Capa do romance Kaleu, O mafioso da floresta.

Kaleu, O mafioso da floresta.

9.0 / 10.0
Em Kaleu, O mafioso da floresta, um homem isola uma região sob medo e mistério. Anos após salvar a pequena Miliane, o reencontro com ela adulta desafia sua natureza impiedosa. Leia esta mafia romance books e descubra o destino desse casal nesta cativante web novel de suspense.
Resumo de Kaleu, O mafioso da floresta.
Kaleu transformou uma floresta turística em um cenário de isolamento e pavor. Considerado uma lenda letal, sua rotina de violência é interrompida pela jovem Miliane, que entra em seu domínio para pedir socorro em vez de fugir. Após anos desse encontro breve, o destino os reúne novamente. Agora adulta, ela reencontra o homem por trás da máscara macabra. Resta saber se o temido mafioso cederá ao sentimento inédito despertado pela única pessoa que não o temeu.
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Kaleu, O mafioso da floresta. Capítulo 1

CAPÍTULO

Na mitologia grega, Andrômeda foi aprisionada em correntes, acorrentada a uma rocha como oferenda ao monstro marinho Cetus.

Miliane vivia de forma semelhante, ignorando que havia sido adquirida com uma intenção obscura. Era o sacrifício daquela família, não para um monstro marinho, mas para algo pior, o tempo, a paciência e a espera até que atingisse a idade "adequada" para ser entregue.

Aos oito anos, assistiu a seus pais serem levados diante de seus olhos.

Não viu mais nada depois daquele dia, mas ainda se lembrava dos barulhos dos tiros, estampidos secos que ecoavam em sua memória como trovões distantes.

Porém, era muito nova para entender o que realmente estava acontecendo naquele momento.

Nova demais para compreender que aqueles homens que a arrastaram para dentro de um carro não eram parentes distantes dispostos a cuidar dela.

Os anos se passaram entre quatro paredes.

Havia muitas coisas que Miliane não entendia, e uma delas era o que estava acontecendo com suas pernas.

Em uma época distante, quando ainda vivia com seus verdadeiros pais, ela corria como uma corça pelos campos.

Agora, toda vez que tentava se levantar, caía várias e várias vezes. Mesmo assim, nunca desistia. Mesmo que seus joelhos ficassem machucados, mesmo que seus pés doessem, ela continuava a erguer-se e a tentar, sem ter ideia do que estava errado. Sempre fora uma menina saudável, por que seu corpo agora a traía?

Então, começou a observar sua rotina com atenção.

Todos os dias, tinha direito a três refeições. Aos poucos, após três anos naquele cativeiro, percebeu um padrão: sempre após o café da manhã, sentia-se indisposta, tonta, sem forças nas pernas. Decidiu testar sua teoria. Passou três dias jogando secretamente a sopa de legumes no vaso sanitário, fingindo que havia comido tudo. No quarto dia, acordou e sentiu: suas pernas estavam firmes. Conseguiu levantar-se sem cair.

Um sorriso radiante formou-se no rosto da menina que, agora com treze anos, ansiava pela velha liberdade de correr.

A porta do quarto estava sempre trancada, mas havia a janela. Os vidros estavam tão sujos que ela mal conseguia ver o lado de fora, mas isso não a impediu de mover o trinco enferrujado e abri-lo. A janela, localizada no segundo andar, dava para os fundos da casa. Miliane não hesitou. Mesmo com pouca força nas pernas - ainda fracas após anos de envenenamento -, pulou.

Caiu na grama mal cuidada, levantou-se com dificuldade e correu estrada afora o mais rápido que conseguia.

O ar golpeando seu rosto a fazia sorrir enquanto lágrimas quentes jorravam de seus olhos. Não sabia para onde estava indo, nem se importava. Só se deu conta do perigo quando viu um carro aproximando-se na estrada. Sem pensar, desceu pelo barranco e adentrou a floresta que se estendia ao redor, como um abraço verde e desconhecido.

Miliane correu por entre as árvores, ainda mais sem rumo, em pânico. O medo de ter sido vista era mais aterrorizante do que estar perdida naquela selva de troncos e folhas. Foi então que avistou uma velha e grande casa de madeira, isolada no coração da mata.

Ela não tinha ideia de quanto tempo havia corrido. Observou o local e começou a contorná-lo, explorando com a curiosidade típica de uma criança que passou anos privada do mundo. Viu uma pilha de lenha, os restos de uma fogueira recentemente apagada. Alguém vivia ali.

Por um momento, Miliane esqueceu que estava fugindo. Aproximou-se das janelas empoeiradas, tentando enxergar através do vidro sujo. Esfregou os olhos, forçou a visão, mas nada.

De repente, algo zuniu próximo ao seu rosto e cravou-se na madeira ao lado de sua cabeça.

Ela levou um susto e recuou, os olhos arregalados fixos na navalha que tremia levemente, fincada na estrutura da janela.

- Intrusos não são bem-vindos! - Uma voz grave e rude soou atrás dela, a poucos metros de distância.

Miliane virou-se corajosamente para encarar a figura e soltou um grito abafado - um som estranho, rouco, que ela mesma não reconheceu. O homem manteve-se indiferente, cruzando os braços e observando-a por longos segundos.

- Não sabia que crianças entravam na floresta - ele disse, inclinando a cabeça. - Eu deveria te cozinhar viva e te dar para os cachorros por invadir meu território.

Aproximou-se e arrancou a navalha da madeira com um puxão seco.

As pernas de Miliane tremiam como bambus ao vento, mas ela não desviava o olhar. Em segundos, o homem percebeu detalhes que uma pessoa comum ignoraria: ela vestia uma blusa velha com manchas descoloridas, um short jeans folgado demais para seu corpo magro. Seus joelhos estavam vermelhos e arranhados, os pés descalços cobertos de feridas, e o cabelo desgrenhado parecia não ver um pente há muito tempo.

Miliane limpou o rosto com as costas da mão e o encarou com rebeldia, sem dizer uma palavra. O silêncio fez Kaleu suspirar de forma amarga.

- Quem está te mantendo em cativeiro? - Perguntou, agora com um sorriso leviano que não alcançava os olhos. - O gato comeu sua língua?

Ela continuava calada, analisando-o. Metade do rosto do homem estava coberta por curativos manchados de sangue recente. Quando gritou antes, Miliane pensara que era um fantasma ou um morto-vivo. Ainda o achava assustador, mas o sangue despertou sua curiosidade.

- Vou te jogar aos cachorros se não me disser o que está fazendo aqui! - Ele rosnou, perdendo a paciência. - Não vê os troncos de árvore cercando este local? Qualquer um que pisar neste espaço... bem, você já pode imaginar. Tem sorte de não ter uma navalha atravessada na cabeça.

Ele não sabia que ela não conseguia falar. Os remédios que colocavam em sua comida haviam roubado sua voz também.

- Saia de perto dessa menina! - Um homem gritou ao longe.

Kaleu virou-se, indiferente, para encarar o recém-chegado. O homem - Vando - Recuou até os limites dos troncos e abaixou a cabeça em respeito.

- Senhor... - Balbuciou, os lábios trêmulos.

- Como se atreve a pisar em meu território? - Kaleu deu um passo à frente, mas algo o fez parar.

Miliane agarrou seu braço com ambas as mãos, abraçando-o com uma força que ele não imaginava existir naquela criança franzina. Ele olhou surpreso para a menina, que o encarava com pânico nos olhos. Por um momento, pensou que ela temia que ele fizesse mal ao homem.

Mas não era isso.

Quando Miliane viu que seu captor demonstrava medo e reverência diante de Kaleu, algo despertou nela. Agarrou-se a ele como se fosse sua única salvação, com a força desesperada de quem finalmente encontra uma muralha entre si e o monstro que a persegue. Naquele instante, ela sentiu que ninguém poderia tocá-la se estivesse perto daquele homem de rosto mutilado.

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Kaleu, O mafioso da floresta. de Conteúdos

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