
Um presente em minha vida
Capítulo 3
Jeniffer MeclinDeclin
Quebra do tempo
Devastada estou, não só por ter sido abusada mas também porque não pude fazer nada, lágrimas escorrem por minha face.
Tudo ao meu redor não tem mais cor, nada tem mais vida, só há trevas no meio de tanto sufoco, olho para o teto e tento achar alguma luz mais a única coisa que vejo é a luz apagada e telhas de aranha.
Não temas estou contigo.
Ouço uma voz bem baixinha me dizendo estas palavras, isso no momento presente me dá medo mas em seguida me faz sorrir.
Como se tivesse a certeza que tudo que estou passado não é nada comparado ao que irei receber lá na frente.
Enxugo as lágrimas e lentamente me levanto com o corpo todo dolorido, a garganta doendo de tanto gritos que dei, gritos que para muitos são vazios.
Minha alma desaba em prantos, meu coração chora sangue, por tudo que venho passando desde o dia em que me casei com o pior homem do mundo.
Minha dor não se compara a nada do que penso, coloco todas as minhas forças no presente que carrego em meu ventre, mesmo que ele tenha vindo por conta de um abuso a cinco meses atrás, não irei nunca me arrepender de ter colocado meu maior presente no mundo.
Ponho as minhas duas mãos sobre minha barriga e lentamente acaricio em um gesto de amor e proteção materna.
Lágrimas caem sobre minha face, de alegria e ao mesmo tempo tudo misturado, os sentimentos mais intensos que pode existir em um ser humano comum, é algo tão extraordinário que não sei nem definir em palavras ou pensamentos.
Lentamente me levanto, fazendo um esforço para não causar nenhuma dor ou sequela no meu corpo, vou em direção ao espelho e vejo novamente a sombra da mulher que fui um dia.
Não paro de chorar com tamanho sofrimento que estou passando, vou ao banheiro faço minha higiene matinal, depois volto ao espelho e coloco uma maquiagem para disfarçar as marcas das agressões, ele me bateu mais não ao ponto de me causa um aborto.
Olho mas uma vez no espelho respiro fundo e vou trabalhar.
Nova York: Urbanspace Vanderbilt
Hoje o dia está agitado em meu trabalho não consigo nem por a bunda em uma cadeira para descansar, quando sai de minha terra Natal nunca achei que iria viver uma vida como essa, ter um marido violento, um emprego de quinta categoria, é ainda por cima grávida.
— Volte ao trabalho! Você não é paga para ficar parada. — diz Janete à gerente do restaurante. O dono nunca pisava o pé no estabelecimento.
Sem dizer nada volto a pegar o pique e sigo adiante.
Três horas trabalhado sem para, sem da sequer uma pequena pausa, em uma de minhas mãos seguro um mini coffee, em uma mão e um croissant em outro, sem olhar para onde vou, pois, estou olhando as bandejas para não cair esbarro em alguém que faz com que todo meus esforço.
Olho para o mesmo com a raiva acesa em meus olhos, ele é alto e por sinal bem vestido mas mesmo assim não vou me intimidar tão fácil, já me basta meu marido, sei que posso chamar aquilo de marido.
— Você não sabe olhar para onde anda? — diz ele entre dentes.
Respiro fundo para não perder a pouca paciência que venho tendo nesses meses.
— Por acaso, o senhor não viu que eu não estava olhando para frente? — rosno. — O senhor, é seco? Para não ver que eu estava com o campo de visão nos alimentos que estavam na bandejas, é o senhor. — Colo meu dedo indicador em seu palito. — E sego? Para não me ver? Para esbarrar em mim e vim tirar satisfação!
Ele passa as duas mãos em seu cabelo que noto de longe que é bem macio e sedoso.
— Você sabe quem eu sou? — pergunta em um tom monótono mais repressivo.
— Não! É não quero nem saber, o senhor não presta atenção por onde anda, e ainda bem querendo me dizer quem és, faça-me o favor né. — murmuro ironicamente.
Olho para ele novamente e vejo a ira em seu olhar, lentamente ele fecha os olhos quando os abre a aquela chama já não existe mais.
Ele me olha por um momento e logo se retira da minha presença me deixando sem reação alguma.
Vou em direção ao banheiro para me limpar, pois, estou melada de café. Sinto que estou sendo observada antes de entrar porta adentro, olho em direção a mesa perto do grande vidro do restaurante.
Vejo um pequeno sorriso nascer em sua boca, mas acho que logo desaparece, balanço de leve minha cabeça acho que só foi uma alucinação minha e entro no banheiro.
Vou em direção a pia e molho meu rosto, tentando manter a calma para não surtar, olho para minha barriga e ponho a mão sobre a mesma e lentamente faço gestos de carinho como se estivesse alisando meu bebê em meus braços.
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