Capa do romance Da Sua Prisão À Doce Liberdade

Da Sua Prisão À Doce Liberdade

9.1 / 10.0
Sob a influência de uma guru cruel, meu marido bilionário permitiu a morte de minha mãe e me submeteu a torturas brutais. Entre rituais sangrentos e abusos psicológicos, o homem que prometeu me amar tornou-se meu maior algoz. Contudo, ele ignorou um detalhe crucial: nossa separação legal estava concluída. Livre das correntes do matrimônio, abandonei aquele inferno e iniciei uma transmissão ao vivo para expor seus crimes e destruir seu império.

Da Sua Prisão À Doce Liberdade Capítulo 1

Meu marido bilionário caiu no feitiço de uma guru da Nova Era que deixou minha mãe morrer, chamando seu câncer de "dívida kármica".

A devoção dele por ela se tornou meu inferno pessoal. Ele me trancou em um quarto cheio de cobras, arrancou um pedaço de carne do meu braço como um sacrifício ritual e, por fim, mandou matar meu cachorro e me forçou a comer os restos.

O homem que um dia jurou me proteger se tornou meu carrasco.

Mas ele cometeu um erro fatal.

Ele não percebeu que nosso divórcio tinha acabado de ser finalizado.

Então, eu saí daquela casa, fui direto para o aeroporto e comecei uma transmissão ao vivo para queimar seu império inteiro até as cinzas.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Alina Campos:

Todos conheciam a história de como meu marido, o bilionário da tecnologia João Ricardo Monteiro, salvou minha vida. Era um conto de fadas moderno, estampado em capas de revistas e programas de auditório. Alina Campos, a garota comum, e João Ricardo Monteiro, o CEO genial que a tirou dos destroços de um acidente de carro e jurou devoção eterna. Por três anos, esse conto de fadas foi a minha realidade.

Então, seis meses atrás, tudo mudou.

Descobri que meu casamento havia acabado da mesma forma que o resto do mundo: por um alerta de notícias que piscou na tela do meu celular.

João Ricardo Monteiro, CEO da "Éter", é Visto com a Misteriosa Guru de Bem-Estar Gênesis Luz. Fontes Dizem que São "Chamas Gêmeas".

A foto anexada mostrava João Ricardo, o meu João Ricardo, olhando para uma mulher com uma adoração que eu não via em seus olhos há meses. Era um olhar cru, desprotegido, um que ele costumava reservar apenas para mim.

A mulher, Gênesis Luz, era etérea. Ela usava linho branco esvoaçante, pulseiras de turquesa empilhadas em seus braços e um sorriso sereno que parecia ensaiado. A mídia a chamava de visionária da Nova Era. Diziam que ela podia ler campos de energia e se comunicar com o universo. Ela falava com uma voz hipnótica e suave sobre karma, energia e cura natural.

João Ricardo se tornou seu discípulo mais fervoroso. Ele investiu centenas de milhões em seu "santuário de bem-estar", um complexo gigantesco no interior. Ele frequentava seus seminários, citava seus ensinamentos e, lentamente, metodicamente, começou a me apagar de sua vida.

Meu coração parecia um bloco de gelo no peito enquanto eu rolava por artigo após artigo. A dor era algo físico, um peso frio que dificultava a respiração. Eu precisava ouvir dele. Precisava olhá-lo nos olhos e fazê-lo dizer.

Naquela noite, esperei por ele na vasta e estéril sala de estar da nossa mansão no Morumbi, o silêncio me pressionando.

Ele entrou logo depois da meia-noite, seus passos silenciosos no piso de mármore. Ele não pareceu surpreso em me ver. Não havia culpa em seus olhos, apenas uma calma distante e plácida. Era o mesmo olhar que ele tinha nas fotos com ela.

"João Ricardo", comecei, minha voz tremendo. "Precisamos conversar."

Ele me olhou, seus olhos escuros indecifráveis. "Sobre o que há para conversar, Alina?"

Eu levantei meu celular, a foto dele e de Gênesis brilhando na luz fraca. "Isso. Ela. O que é isso?"

Ele nem sequer vacilou. "Essa é Gênesis", disse ele, sua voz suave, quase reverente. "Ela é... meu tudo."

As palavras me atingiram como um golpe físico. Eu cambaleei para trás, minha mão voando para a boca. Minha visão embaçou. "Seu tudo? E o que eu sou, João Ricardo? E nós?"

"Eu encontrei minha chama gêmea, Alina. Isso muda as coisas."

Eu o encarei, meu corpo tremendo. Meu rosto estava pálido, todo o sangue se esvaindo. "Então você está me deixando?"

"Não", disse ele, e por um momento, uma esperança selvagem e estúpida brilhou em meu peito. "Não tenho intenção de me divorciar de você. Você ainda é a Sra. Monteiro. Mas preciso que você entenda. Gênesis é a outra metade da minha alma. Não vou desistir dela. Você não vai interferir."

A esperança morreu tão rápido quanto veio, substituída por uma raiva fria e cortante. "Você quer que eu simplesmente... aceite isso? Que eu fique parada enquanto você desfila com essa mulher como o amor da sua vida? Depois de tudo que passamos? Depois que você jurou que me amaria para sempre?"

Minha voz falhou. Senti um soluço se formando na minha garganta, quente e apertado.

Eu queria gritar, chorar, jogar alguma coisa, mas meu corpo não obedecia. Eu estava congelada, presa em um pesadelo.

Uma parte de mim, uma parte desesperada e patética, ainda se agarrava ao homem que ele costumava ser. Sussurrava que isso era apenas uma fase, que ele iria acordar e voltar para mim.

Essa esperança patética foi o começo do meu fim.

João Ricardo trouxe Gênesis para nossa casa. Ela deslizava pelos cômodos como se fossem dela, seu sorriso sereno nunca vacilando. Ela reorganizou os móveis para "melhorar o fluxo de energia". Ela substituiu minhas fotos pessoais por cristais e incensários. João Ricardo a observava com devoção cega, concedendo-lhe todos os caprichos.

Então minha mãe ficou doente. Um câncer súbito e agressivo. Os médicos disseram que sua única chance era um tratamento experimental, mas era astronomicamente caro.

Eu estava desesperada. Fui até Gênesis, a quem João Ricardo havia colocado no comando das finanças da casa, e implorei pelo dinheiro.

Ela ouviu com aquele mesmo sorriso plácido, seus olhos vazios de qualquer emoção real. "Sinto muito, Alina", disse ela, sua voz como sinos suaves. "Mas João Ricardo e eu já discutimos isso. A doença da sua mãe é uma dívida kármica. Não podemos interferir no plano do universo para ela."

"Um plano? Ela está morrendo!" gritei, meu controle finalmente se quebrando. "Isso não é karma, é câncer! Nós temos o dinheiro para salvá-la!"

"A medicina moderna é um veneno", disse Gênesis calmamente, balançando a cabeça. "Ela perturba a energia natural do corpo. A melhor coisa para sua mãe é aceitar sua jornada. Eu irei ao hospital e a ajudarei a meditar. Vou guiar sua transição para o próximo plano."

"Fique longe da minha mãe", rosnei, avançando para ela.

Meus dedos mal haviam roçado sua manga de linho quando João Ricardo apareceu na porta. Ele viu minha mão levantada, viu as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Ele viu Gênesis cambalear para trás, um lampejo de medo em seus olhos.

"João Ricardo, graças a Deus", sussurrou Gênesis, sua voz tremendo enquanto corria para o lado dele. "Eu só estava tentando explicar para a Alina que a jornada de sua mãe é sagrada, mas ela se tornou tão... violenta. A energia dela está muito escura agora."

O rosto de João Ricardo era uma máscara de fúria fria. Ele nem sequer olhou para mim. "Levem a Alina para o quarto dela", ordenou aos dois seguranças que estavam atrás dele. "Tranquem a porta. Ela não deve sair até aprender a respeitar a Gênesis."

"João Ricardo, não!" gritei, estendendo a mão para ele. "Minha mãe está morrendo! Por favor, você tem que ajudá-la. Você prometeu que sempre cuidaria de mim, da minha família!"

Ele olhou para mim então, seus olhos tão frios e duros quanto pedra. Ele arrancou meus dedos de seu braço, um por um. "Eu fiz uma promessa para Gênesis agora", disse ele, sua voz monótona. "E farei qualquer coisa para provar meu amor por ela."

Os guardas me arrastaram, meus gritos ecoando pela casa cavernosa. Eles me jogaram no meu quarto e a fechadura estalou.

Eu desabei no chão, soluçando. Lembrei-me da noite do acidente. Ele segurou minha mão na ambulância, seu rosto manchado de sujeira e lágrimas, e sussurrou: "Eu nunca vou deixar nada te machucar de novo, Alina. Eu juro."

Fiquei trancada naquele quarto a noite toda, o silêncio quebrado apenas por minhas próprias orações desesperadas.

Na manhã seguinte, a porta se abriu. Gênesis estava lá, segurando um tablet.

"Sua mãe faleceu há uma hora", disse ela, sua voz desprovida de simpatia. "A dívida kármica dela foi paga."

Uma onda de náusea e uma dor tão profunda que parecia a morte me atingiu. Eu não conseguia falar. Não conseguia respirar.

"João Ricardo achou melhor cuidar dos arranjos rapidamente, para evitar que qualquer energia negativa permanecesse", continuou ela, deslizando um dedo pela tela do tablet. "Ele providenciou um funeral celestial. É um processo lindo e natural onde o corpo é devolvido aos elementos."

Ela virou o tablet para mim.

Na tela havia um vídeo. Um planalto alto e ventoso. O corpo da minha mãe, deitado sobre uma plataforma de pedra. Abutres descendo do céu.

Eu vi. Eu os vi rasgando a carne dela.

Um grito gutural rasgou minha garganta. Eu me lancei sobre Gênesis, minha dor e fúria uma explosão incandescente. Eu queria rasgar seu rosto sereno em pedaços.

João Ricardo apareceu em um instante, me afastando dela, seu aperto como aço. "Alina, pare com isso!"

"Ela profanou minha mãe!" gritei, lutando contra ele. "Você deixou ela fazer isso!"

"Foi um ritual sagrado", disse João Ricardo, sua voz tensa enquanto segurava a soluçante Gênesis atrás dele. Ele enfiou a mão no bolso e tirou um talão de cheques. "Eu sei que você está chateada. Aqui. Isso deve cobrir sua dor e sofrimento."

Ele rabiscou um número com tantos zeros que eu não conseguia contar e tentou enfiar o cheque na minha mão.

O insulto, a pura crueldade daquilo, quebrou algo dentro de mim. Um gosto quente e metálico encheu minha boca. Olhei para baixo e vi uma mancha carmesim no chão de mármore branco.

Eu tossi, e mais sangue saiu.

A última coisa que vi antes que o mundo ficasse preto foi o rosto de João Ricardo, um lampejo de algo - era choque? alarme? - em seus olhos frios. Lembrei-me do jeito que ele costumava me olhar, com tanto amor que parecia o sol.

Então, nada. Meu coração, finalmente, estava morto. Eu decidi naquele exato momento. Este casamento tinha que acabar.

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