Capa do romance Nunca é tarde para recomeçar

Nunca é tarde para recomeçar

7.9 / 10.0
Rejeitada pela família biológica em favor da irmã adotiva, Janice suportou humilhações e exploração extrema. Após ser pressionada a ceder seus designs e até um órgão vital para ganhar aceitação, ela decide romper esses laços tóxicos. Em busca de sua própria identidade, ela se reinventa completamente. Agora, como mestre em artes marciais, médica renomada e designer de prestígio global, Janice prova que seu valor nunca dependeu do reconhecimento de quem a desprezou.

Nunca é tarde para recomeçar Capítulo 1

"Janice, como você pode ser tão cruel? Você tem noção do que fez com sua irmã? Você vai aprender a lição hoje!" Laurie Edwards rosnou, a raiva a transbordar enquanto o chicote atingia a filha com um estalo brutal e estrondoso.

O estalo agudo do chicote ecoou pela vasta mansão, silenciando os empregados que permaneciam imóveis como estátuas, sem ousar proferir uma palavra.

Apesar disso, Janice Edwards manteve-se estoica, o corpo franzino a tremer com os dentes cerrados, suportando a dor excruciante que parecia rasgar-lhe a pele.

"Eu te trouxe de volta, dei tudo o que precisava e ofereci um lar. É assim que me agradece?"

A cada palavra, o braço de Laurie se movia, marcando as costas de Janice com listras profundas e vermelhas, enquanto o rosto da garota empalidecia. Ainda assim, seu olhar permanecia firme, iluminado por uma faísca de determinação. Talvez já tivesse ficado insensível a castigos tão brutais.

"Agora, peça desculpas à Delilah." Arfando de esforço, Laurie pôs uma mão na cintura, os olhos dela brilhando de fúria ao encarar Janice.

"Por que eu pediria desculpas se não fiz nada de errado?" Janice enfrentou o olhar de Laurie, a voz firme, cada palavra um desafio.

A fúria de Laurie atingiu o ápice ao ver aquela postura desafiadora. Agarrando o chicote com força, declarou: "Então não vou parar até que você peça desculpas hoje."

Nesse momento crucial, Delilah Edwards, a filha adotiva de Laurie, segurou o braço da mãe, os olhos cheios de lágrimas, e implorou: "Mãe! Por favor, pare de bater na Janice. A culpa é minha — nunca lhe contei sobre minha alergia a manga."

"Delilah, você é bondosa demais. Ela quase a matou, e ainda assim você a defende." Laurie suspirou, deu um tapinha carinhoso na mão de Delilah e falou com a voz cheia de afeto. "Ela é simplesmente maliciosa. Nessa tentativa desesperada de chamar atenção, deu-lhe pudim de manga sabendo da sua alergia. Que crueldade, não acha?"

"Mas eu juro que não sabia!" As lágrimas brotaram nos olhos de Janice ao encarar a dupla unida à sua frente. "Eu realmente não sabia da alergia dela!"

"Ainda com desculpas?" Laurie desferiu outro golpe em Janice, as palavras gélidas e cortantes enquanto a dor se espalhava pela pele da garota, provocando-lhe um calafrio.

Desde que Janice voltara para a família, qualquer discussão envolvendo Delilah invariavelmente terminava com ela levando a culpa. Não importavam seus argumentos ou as provas que apresentava; tudo era descartado como mentira.

Quando Delilah caiu da escada, acusou Janice de tê-la empurrado, e os pais ficaram do lado da adotiva sem hesitar.

Embora Janice fosse sangue do seu sangue, parecia ocupar um lugar menor no coração deles do que Delilah.

Aos olhos deles, talvez ela não passasse de uma calculista, sempre disposta a machucar Delilah para conquistar um pouco de afeto.

Delilah lançou um olhar de simpatia a Janice. "Mãe, eu entendo a Janice. Afinal, ocupei o lugar dela como sua filha por mais de uma década. Se estivesse no lugar dela, provavelmente também me sentiria amargurada. Talvez, se eu for embora, ela finalmente encontre paz e a família possa se reconciliar."

Suas palavras, revestidas de uma fachada de preocupação, eram um truque ardiloso para colocar Janice em maior desvantagem, e Laurie engoliu a isca de bom grado.

O coração de Janice se afundava no desespero, uma contagem silenciosa de mágoas contra a família a crescer a cada instante.

De repente, um chicotada afiada trouxe-a de volta à dura realidade. Ela fitou Laurie, cujo olhar era frio e transbordava desprezo.

A voz da mulher cortou o ar, gélida e incisiva. "Olhe só para a Delilah, sempre tão atenciosa e educada! Se você fosse metade do que ela é, eu estaria nas nuvens. Mas você aí, negando o erro, como se quisesse me irritar de propósito."

Janice manteve-se firme. "Repito: o pudim que lhe dei não tinha manga. Se duvida de mim, confira a lista de compras!"

"Para que conferir? Delilah não nos enganaria sobre isso." Com a fé inabalável em Delilah, Laurie não via necessidade de confirmar os itens listados.

"Mãe..." A voz de Delilah tremeu, numa atuação cuidadosa e vulnerável. "Se isso tranquilizar a Janice, talvez eu tenha sido injusta com ela."

"Delilah, por favor, não chore. Você não merece sofrer assim. Vou garantir que essa ingrata pague por isso." O olhar de Laurie endureceu, o aperto no chicote se intensificou, sua autoridade era palpável. "Se não quer pedir desculpas, a decisão é sua. Em três dias, a Efrery realiza seu primeiro concurso de design de moda. Se entregar seu projeto à Delilah, deixo isso para lá."

De novo?

Aquelas palavras gélidas trespassaram Janice, causando-lhe um profundo calafrio.

Ao longo do ano, ela cedera incansavelmente, desesperada por um mínimo de reconhecimento e elogio da família.

Desde o início, o quarto era seu por direito, mas convenceram-na a entregá-lo, dizendo que Delilah se afeiçoara ao conforto do lugar.

Até sua legítima identidade como filha dos Edwards foi obscurecida, tudo para proteger o orgulho de Delilah.

A lista de sacrifícios era infindável.

Para permanecer com essa família e conquistar seu favor, Janice abrira mão de mais do que admitiria.

Mas agora, Laurie pressionava-a a renunciar ao projeto para o concurso de moda, pondo seu futuro em jogo.

"Diga alguma coisa", instou Laurie, diante do silêncio de Janice. "Perdeu a voz?"

"Mãe, por favor", interveio Delilah, agarrando o braço de Laurie e balançando a cabeça. "A Janice também está concorrendo. O que ela fará se me entregar o projeto? Embora esteja confiante na vitória, eu..." Ela fez uma pausa, tossiu fracamente, o corpo a tremer, prestes a desmaiar. "Acho que minha saúde não permite."

"Ela a prejudicou, então é justo que se redima." Laurie fitou Janice com um olhar penetrante. "Pergunto pela última vez — vai ceder o projeto ou não?"

Um aperto no peito tomou Janice enquanto respirava fundo e irregularmente. "Mãe, eu não sou sua filha também?", perguntou, a voz ligeiramente embargada.

"Diz ser minha filha, mas desconsidera meus desejos?"

Essa demonstração explícita de favoritismo partiu de vez o coração de Janice. Ela fechou os olhos e sussurrou, quase inaudível: "Deixo que ela fique com o projeto."

Diante dessas palavras, um sorriso malicioso surgiu no rosto de Delilah. Embora Janice fosse muitas vezes complacente, suas habilidades de design eram excepcionais. Com o projeto dela em mãos, garantir o primeiro lugar parecia quase certo.

"Então você tem consciência, afinal", comentou Laurie, arqueando uma sobrancelha enquanto atirava o chicote de lado com displicência e dirigia um sorriso caloroso a Delilah. "Com o projeto da Janice, pode parar de se preocupar com a competição. É só relaxar e aproveitar o prêmio quando chegar."

"Obrigada, mãe", respondeu Delilah, o rosto a iluminar-se com um sorriso alegre. Contudo, pouco depois, um olhar tímido surgiu-lhe no rosto ao voltar-se para Janice. "Mas a Janice não vai ficar ressentida por eu usar o projeto dela?"

"Ela não teria coragem." A voz de Laurie ficou gelada ao fixar um olhar severo em Janice. "Se guardar rancor, vai parar na rua. A família Edwards não mantém ingratos por perto, sejam da família ou não."

"E se a Janice me acusar de roubar o projeto dela?" A voz de Delilah tingiu-se de preocupação.

"Então, vou garantir que qualquer vestígio do envolvimento dela seja apagado, e todo o crédito será seu."

As palavras duras de Laurie deixaram Janice atordoada, o coração a afundar-se ainda mais no desespero.

Teriam sido em vão seu ano de paciência e concessões?

"Huh!" Janice soltou um riso amargo e desdenhoso, os últimos resquícios de esperança a desintegraram-se, deixando-a completamente desiludida com a família.

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