
Vendida para o SR. Jones
Capítulo 3
Pov Lucia V. Cooper's.
Um mês depois....
Passou um mês e agora sou a gerente da loja, as coisas melhoraram um pouco. Não ganho tanto como em outras lojas, porque essa loja ainda é pequena e nossa cidade também. Mas consegui quitar as dívidas, pelo menos as contas e algumas coisas que comprei para a casa. Agora, posso comprar carne duas vezes por mês, isso já é ótimo.
Meu pai é o mesmo, confesso que às vezes parece que ele se preocupa comigo, me olha de um jeito estranho, triste… mas depois, ele sai para beber. Ele não soube lidar bem com o luto e agora sua vida é assim.
Meus horários de serviço agora são melhores, trabalho somente à parte da tarde. Parte da manhã, dedico a arrumar a casa e, de noite, faço a janta mais cedo e vou ler alguns livros.
Minha mãe tem alguns livros na sua estante, estão empoeirados, mas nada que uma limpeza não resolva. E amo muito ler esses livros, mesmo que as histórias não sejam reais, eles me dão esperança no "amor".
Eu nunca amei ninguém além da minha família, não sei se isso é pra mim.
Pelo que sei, minha mãe cresceu na igreja ouvindo de Deus e serviu a Ele até a morte. Ela encontrou o amor, foi amada, nos amou. Mas ela partiu, Deus a levou. Nunca me indignei com ele. Foi a hora dela, mas tivemos tão pouco tempo.
Lembro de uma frase que ela sempre falava:
" NÃO DESISTA DE DEUS, ELE NÃO DESISTE DE VOCÊ. "
Isso sempre fica martelando na minha cabeça. E sempre digo isso ao meu irmão. Oramos toda noite juntos e tentamos sempre não reclamar da nossa vida e sim agradecer. Queremos parecer com nossa mãe, sermos uma boa pessoa.
******
No dia seguinte, é minha folga.
Vou até o mercado com meu irmão e compramos algumas roupas, estávamos precisando. Pedro ficou contente, havia muito tempo que não compramos nada, só pagamos.
Comprei para ele dois pares de roupa e um tênis de que ele ficou apaixonado, e para mim dois simples vestidos, gosto de roupas simples, combina comigo.
Depois, Pedro fica encarando um lindo caminhão verde. Ele fecha a cara e sabe que suas economias não vão pagar o caminhão que tanto deseja.
Eu coloco minha mão em seu ombro. Ele se vira para mim e eu digo:
— Pode pegar. — Digo sorrindo para ele.
Ele fica espantado e diz:
— Mas e suas economias?
— Bom… eu junto de novo, meu livro pode esperar, depois você me paga o livro.
Eu pisco para ele, e meu irmão me abraça forte e enche meu rosto de beijos.
Compro o caminhão para ele e, quando estávamos indo para a estrada de pedra que segue até a nossa amada vila, somos surpreendidos...
Aparece um carro escuro, bem chique, na nossa frente. Pego na mão do meu irmão e respiro fundo, atenta.
O vidro se abaixou e percebi quem era na mesma hora.
— Boa tarde, jovens.
Seria difícil não reconhecer aqueles olhos verdes, cabelo perfeito, aquela colônia. É o Jones.
Reparo que ele continua com o mesmo jeito elegante.
— Que tal uma carona? — eu não respondi, não o conhecia, então por que ir com ele?
Mas, ele pareceu entender meu olhar.
— Bom, Lúcia, eu sou o dono do bar onde seu pai se encontra todas as noites. Ele nos deve uma boa grana, preciso lembrar a ele de pagar, se não, fico no prejuízo. — ele soltou um leve sorriso, me olhando.
Que droga! Por que meu pai faz isso comigo?
Todo nosso dinheiro vai para ele. aff
— Hummm, tudo bem. — assenti.
Ele abre a porta pra mim e eu e meu irmão entramos.
Ficamos em silêncio durante o percurso até chegar à nossa vila.
De vez em quando, percebi Jones me olhando.
E isso me deixou nervosa... com vergonha, na verdade. Por que ele me olha assim? Desvio o olhar, prestando atenção do outro lado do vidro.
Minutos depois, chegamos... não moro longe do trabalho.
Eu saio do carro com Pedro e segurando as sacolas.
Pedro entra em casa e vai guardar seu caminhão, todo animado.
Encontro meu pai do lado de fora, perto do jardim.
Quando ele percebe que Jones está ali, os dois se cumprimentam, secamente.
— Que coincidência, Rodolfo. Encontrei seus filhos, mas os trouxe em segurança para você.
— Obrigado.
Meu pai responde seco e segura meu braço.
O que está acontecendo?
— Ora. Ora. O que acha que está fazendo? — Diz Jones, sério, fitando meu pai.
— Levando minha filha para dentro, para a gente conversar. — Ele arfa para o Jones, eu francamente não sei o que está havendo.
— Não temos nada para conversar. — Jones chama um de seus guardas-costas que estava no carro conosco, eu nem prestei atenção nele.
Meu Deus, o que está acontecendo aqui afinal?
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