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Capa do romance The Villains School

The Villains School

Spencer buscava o ensino superior, mas uma bolsa misteriosa o levou ao TVS. Sob pressão familiar, ele aceita a vaga, descobrindo tarde demais que a instituição é uma armadilha sem saída. Agora, para sobreviver nesse ambiente hostil, ele deve formar alianças complexas enquanto é tragado para uma violenta disputa de poder entre facções criminosas. O conflito pela liderança não apenas abala as estruturas da escola, mas transforma sua realidade para sempre.
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Capítulo 2

Talvez aquele cigarro tivesse alguma coisa ilícita que deixou minha mente confusa apenas com a fumaça. Isso não estava certo... Franklin agarrou meu casaco, me arrastando pelo corredor e não tive reação nem mesmo para protestar.

***

— Você está me dizendo que, por um engano, veio parar nesse lugar, porque ganhou uma bolsa e estudos e seus pais te incentivaram a vir? Porra! Você olhou direito para esse lugar? _ Franklin grunhiu, enquanto estávamos sentados ao fundo do enorme refeitório.

— Eu preciso convencê-los a me tirar daqui!

— Sem chance! Desista, cara! Esse lugar é uma prisão para filhos que tem família envolvida no crime. Entendeu?

— Meus pais não são criminosos...

— Mas você acha que pode simplesmente sair agora? Olha só quatro olhos, todo mundo aqui acha que sua família é de alguma organização nova de criminosos, se você sair, eles vão atrás de você descobrir. E quando souberem que você é só um mané que por um mal entendido descobriu o esquema dessa universidade... _ fez cara tensa de quem imaginou um fim trágico para mim que fez meu estômago apertar. _ Se você abrir a boca, sua família morre! Sacou? Seus pais ouviram algo que não deveriam!

— Deve ter um jeito de sair daqui! Isso não pode apenas... _ mexi minhas mãos de firma inquieta, tentando buscar um jeito melhor de me expressar, mas parecia que a frustração e o desespero fazendo minha mente um emaranhado de fios sem começo ou fim.

— Tem jeito sim! Mas é quase impossível. _ Franklin alisou as mechas de seus cabelos para trás e suspirou pesadamente.

Inclinou-me na mesa entusiasmado e esperançoso com a possível solução para meu problema, mas havia algo errado no olhar de meu colega de quarto que me deixava ainda mais aflito.

— Então diga! Eu não posso ficar aqui no meio de criminosos!

— Assim você me magoa, sabia? _ Franklin levou a mão ao peito de um jeito dramático, mas seu rosto estava limpo de emoções.

— Não foi por mal...

— E daí? Quem liga com o que somos? _ cruzou os braços frente ao peitoral e deixou o corpo relaxar na cadeira do refeitório. _ Então, aqui nós dizemos que temos dois chefões. Se quiser sair vai precisar da ajuda de um deles.

— Bom, então vamos lá falar com eles!

— Você me ouviu? Eu disse "chefões". Isso significa que ninguém chega simplesmente dizendo: Olá! Eu sou novo aqui! Vim parar aqui nesse lugar peculiar por um engano! _ levantou a mão idealizando a frase como se fosse metódico de mais para levar a sério. _ Nenhum deles é acessível, cara!_ olhou ao redor pelo canto dos olhos. Afinal, as paredes tinham ouvidos. _ Você tem duas opções. A primeira: Nahí!

— A garota?

— Não qualquer garota, meu caro! Não qualquer... _ balançou a cabeça com os olhos levemente arregalados. _ Nahí é uma das garotas mais bonitas daqui, ninguém nunca ouviu a voz dela ou tem um minuto sequer de sua atenção. Dizem que os olhos azuis acinzentados demonstram a frieza do coração que ela não tem!

— O quê? O que aquela garota tem haver com isso?_ protestei confuso e Frank riu achando graça de meu semblante.

— O pai da Nahí está na prisão de segurança máxima. Um dia um cara tentou intimidar ela, e no mesmo dia ele foi morto... Ou seja: não tente incomodar Nahí, ou não terá amanhã para você!

E finalmente tinha entendido o aviso de Frank sobre não perguntar sobre a biblioteca ou simplesmente olhar para ela.

— Então como ela pode ser uma opção?

— Nahí ama ler, e você também. Talvez possa chamar atenção dela com algum livro...

— E no mesmo dia ele estaria enfiado no meio da minha bunda e minha cabeça estourada.

— Pensando por esse lado... _ Frank deu de ombros concordando e se inclinou de novo, colocando os braços cruzados sobre a mesa do refeitório._ Sua segunda opção: Harald, alguns os chamam de Hal... Nunca, em hipótese alguma, nem que sua vida dependa disso, assim como a Nahí, não faça contanto visual com eles... Hal é barra pesada! E não qualquer barra meu amigo. Não mesmo! Dizem que os pais do Hal e da Nahí já foram, há muitos anos atrás, parceiros no crime organizado... Esses dois são os chefões, mas o Hal é mais sociável que a Nahí. Porém, você nunca vai o encontrar por aí.

— Por quê?

— O cara tem um horário especial só para ele. Ele é perigoso de mais para deixar perto dos outros. Os dois chefões nunca topam, eles nunca estão no mesmo lugar, no mesmo horário... Se o Hal entra, a Nahí sai. Ninguém sabe porque. O que deixa tudo mais misterioso, é que os dois são vizinhos de quarto...

— Mas não deveria...

— Separados por ala feminina e ala masculina? Bobagem! Os dois são completamente isolados dos outros, eles tem uma ala só para eles. Ninguém entra lá..._ olhou ao redor conferindo mais uma vez e apontou para o terceiro andar que ficava logo acima. _ Falar com o Hal está fora de cogitação! Ele é o único que pode sair depois do toque de recolher. Esse lugar inteiro fica só para ele fazer o que bem entender. Se ele te chamar, não ouse se atrasar, não o olhe nos olhos, não fale sem permissão... Esse cara já deve ter quebrado pelo menos um osso de todo mundo aqui!

— Até da Nahí?

— Não! Da Nahí não. _ Franklin apertou o cenho_ Uma vez eles toparam... Isso deve ser uma lenda dos mais velhos aqui. Estavam no mesmo corredor, e um dos caras do Hal mexeu com a Nahí... _arregalei os olhos, ansioso pela continuação da história. _ O próprio Hal matou ele. Dizem que o chefão sabia que seria como começar uma guerra grande por desrespeitar a garota.

— Eu estou ferrado..._ passo a mão pelo rosto tentando controlar meu desespero que estava exalando pelos meus poros.

— E então, qual deles vai escolher?

— Simples assim? E dois segundos depois eu estarei pendurado de cabeça para baixo em sangria._ grunhi baixo _ Se vocês são criminosos não deveriam estar nas ruas ou na cadeia? O que raios fazem em uma universidade?_ protestei indignado, vendo minhas esperanças vazando pelo ralo da aflição.

— Cela privilegiada. _ Franklin brincou como se a situação não fosse caótica de mais _ Todo mundo aqui é filho de alguém, filho de gente perigosa e influente. A maioria dos pais dessas pessoas está presa, e colocaram os filhos aqui para protegê-los. Nenhum idiota no mundo tentaria entrar aqui para pegar o filho deles. Entrar aqui é pedir confusão com todo mundo do mundo do crime! Porque se entrar aqui e machucar o filho de alguém, você está morto no mesmo dia.

— Então a minha melhor opção é a Nahí?

— Ela não!

— O Hal então?

— Também não!

— Mais que inferno! Quem então?

— Eu! Porque eu conheço um cara, que conhece um cara, que conhece uma garota que às vezes fala com a Nahí e às vezes... Com o Hal.

— Você está de palhaçada com a minha cara, não é?

— A escolha é sua! Pode tentar sobreviver aqui sozinho até a formatura, ou pode sair daqui e ir para uma universidade normal.

— Estou tentando entender quem foi o gênio que criou esse lugar!

— É melhor a gente voltar para o dormitório. Já vai dar o horário de recolhida, e não estou afim de topar com o Hal, por ai!

— Os professores também são... Você sabe... Criminosos? _ perguntei aflito o olhando por baixo dos óculos.

— Não que eu saiba. E nem tente imitar esses bobões que assaltam telefone com arma falsa, pois vai passar vexame! Que fique claro isso: Não está no meio de um presídio com criminosos que foram presos por roubar o caixa de mercado, bicicletas, ou por usar drogas... Tem gente aqui que é filho de político envolvido em lavagem de dinheiro, pai que é terrorista, máfia, tráfico... É classe alta do mundo do crime!

— Ótimo! Acabei de descobrir que sou um infeliz por ser uma pessoa comum. Ou seja: a ralé daqui!

O silêncio se faz presente quando uma sirene ecoou e nos encaramos céticos. Não precisou de muito, e os corredores estavam silenciosos, com gente passando em direção a seus quartos. E acompanhei tudo ainda abismado.

Nahí

Paro de passar meus olhos pelas páginas do livro quando ouvi a sirene. Meus olhos continuaram fixos na página, mas imóvel. Apenas o som da cama rangendo do quarto ao lado ecoou, indicando que Hal estava de saída.

A porta dele destrancou e as sombras dos pés do mesmo podiam ser vista por baixo da porta.

Lembrava-me detalhadamente de Hal, ele era alto, seus cabelos sempre pintados de uma cor diferente a cada mês, olhos castanhos quase dourados. Até onde sabia, seus braços eram fechados por tatuagens até o punho. Ele era forte como se fizesse constantemente academia, e seu olhar era perigoso, mas o que era comum para mim.

Mudo a página do livro, e o som da folha o fez passos pararem no corredor. Arqueio a sobrancelha intrigada, deixando uma lufada de ar escapar de forma debochada.

Hal havia parado por um pequeno som meu? Parecia irônico de mais. Podia me considerar o fantasma daquele lugar. Nunca precisei abrir a boca para ser compreendida ou percebida no local, mas ninguém nunca me perturbava.

Hal

Enfiei as mãos nos bolsos dianteiros do moletom preto, e capuz jogado sobre minha cabeça. Apenas encarei o corredor vazio a meia luz de forma inexpressiva e fria.

Movi apenas meus olhos de soslaio em direção à porta. A luz fraca indicava o abajur ligado. Toda vez que Nahí fazia um barulho isso o deixava irritado por algum motivo. Era algum tipo de provocação dela?

A criatura mais silenciosa desse lugar fazer um ruído justamente quando estou por perto? Isso me cheirava a afronta.

Pequena e curvilínea, olhos azuis acinzentados e frios como um inverno rigoroso. Ela tinha cabelos pretos lisos, não muito longo, na altura do meio dos seios. Às vezes ela amarrava parcialmente, parte de cima do seu cabelo, deixando os da nuca soltos. Sua pele era branca quase pálida, mas ela tinha a ponta do nariz rosada assim como seus lábios carnudos quase desenhados com perfeição.

Nunca ouviu a voz dela, por mais que já tivesse a visto fazer diversas expressões estranhas enquanto lia ao observa-la da janela de meu quarto quando ela se sentava no último degrau da arquibancada.

O silêncio se instalou por mais longos segundos e voltei a andar sem pressa. Os corredores estavam impecavelmente silenciosos e vazios, assim como gostava. Eu dava as ordens ali, e gostava de ser o chefe, gostava do respeito imposto, mas havia alguém que atrapalhava minha fama... E não era nada menos que Nahí.

Se não fosse pelo respeito entre nossas famílias, já teria dado um fim nela.

***

Sento sobre a arquibancada a céu aberto do campo de jogos, e relaxo acendendo um cigarro. Ajusto os fones de ouvido, com Nothing Else Matters ecoando em meus ouvidos. Olho para o céu nublado. Jurava que hoje choveria, mas o clima está agradável. O vento mais frio.

De soslaio olho para a janela aberta, com as cortinas sacudindo pela brisa da noite. Segundos depois ela passou guardando seu livro na prateleira cheia que ela adorava ler. A vejo retirar a blusa e soltar os cabelos e dou mais uma boa tragada no cigarro. Ela soltou o fecho do sutiã, mas a brisa cobriu a visão da garota ao mover as cortinas. Segundos depois Nahí apareceu fechando as janelas, estagnada a me encara friamente por um mísero segundo, e se afastou. A luz apagou e desvio os olhos para a grama bem aparada, e solto a fumaça.

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Boa leitura!

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