
Um presente em minha vida
Capítulo 2
Jeniffer MeclinDeclin
Aqui estou eu servindo mesa segurando o bolo de lágrimas que está instalado em minha garganta, a única coisa que eu queria fazer agora era me encolher e chorar, desde de pequena tive que batalhar por tudo, mas em compensação sempre tive o amor de meus pais.
Hoje, o único motivo de estar viva é esta criança em meu ventre que não tem culpa de nada que acontece ao nosso redor.
Estou apenas com cinco meses, e já me imagino com esta linda criança em meus braços, em questão de segundo o bolo de lágrimas que estava me sufocando se transforma em alegria só de pensar que em breve estarei com meu maior tesouro em meu colo.
Por esta criança, nós daremos nossa vida, este será nosso bem mais precioso, nosso mundo irá girar em torno deste pequeno ser em seu ventre.
Diz uma parte que até pouco tempo não ouvia dentro de minha mente, e isto me faz sorrir feito uma boba.
Colo minha mão esquerda em minha barriga e acaricio com cuidado, volto a realidade e começo a servir às mesas
que estão à espera.
[...]
Chego em casa acabada depois de mais um longo dia de trabalho, vou em direção a janela e fico olhando a vista do Brooklyn, um lugar nada passivo de se morar, sempre tem tiros a noite e isso me deixa assustada.
Paro de olhar a vista e vou à cozinha preparar um lanche. Nunca achei que minha vida seria assim, de casa para o trabalho e do trabalho para casa, nem minha família vejo mais.
Ouço o bater da porta e estranho olho para o relógio e são apenas sete e meia da noite ele normalmente volta das nove às dez horas quando já estou deitada me preparando para dormir.
Abaixo minha cabeça em sua presença ele para por alguns segundos mas logo volta a andar indo em direção ao quarto, nesses poucos minutos de sua presença,meu coração foi ao chão e voltou para o lugar.
Respira, você tem que aguentar mais um pouco só mais um pouco.
Diz a minha nova subconsciência me fazendo ficar mais calma a que me deixava pra baixo não se manifestou mais, fico triste por ela, mas feliz por não ser mais humilhada pela minha própria consciência, mas de que adianta se continuarei sendo humilhada pelo meu próprio marido.
Termino de preparar tudo e me sento à mesa de cabeça baixa para não deixá-lo irritado mais do que ele já é.
Ouço seus passos vindo em direção a cozinha e sinto minhas pernas tremerem, solto um pequeno soluço mas tento segurar as lágrimas que querem desabar sem pudor algum.
Novamente comemos em silêncio, não faço qualquer objeção, para tentar chamar sua atenção vejo que ele está me olhando mas continuo com a cabeça baixa assim é melhor.
— Porquê está tão calada hoje? — pergunta com um pouco de irritação na voz.
— Estou apenas cansada, mas logo passa. — não falo nem vinte palavras e continuo olhando para o prato.
— O que fez para estar cansada?
Olho para ele incrédula, ele está perguntando o que eu fiz hoje. — Apenas trabalhei, nada mais! — afirmo e ouço o som de sua respiração pesada e sei que estou encrencada.
— Não acho que foi só isso que te deixou cansada. — rosna. — vou te perguntar mais uma vez! O que fez para estar cansada? - nada respondo e ele se irrita. — ESTÁ ME TRAÍNDO PORRA? TOMARA QUE ESSE HOMEM NÃO TENHA TE DEIXADO MUITO CANSADA, POIS VAI PRECISAR DE FORÇAS PARA GRITAR. — diz gritando feito um lunático e sei que hoje será mais uma noite de agressão e abusos em antecipação começo a chorar de desespero.
Sou puxada para o quarto e jogada na cama de qualquer jeito, tento correr mas ela é mais forte que eu.
Eu lhe avisei!
Diz a porra da subconsciência que estava desaparecida me fazendo chorar mais ainda.
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