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Capa do romance Uma  noite de prazer

Uma noite de prazer

Hudson Gray, o arrogante bilionário conhecido como o Dono do Texas, busca expandir sua influência para além da riqueza. Mirando o cargo de governador, ele exige que sua assessora molde sua imagem pública para alcançar o poder político. No entanto, o CEO de reputação perfeita não previu que um encontro casual mudaria tudo. Após uma única noite de prazer, ele se vê envolvido em um relacionamento inesperado que pode abalar todos os seus planos ambiciosos.
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Capítulo 3

Deus, foi um erro ter vindo.

Ele nem disfarça. Desde que me cumprimentou, nem por

uma vez olhou acima do meu pescoço. Parece hipnotizado

pelos meus seios.

Sou inexperiente, mas isso não faz de mim uma imbecil.

Não preciso ser um gênio para perceber que a única coisa

que o homem quer é sexo.

Não que eu ache algo de errado em as pessoas

quererem fazer sexo. Sou virgem por falta de oportunidade.

Ainda não encontrei um cara que me fizesse desejar

eliminar esse problema.

Observo mais criticamente o meu encontro.

Ele foi bem mais sutil pela internet.

A ideia era me divertir, mas não há nada de divertido em

ficar desviando da mão boba de um homem que não me

atrai e que parece não conseguir ficar mais do que dois

minutos sem tocar alguma parte do meu corpo.

Ele disfarçadamente já acariciou meu rosto, pescoço e

perna. Estou há algum tempo controlando a vontade de

jogar o drinque nele — com direito ao guarda-chuvinha azul

do coquetel de brinde.

Ele não fez nada até agora que a boa etiqueta chamaria

de indecente, mas ainda assim, está me deixando

desconfortável.

— Eu tenho que ir. Devo acordar cedo para o trabalho

amanhã — minto parcialmente. Quero dizer, não a parte de

acordar cedo. Eu geralmente faço isso para o dia render

mais. Não é uma obrigação, mas uma escolha. A mentira

engloba a parte do trabalho. Meu turno no restaurante só

começa ao meio-dia.

É muito melhor ficar em casa planejando meu futuro do

que aguentar a conversa chata desse cara. O pensamento

me faz sorrir e o homem parece entender errado.

— Tudo bem, não precisa passar a noite inteira, baby.

Posso chamar um Uber para levá-la em casa depois — diz

com a voz rouca.

O quê? Ele acha que o estou convidando para prolongar

a noite?

Tudo bem que não contei a minha idade real e talvez ele

ache que sou mais experiente por causa da minha

aparência, mas não houve nada em nosso papo que o

levasse a crer que eu gostaria de terminar nosso encontro

em um quarto.

Finjo mexer na minha bolsa e disfarçadamente, observo

o homem com quem passei a última hora. Não fui só eu

quem deu a entender uma idade que não tinha. Tenho

certeza de que ele é bem mais velho do que os vinte e seis

anos que apontavam no aplicativo.

Jesus, como saio dessa enrascada agora?

Olho em volta do bar, tentando encontrar uma forma

educada de fugir. O cara bebeu três doses de uísque e não

parece disposto a me deixar ir sem fazer uma cena.

Pense rápido, Antonella.

Estou começando a suar frio, quando de repente a

solução aparece bem diante dos meus olhos.

Se tem algo que sou boa na vida, é em improvisar.

— Huh… eu adoraria acabar a noite desse jeito que

você está falando aí, mas infelizmente meu namorado do

Wyoming[10] acaba de chegar — digo, já me levantando.

— Namorado? Como assim? Não houve conversa sobre

namorado. Lembro que disse que era solteira.

O meu acompanhante parece confuso e irritado, mas

vou agarrar com unhas e dentes a oportunidade de fugir.

Sem mais explicações, ando na direção do namorado de

mentirinha.

Seu rosto é tudo, menos amigável. Está sentado, mas

parece uma montanha, mesmo que seus músculos estejam

ocultos por um terno escuro. Ele também não parece ser o

namorado de alguém.

Dono. Possuidor. Chefe. Rei. Feitor de escravos. Nunca

namorado.

Bom, acho que até combina com o papel que inventei

para ele. Cowboys não devem ser simpáticos ou metade

do charme desapareceria.

A parte de deduzir que é cowboy e de morar no

Wyoming fica por conta do chapéu que descansa em cima

da mesa — lembre-se do que eu falei sobre ser boa em

improvisar — porque em todo o resto, sua aparência é a

de um bilionário.

É, talvez eu tenha errado feio na escolha do meu alvo

para namorado fictício. A chance de que ele vá me ajudar a

sair dessa encrenca é mínima.

O homem é lindo de morrer, mas também parece

arrogante. Um queixo firme e orgulhoso. Nenhuma das

características que me servem agora.

Apesar disso, não tenho alternativa. Meu encontro não

se mostra disposto a desistir, andando ao meu lado e a

intuição diz que ele não será cavalheiro o suficiente para

simplesmente deixar para lá e me desejar uma boa noite

sem tentar nada.

Obrigada por isso, Luna. — Penso, mas imediatamente

me arrependo. Ela só queria me proporcionar uma noite

feliz.

Internamente, torço para que a minha encenação não

precise ir tão longe e que Aiden se manque e vá embora,

mas pelo canto do olho percebo que ainda me segue.

Merda.

Agora não tem mais jeito. Estou parada na frente da

mesa do cowboy.

— Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha

irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me

apresentá-lo ao meu amigo — falo, me aproximando do

homem sexy, mas sem fazer contato visual com ele, no

entanto.

Não tenho dúvidas de que meu encontro não deve estar

nada satisfeito, enquanto o ricaço deve me achar doida de

pedra.

— Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade,

tecnicamente falando, é ex, mas a gente fica indo e

voltando, sabe como é… — Solto, sem sequer respirar. —

Toda vez que ele vem a Boston, temos uma recaída. Eu

havia me esquecido de que combinamos de tomar um

drinque antes que ele volte para suas vacas, touros e

todas as coisas que os homens do Wyoming costumam

lidar. — Continuo, gesticulando, nervosa para caramba.

Nos meus momentos de estresse, meu sangue italiano

aflora, então meus braços e mãos são usados sem

qualquer vergonha.

Dou mais um passo para perto dele, mas acho que

Aiden ainda não está convencido do meu teatro.

Droga. O cara parece um cachorro que não quer largar o

osso.

O desconhecido se levanta e não acho que seja porque

está disposto a me ajudar, mas por mera educação. Nada

em sua postura demonstra simpatia.

Já não sei mais o que fazer para me livrar dessa

situação e espero com os dedos cruzados que o cowboy

bilionário não me desmascare.

Ergo a cabeça, me obrigando a encará-lo e imploro com

o olhar para que ele não me desminta.

— Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um

dia. Como anda sua tia Mary Beth? — Invento o primeiro

nome duplo que vem à minha mente. — Espero que todos

estejam animados com a festa anual da vaca leiteira. —

Continuo firme na encenação.

Jesus, cale a boca Antonella. Não exagere.

Tentando impedi-lo de negar nossa relação, fico na

ponta dos pés e dou um beijo na bochecha do lindo.

O homem primeiro congela ao sentir meus lábios contra

sua pele, mas graças a Nossa Senhora da Percepção

Rápida, ele parece finalmente compreender que estou em

uma enrascada.

— Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.

Assim como minha avó, Mary Grace, claro.

Ele enfatiza a palavra avó, talvez tentando me confundir,

mas se pensa que vai me fazer recuar, está enganado.

— Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que

ninguém acreditaria que já tem um neto tão… tão… adulto.

— Você está atrasada para o nosso jantar. — Ele me

corta, parecendo totalmente dentro do papel agora.

Quase sofro um ataque do coração quando sinto seu

braço envolvendo minha cintura e me puxando ao encontro

do seu corpo musculoso.

Por um instante, eu me esqueço do porquê ter me

aproximado dele. O homem é cheiroso, o que está me

deixando quente e um pouco tonta.

Apesar da vergonha por tanta intimidade com um

estranho, minhas mãos se agarram aos ombros largos.

Não posso voltar atrás no teatro agora, certo?

Rá! Pior desculpa da vida. Até parece que meu corpo

inteiro não está formigando pelo contato com o dele.

— Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que

tinha um compromisso comigo? — Aiden quase grita.

— Aham, mas acho que talvez ela tenha esquecido. Sua

memória é péssima. Ela tem até tomado umas vitaminas.

Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas agora você

já pode ir.

— Sua pira…

Em um segundo, a mão livre do cowboy segura meu

encontro embuste pelo colarinho.

— Cuidado. É da minha garota que está falando.

Jesus Cristo, seu sotaque é sexy demais! Deveria ser

proibido alguém com essa aparência ainda ter uma voz

capaz de fazer minha pele se arrepiar.

Na hora em que ele disse minha garota, tudo o que eu

pensei foi: é isso mesmo. Sou sua. Pode pegar.

Tenho que confessar que ele fica lindo com esse lado

macho alfa aflorado.

A cena é meio bizarra — eu praticamente imprensada

entre dois homens — mas o bar já está vazio então não há

ninguém prestando atenção em nós, além do pianista e

alguns garçons.

Prendo a respiração, torcendo para que não haja um

escândalo. Não quero que a única vez na vida que venho a

um lugar chique acabe parando nos jornais não na coluna

de celebridades, mas pelas páginas policiais.

Depois do que parece uma eternidade, Aiden finalmente

desiste.

— Não acredito que viajei para Boston só para passar

por isso. Tanto trabalho para inventar uma desculpa para

minha esposa e saio sem sequer uns amassos. Inferno de

noite!

Ele vai embora pisando duro, mas antes que eu tenha

tempo de ficar chocada pela palavra esposa, o meu

namorado de mentirinha segura meu queixo e me faz

encará-lo.

— Acho que agora mereço meu beijo de boas-vidas,

namorada.

E então, como se uma Antonella totalmente diferente da

que eu fui até hoje surgisse, meus braços vão para o seu

pescoço e ergo a cabeça, colando nossos lábios.

Eu quero muito provar sua boca.

Talvez a comemoração do meu aniversário não esteja

perdida, no fim das contas.

Capítulo 4

Hudson

Piano-bar do Hotel Caldwell-Oviedo

Tower

Observo o líquido âmbar dentro do copo em minha mão,

recostado em uma cadeira de encosto alto, no piano-bar do

hotel em que estou hospedado.

Não sou muito chegado a hotéis, mas tenho que admitir

que meu amigo Guillermo[11] conseguiu fazer um excelente

trabalho com a rede de luxo de sua família ao redor do

mundo.

O lugar está praticamente vazio, mas mesmo que não

fosse o caso, não sentiria vontade de olhar em volta. Seres

humanos me cansam rapidamente.

A música é agradável, suave, o que combinado ao

uísque de excelente qualidade, serve para melhorar um

pouco o meu estado de espírito de merda.

Passei o dia todo em reunião com elementos-chave do

meu partido e posso dizer sem medo de errar que essa é a

parte desagradável de me tornar um político — fazer

política.

Eu sabia que a caminhada para o poder seria

relativamente irritante porque tenho prazo de validade para

lidar com gente, mas nunca recuei diante do que quero e

não começarei agora.

Pego um movimento pela minha visão periférica e

quando viro a cabeça para olhar, há uma mulher e um

homem vindo em minha direção.

Sim, isso mesmo.

Uma mulher e um homem, porque eles nem de longe

parecem um casal.

Primeiro acho que estão me confundindo com alguém,

mas rapidamente enxergo a determinação nos olhos da

beleza curvilínea que se aproxima.

Linda não chega nem perto de descrevê-la.

Ela é um espetáculo de se olhar. Alta, corpo delicioso,

cintura fina que passa por quadris largos e segue em

pernas infinitas. O vestido preto que usa se agarra como se

tivesse sido moldado nela. Seus seios são cheios e para

completar, tem um rosto de traços perfeitos. Quase perfeito

demais, se não fosse a boca carnuda. Aqueles lábios são

um convite para o pecado.

Os cabelos abundantes, caem soltos pelas costas.

Gostaria que o bar fosse mais iluminado para poder

observar melhor seus olhos. Ela está bem perto agora e

ainda assim não consigo identificar completamente a cor.

Algo entre o avelã e o verde.

Acho que eu precisaria de algumas horas para conseguir

absorver sua beleza completamente.

Antes que eu tenha oportunidade de continuar meu

exame, no entanto, ela, agora já parada à minha frente, diz.

— Não sabia que ainda estava na cidade, amor. Minha

irmã lhe disse onde poderia me encontrar? Deixe-me

apresentá-lo ao meu amigo.

Em um primeiro momento, volto a considerar se não

está me confundindo com outra pessoa, mas então ela

completa e sua voz soa muito nervosa.

— Aiden, esse é o meu namorado. Na verdade, ex,

tecnicamente falando, mas a gente fica indo e voltando,

sabe como é… — O quê? — Toda vez que ele vem a

Boston, temos uma recaída. Eu havia me esquecido de que

combinamos de tomar um drinque antes que ele volte para

suas vacas, touros e todas as coisas que os homens do

Wyoming costumam lidar.

Levanto-me e olho para ela, tentando avaliar se está

alcoolizada ou sob o efeito de algum tipo de droga, mas

seu olhar é firme e um tanto desesperado.

Vacas do Wyoming? Ah, o chapéu. Sim, ela deve estar

tentando se livrar do seu acompanhante.

A mulher é criativa e quase me faz sorrir, o que é raro

em mim.

Ela se aproxima e continua falando sem parar.

— Que bom que conseguiu ficar em Boston por mais um

dia. Como anda sua tia Mary Beth? Espero que todos

estejam animados com a festa anual da vaca leiteira.

Agora meu esforço para evitar que o canto da minha

boca se erga em um sorriso se torna um pouco maior.

Mas qualquer graça desaparece quando ela cola nossos

corpos e me dá um beijo na bochecha. Sentir seus lábios

contra a minha pele faz com que uma espécie de choque

elétrico atravesse meu corpo, despertando meu tesão

imediatamente. Olho para ela e a proximidade de sua boca

é muito tentadora.

Agora, tudo o que eu quero, é que o idiota que parece

estar incomodando-a suma para ficarmos sozinhos, então

faço seu jogo.

— Oi, boneca. As vacas e touros mandam lembranças.

Assim como minha avó, Mary Grace, claro. — Não resisto

a provocá-la, corrigindo ao usar o avó ao invés de tia.

— Claro, amor. Sua avó. É que ela é tão conservada que

ninguém acreditaria que já tem um neto tão… tão… adulto.

Porra, ela é uma graça. Quantos anos terá? Parece

jovem, mas se estava em um bar a essa hora não pode ser

tão nova assim.

— Você está atrasada para o nosso jantar. — Continuo.

Tentando apressar o processo de nos livrar do bastardo,

puxo-a pela cintura, não deixando qualquer espaço entre

nós.

Merda! Jogada errada.

Minha perna agora está praticamente entre suas coxas e

percebo que está tão afetada pelo contato quanto eu. Para

minha surpresa, ela não só não tenta me afastar, como

ambas as mãos pousam em meus ombros.

— Sua irmã disse ao seu ex onde estava, sabendo que

tinha um compromisso comigo? — O homem fala e só

então eu lembro que não estamos sozinhos.

Dominika teria um ataque do coração se soubesse que

estou agarrado a uma estranha em público. Além de poder

ser prejudicial para a campanha, isso não é quem eu sou.

— Aham, mas acho que talvez tenha esquecido. A

memória dela é péssima. Ela tem até tomado umas

vitaminas. Sinto muito. Foi ótimo conhecê-lo, Aiden, mas

agora você já pode ir. — Tenta dispensá-lo mais uma vez.

— Sua pira…

Imediatamente seguro-o pela camisa e conforme aperto,

vejo seu rosto se transmutar em um vermelho intenso.

— Cuidado. É da minha garota que está falando.

Alguns garçons passam discretamente, observando a

cena, mas eu só solto o homem quando ele ergue as mãos

em sinal de rendição.

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