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Capa do romance Uma Princesa Para o Mafioso

Uma Princesa Para o Mafioso

Elena Santoro cresceu sob o peso de um destino traçado: casar-se para garantir a paz com a Cosa Nostra. Aos vinte e dois anos, ela é entregue a Luca Grecco, um Don impiedoso e temido por sua crueldade. Longe de ser um sonho, sua nova realidade é cercada por sangue e poder. Em meio a perigos e intrigas, Elena descobre camadas ocultas sob a frieza de Enzo. Agora, ela deve decidir se esse homem sombrio será sua ruína ou a salvação de seu coração ferido.
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Capítulo 2

O silêncio dentro do carro é opressor.

Os bancos de couro creme refletem a luz suave que entra pelas janelas, mas nada ali consegue aquecer a sensação de vazio que me toma. Meu pai está ao volante, os olhos fixos na estrada, sua expressão intransigente como sempre. Minha mãe, ao meu lado, olha pela janela, como se estivesse distante, em outro lugar. Em algum lugar onde a dor do momento não fosse tão real.

Eu, por outro lado, não consigo desviar o olhar da barra do meu vestido azul. A delicadeza do tecido contra a minha pele parece quase zombar da minha incapacidade de escolher o próprio futuro. Cada fibra, cada detalhe cuidadosamente escolhido para ser a perfeita apresentação do que sou - uma obra de arte, mas apenas para ser admirada, não tocada.

Hoje, meu futuro marido finalmente me verá.  A imagem que sempre me foi vendida, o homem que todas as lendas falam. Mas para mim, ele não é mais do que uma sombra. Uma promessa de um destino que não escolhi.

Os cabelos loiros, cuidadosamente ondulados, caem suavemente sobre os ombros. Meus olhos azuis são um reflexo do que me ensinaram a ser: fria, controlada, impecável. A postura ereta, a expressão sem emoção. Uma esposa bem treinada, pronta para fazer o que lhe é ordenado.

Minha mãe me olha brevemente, o olhar vazio de qualquer sentimento real. Ela nunca soube o que era ser livre, então jamais poderia me entender. Meu pai, imperturbável, está ao seu lado com a mesma frieza que sempre usou para me criar. Eles nunca me viram como uma pessoa. Sempre fui a herdeira que precisava ser moldada, e agora, aos 21 anos, o único caminho para mim é o de uma moeda de troca.

Eu fui feita para ser a esposa de um mafioso. Para ser útil a uma família, a uma causa maior do que eu mesma.

Nunca poderei conhecer outro homem. Nunca poderei me apaixonar, ser livre, viver. Meu corpo, minha mente, meu coração... tudo isso foi comprometido desde o momento em que nasci.

A dor, ao pensar nisso, quase me arranca um suspiro. Mas não. Eu não sou feita para demonstrar fraqueza. Não sou feita para sentir.

- Está tudo bem, querida? - A voz suave de minha mãe chega até mim, mas é uma pergunta vazia. Não é um interesse real. Não há empatia ali, apenas uma tentativa de preencher o espaço entre nós.

- Sim. - respondo, minha voz mais firme do que eu realmente me sinto. - Estou só... pensando.

Ela não insiste. Há tanto tempo que somos estranhas uma para a outra que qualquer tentativa de conversar soa como um eco distante. Eu sou apenas o reflexo do que ela quis, do que meu pai exigiu.

O carro desacelera ao se aproximar do aeroporto. O que está por vir não é uma surpresa, mas sinto uma leve pressão no peito. Não posso deixar transparecer. Não posso.

Atravessamos o portão do aeroporto, e uma pequena parte de mim se permite sonhar por um segundo. Sonhar com algo diferente. Com liberdade. Com a chance de escolher. Mas o sonho logo se desfaz, dissipado pelo medo do que virá.

Meus olhos se fixam à frente, no que está por vir: a Itália, minha nova prisão. O lugar onde finalmente serei entregue ao homem que escolhi, mas que nunca amei.

E o que me resta? Apenas a aceitação.

O voo é longo e silencioso. O zumbido constante das turbinas preenche o ambiente, mas não consegue silenciar os pensamentos que ecoam na minha mente. Estou sentada ao lado de minha mãe, que continua tentando fazer da viagem algo leve, mas suas palavras são como meras distrações.

- Você vai adorar a Sicília. - ela diz, a voz suave, como se tentasse convencer a si mesma. - É uma região linda, cheia de história. O clima, a comida... você vai ver, vai se sentir em casa rapidamente.

Ela sorri para mim, com um sorriso que não chega aos olhos. Eu sei o que ela quer: que eu me sinta animada. Que eu aceite o que está por vir com o mesmo fervor com que ela aceitou o destino dela. Mas não consigo.

Eu olho pela janela, observando as nuvens passarem, imaginando o que me espera na terra que agora será minha. Luca... A figura que até então era apenas uma lenda, uma sombra que pairava sobre minha vida. Agora ele é o homem a quem pertencerei, o homem a quem meu destino foi selado.

- Sim, mãe - respondo, tentando imitar um tom de entusiasmo, mas minha voz sai mais baixa, sem vida. - Estou ansiosa para conhecer.

Ela não percebe a falsidade nas minhas palavras, ou talvez prefira não perceber. Ela sorri novamente, mais uma tentativa de criar uma atmosfera confortável, como se o fato de estarmos dentro de um jato privado já tornasse tudo um conto de fadas.

Mas dentro de mim, tudo o que existe é um vazio sombrio. O medo, que aperta meu peito e me faz respirar mais devagar, não me deixa mentir para mim mesma. Não me deixa acreditar nas palavras confortantes de minha mãe.

- A Sicília é como um pedaço de céu, querida. Um lugar que poucos têm o privilégio de chamar de lar. - Ela continua, com a voz impregnada de nostalgia. - O que você vai viver lá será especial. Será para sempre.

Eu olho para ela, tentando entender como ela pode falar com tanta convicção. Como pode acreditar que ser esposa de um mafioso, pertencente a uma família como a Cosa Nostra, é algo "especial". Mas, ao mesmo tempo, sei que minha mãe jamais entenderá o que se passa dentro de mim. Para ela, não há espaço para questionamentos.

- Espero que sim - respondo, mantendo o mesmo tom vago. - Eu realmente espero.

Ela olha para mim, aparentemente satisfeita com a resposta, e volta a olhar pela janela. Eu continuo olhando para ela, me perguntando, por um breve instante, se ela já sentiu medo como eu sinto agora.

O medo de ser engolida por algo maior, algo que não podemos controlar. O medo de um destino que não escolhemos, mas que temos de aceitar. E, com isso, o medo de nunca mais ter controle sobre a minha própria vida.

Mas não posso dizer nada disso. Não posso quebrar a aparência de conformidade. Apenas me recosto na poltrona do jato e deixo que o mundo ao meu redor se torne uma névoa distante, à medida que me preparo para o inevitável.

O destino está traçado, e a Sicília será apenas o começo do meu novo lar.

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