
The Villains School
Capítulo 3
Spencer
Olho fixamente para o teto do quarto, minha mala ainda estava feita e deixada aos pés da cama. Eu sabia que tinha me metido em algo grande de mais para tentar sair. E colocar meus pais em risco não era uma escolha.
Eu queria pegar minhas coisas e fugir, mas o terror de encontrar Harald lá fora e acabar não com um, mas todos os ossos quebrados me manteve deitado naquela cama. Eu precisava dar um jeito de sair daqui...
A ideia de conviver com um monte de gente perigosa fazia minhas entranhas se torcerem e seu peito afundar de um jeito pesado. Ansiedade dominava meu corpo de tal forma que eu não conseguia nem ao menos fechar meus olhos para tentar dormir.
E se por acaso meu colega de quarto me denunciasse aos outros integrantes do The Villains?
Um deslize, e eu iria direto para uma cova.
Nahí
Vesti minha jaqueta e me abaixei, apertando os cadarços dos meus coturnos. Sai do quarto ajustando os cabelos para fora da gola. Rolei meus olhos ao redor, atenta se não seria confusão certa encontrar com Hal por aí. Sai direito pela frente, passos ágeis em direção ao muro, desaparecendo na escuridão da noite nublada e sem luar. Olhei para trás, conferindo se não tinha sido vista ou seguida. Escalei uma árvore, caminhando com cuidado sobre a galha, aproveitando a luminosidade que vinha dos refletores da arquibancada. Subi no muro, olhando para a queda alta, e pulei para o outro lado.
A caminhada no meio na pastagem alta no meio da noite levou alguns minutos até que eu pudesse ligar a lanterna do telefone e iluminar o caminho. Afastei o lençol roubado, pegando o capacete guardado sobre a lanternagem e subi na Iron 883.
Girei a chave e o ronco do motor ecoou, quando acelerei indo em direção a estrada principal. O asfalto estava bem plano, e macio, o vento frio soprou e dancei com a moto na pista, puxando mais o acelerador, e deixando aquele som rouco e forte como um trovão reverberar.
A noite era uma criança...
***
O braço de Thomas, pesou sobre meus ombros, me abraçando de lado, me roubando um beijo espoleta. Tudo que meu inocente namorado sabia, de uma pequena mentirinha contada por mim, que eu estava em um colégio interno só para garotas, e às vezes escapava das pobres madres para o ver.
Sorri contra seus lábios, e me afastei. O meu estabelecimento preferido tinha uma área reservada no balcão, próximo ao palco enquanto a banda tocava Crazy de Aerosmith. Thomas não gostava muito daqui, e realmente não era sua vibe, mas às vezes ele me acompanhava.
Ele se afastou para beber um gole de sua cerveja.
— Vai ter festa na universidade semana que vem. Podia tentar escapar. _ ele sugeriu e maneio a cabeça.
Olhei ao redor de forma disfarçada, conferindo se havia alguém conhecido por perto. Meu namoro com Thomas era um verdadeiro segredo. E se meu pai descobrisse... Certamente o pobre Thomas seria arrastado para essa loucura de vida.
Thomas afundou seu rosto na curva de meu pescoço.
— Vi um hotel no caminho, Nahí... _ ele sussurrou malicioso e me afastei para encara-lo.
— Não Thomas. Já falamos sobre isso! É muito cedo!
— Somos namorados! O que há de errado?_ ele resmungou solvendo mais um gole.
— Estamos namorando ha pouco tempo. Quero te conhecer melhor antes de deixar isso acontecer! _ murmurei olhando para minha cerveja.
Ele me olhou de lado parecendo de mau humor por minha resposta. Mas deixamos o silêncio cair, a música continuou ecoando.
— Meus ouvidos não aguentam mais, Nahí! Vamos embora!_ ele resmungou e suspirei.
Eu amava aquela música. Crescer ouvindo o gosto musical de meus pais resultou em uma nova amante de Rock clássico. Concordei a contra gosto, ele pagou a conta, e saímos em silêncio.
***
Thomas beijou meu pescoço enquanto estávamos dentro do carro, parados de fora da república qual ele morava. Mas meu humor tinha se tornado ácido, assim como meus olhos lá fora sem um pingo de vontade de ser tocada.
Ele se afastou, me olhando cético antes de apertar as sobrancelhas.
— O que foi Nahí?
— Você sabe que eu gosto daquele lugar e das músicas. Não ficamos nem meia hora, Thomas...
— Você sabe que eu não curto isso Nahí!
Suspirei, abrindo a porta do carro e saltei para fora o olhando.
— Mas podia fazer um esforço. Afinal, as festas da sua fraternidade são uma porcaria, e eu ainda faço o esforço de vir até aqui. _ bati a porta do carro e andei pela calçada em direção a minha moto. Subi, colocando o capacete e sai dali.
Eu tinha pretensões de curtir a noite, mas meu humor não estava mais para isso. Voltar e correr o risco começar uma briga com Hal resultaria em algo pior do que apenas rodar a noite toda até o presídio para visitar meu pai pela manhã.
Hal
Olho de esgueira para Shelby atrás de sua mesa, com a boca escondida atrás das mãos fechadas juntas e seus cotovelos apoiados sobre o móvel.
— Você precisa fazer alguma coisa. Se aproximar dela... Isso ia ajudar.
— A conheço desde o dia que ela nasceu. E desde que me lembro de agirmos exatamente assim. Você sabe quem ela é. Ela não ia confiar em mim nem se andássemos de mãos dadas por ai e fossemos melhores amigos._grunhi entre os dentes de forma violenta.
— O tempo está passando enquanto você fica apenas quieto, Harald!_ele tentou me fazer me sentir desconfortável com a situação e sorri estreito debochado.
— Não me diga o que fazer, Shelby._Me levantei da cadeira do escritório, saindo da sala sem olhar para ele.
Nahí
— Te arrumei um novo. _ observei o livro escorregar pela mesa metálica da sala privativa do presídio de segurança máxima.
O livro já deveria ter sido revirado diversas vezes pelos guardas procurando por alguma fraude. Mas meu pai gostava de me presentear com livros raros ou que ainda estavam sendo escritos pelos meus escritores favoritos. O puxei para mais perto, avaliando a capa extravagante e bonita. Com certeza uma capa feita especialmente para mim.
— Obrigada, pai! _ dei um sorriso sutil, erguendo meus olhos para ele por baixo dos cílios.
— Seu cabelo está bagunçado. Está ventando muito lá fora?
— Eu vim na Iron... _ sorri ladino vendo o brilho no olhar de meu pai de orgulho.
— Você veio na minha Iron 883? Eu mataria para ver isso! _ o guarda na porta segurando um fuzil ficou tenso nos tirando uma risada baixa grave.
— Eu a levei para a universidade. _ me movi inquieta na cadeira dura e metálica_ Tem sido mais rápido e menos burocrático chegar aqui ou no hospital...
— Como está sua mãe? Não falo com ela desde o dia do divórcio...
— Será por que você foi preso pouco tempo depois?_ ri coçando o queixo sem graça. _ Ela não está muito bem. Vou passar lá depois daqui.
— Faz bem! Tenho certeza que ela sente sua falta, como eu sinto.
— A diferença é que um está em prisão perpétua e a outra está morrendo com câncer... _sussurrei baixo ficando novamente ríspida e meu pai abaixou a cabeça deixando um suspiro escapar.
— Nahí..._ meu pai parecia procurar palavras para tentar me consolar _ Okay! Vamos mudar de assunto. E o Harald, como ele está?
Meu olhar se tornou ainda mais frio e cruzei os braços, desconfortável.
— Está bem. Não nos falamos muito... _olhei fixamente para a mesa sem expressão pensando em sua figura_ Na verdade, nunca nos falamos. Não é nenhum problema para mim! O vi da janela... Diga a tio Carl para dá-lo um belo tapa na boca quando o ver. Hal anda fumando._ergui meus olhos com convicção para meu pai.
— Uh! Ainda trocando farpas, pelo que vejo. _ meu pai riu coçando a cabeça._ Aliás, Carl disse que tinha dado a Fat Boy para o Hal.
— Cinco minutos!_ o guarda avisou e nos encaramos céticos.
— Avisa o tio Carl na hora do seu recreio que qualquer dia desses o farei uma visita. _ maneio a cabeça e meu pai sorriu com a palavra "recreio". _ Eu sabia que vocês eram melhores amigos, mas precisavam até mesmo serem presos juntos?
— Eu vim para que ele não ficasse solitário. _ meu pai riu grave e sorri largo felina.
— E vocês são vizinhos de cela. Como os outros presos aguentam quando vocês dois começam a discutir?
Meu pai deu de ombros e balancei a cabeça em negativa. Me levantei, pegando o livro e encarei meu pai tranquilamente.
— Te vejo depois pai. Se cuida!
— Se cuida borboletinha!
Parei a porta e o carcereiro a abriu. Mais dois guardas entraram para levar meu pai.
Ranks
Parado no corredor por um instante assisti minha garotinha ir embora. Nahí não era mais uma criança, mas eu ainda tinha medo. Ela tinha ficado ainda mais dura na queda desde a última vez que tinha a visto, talvez mais afiada e sagaz. Ou talvez tenha sido apenas minha impressão.
— Filha. _ a chamei, e ela parou se virando de lado e me olhando cética_ Tome cuidado! Se precisar de ajuda com algo, deixe de orgulho e liga pro Hal.
Ela apenas concordou com uma piscada lenta. Levando o indicador a testa e acenando. Então se foi, e fui empurrado de volta para minha cela. Alguém assobiou, faltando com respeito com minha borboletinha, e segundos depois o som do espancamento podia ser ouvido por todo corredor.
Ninguém mexia com minha filha enquanto estivesse vivo, independente se estava preso ou não. A Irmandade do Pesadelo nunca a deixaria desamparada. E como líder deles agora, ela quem ditava as ordens.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Boa leitura!
Você pode gostar





