Capa do romance Vendida para o SR. Jones

Vendida para o SR. Jones

9.4 / 10.0
Após a morte da mãe, a vida de Lúcia virou um caos sob a violência de um pai entregue aos vícios. Sua única motivação para resistir é proteger Pedro, seu irmão caçula. Contudo, o pior acontece quando seu próprio pai a vende sem piedade. Agora, ela pertence ao Don da máfia, um homem implacável que domina tudo. Presa nesse novo mundo sombrio, Lúcia entende que o perigo real apenas começou e que fugir desse destino cruel poderá custar muito mais que sua liberdade.

Vendida para o SR. Jones Capítulo 1

Bell J. Rodrigues

2° Edição

Uberlândia - MG

VENDIDA PARA O SR.JONES - O don da máfia.

Copyright ©Bell J.Rodrigues

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Sinopse.

A vida nunca foi gentil com a Lúcia.

Após perder a mãe ainda jovem, ela viu o pai afundar em um luto destrutivo, tornando-se áspero, violento, algo que jamais viu. Ela não o reconhecia mais, só o via desperdiçando o pouco dinheiro da família em bebidas e mulheres.

A única razão para Lúcia continuar lutando é Pedro, seu irmão mais novo e a única luz em meio à escuridão.

Juntos, os dois tentam sobreviver.

Mas tudo muda na noite em que Lúcia é vendida pelo próprio pai.

Sem aviso. Sem escolha. Sem misericórdia.

Agora, ela pertence a um homem tão perigoso quanto poderoso: o Don da máfia, alguém acostumado a controlar tudo e todos ao seu redor. Um homem dominante, implacável… e dono do destino de Lucia.

Forçada a viver sob o mesmo teto que ele, Lúcia descobre que o verdadeiro inferno não começou naquele dia, ele está apenas começando.

E escapar das mãos do Don pode custar muito mais do que sua liberdade.

POV Lucia V. Cooper.

Cresci forjada no sofrimento. Há sete anos, minha mãe foi arrancada de mim e isso acabou transformando meu coração em uma pedra de gelo.

Meu pai deixou de ser o homem amável para curar seu luto com álcool e mulheres, e o único acalento que sobrou para mim foi meu irmãozinho.

Para ele, sim, eu podia dar todo meu amor.

Depois do luto, consegui me recuperar e dou o maior amor ao meu irmão, pois ele precisa.

Agora, com meus dezoito anos, consegui um trabalho de meio período no centro da cidade, em uma loja: ajudo a atender clientes, organizar as roupas e afins.

É uma loja simples, mas muita gente a frequenta. Nossa cidade é um pouco pequena, em Bampton é uma charmosa vila, eu gosto daqui.

Fico o dia todo na loja e volto para casa por volta das seis para começar a janta mais cedo. Meu pai só fica em bares bebendo enquanto eu tento manter nossa casa. E mal dá para pagar a conta de água e luz, graças aos céus ganhamos cesta básica da dona da loja em que trabalho, se não fosse por ela passaríamos fome.

Ela viu nossa situação e quis ajudar, só por ter oferecido o trabalho a mim nos ajudou bastante, mas com a cesta básica ela nos salvou.

Meu irmão trabalha nas casas de homens ricos, arrumando o jardim, coisas assim.

Eu sentia que eu podia fazer mais pelo meu irmão, afinal, não era justo, uma criança de doze anos trabalhar para ajudar a sustentar nossa família.

Meu pai, que deveria ser nosso refúgio, era apenas um pobre coitado, que afogava todas as suas mágoas em doses da cachaça mais barata que podia encontrar.

Mas mesmo assim, o dinheiro usado para comprar essas porcarias daria para pagar algumas contas. Ele nunca para em trabalho, ele presta serviços por uns meses sendo demitido porque chega no trabalho bêbado e desorientado, portanto não posso confiar no meu pai nessa questão, por isso me virei e consegui o trabalho.

Todo o fardo de alimentá-lo acabava ficando em minhas costas.

Nossa casa, como é longe da cidade grande e moramos na vila, podemos criar alguns animais, pois o terreno da casa é bem grande. Mas foi por pouco tempo, a gente tinha algumas vacas, galinhas, algumas ovelhas, era um bom investimento, mas tudo se perdeu quando minha mãe morreu e meu pai vendeu todos os animais. Foi muito chocante. Ele fez isso e gastou todo o nosso dinheiro com bebidas e prostitutas. Eu e meu irmão nos sentimos só, mas sempre que posso, falo para ele que é uma fase e tudo voltará ao normal. E sempre digo que o amo, aliás, sou a irmã mais velha e devo protegê-lo.

Mas não vai melhorar. Estou mentindo para ele.

Chegando em casa, meu irmão ainda não chegou, deve estar finalizando o serviço. Eu entro em casa e começo a fazer uma sopa de carnes e legumes.

Ganhamos carne na última cesta e alguns legumes, isso é muito bom porque só estávamos comendo arroz e salada. Era o que tínhamos. Ainda bem que agora temos um tipo de mistura.

Começo a sopa e deixo no fogo baixo e vou tomar um banho.

Lavo minhas madeixas escuras, ensaboo todo meu corpo e logo enxaguo e me seco.

Coloco um vestido simples de mangas curtas. Escovo os cabelos e passo um creme que ganhei.

Volto ao fogão e está quase pronto. Assim que termino, escuto vozes do lado de fora.

" Você não pode subir hoje, minha filha deve estar em casa fazendo a janta. Volte amanhã à tarde, que ela não estará em casa. Até amanhã."

Escuto sons de lábios se beijando e me viro, fazendo uma careta.

Vou até nosso minúsculo sofá e me sento. Olho para a parede e penso que meu irmão já devia ter vindo.

— Onde está seu irmão?

É assim que meu pai me deseja boa noite.

— Já devia ter chegado, vou lá buscá-lo.

Ele me olha sério e diz.

— Vai fazer essa janta logo que eu vou lá. — Ele diz, me olhando de cara feia, resmungando, e sai de casa.

Ele está bêbado, mas pelo menos não tentou avançar em mim.

Fico do lado de fora esperando os dois, olho a lua se formando no céu. É tão linda.

Eu então sussurro…

“ Como queria que minha mãe estivesse aqui agora, seria tudo mais fácil.”

Mas, infelizmente ela se foi… preciso lidar com isso sozinha.

De repente, algo me chamou atenção…

Um carro parou ao meu lado… o vidro está um pouco aberto, e o homem fica me olhando… fixamente. Não consigo ver direito quem é.

Um medo toma meu corpo.

Quem será esse homem? Ainda mais a essa hora, é melhor eu entrar.

O homem que está ali, continua a me olhar pela janela do seu carro, que parece ser uma marca cara.

Ele sai do automóvel devagar e vem até mim, lentamente.

Começo a ficar com medo, mas quanto mais ele se aproxima, mais fico travada... esse homem estranho e alto... é tão bonito. Sinceramente, é bem lindo, atraente, tem uma expressão séria e perigosa, mas tem uma beleza surreal.

Olhos claros, cabelos loiros na altura da nuca, parece másculo e... bem mais velho do que eu.

— Boa noite. É filha do senhor Rodolfo?

Respondo após balançar a cabeça devagar.

— Sou sim. E o senhor é?

Ele sorri, se aproximando, e diz:

— Sou Jones Krim. Prazer, e você é?

Respondo sendo educada.

— Sou Lúcia.

Ele acena devagar com a cabeça.

— Não é perigoso uma moça como você estar aqui fora sozinha?

Eu o respondi à altura, corajosamente, mesmo sendo jovem... bom, estou em frente de casa, e não sou nenhuma tola.

— Eu... só estou esperando meu pai, ele foi na rua de baixo, buscar o meu irmão. — falo, cruzando meus braços, respirando fundo.

Ele me dá uma olhada e depois olha para a escuridão.

— Entendo... eu posso esperar aqui com você, Lúcia? Preciso resolver assuntos sérios com o seu pai. — aquilo, despertou minha atenção.

Me virei para o encarar, estava curiosa.

No que meu pai se meteu agora?

— Ahh, tudo bem. Ele vai chegar rápido. — respondi, encarando seus olhos, que pareciam estar sorrindo para mim.

Desviei o olhar e fiquei olhando para a rua, em busca do meu pai e meu irmão. Queria que eles voltassem logo... e que meu pai não tivesse arrumado mais uma nova confusão, por favor... isso não.

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