tempo para falar?

Bem, bem. Uma nova abordagem. Sem gritos. Sem ordens. Em vez disso, um tom de voz que beirava à educação. Não que isso mudasse alguma coisa, mas Dante tinha de admitir que estava curioso.

— Claro. — Ele consultou o relógio antes de encontrar os olhos do outro homem. — Que tal cinco minutos?

Um músculo saltou no maxilar de Cesare, mas ele não respondeu. Abriu a gaveta, pegou um envelope e deslizou-o na direção do filho.

— Você é um investidor de sucesso, não é, miofiglio? Dê uma olhada nisso e me diga o que acha.

Outra surpresa! Aquilo era o mais perto que seu pai chegara de elogiá-lo. Inteligente, também. Cesare sabia que ele não resistiria a abrir o envelope depois disso.

O calhamaço de papéis dentro era grosso. O título Visão Geral na primeira página o surpreendeu.

— Isto é sobre uma fazenda?

— Não apenas uma fazenda, Dante. Trata-se de Vieira e Filho. O nome de uma enorme fazenda no Brasil.

Os olhos de Dante se estreitaram.

— Brasil?

— Si. O terreno cobre dezenas de milhas de acres.

— E?

Cesare deu de ombros.

— E eu quero comprá-la.

Dante olhou para seu pai. Cesare possuía uma companhia de saneamento. Uma firma de construção. Uma imobiliária. Mas uma fazenda?

— Para quê?

— De acordo com esses documentos, é um bom investimento.

— O Empire State Building também é.

— Conheço o dono — disse Cesare, ignorando a observação. — João Vieira. Bem, conheci, anos atrás. Fizemos alguns negócios juntos.

Dante riu.

— Posso apostar que sim.

— Ele me pediu um empréstimo. Eu recusei.

— E daí?

— Ele está doente. E me sinto culpado. Eu deveria... — Cesare parou. — Você acha isso divertido?

— Você sentindo culpa? Ora, pai. Este sou eu, não Isabella ou Anna. Você não conhece o significado da palavra.

— Vieira está morrendo. Seu único filho, Artur, vai herdar a propriedade. O garoto é inepto. A fazenda está na família Vieira por dois séculos, mas Artur vai perdê-la, de um jeito ou de outro, antes que Vieira esfrie no túmulo.

— Deixe-me entender isso. Espera que eu acredite que seus motivos são puramente altruístas? Que você quer comprar a fazenda apenas para salvá-la?

— Sei que você não tem uma boa opinião a meu respeito...

Dante riu.

— Talvez eu tenha feito algumas coisas das quais me arrependi. Não pareça tão chocado, miofiglio. Um homem no fim da vida tem o direito de começar a pensar sobre a ordem de sua alma imortal.

Dante pôs o envelope sobre a mesa. Aquele estava se tornando um dia muito estranho.

— Só lhe peço que voe para o Brasil, estude as condições da propriedade e, se considerar apropriado, faça uma oferta.

— O mercado está passando por uma fase terrível, e você espera que eu abandone meu trabalho, vá para América do Sul e faça uma oferta irrecusável para o seu inimigo?

— Vieira não é meu inimigo.

— Tanto faz. A questão é: estou ocupado. Não tenho tempo para desperdiçar somente porque você quer aliviar sua consciência pesada.

— Isso é muito mais simples do que pedi para o seu irmão.

— Bem, não sei o que você pediu a Rafe, mas aposto que ele não aceitou. — Dante se levantou. — Pode pegar sua consciência pesada e...

— Você já esteve no Brasil, Dante? Sabe alguma coisa sobre o país?

Dante ficou tenso. A única coisa que sabia sobre o Brasil era que Gabriella Reis nascera lá. Mas o que ela tinha a ver com aquilo?

— Estive em São Paulo — disse ele friamente. — A negócios.

— Negócios. Para aquela sua companhia?

— Chama-se Investimentos Orsini — replicou Dante.

— Dizem que você é excelente para negociar.

— E daí?

Seu pai deu de ombros.

— Por que pedir ajuda de um estranho quando seu próprio filho é considerado o melhor?

Um elogio? Pura bobagem, mas surtiu efeito. Por que não admitir isso?

— Bem — Cesare deu um suspiro dramático —, se você não vai fazer isso...

Dante o encarou.

— Posso gastar apenas alguns dias. Seu pai sorriu.

— Será o bastante. E, quem sabe? Talvez você até aprenda alguma coisa nova.

— Sobre?

Cesare sorriu novamente.

— Sobre negociar, miofiglio. Sobre negociar.

A um mundo de distância, mais de oito mil quilômetros de Nova York, Gabriella Reis estava sentada na varanda da grande casa na qual havia crescido.

Naquela época, a casa, a varanda, a fazenda em si tinha sido magnífica.

Não mais. Tudo estava diferente agora.

Assim como ela.

Quando criança naquela fazenda, Gabriella era magrinha e tímida. Seu pai tinha detestado sua timidez. Na verdade, detestara tudo em relação a ela.

Aquele lugar, a varanda, costumava ser seu santuário. Seu e de seu irmão. Artur fora ainda menos favorecido pelo pai do que ela.

Artur havia abandonado a fazenda no dia em que completara 18 anos. Gabriella sentira terrivelmente a falta do irmão, mas tinha entendido que ele precisava deixar aquele lugar para sobreviver.

Aos 18 anos, Gabriella subitamente florescera. O patinho feio se tornara um cisne. Ela não percebera isso, mas outras pessoas sim, inclusive um americano que a vira andando numa rua de Bonito, a abordara e lhe entregara um cartão de empresário. Uma semana depois, ela estava voando para Nova York e fazendo seu primeiro trabalho como modelo. Amava seu trabalho...

E tinha conhecido um homem.

E sido feliz, pelo menos por um tempo.

Agora, estava de volta a Vieira e Filho. Seu pai estava morto. Assim como seu irmão. Ela estava sozinha naquela casa triste e silenciosa, mas, até aí, de um jeito ou de outro, sempre estivera sozinha.

Mesmo quando fora amante de Dante Orsini.

Talvez nunca tão sozinha quanto quando amante de Dante. Aquecera a cama dele, mas não o coração. E por que estava perdendo tempo pensando nele? Isso não tinha lógica, não fazia sentido...

— Senhorita?

Gabriella olhou para o rosto preocupado da ama que praticamente a criara.

— Sim, Yara?

— Ele está chamando — disse Yara em português. Gabriella levantou-se apressada e entrou na casa. Ele a estava chamando! Como podia ter esquecido, mesmo por um momento?

Não estava sozinha. Não mais.

Dante foi para o Brasil num avião comercial. Falco estava usando o avião dos Orsini.

Considerando as roupas dos passageiros na primeira classe, ele imaginava que a maioria estava indo para Campo Grande, de férias. A cidade era perto de um lugar chamado Pantanal. Sua agente de viagens havia discursado sobre trilhas, canoagem, a incrível quantidade de vida selvagem...

Dante a interrompera:

— Apenas me arranje um hotel decente e um carro alugado.

Ele não estava indo para a América do Sul a passeio. Tratava-se estritamente de negócios. Negócios do seu pai, e o fato de ter permitido que Cesare o convencesse o irritava profundamente.

— Sr. Orsini, aceita alguma coisa? — perguntou a comissária de bordo, sorrindo.

Ele pediu vinho tinto. Então abriu sua pasta e leu a papelada que seu pai lhe dera.

Não descobriu muito mais do que já sabia. A fazenda Vieira continha uma enorme quantidade de gado e um pequeno número de cavalos. Pertencia à mesma família por gerações.

Havia um cartão com o nome, endereço e telefone do advogado de João Vieira.

Uma anotação com a letra de Cesare estava atrás: "Lide com ele, não diretamente com os Vieira." Certo.

Ele ligaria para o homem logo que chegasse, talvez naquela mesma noite. Brasileiros eram noturnos. Nas ocasiões que ele estivera em São Paulo, os jantares nunca começavam antes das 10h. Ligaria para o advogado e marcaria um encontro. Então explicaria o propósito de sua visita e faria uma oferta pela fazenda.

Quanto tempo isso levaria? Talvez nem mesmo os dois dias que tinha tirado de folga.

Sentiu seu ânimo melhorar. Com sorte, logo estaria de volta a Nova York.

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