Capa do romance Nikolai | Série Pavlov

Nikolai | Série Pavlov

9.1 / 10.0
Nikolai Pavlov foi moldado pelo pai cruel para se tornar o implacável sucessor da máfia russa. Contudo, antes de assumir o trono do crime, ele confronta a regra mais rígida da organização: a obrigação de um casamento. Entre conflitos intensos e sentimentos inesperados, Nikolai encara um dilema decisivo. Ele deve escolher entre superar seu passado sombrio para encontrar a felicidade ou repetir o ciclo de amargura e frieza que marcou seu mentor.

Nikolai | Série Pavlov Capítulo 1

— Nikolai. — Minha mãe sussurrou ao meu lado.

Abri os olhos, meu corpo inteiro tremia. Seu rosto machucado e seus olhos tristes e vermelhos demonstravam algo que eu já sabia. Meu pai havia agredido ela mais uma vez.

— Está tudo bem agora. — Ela me abraçou. — não precisa ter medo, eu estou aqui.

— Ele te machucou. — Levantei minha mão até o seu rosto. Ela sorriu triste.

— Sim, mas está tudo bem, seu pai está apenas estressado. — Ela murmurou. — Vamos sair daqui.

Assenti e segurei a sua mão. Ela me levantou devagar e sorriu encorajadora.

Minha mãe era a mulher mais bonita e incrível do mundo. Sua bondade era tanta e chegava a tantas pessoas. Todos os amigos da família a adoravam, diziam ser uma santa.

"Uma santa que se casou com o diabo." Como o meu pai gostava de dizer.

Eu conseguia sentir meu corpo tremer um pouco ainda, o medo ainda não havia me deixado completamente. Eu tinha medo de apanhar do meu pai. Minha mãe nunca deixava ele chegar perto de mim e me tocar.

Eu não consigo entender porque meu pai é uma pessoa tão ruim, não fizemos nada.

— Esse garoto é um covarde. — Ele gritou.

Me encolhi um pouco, enquanto minha mãe o encarava. Sua expressão serena havia mudado, ela tinha um misto de medo e arrependido. Seus ombros estavam tensos e sua mão suada. 

— Por favor, deixe Nikolai. — Ela fungou. — Nao machuque o meu filho.

— Cale a sua boca, Amélia. — Ele rosnou. Uma lágrima desceu pelo rosto delicado da mulher. —  seja um homem, Nikolai, vamos!

— Eu.. eu.. — Gaguejei.

— Eu, eu.. — Meu pai debochou. — Eu estou criando a porra de um homem, Nikolai, um homem que se defende sozinho, que não precisa da sua mãe. — Ele berrou e me acertou um tapa no rosto.

Meu corpo foi jogado no chão, senti minha cabeça bater contra o piso. As lágrimas se inundaram nos meus olhos e o soluço cortou a minha garganta.

— Por favor, Vladimir.. — Minha mãe gritou. — Deixe Nikolai, ele só tem dez anos, é uma criança.

— Cala a porra da boca, Amélia. — Ele berrou mais um vez e partiu para cima dela. — Ou eu mato você e essa criança que está aí dentro.

Minha mãe se encolheu e abraçou a barriga. Sua feição era chorosa, ela me encarou triste e me senti um nada.

Outra criança. Dentro dela. Outra criança.

Minha mãe estava grávida. Eu teria um irmão.

— Não machuque a minha mãe, me machuca, me bate, me mata.. — Eu gritei e me coloquei entre eles. — Mas não machuca ela e nem o bebê.

Meu pai resmungou e me encarou de cima. Seu ombro se relaxou um pouco e seus lábios se curvaram em um sorriso.

— Isso, Nikolai. — Ele disse calmo. — Defenda a sua mãe, se defenda.. eu estou criando um homem, e não um merda, você me entendeu? — Ele segurou meu ombro e me empurrou no sofá.

Uma das suas mãos pressionou minha bochecha, me causando uma dor instantânea e a outra encontrou meus cabelos.

— Eu não quero que se esconda, entendeu? — Ele rugiu.

— Sim, Senhor. — Eu disse com dificuldade, sentindo as lágrimas voltarem para o meu rosto.

— É assim que eu gosto. — Ele se levantou.

Vladimir se levantou e passou a mão nos cabelos, seu rosto se aliviou em uma feição de paz e ele encarou minha mão. Ela se encolheu um pouco.

— Vá limpar esse rosto e colocar Nikolai para dormir, estou esperando. — Ele disse sereno.

Ele subiu as escadas e virou o corredor, e só então, eu tive coragem de me levantar. Engoli o choro e me aproximei da minha mãe, segurei a sua mão e a puxei para o andar de cima, para o meu quarto.

— Não ia me contar. — Eu perguntei.

— Contar o que? — Ela perguntou calma, indo até o meu banheiro e pegando a pequena caixinha de primeiros socorros.

— Que está grávida. — Minha mãe parou por alguns segundos e sorriu.

— Descobri hoje, Nikolai. — Ela se sentou ao meu lado e puxou meu rosto. Sua testa se franziu levemente, antes de ela pegar um frasco e espirrar o remédio no meu rosto.

Senti minha bochecha arder no mesmo momento, mas eu precisava ser forte e eu seria. Eu seria um homem, a partir de hoje, por mim e pelo meu irmão.

— Se for menino, podemos chamar de Dimitry? — Perguntei calmo.

— Podemos sim. — Ela sorriu doce e pude ver todo o amor em seus olhos.

— Dimitry Pavlov. — Testei sonoramente.

Eu vou proteger você, Dimitry. Eu prometo.

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