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Capa do romance Uma  noite de prazer

Uma noite de prazer

Hudson Gray, o arrogante bilionário conhecido como o Dono do Texas, busca expandir sua influência para além da riqueza. Mirando o cargo de governador, ele exige que sua assessora molde sua imagem pública para alcançar o poder político. No entanto, o CEO de reputação perfeita não previu que um encontro casual mudaria tudo. Após uma única noite de prazer, ele se vê envolvido em um relacionamento inesperado que pode abalar todos os seus planos ambiciosos.
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Capítulo 2

Capítulo 2

Antonella

Boston — Massachusetts

Dez meses depois

— Você ao menos tem que tentar.

— Não. Pode me pedir qualquer coisa, menos isso.

— Por favor. Precisa experimentar. Sua vida é tão

chata!

— Você se lembra de que é a minha irmã mais velha?

Deveria me dar bons conselhos e ficar feliz que meu

programa favorito seja estar em casa nos fins de semana.

Sou uma adolescente-modelo.

— Primeiro, você já deveria saber que não sou uma irmã

mais velha convencional. Até porque, nossa diferença de

idade é de apenas três anos. Segundo, você não é mais

uma adolescente. Acaba de se tornar uma adulta. — Ela

pausa e olha o relógio em seu pulso fino. — Bem,

tecnicamente se tornará uma adulta, daqui a vinte minutos.

— Respondendo à sua afirmação anterior, minha vida

não é chata. Ela é como eu gostaria que fosse, Luna. Sou

feliz com pouco. No próximo outono iniciarei a faculdade e

quando terminar, vou ficar rica. Até lá, sua saúde estará

ótima e nós poderemos sair de férias pelo mundo. Ir à

Itália, como você sempre sonhou.

— No momento, eu me contentaria em poder ter meu

emprego de volta. O trabalho de hostess[7] me agradava.

Eu adorava ver as celebridades desfilando lá no

restaurante.

Seu olhar se perde por um instante, como se estivesse

recordando algo que a fizesse sorrir.

Ela estica a mão magrinha para mim.

— Antonella, eu amo você e tenho certeza de que todos

os seus sonhos vão se tornar realidade, mas só se tem

dezoito anos uma vez. A comemoração é obrigatória.

— Estamos juntas. É celebração suficiente.

— Eu não acredito que disse isso. Por mais que me

ame, precisa aproveitar um pouco. Você é tão linda. Faça

por mim. Se eu pudesse, sairia com você e nos

divertiríamos para valer, mas não acho que seria uma boa

ideia. Tenho me sentido fraca. Então, você precisa ir. Ou

vai querer estrear sua vida adulta tendo na memória uns

poucos beijos babados daquele seu namoro relâmpago do

ano passado?

— Não eram tão babados. O problema maior era que eu

não podia respirar, ele sempre tentava enfiar a língua na

minha garganta.

Ela joga a cabeça para trás e gargalha. Só de vê-la feliz

já compensa ter aquela conversa incômoda.

— Essa é a sua chance de se arriscar por uma noite.

Saia, beije, converse, ria. Tudo o que eu gostaria de fazer

no momento e não posso.

— Você está jogando sujo. Além do mais, se aceitasse

embarcar em sua loucura, eu nem saberia como conversar.

Eu falo muito e os rapazes não gostam disso.

— E quem disse alguma coisa sobre rapazes? Eu

pensei em encontrarmos um homem de verdade.

— Perdeu o juízo, Luna? Se não consigo manter uma

conversa decente com um cara da minha idade, o que diria

para um homem adulto?

— Claro que consegue. Você é linda e inteligente. Eles é

que são uns idiotas medrosos. Temem uma mulher que

poderia superá-los.

Olho para minha irmã, minha companheira e a pessoa

por quem me levanto da cama todos os dias e fico tentada

a brincar de Cinderela, só para fazê-la feliz.

— Por favor, Antonella. Podemos marcar o encontro em

um bar, assim você não correrá risco algum.

— Nós não devemos gastar dinheiro com bobagens. O

orçamento já é bem apertado sem fazermos

extravagâncias. Além disso, não tenho idade para beber.

Estou fazendo dezoito anos, esqueceu[8]? O que iria fazer

em um bar?

Ela revira os olhos.

— Não precisa beber, irmã. Basta fingir. E ninguém

pensará que tem somente dezoito. Você é um mulherão.

— Vou tentar levar isso como um elogio — falo meio

sorrindo, apesar de saber que ela tem razão. Com um

metro e setenta e oito e mais curvas do que precisaria para

ser feliz, ninguém me dá a minha idade real.

— E foi mesmo. Queria ser como você.

— Você é linda.

— Tudo bem. Concordo que sou agradável de se olhar,

mas do que adianta, se não posso me divertir? Enquanto

eu não conseguir estabilizar a minha saúde, viverei presa

nesse apartamento.

Ando até onde está e seguro as mãozinhas frias.

— Vai dar tudo certo. Você vai ficar boa em breve. Tenha

fé em Deus.

— Vou sim porque eu quero muito viver. Sonho com uma

viagem pela Toscana há mais de dois anos. — Antes que

eu consiga ficar triste com o que disse, completa. — Vamos

lá, querida. Uma tentativa ao menos. Vai ser divertido

encontrar um homem para ser seu príncipe por uma noite.

— Divertido para quem? Para mim tenho certeza de que

não. Só de pensar em me inscrever nesse tal aplicativo de

namoro, já fico enjoada de nervoso.

— Será que dá para agir como uma garota da sua idade

ao menos uma vez? Você não é um bebê. Não pense

tanto. Aproveite. Faça por mim. Divirta-se sem medida. Eu

nunca peço nada — a chantagista diz. — Mas hoje estou

implorando para que você seja feliz no meu lugar.

— Não. — Nego de uma maneira menos convicta dessa

vez porque sei que acabarei cedendo.

— Por favorzinho! — Ela implora de novo, já sorrindo e

eu sacudo a cabeça.

— Tudo bem. Vamos instalar o tal aplicativo e dar uma

olhada, mas mesmo que encontremos alguém que valha a

pena, darei a palavra final.

Ela sorri muito excitada.

— Você é a melhor irmã do mundo!

No dia anterior ao encontro às

escuras

— E então? Martelo batido? É esse?

— Sim — respondo, tentando mostrar segurança,

enquanto olhamos juntas a tela do celular. Na verdade

estou com vontade de sair correndo.

— Ele é bonito.

— É, mas parece muito sofisticado também.

— Seu primeiro encontro na vida adulta será com um

cara refinado, Antonella. O quão legal é isso? — Diz.

— Foi uma pergunta retórica ou espera mesmo que eu

elabore a respeito?

— Não seja mala. Joguei o endereço que ele enviou no

Google Maps. O cara a convidou para tomar um drinque no

piano-bar do hotel mais chique da cidade.

— Não achou estranho ele marcar em um restaurante de

hotel? Tipo, parece meio sugestivo, até mesmo para mim

que sou inexperiente.

— Não acho. É inclusive mais seguro, já que o Caldwell-

Oviedo Tower[9] é muito bem localizado. Além disso, por ser

luxuoso, deve estar cheio de seguranças. Ele não se

arriscaria a fazer algo contra a sua vontade. — Ela me dá

um sorriso malicioso. — A não ser que você queira visitar a

suíte dele. Pelo que colocou aqui, não é de Boston, mas de

Nova Iorque.

— Vamos esclarecer uma coisa: não pretendo conhecer

a suíte dele e nem mesmo beijar esse cara. Só estou indo

para satisfazer sua vontade. Prometo tentar me divertir,

mas de verdade não acredito nesse encontro às escuras.

— Eu tenho uma amiga que conheceu o amor da vida

dela em uma sala de bate-papo.

Seguro a vontade de revirar os olhos para não magoá-la.

— Olha, não estou dizendo que seja impossível, mas

para me fazer beijar um cara em um primeiro encontro ou ir

em qualquer direção além de um beijo, ele teria que fazer

meus joelhos tremerem, meu coração acelerar e meu

cérebro virar manteiga de amendoim. Aquele tipo de

homem que rouba o fôlego da mulher nos romances.

— Então vamos torcer para que Aiden seja assim. Já

passou da hora de você encontrar um amor.

— Falou a experiente — digo e imediatamente me

arrependo. — Luna, eu sinto muito. Não quis ser cruel.

— Não se preocupe com isso. Você não foi. — Ela dá

um sorriso enigmático. — Além do mais, quem disse que

eu já não me apaixonei? Pode ser que meu coração já seja

tomado há anos e ninguém desconfie.

— Você não está falando sério.

Ela não responde por alguns segundos, mas seu sorriso

aumenta.

— Chega de falar de mim — diz. — O foco agora é fazer

da celebração dos seus dezoito anos inesquecível.

Capítulo 3

Antonella

Hotel Caldwell-Oviedo Tower

Ai, meu Deus. Com o que fui concordar?

Eu não deveria ter aceitado participar desse plano doido

de Luna.

Uma noite de Cinderela inesquecível — ela disse.

Sim, sei.

Por uma vez que seja, esquecer de todas as minhas

responsabilidades, os planos para o nosso futuro

meticulosamente alinhados e somente viver.

Por mim, estaria em casa assistindo televisão e tomando

sorvete.

Eu não preciso de um encontro, mas não volto atrás com

a minha palavra e também não quero desapontar minha

irmã. O sorriso dela quando fui até seu quarto e mostrei o

que estava usando, faz valer qualquer risco de passar

vergonha.

Tenho que reconhecer que o vestido preto de alcinhas

valorizou meu corpo, apesar de que eu dispensaria as

sandálias altas. A produção me deixou com um ar menos

jovem. Acho que passaria tranquilamente por uns vinte e

poucos anos.

Ela estava tão feliz quando me entregou o envelope com

o dinheiro que corresponderia ao meu presente de

aniversário!

Nele, havia um bilhete explicando o que eu deveria

comprar — roupa e acessórios. Eu ri e perguntei por que

somente não me disse o que eu deveria usar ao invés de

escrever e ela respondeu que eu adoro um manual de

instruções, então, que decidiu agir de acordo.

Realmente amo. Montar e instalar coisas é comigo

mesmo. De aparelhos eletrônicos a móveis, se tem um

manual, estou dentro.

A alegria de Luna foi tanta que parecia que o encontro

era dela. Vibrou quando nós finalmente escolhemos o tal

Aiden no aplicativo e eu fiquei com vontade de usar uma

câmera escondida para mostrar os detalhes da minha noite

— apesar de não acreditar que ela resultará em um

namoro, como minha irmã sonha.

Costumo assustar os homens por saber conversar um

pouco de tudo. Luna até ensaiou comigo que eu não

deveria demonstrar entender alguns assuntos que ele

tocasse. Acho que vou tentar falar o menos possível. É a

única maneira de não meter os pés pelas mãos.

Dou passos incertos para dentro do saguão do hotel

luxuoso. Aos meus próprios ouvidos, as sandálias de salto

alto ecoam no chão de mármore, atraindo atenção.

Jesus, que vontade de sair correndo.

Repasso mentalmente todas as dicas que Luna me deu

de como me comportar. Como ela pode saber tanto da

vida? Nunca saiu muito ou namorou a sério. Quando

estava entrando na fase de poder se divertir como uma

adulta, adoeceu.

Afasto o pensamento, caso contrário a noite estará

perdida e eu só vim a esse encontro por causa dela.

Deus, eu não deveria estar aqui. Mesmo que tenha sido

um presente dado de coração, não podemos desperdiçar

dinheiro.

Paro na entrada do bar com as pernas bambas. O lugar

é sofisticado demais. Não tenho condições de frequentar

um dos hotéis da rede Oviedo. Na verdade, nem passar na

calçada.

Puxo algumas respirações para acalmar o mini ataque

de pânico que ameaça me dominar.

Um drinque. Isso não deverá fazer um rombo tão grande

em nossas economias.

Beberei um coquetel sem álcool e não pedirei nada para

comer.

De qualquer modo, não acredito que esse encontro

durará mais do que uma hora. Algumas das perguntas do

homem quando conversamos pelo aplicativo me irritaram

— e acreditem, ele era o menos pior. Um chegou até a me

pedir uma foto nua.

Agora que estou aqui, é torcer para que a noite passe

rápido para que eu possa voltar para o meu quarto.

Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo

Tower

Uma hora depois

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