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Capa do romance Um Lugar Seguro #1

Um Lugar Seguro #1

Amandla Salvino, se alguém olhasse para ela, apenas de relance, pensariam: 'Que menina linda e bem cuidada, está tão comportada sentadinha naquele banco de praça. ' Mas o que eles não veem é que por trás da beleza daquela criança, existe uma tristeza enorme. Amandla sempre achou que se fizesse as vontades de sua mãe ou ficasse quietinha em seu canto, sua mãe a trataria com amor e carinho, pois é isso que as mães de seus coleguinhas de classe faziam quando iam leva-los ou busca-los na escolinha. Mas isso nunca funcionou aos seis anos de idade ela parou de frequentar as aulas, sua mãe estava cansada de perguntas sobre as marquinhas roxas no corpinho frágil de sua menina. Amandla nunca soube quem era seu pai e sua mãe sempre a culpava por ele não ir vê-la. Com o passar dos anos, as coisas para Amandla só pioravam, ela nem saia mais de casa e se sua mãe a visse olhando pela janela, era mais um motivo para apanhar, como se sua mãe precisasse de motivos. E como se nada pudesse piorar, o mais novo namorado de sua mãe a encarava de forma estranha e esse foi o que mais durou. Quando fez seus 13 anos de idade, em vês de festa e bolo, ela foi abusada sexualmente pelo então namorado de sua mãe. Os abusos duraram até seus 14 anos e meio, só acabou, pois sua mãe os pegou juntos e em vês de finalmente ser a mãe que deveria ser ela expulsou sua fila de casa, á lançando a sua própria sorte. Quando Amandla saiu porta a fora da casa de sua mãe, ela nunca esteve tão feliz, mesmo sem ter pra onde ir, onde ficar, ela sorriu aliviado, pois estava livre dos maus tratos cometidos por sua mãe e livre dos abusos sexuais cometidos por seu padrasto. Nessa nova jornada pela vida, Amandla vai conhecer pessoas que mudaram seus pensamentos, sobre existir no mundo pessoas apenas más, como sua mãe, seu padrasto e seu pai, que nunca quis saber de sua existência. Então venham com ela nessa nova jornada que começa AGORA. #BoaLeitura
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Capítulo 2

Ø Amandla Salvino – Meu Futuro.

Ø Aos 14 anos de idade.

-- Sua vagabunda, é assim que me agradece tudo que fiz por você? _minha mãe diz e desfere mais uma bofetada em meu rosto. – Não bastou ter comida e roupa, tinha que querer roubar meu homem? _ ela me empurra e caio no chão chorando muito.

Deixa-me explicar como tudo aconteceu. Minha mãe estava na casa de uma cliente, ela é depiladora e hoje ela chegou mais cedo e a consequência disso foi ela pegando o precioso namorado Rodrigo e eu em seu quarto, em sua cama. Mesmo eu chorando de soluçar com ele em cima de mim, com cara de satisfação, mesmo assim não a fez ficar do meu lado. Tentei falar que ele vem me estuprando há um tempo, mas sempre que tentava falar, era uma bofetada que levava.

-- Amor, eu não queria, ela me seduziu. Eu vim almoçar com você como sempre e você não tinha chegado. Ela foi se insinuando. _ Rodrigo diz na maior cara de pau, sínico, jogando toda a culpa em mim, eu sou a única vitima aqui, eu não posso fazer nada.

Fico calada, pois se eu falar alguma coisa é capaz dela me matar, ela está com muita raiva e pessoas assim, não se seguram, e pensando bem, seria u favor que ela estaria me fazendo. Ela chora dizendo que sou uma péssima filha, por querer roubar o homem dela. E desde quando ela foi uma mãe pra mim?

-- Eu quero você fora de minha casa. _ ela diz apontando para a porta da rua, vejo Rodrigo de olhos arregalados, parece assustado e se levanta encarando a minha mãe, não entendo e nem quero. Uma alegria pela primeira vez invade o meu ser, finalmente estarei livre dela e principalmente dele. Vejo-me livre de todos os abusos que sempre passei, nas mãos dela e dele também. —E se eu ficar sabendo que você saiu falando por ai, espalhando o que aconteceu aqui, eu juro que te encontro e te mato. _ ela diz e me dá outa bofetada, com tanta força que quase caio mais conseguir me firmar.

-- Amor, não acha que está pegando pesado. Ela não tem pra onde ir. _ Rodrigo diz e o encaro assustada, o que ele pensa que está fazendo. Ele acha que quero mesmo ficar aqui? Sair daqui era tudo que sempre quis e agora ele quer acabar com minha felicidade. Já não basta o que ele me fez esse tempo todo. E com um estalo, sei por que ele está fazendo isso. Ele quer continuar com o que vinha fazendo, ele quer manter seu brinquedo por perto.

-- Eu não me importo, pensaste nisso antes de tentar me tirar você. _ ela diz de costas pra mim, se vira olhando para ele com muita raiva. – O que foi, está com pena dela? Quer ficar com ela? _ Denise faz uma pergunta atrás da outra o cutucando com o dedo. – Pense bem Rodrigo, se me largar para ficar com ela, eu mato os dois. _ ela diz e vejo verdade em seus olhos e nos olhos de Rodrigo vejo medo e como ele não disse nada, ela continua. – Ótimo. _ ela diz e se virou pra mim. – O que ainda faz aqui? Está esperando o MEU homem? Vou contar até cinco. _ e então ela começou a contar.

Só tive tempo de pegar um casaco que estava perto da porta e meu tênis, sair sem olhar para trás, não sentiria falta de nada que deixei para trás alguns minutinhos que tinha saído sentir meu braço sendo puxado, olho para trás e me assusto ao ver Rodrigo segurando meu braço, ele parece apressado.

-- Meus planos foram alterados, não posso sair daqui agora, mas não posso perder você de vista. _ ele diz, só pode está louco. – pegue esse dinheiro, é tudo que tenho agora, compre comida e me espere nesse endereço, me espere lá que a noite eu apareço lá. _ ele diz e me entrega uma chave, o dinheiro e o endereço, eu apenas o encaro. Pego o dinheiro que realmente vou precisar, ele tenta me beijar e desvio, logo ele volta pra casa da Denise.

Até parece que vou ficar com ele, tudo que sinto por esse monstro, é ódio e desejo que eles me esqueçam, pois vou fazer o mesmo. Ele acha mesmo que depois de tudo que ele fez vou esperar ele nesse tal endereço. Ele acha que só porque nunca disse nada para minha mãe, que eu gostava dele também, nunca gostaria de alguém que fez o que fez comigo, ele me destruiu de dentro pra fora. Teve uma vez que ele se declarou pra mim, dizendo que me amava e que ficaríamos juntos, eu chorei de medo, pois já sabia que nunca poderia me livrar dele se eu não saísse desta casa. Ele achou que estava chorando de alegria pela sua declaração. Eu chorava era de pavor, pois sabia que ele não me deixaria em paz jamais.

Ele me falou de seu plano de ficarmos juntos, ele estava esperando que eu completasse meus 18 anos, para fugirmos juntos, pois segundo ele eu era menor de idade e não poderia ir embora com ele. Ai lhes pergunta, porque ele não pensou nisso antes de me violentar naquela noite. Hoje em dia eu odeio o dia de meu aniversário, tudo por culpa dele, se bem que já não gostava antes, mais agora eu odeio. A chave com o endereço que ele me deu e joguei na primeira lixeira que achei, com o dinheiro que ele me deu, no total de 300.00 reais, peguei um taxi e pedir para me levar até a rodoviária.

Paguei o taxista e seguir para dentro, perguntei o preço para a próxima cidade, gastei no total de 25.00 reais no taxi e a passagem deu 200.00, sobrando apenas 75.00, com 50.00 reais comprei uma calça de moletom e uma blusa. Os outros 25.00 foram rápido gastos na primeira parada, paguei por um prato de comida e nas outras paradas, fui abençoada ao encontrar um casal de idosos que vendo a minha situação, me ajudaram no restante da viagem e quando eles desceram do ônibus fizeram questão de me deixar uns trocados para poder comer até chegar ao meu destino.

-- Esse dinheiro é para ajudar você a chegar bem em seu destino querida. _ a senhora diz.

-- Não precisa disso dona Adelaide, vou conseguir me virar sozinha. Com certeza vocês vão precisar mais que eu. _ digo e tento devolver, mesmo eles sendo tão simples ainda assim eles pensaram em me ajudar, bem que tentei devolver o dinheiro, mais não deu muito certo.

-- Pegue minha criança, não se preocupe conosco, nosso filho já está nos esperando. _ seu Miguel diz e coloca o dinheiro em minhas mãos. – Se cuida querida, depois de tudo que passou, você merece ser feliz. _ sim, eu contei tudo, precisava desabafar com alguém e a viagem era muito longa, me sinto até mais leve.

-- Obrigada seu Miguel, dona Adelaide, vocês foram anjos que Deus colocou em meu caminho. Obrigada mesmo. _ digo e abraço eles dois e sinto as lagrima virem com tudo, vou sentir a falta deles.

-- É tão gratificante ver que mesmo depois de tudo que passou a sua fé continua firme e forte. _ dona Adelaide diz segurando meu rosto e fazendo carinho, sorrio para ela.

-- É essa fé que tenho em deus que me mantem de pé, me mantem firme e forte como disse. _ digo e ela sorrir. – O que não nos mata, nos deixa mais forte, já dizia o ditado. – digo e o abraço novamente. – Vou sentir falta de vocês. _ beijo na testa deles e me afasto para encara-los. – se cuidem, espero vê-los novamente. _ já estou com lagrima nos olhos.

-- Assim esperamos, tenha uma ótima viagem querida. Vá com Deus. _ dona Adelaide diz e eles beijam minha testa, me despeço deles e sigo para o ônibus, entro e da janela dou meu ultimo adeus a eles e seguimos viagem, o ônibus pega distancia e vejo-os sumirem aos poucos e sinto mais lagrima caírem.

Eles foram às únicas pessoas que me trataram com amor e carinho, e isso fez meu coração ter mais fé no mundo, e saber que não existem só pessoas ruins como a Denise ou como o Rodrigo no mundo, e sim pessoas como seu Miguel e dona Adelaide, graças a Deus.

#BoaLeitura

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