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Capa do romance Um Lugar Seguro #1

Um Lugar Seguro #1

Amandla Salvino, se alguém olhasse para ela, apenas de relance, pensariam: 'Que menina linda e bem cuidada, está tão comportada sentadinha naquele banco de praça. ' Mas o que eles não veem é que por trás da beleza daquela criança, existe uma tristeza enorme. Amandla sempre achou que se fizesse as vontades de sua mãe ou ficasse quietinha em seu canto, sua mãe a trataria com amor e carinho, pois é isso que as mães de seus coleguinhas de classe faziam quando iam leva-los ou busca-los na escolinha. Mas isso nunca funcionou aos seis anos de idade ela parou de frequentar as aulas, sua mãe estava cansada de perguntas sobre as marquinhas roxas no corpinho frágil de sua menina. Amandla nunca soube quem era seu pai e sua mãe sempre a culpava por ele não ir vê-la. Com o passar dos anos, as coisas para Amandla só pioravam, ela nem saia mais de casa e se sua mãe a visse olhando pela janela, era mais um motivo para apanhar, como se sua mãe precisasse de motivos. E como se nada pudesse piorar, o mais novo namorado de sua mãe a encarava de forma estranha e esse foi o que mais durou. Quando fez seus 13 anos de idade, em vês de festa e bolo, ela foi abusada sexualmente pelo então namorado de sua mãe. Os abusos duraram até seus 14 anos e meio, só acabou, pois sua mãe os pegou juntos e em vês de finalmente ser a mãe que deveria ser ela expulsou sua fila de casa, á lançando a sua própria sorte. Quando Amandla saiu porta a fora da casa de sua mãe, ela nunca esteve tão feliz, mesmo sem ter pra onde ir, onde ficar, ela sorriu aliviado, pois estava livre dos maus tratos cometidos por sua mãe e livre dos abusos sexuais cometidos por seu padrasto. Nessa nova jornada pela vida, Amandla vai conhecer pessoas que mudaram seus pensamentos, sobre existir no mundo pessoas apenas más, como sua mãe, seu padrasto e seu pai, que nunca quis saber de sua existência. Então venham com ela nessa nova jornada que começa AGORA. #BoaLeitura
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Capítulo 3

Ø Amandla Salvino. – Surpresas da vida.

Hoje estou completando 15 anos e posso dizer que estou muito feliz. Alguns meses se passaram desde que fui expulsa de casa e mesmo morando na rua, estou feliz. Vou resumir o que aconteceu nesses cinco meses que se passaram. Morar na rua não é fácil, passar frio, fome, medo de morrer, de ser presa por roubar ou tentar roubar comida ou qualquer coisa que possa dar uma grana para me alimentar, sim, eu passei por isso tudo.

Bom, depois que me despedi do casal de idosos que me ajudaram o seu Miguel e dona Adelaide. Peguei o ônibus até a próxima cidade e de lá comprei outra passagem para a cidade mais longe possível, queria ficar o mais longe possível das lembranças ruins. Assim que cheguei à cidade grande fiquei perdida, pior que cego em tiroteio.

Os primueiros dias foram moleza, conseguir me arranjar em alguns cantos para poder dormis, o ruim era o dia seguinte, acordar com o corpo todo dolorido. No decorrer dos dias eles foram piorando consideravelmente e a complicação foi quando passei mal na rua e quase fui atropelada, minha vista estava embaçada e tudo começava a ficar confuso e escuro. Quando acordei estava em uma cama macia com lençóis limpos e cheirosos.

Nesse dia eu conheci o Candido, ele quem me socorreu, foi o carro dele que quase me atropelou. Ele é motorista de uma família muito rica, e nesse mesmo dia descobrir que estava gravida de um mês. Primeiro veio o choque, depois o medo e o desespero, pois não sei como se cuida de uma criança. Mais a raiva que sentir foi maior que tudo, raiva do responsável disso está acontecendo. O Cândido me consolou e disse que cuidaria de mim. Depois que recebi alta ele queria me levar para a casa dele, na hora fiquei com medo, não o conhecia e já tive experiência de mais com homens ruis. Dei uma desculpa qualquer e ele me deixou ir, mas antes me deu algum dinheiro e disse que passaria todos os dias no local onde fico para ver como estou e deixar algumas coisas para mim. Confesso que nos primeiros dias ficava com medo dele fazer alguma coisa contra mim, mais com o tempo foi passando, e ele acabou se convidando para ser o padrinho de meu filho.

É engraçado como as coisas são, as pessoas que deveriam me amar, me proteger e me dar carinho, foram às pessoas que mais me negaram tudo, foram as que mais me destruíram. E as pessoas que nem me conheciam, elas sim me ajudaram quando eu mais precisei.

E aqui estou eu com meus cinco meses de gestação, carregando o fruto de um estupro, mas quer saber? Ele será todo meu, vou ama-lo como nunca fui amada. Darei a ele todo o amor que tenho guardado em mim e que nem minha mãe e nem meu pai quiseram. Estava tão distraída que não vi quando Candido chegou.

-- Olá estranha barriguda. _ ele diz colocando as sacolas com comida e roupas ao meu lado, ele me abraça e beija minha testa. – Como está meu afilhado? Como passaram a noite? Ele pergunta passando a mão em minha barriga.

-- Olá, a minha sorte é que o Anthony sempre vai buscar o colchão pra mim, se não fosse por ele, estaria toda quebrada por dormir naquele chão duro e frio. _digo e ele sorrir, falar do Anthony é algo que leva um sorriso ao meu rosto.

-- Ele tem lhe ajudado muito não é mesmo? _ pergunta e concordo.

Conheci o Anthony há três meses, ele me salvou de um grupinho que me queriam bater, só porque estava pedindo esmola no local deles, isso é até normal, parece ponto de prostituição, aqui também tem muito. Tem os pontos das drogas, onde se podem comprar drogas, tem o ponto onde se pode cheirar e fumar essas coisas e tem o ponto da prostituição e tem um prédio abandonado onde elas usam para um sexo rápido. No meu segundo mês aqui, fui parar lá, e me expulsaram, a não ser se eu fizesse programa e dividisse, Andressa á líder delas disse que tinha um corpo legal, sair de lá correndo.

Bem, voltando a minha historia com o Anthony, o tal grupinho queriam me bater e mesmo falando que estava gravida, eles me bateram. Só não foi pior, porque o Anthony chegou e me salvou e desde então não nos separamos mais. Vimos um no outro a família que não tínhamos. Ele é um irmão mais velho que nunca tive, ele é dois anos mais velho que eu, pra onde ele vai, ele me leva, não me deixa sozinha por muito tempo. Até porque a turminha que queria me bater naquele dia, ainda me ronda e sempre esperam uma oportunidade para fazer alguma coisa comigo.

-- Não posso demorar muito, tenho que buscar o filho de meus patrões na faculdade. _ ele diz triste. Ele sempre fica pelo menos duas horas comigo, almoçamos juntos e jogamos conversa fora, quase sempre. – Mas trouxe o almoço e um lanche pra mais tarde pra vocês. _ diz e tira as comidas da sacola.

-- Cheguei em boa hora. _ Anthony diz e se senta ao meu lado.

-- Como sempre né Thony. _ digo rindo.

-- Trouxe uns edredom e uns casacos para as noites frias que devem chegar rápido. _ ele nos mostra o que trouce e logo se despede indo embora.

Antes de ir, ele deixou um dinheiro para nosso jantar e para o café da manhã, ele sempre faz isso. As horas seguintes se passaram e Anthony foi buscar o meu colchão, estava tão cansada que resolvi ficar e espera-lo. Eram 21h00mm e já tínhamos jantado, fiquei com desejo e pedi para o Anthony ir comprar o que desejei mesmo resmungando ele foi, por isso que amo meu irmão.

-- Olha só galera, a gravidinha do pedaço está sozinha hoje. _olho para cima e vejo o Batata e sua turma. Lembram-se do grupinho que lhes falei aqueles que me bateram e que só não foi pior por causa do Anthony.

-- Olha batata, não começa, estou aqui na minha, não quero confusão. _digo e me levanto.

-- Você não tem que querer nada aqui garota, agora que aquele merdinha não está aqui para te proteger, quero ver como vai se livrar da gente, vamos acertar as nossas diferenças. _ diz e me empurra com força, caio com tudo no chão e machuco a minha mão, sinto uma dor aguda abaixo da barriga e grito.

-- Meu filho. _ digo segurando minha barriga de cinco meses, a dor não passa e começo a chorar quando ela aumenta.

Eles não ligaram para o que eu sentia e nem para o que eu dizia, só sentia os golpes e ouvia as risadas, meu rosto ardia pelas pancadas que levava, me enrolei em posição fetal para tentar proteger a minha barriga, para nada acontecer com meu filho, meu Raphael.

-- AMANDLA. O QUE ESTÃO FAZENDO COM ELA, LARGUEM ELA. _ mesmo com muita dor, ouço os gritos de Anthony, mais uma vez veio me ajudar, meu irmão. – SOCORROOOOOO, SOCORROOO. _ ele pedia aos berros por socorro.

-- Agora ver se você respeita o dono do pedaço, sua vadiazinha. _ batata diz perto de meu rosto e em seguida cospe em meu rosto, choro por dor e por medo de perder meu filho.

-- SEUS MONSTROS, SE ALGUMA COISA ACONTECER COM ELES, EU JURO QUE MATO VOCÊS. _ Thony diz entre dentes, com muita raiva e vem até onde estou me pegando em seus braços.

-- Meu... Meu bebê. Salve o meu bebê. _ é a ultima coisa que falo antes de apagar.

#BoaLeitura

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