Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Traída Pelo Amor, Rejeitada Pela Família

Traída Pelo Amor, Rejeitada Pela Família

Fabrício me trancou no porta-malas do meu carro após eu negar dar o presente do meu pai à Luna. Minha mãe, Edite, assistiu à minha morte por asfixia. Eles descartaram meu corpo em um ferro-velho e fugiram para a Europa para celebrar uma gravidez, achando que o dinheiro compraria o silêncio eterno. Contudo, meu fim foi apenas o início. Como um fantasma vingativo, sigo cada passo deles. Eles pensaram que me apagaram, mas agora serei o pesadelo que causará sua ruína.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Marina Germano POV:

Vinte anos atrás, antes de toda essa farsa, antes de Edite se tornar a mulher que preferiu o brilho do dinheiro ao amor da filha, Fabrício Cordeiro era um homem quebrado. Ele havia perdido tudo. Sua esposa o deixou, levando consigo a fortuna da família e a única filha que eles tiveram, Luna. Fabrício se viu sozinho, sem um tostão, afogado em dívidas e amarguras. Enquanto isso, meu pai, um homem humilde e trabalhador, estava construindo seu império do zero. Começou a vida como um simples cozinheiro, mas com paixão e talento, ele transformou seu pequeno negócio em um restaurante renomado.

Minha mãe, Edite, era uma mulher de classe média, com sonhos grandes demais para a realidade dela. Ela tinha sido noiva de Fabrício na juventude, mas a família dela a forçou a romper o noivado e se casar com um homem rico. Mas a vida é uma ironia cruel. O homem rico dela acabou perdendo tudo, e ela se divorciou, sem nada.

Foi então que meu pai, cega por um amor antigo e uma compaixão mal-colocada, a acolheu. Ele a amava com uma intensidade que eu nunca entendi. Ele a via como uma rainha, mesmo que ela fosse uma traidora. Quando minha mãe morreu, o mundo do meu pai desabou. Ele se tornou um homem solitário, desamparado. E foi nesse momento de vulnerabilidade que Edite, agora divorciada e sem dinheiro, reapareceu na vida dele. Ela o seduziu novamente, usando sua beleza e seu passado compartilhado para se infiltrar em seu coração partido.

Eu fui testemunha de tudo. De como ela o manipulava, de como ela o transformava em um fantoche. Lenta e dolorosamente, Edite e Luna me roubaram tudo. Meu pai, minha casa, meu futuro. Elas me tiraram a única coisa que eu tinha: o amor incondicional do meu pai.

Um brilho atravessou os olhos de Luna. Ela acabara de conseguir sua carteira de motorista. Eu a vi se aproximar do meu pai, os passos leves e calculados. Ela era uma atriz nata.

"Pai, eu consegui! Mal posso esperar para ter um carro só meu", ela disse, a voz cheia de uma doçura forçada.

Fabrício a puxou para um abraço. "Parabéns, minha flor! É claro que você terá um carro. O que você quiser, meu amor."

Luna fingiu um rubor, mas eu vi a centelha de ganância em seus olhos. "Ah, pai, mas os carros novos são tão caros. E o carro da Marina... ele é tão bonito. E ela quase não usa."

Eu senti um arrepio na espinha. Era meu carro. O carro que meu pai me deu de presente pelos meus dezoito anos, um modelo antigo, mas restaurado com carinho. Era o último vestígio do pai que eu conhecia, do pai que me amava.

"É mesmo?", Fabrício disse, e se virou para mim, a voz sem emoção. "Marina, você cede seu carro para Luna? Ela precisa de um."

Eu apenas o encarei, o coração apertado. "Não, pai. Eu preciso do meu carro."

"Precisa para quê? Você só usa para ir e vir do trabalho no restaurante. E agora, nem isso. Luna precisa dele para ir para a faculdade, para seus compromissos sociais." Ele revirou os olhos. "Ou você quer que ela ande de ônibus?"

Eu ri, um som sem alegria. "E ela não tem o próprio pai para dar um carro a ela?"

A expressão de Fabrício endureceu. "Não seja insolente, Marina. Luna é minha filha agora."

Eu me lembrei daquele carro, de cada detalhe. O cheiro de couro novo, a música que tocávamos juntos em nossas viagens. Ele me deu as chaves com um sorriso tão largo e genuíno, dizendo que era para eu ir aonde meus sonhos me levassem. Agora, ele me pedia para entregar meu sonho a Luna.

"Não", eu disse, a voz firme. "Este carro é meu. Você me deu."

A raiva encheu os olhos de Fabrício. Ele não estava acostumado a ser desobedecido. Ele havia comprado Edite e Luna, e agora achava que podia me comprar também.

"Vou arrancar suas chaves da sua mão, se for preciso", ele ameaçou.

Eu não pisquei. "Não vai, pai. Porque eu não vou deixar."

Com um movimento rápido, eu tirei as chaves do meu bolso e as lancei no chão, fazendo-as deslizar pelo piso de mármore. O som metálico ecoou na sala, um desafio claro.

Fabrício soltou um rugido. "Você vai se arrepender disso, Marina!"

Ele chamou os seguranças, ordenou que trocassem as fechaduras do carro. E então, ele entregou as chaves para Luna. Eu o observei, impotente, enquanto Luna subia no meu carro, aquele que ele tinha me dado, a face iluminada por um sorriso de pura satisfação.

Eu juro que farei você se arrepender, Fabrício. Você e elas.

Naquele mesmo dia, um raio de sol escaldante atingiu a cidade. A temperatura disparou para níveis insuportáveis. Luna, em sua empolgação, ligou o carro e o deixou no sol, aberto, enquanto corria para buscar suas amigas. Ela esqueceu completamente de mim, do meu carro, do meu sofrimento.

O calor dentro do veículo subiu rapidamente, transformando o interior em um forno. Eu estava ali, ainda na casa, observando o carro no pátio. Eu ouvi quando Luna, depois de algumas horas, voltou para o carro. Ela entrou, mas a porta se trancou sozinha. Um defeito que eu havia reclamado para Fabrício há semanas, mas ele nunca se importou em consertar.

Luna gritou por ajuda, mas quem a ouviria? Fabrício e Edite estavam fora, em uma reunião. Eu a vi bater nos vidros, o desespero crescendo em seu rosto. O calor era insuportável. Ela começou a hiperventilar.

Minutos se arrastaram como horas. Eu a vi cair no banco do motorista, a inconsciência a dominando. Seu celular escorregou da mão dela, e caiu no chão, onde ela não conseguia mais alcançar. Eu podia ouvir seus últimos murmúrios. "Pai... pai..."

O telefone de Fabrício tocou. Era um dos seguranças, alertando-o sobre o incidente. Ele voltou para casa em pânico, o rosto pálido. Viu Luna desmaiada no carro. Ele quebrou a janela e a tirou de lá, o desespero estampado em cada movimento.

Quando Luna acordou, no quarto de repouso, Fabrício estava ao lado dela, os olhos cheios de lágrimas.

"Oh, pai", Luna sussurrou, a voz fraca mas melodiosa. "Eu não sei o que aconteceu. Acho que a culpa foi minha. Eu me esqueci das chaves e do calor. Eu não queria que Marina fosse castigada."

Fabrício se virou para mim, os olhos faiscando de uma fúria cega. "Ela tentou te matar, não foi? É isso mesmo que você está me dizendo?"

Eu senti meu corpo ser arrastado, as mãos firmes de Fabrício em meus braços. Ele não me deu chance de me explicar. Ele me arrastou pelo chão, seus olhos cheios de ódio.

"Você tentou matar sua própria irmã! Você é um monstro!"

Ele me jogou no chão, a força do impacto me deixando sem ar. Eu estava em choque, confusa, sem entender o que estava acontecendo. Ele me acusou de algo que eu nunca faria.

"Prendam-na! Amarrem-na! Ela não vai sair daqui até que aprenda a respeitar a família!"

Os seguranças me amarraram, meus gritos ecoando no estacionamento vazio. Eu não sabia por que, o que eu tinha feito.

Fabrício se ajoelhou na minha frente, seus olhos negros como carvão. "Você vai para o porta-malas. E só vai sair de lá quando pedir perdão por ter tentado matar Luna. E por me desobedecer."

Eu me debati, implorando, mas ele não me ouvia. Ele me jogou no porta-malas do meu próprio carro, o cheiro de couro e metal me sufocando.

"Por favor, pai! O calor! Eu não consigo respirar!"

Ele sorriu, um sorriso cruel que me congelou a alma. "Se não consegue respirar, é melhor pedir perdão logo. E não adianta gritar. Ninguém vai te ouvir."

Ele fechou o porta-malas. A escuridão me engoliu. O calor era insuportável. Eu senti meu corpo arder, meus pulmões se recusando a trabalhar. Eu gritei, gritei até minha voz falhar, até a escuridão me consumir.

E agora, aqui estou eu. Morta. Por quatro dias.

Meu corpo, preso naquele porta-malas, já devia estar em decomposição. Eu podia sentir o cheiro, mesmo como um fantasma. Eu podia ver o líquido escuro escorrendo pelas frestas do carro, atraindo insetos. O motorista do Fabrício, que passou por ali mais tarde, sentiu o cheiro, mas não disse nada. Ele apenas desviou o olhar, como se nada tivesse acontecido.

Eles me deixaram morrer por uma mentira, por um capricho, por um carro. Mas o inferno está apenas começando. E eu serei a guia de vocês.

Você pode gostar

Capa do romance A Dor de um Pai Enganado
8.8
João Carlos acorda em um pesadelo: seu filho Lucas sumiu, substituído por uma estranha bebê que sua família jura ser sua filha. Taxado de louco e acusado de assassinato após uma tragédia fatal, ele morre na cadeira elétrica. Contudo, o destino o devolve ao início daquele dia terrível. Consciente do futuro e da farsa de Ana Paula e seus pais, ele desperta pronto para lutar. João não será mais uma vítima; sua busca por vingança e pela verdade começa agora.
Capa do romance Carga Congelada, Uma Esposa Traída
8.8
Forçada ao frio do porta-malas para não incomodar a amante do marido, a jovem morre segurando pílulas abortivas disfarçadas. Dez anos após salvá-lo, ela era vista como um fardo por Atlas. Ao descobrir o corpo da esposa e do filho, ele executa a amante e busca a própria morte como redenção. No além, Atlas implora perdão, mas encontra apenas o vazio. Livre da obsessão, ela o rejeita, observando a alma do homem que a destruiu se despedaçar para sempre.
Capa do romance Celestes - O Paraíso perdido
8.6
Na vila Celestes, a fachada de um paraíso habitado pelas mais belas criações esconde uma realidade sinistra. Apesar de todos viverem como irmãos sob belezas sem igual, os anciões locais protegem segredos sombrios sobre a verdadeira origem daquela população. Quando a luz dá lugar às sombras, Annie e Lucas começam a desvendar o lado obscuro e oculto desse lugar sagrado, provando que nem tudo é o que parece sob o domínio dos grandes líderes.
Capa do romance Destino Escrito em Chamas
9.1
A porta se abriu com um estrondo, revelando Helena, ex-namorada do meu marido Ricardo, com o rosto ensopado em lágrimas falsas. Ricardo entrou logo atrás, tenso e frio, e a voz dele era uma lâmina cortante: "Precisamos conversar, Sofia. Isabela morreu. Foi um acidente de carro. E a culpa é sua." Minhas entranhas se contorceram. "O quê? Como assim, a culpa é minha? É uma mentira!" Helena, então, me acusou venenosamente: "Eu vi o seu carro! Você estava distraída, Sofia. Você matou a minha filha!" Com a minha barriga de oito meses comprovando que eu estava em casa o dia inteiro, eu sabia que era uma mentira absurda, mas Ricardo acreditou nela, ou fingiu acreditar. Ele apontou para o nosso filho em meu ventre: "Você vai tirar isso. Nós vamos tirar isso." O ar me faltou. "Você enlouqueceu? Este é o nosso filho!" Mas ele estava determinado em sua monstruosidade: "Você tirou a filha de Helena, vai dar a ela uma nova. Vamos clonar Isabela, e você será a barriga de aluguel." Naquela noite, fui amarrada à maca, sedada, sentindo a picada da agulha enquanto meu bebê chutava em desespero. A última coisa que vi foi o rosto impassível de Ricardo, dando o bisturi para seu assistente. Acordei com um vazio abissal e doloroso, meu filho havia sido roubado de mim. Dias depois, ainda dopada, o embrião anônimo de Isabela foi implantado em meu corpo violado, transformando-me em uma prisão para a cópia da filha da amante do meu marido. Eu era uma incubadora humana, trancada no quarto de hóspedes, monitorada dia e noite por câmeras. A dor e a raiva me consumiam. Em uma tentativa desesperada de escapar, peguei um caco de vidro, mas Ricardo me impediu, me amarrando à cama, transformando-me em uma tumba viva. A tortura da gravidez forçada, com Ricardo me tratando como um objeto, atingiu seu ápice quando ele me forçou a comer a papinha feita das roupinhas do meu filho. Em um dia chuvoso, Helena, a arquiteta da minha miséria, revelou sua confissão horripilante, com os olhos brilhando em triunfo: "Não foi um acidente. Fui eu. Sacrifiquei minha própria filha para ter Ricardo de volta." A raiva me impulsionou. Eu a ataquei, gritando toda a minha dor e fúria, mas uma pontada lancinante me atingiu. O bebê estava vindo, cedo demais. Ricardo estourou pela porta e Helena, a atriz consumada, encenou um show de choro e acusações, transformando-me na vilã. Ele acreditou nela mais uma vez. Na sala de cirurgia, com meu corpo já em colapso, Ricardo ordenou, com uma frieza cortante: "Conserve a criança, abandone o adulto." Ele nem esperou a anestesia. O primeiro corte do bisturi me rasgou, mas a dor se desvaneceu, minha consciência flutuando para fora do corpo. Eu estava morrendo, e senti um alívio terrível. Mas o horror daquele momento foi ver meu corpo se sentar na maca, com os olhos vazios, sem vida, uma marionete. Eu estava presa, uma alma sem corpo, forçada a assistir Ricardo me tratar como um brinquedo quebrado, cuidando de uma casca vazia. Helena, em um acesso de raiva e ciúme, sufocou o clone da filha e me incriminou, colocando o bebê morto em meus braços. Ricardo, para o meu terror, ia chamar a polícia, mas a semente da dúvida havia sido plantada. Ele percebeu a mentira. Ele me levou para um neurologista, que revelou a verdade: eu estava em estado vegetativo persistente, uma casca vazia. Helena confessou tudo, sua maldade revelada em cada palavra. Ela havia sacrificado a própria filha, e agora, ela estava desfigurada por Ricardo. Ele se deitou ao meu lado, as lágrimas escorrendo em seu rosto: "O que eu fiz com você?" Ele não chorava por mim, mas por ele mesmo, preso em sua própria dor. Ele decidiu nos levar para a morte, juntos. No fogo purificador, eu o segurei. A alma do nosso filho apareceu, nos unimos, e o fogo devorou tudo.
Capa do romance Kaleu, O mafioso da floresta.
9.0
Kaleu transformou uma floresta turística em um cenário de isolamento e pavor. Considerado uma lenda letal, sua rotina de violência é interrompida pela jovem Miliane, que entra em seu domínio para pedir socorro em vez de fugir. Após anos desse encontro breve, o destino os reúne novamente. Agora adulta, ela reencontra o homem por trás da máscara macabra. Resta saber se o temido mafioso cederá ao sentimento inédito despertado pela única pessoa que não o temeu.
Capa do romance O Aviso de Daniel
8.1
Na véspera de seu novo casamento com Marcos, Sofia recebe mensagens de Daniel, seu noivo sumido há três anos. Ele ordena que ela fuja imediatamente. Ao investigar, Sofia nota detalhes físicos impossíveis em seus pais, percebendo que são impostores em uma farsa macabra. Daniel parece saber a verdade, mas o pânico aumenta quando ele envia um novo alerta: ela não deve confiar em Lucas, seu único aliado aparente. Sofia agora está presa em uma teia de mentiras e horror.