
Verônica.
Capítulo 2
A festa durou até às três da manhã e Jonathan se esforçou para curtir com seus filhos, mas seus olhos não desviavam da garota tatuada. Seus filhos estavam certos, Verônica era uma jovem muito inteligente, pois muitas pessoas ali a reconheciam e elogiavam os trabalhos que ela já tinha feito para a faculdade. Isso despertou a curiosidade de Jonathan sobre ela e o fato das suas curvas se mexerem no ritmo das músicas, o deixavam um pouco atordoado.
Ele decidiu se aproximar dela e puxar assunto, mas não sabia bem o que dizer. Não queria ser inconveniente, mas queria saber mais sobre ela e nem ele mesmo entendi a razão de querer aquilo.
Verônica percebeu o seu olhar e sorriu, mostrando seus dentes brancos e seus piercings na boca. Ela dançava um funk proibidão com uma amiga e ambas estavam quase chegando até o chão, mas logo deixou-a na pista improvisada para se aproximar da única pessoa madura naquele lugar.
— Hey, paizão! — Ela disse abrindo seu melhor sorriso. Por mais que parecesse uma garota antipática, ela era muito diferente daquilo que seus olhos demonstravam. — Não está se dividindo muito. Algum problema?
— Acho que estou triste porque Cátia nem se deu ao trabalho de ficar em casa hoje para participar da festa. Era para ser um dia especial para Fernando.
— Mas ela está ocupada, certo? — Perguntou a garota e eu assenti. — Fê disse que ela está em uma viagem importante com um cliente, embora ele quisesse a presença dela, entende os imprevistos. Então fique tranquilo, ele está bem.
— Eu sei, eu sei. Mas é que eu sinto falta dela, sabe? Nós estamos casados há vinte e dois anos, e eu ainda a amo como no primeiro dia. Mas ela parece tão distante ultimamente, tão fria. Eu não sei o que fazer para reconquistá-la. — Jonathan desabafou, sentindo um nó na garganta. Ele não costumava se abrir assim com estranhos, mas Verônica tinha algo que o fazia se sentir à vontade, como se fosse uma amiga de longa data.
— Ei, calma. Não fica assim. Você é um paizão incrível, e tenho certeza que ela te ama também. Talvez ela só esteja passando por uma fase difícil, ou estressada com o trabalho. Você já tentou conversar com ela, perguntar o que está acontecendo? — Verônica disse, colocando a mão nos ombros dele, tentando consolá-lo. Ela sentiu uma pontada de pena por ele, e também de admiração por estar querendo reconquistar a esposa. Homens assim não se acham por aí.
Ele era tão sincero e sensível. Bem diferente dos caras que ela costumava sair. Ela se perguntou como alguém como ele podia ser infeliz no amor.
— Eu já tentei, mas ela sempre diz que está tudo bem, que é só cansaço ou que não é nada. Mas eu sei que é mentira, eu sinto que ela está me escondendo algo e tenho medo de perdê-la. Acredita que já até pensei que talvez ela esteja me traindo? Se ela me pedir o divórcio, não sei se eu aguentaria muito. Ela é a minha vida. — Jonathan disse, com os olhos marejados. Talvez o álcool já tivesse subido para sua cabeça, mas desabafou o que realmente sentia. Um homem impotente, frustrado e angustiado.
— Olha, eu não sei o que está acontecendo entre vocês, mas eu sei que você não pode desistir assim. Você tem que lutar pelo seu casamento e pelo seu amor. Sei lá, mostre para ela o quanto você a ama ainda, o quanto você a valoriza e que deseja muito ela. Talvez se ela se sentir especial como sentia no começo, perceba que ainda ama muito você. Porque tenho certeza que ela ama. — Verônica o consolou, olhando nos seus olhos, com uma voz firme e doce.
Por um instante a garota sentiu uma onda de calor percorrer o seu corpo, e também de culpa. Ela realmente estava se sentindo atraída por um homem que se sentia largado pela mulher, e isso era errado. Ele era casado, ele era pai e pior que ele era o pai dos seus amigos. Ela não podia pensar em qualquer coisa com ele, nem com eles, nem com ela mesma. Tinha que se afastar, antes que fosse tarde demais.
— Você acha que isso é possível? Você acha que eu ainda tenho chance? — Jonathan perguntou, esperançoso, olhando nos seus olhos, com uma expressão de gratidão e devoção.
Assim como Verônica, ele sentiu uma faísca de esperança no seu peito, e também de desejo. Ela era tão linda, tão doce, tão sábia… Parecia que era a única que o entendia depois de tantos anos.
— Eu acho que sim, mas você tem que tentar. Seja sincero, honesto e principalmente gentil. Vai dar tudo certo.
— Não acredito que estou ouvindo conselhos de uma criança. — Ele disse, em tom de brincadeira, e Verônica gargalhou.
— Aí! Essa criança aqui já deve ter dormido com metade dessa festa. Tenho mais experiência do que você, paizão.
Os olhos de Jonathan se arregalaram de surpresa, ele não pôde evitar as inúmeras dúvidas que brotaram em sua mente naquele momento se perguntando de onde aquela garota tinha saido, mas para sua infelicidade uma turma de jovens arrastou Verônica para a pista quando a festa inteira vibrou com o nome de uma diva pop que ela adorava.
— Vai que é tua gata! — Beatriz gritou em alguma parte da festa e Jonathan julgou que Verônica era muito fã de Dua Lipa.
Dois garotos a levantaram até o balcão que eles montaram no centro da sala para simular um bar e Verônica começou a entoar a canção junto aos alto-falantes. Ela tinha uma voz potente e afinada, e cantava com emoção. Logo, a festa toda estava cantando com ela no ritmo de Break My Heart. Ela dançava e pulava no balcão, sem se importar com os olhares que recebia.
Estava se divertindo, e contagiava a todos com a sua alegria.
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