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Capa do romance Traída Pelo Amor, Rejeitada Pela Família

Traída Pelo Amor, Rejeitada Pela Família

Fabrício me trancou no porta-malas do meu carro após eu negar dar o presente do meu pai à Luna. Minha mãe, Edite, assistiu à minha morte por asfixia. Eles descartaram meu corpo em um ferro-velho e fugiram para a Europa para celebrar uma gravidez, achando que o dinheiro compraria o silêncio eterno. Contudo, meu fim foi apenas o início. Como um fantasma vingativo, sigo cada passo deles. Eles pensaram que me apagaram, mas agora serei o pesadelo que causará sua ruína.
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Capítulo 1

Meu padrasto, Fabrício, perguntou se eu já havia me rendido. Ele queria que eu entregasse o carro, um presente do meu falecido pai, para sua filha, Luna.

Como recusei, ele me trancou no porta-malas sob o olhar cúmplice da minha própria mãe, Edite, e da minha meia-irmã.

Morri sufocada pelo calor infernal. Meu corpo apodreceu por dias, até que o cheiro se tornou insuportável.

Para encobrir o crime, eles não hesitaram: mandaram meu carro, meu túmulo, para um ferro-velho distante e fugiram para a Europa para celebrar uma nova gravidez, acreditando que o assassinato estava perfeitamente enterrado.

Eles achavam que o poder e o dinheiro poderiam simplesmente me apagar da existência, como se eu fosse um erro a ser corrigido.

Mas eles estavam terrivelmente enganados. A morte não foi o meu fim.

Eu nunca fui embora.

Eu me tornei o fantasma que assombra cada passo deles, a testemunha invisível que assistiria à sua ruína. A justiça dos homens pode tardar, mas a minha vingança não.

O inferno deles está apenas começando.

Capítulo 1

Marina Germano POV:

"Ela já se rendeu?"

A voz de Fabrício Cordeiro rasgou o silêncio pesado da mansão como uma faca afiada. A pergunta não era dirigida a mim, mas ecoava nos corredores como se procurasse meus ouvidos, mesmo que eu já não tivesse mais ouvidos para ouvir. Era sempre assim com ele. Ele precisava saber que havia vencido, que a pessoa estava quebrada.

Léo Valente, meu ex-subchefe, hesitou. Eu o vi ali, de pé na porta da cozinha, os ombros curvados, a touca branca amassada na mão. Ele era leal até o fim, eu sabia. Seu olhar baixou para o chão de mármore, evitando os olhos frios de Fabrício. Uma pontada de preocupação, real e palpável, se espalhou por sua expressão. Léo sempre foi assim, um coração mole num corpo de gigante. Ele se importava.

Fabrício parou de cortar seu bife. O tinir do garfo contra o prato de porcelana fina cessou de repente, deixando um vácuo no ar. Ele não levantou a cabeça nem um centímetro, mas eu senti seu olhar perfurar Léo, mesmo sem contato visual. Um silêncio denso e opressor se instalou. Foi um silêncio que gritou poder. Fabrício gostava disso. Gostava de fazer as pessoas se retorcerem.

"Não... senhor", Léo gaguejou, finalmente. "Ainda não."

A resposta foi um alarme. A expressão de Fabrício permaneceu inalterada, quase entediada. Ele mastigou lentamente, o som ecoando no jantar formal. A sala de jantar, que antes foi o palco de tantos risos e celebrações, agora era um túmulo de expectativas. Ele limpou os lábios com um guardanapo de linho branco.

"É inaceitável", Fabrício declarou, a voz baixa e controlada, mas carregada com a fúria contida de um predador. "Ainda não? Quatro dias. Quatro dias e ela ainda não entendeu a lição? Ela precisa aprender a não desafiar as regras desta casa. A insolência dela passou dos limites."

Senti a dor de Léo pela preocupação. Eu sabia que ele estava pensando no meu estado, no calor infernal dentro daquele carro. Ele se importava com as pessoas, com o bem-estar dos outros. Era a bondade dele que o tornava tão diferente de todos ali.

"Senhor, a temperatura tem subido muito. É perigoso", Léo tentou, a voz um pouco mais firme agora. "Ela pode... ela pode não aguentar."

Fabrício gargalhou. Uma risada curta, seca, que não alcançou seus olhos. Ele pegou sua taça de vinho tinto, girando o líquido escuro.

"Perigoso? Ela é uma menina forte, Léo. Teimosa, como a mãe dela antes de ser minha. Isso é apenas uma lição de obediência. Ela estará grata quando entender a gravidade de seus atos." Ele tomou um gole, os olhos fixos na taça. "Quanto tempo você disse? Quatro dias? Ah, sim. É o suficiente para ela refletir sobre a insignificância dela."

Léo respirou fundo, parecendo pronto para argumentar novamente. Ele sempre foi assim, protetor. Mas Fabrício ergueu uma mão, um gesto que o silenciou de imediato. Aquele gesto carregava anos de autoridade e poder.

"Basta, Léo. Eu não a trago de volta até ela implorar. E se ela acha que vai conseguir ajuda de fora, está enganada. Não há ninguém para ela."

Um riso silencioso escapou de mim. Fabrício, você está tão enganado. Não há ninguém para mim? A ironia era cruel. Ele não precisava me trazer de volta. Eu nunca tinha ido embora.

Eu estava ali. Eu era a invisível, a observadora, o fantasma que assombrava a casa que deveria ter sido meu refúgio. E como ele estava enganado.

Eu estou morta, Fabrício. Já faz quatro dias.

Uma melodia suave interrompeu o silêncio tenso. Era uma voz, doce e melódica, que ecoava no corredor.

"Pai, já não está na hora de soltá-la? Ela deve ter aprendido a lição, pobrezinha."

Luna. Minha meia-irmã. Ela surgiu na porta da sala de jantar, um sorriso angelical nos lábios, os cabelos loiros caindo em cascatas perfeitas sobre os ombros. Vestida num robe de seda que parecia abraçar sua pele sem esforço, ela era a imagem da pureza, da inocência. Uma pintura cuidadosamente composta para encantar. Ela se aproximou da mesa, seus passos leves e etéreos.

Ao vê-la, a expressão de Fabrício se transformou. O gelo em seus olhos derreteu, substituído por uma ternura quase palpável. Uma ternura que ele nunca me dedicara. Ele sorriu, um sorriso genuíno que me revirou as entranhas.

"Minha flor", ele disse, a voz suavizando de um jeito que eu só ouvia quando ele falava com ela. Ele se inclinou, beijando a testa de Luna. Era uma cena que já havia se repetido incontáveis vezes. Ele sempre a protegeu, a bajulou, a transformou na filha perfeita que ele desejava ter. E eu, Marina, sempre fui a sombra, a falha.

Luna se aninhou ao lado dele, a cabeça em seu ombro. "Mas, pai, ela é sua filha. Ela deve estar tão arrependida. Por favor, solte-a."

Fabrício acariciou o cabelo dela. "Não, minha querida. Ela precisa de uma lição rígida. Essa garota tem o sangue da mãe nas veias, e a mãe dela era uma manipuladora. Marina acha que pode fazer o que quiser, que pode me desafiar. Mas ela precisa aprender que o mundo não gira em torno dela. Ela precisa ser quebrada. Precisa aprender a obedecer."

Ele falava de mim com um olhar tão frio, tão distante, que eu me perguntava se ele alguma vez me vira como algo além de um fardo.

"Que tipo de pai faz isso com a própria filha?", eu murmurei, uma parte de mim ainda incrédula, mesmo depois de morta. A dor da traição ainda era mais forte do que a realidade da minha ausência.

Lá na cozinha, os outros empregados cochichavam, apavorados. Eu podia ouvir os murmúrios de Léo, tentando acalmar os ânimos, mas a verdade estava nos olhos de todos: ninguém ousava desafiar Fabrício.

Luna se virou para Fabrício, os olhos grandes e cheios de uma falsa preocupação. "Mas papai, se ela for embora, quem vai amar você como uma filha? Eu te amo, sabe."

A performance era impecável, a entonação perfeita. Edite Canellas, minha própria mãe, surgiu na sala, elegantemente vestida em um vestido de seda preto. Ela se aproximou, um sorriso forçado nos lábios.

"Fabrício, querido, Luna tem razão. Ela ainda é sua filha. E ela é tão... tão teimosa. É algo de família."

Minha mãe. Edite Canellas. O amor da vida de Fabrício, ou assim eu pensava um dia. Eu me lembrava de como eu a idolatrava, de como pensava que ela e Fabrício eram almas gêmeas. Como eu desejava que ela fosse minha mãe novamente.

Mas Edite, minha mãe, tinha mudado. Ela não era mais a mulher que me ensinava a cozinhar, que me abraçava quando eu caía. Ela se tornou a mulher que trocou o amor de uma filha pelo brilho do dinheiro, pelo status social. Uma mulher que me condenava para proteger sua própria imagem, seu próprio conforto. Sua ganância era um veneno que a transformou em algo irreconhecível.

Minha mãe.... Era ela quem Fabrício dizia amar mais do que tudo.

Eu costumava pensar que eu era o verdadeiro amor da vida dela, a filha que ela tanto queria. Mas no minuto em que ela morreu, tudo mudou. Edite se tornou uma cópia barata, sem alma.

Minha verdadeira mãe teve sorte. Ela morreu antes de ver o monstro que Fabrício se tornou. Antes de ver o monstro que Edite se tornou.

Eu sabia que em breve estaria com ela novamente. Eu estava pronta para ir. Queimada, sufocada, mas livre.

E que eu nunca mais, em nenhuma vida, seja filha de vocês.

Edite se aproximou, o rosto contorcido em uma falsa súplica. "Fabrício, por favor. Solte-a. Ela ainda é sua filha."

Eu ri, um riso sem som, amargo. "Sua filha", ela disse. Não "minha filha". Aquelas duas, Edite e Luna, eram mestras em atuar como as "boazinhas", as compassivas. Mas o que elas realmente eram, era cruel. Elas não fizeram nada para me tirar dali. Nada para me salvar.

O presente de aniversário de dez anos que Fabrício me deu. Um carro de brinquedo, com um porta-malas que abria de verdade. Ele me disse que era para eu guardar meus segredos mais preciosos lá dentro. Agora, era meu túmulo.

Este carro é a minha cova, Fabrício. E você é o coveiro. Mas o que você não sabe é que um túmulo pode se tornar um altar de vingança.

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