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Capa do romance Talvez

Talvez

Anne concilia o sucesso empresarial com a maternidade solo e o zelo pela família. Sua rotina perfeitamente controlada sofre um abalo quando ela cruza o caminho de um CEO mimado e famoso por sua vida boêmia. Entre os dois, surge uma conexão mística e impossível de ignorar, desafiando a lógica. Diante desse laço sobrenatural, eles questionam se as diferenças importam. Talvez o destino tenha traçado um plano onde ambos foram feitos um para o outro.
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Capítulo 3

Anne está se arrumando, coloca um vestido preto acima dos joelhos e uma sandália rosa, fazia tempo que ela não se arrumara assim.

- Talvez eu mereça estar com algum hoje, beijar e me sentir amada. - Desde que seu marido se foi ela nunca havia pensado em sair com alguém, a não ser pela vez que sua Tia Adriana havia a convencido a ir em um encontro às cegas, com um cara chamado Bob, um solteirão de meia idade dono de alguns comércios pequenos, que morava com a mãe e tinha 6 gatos, ao lembrar desse momento Anne se sente arrepiada. - Talvez melhor não, deixa pra lá.

Anne saiu para buscar Kris em sua casa, já era por volta das nove e quinze quando ela estacionou. Kris vestia um macacão vermelho bordo que ficava muito bem nela.

- Kris, você está linda!

- Obrigada chefinha!

- Kris, por favor me chame de Anne, apenas, hoje a noite também é sua, quero agradecer pela parceria de sempre!

Elas seguem até um barzinho ali perto, onde toca muito pop e R&B, elas se soltam e dançam a noite toda.

Anne está tão linda e solta, parece feliz e divertida.

Chega ao lado de Anne um homem alto com os cabelos dourados. Pegando em sua cintura.

- Opa! Que susto!

- Me desculpe não queria te assustar. Sou o Liam, prazer!

- Sou Anne, prazer!

Vocês apenas dançam, mas você não sente vontade e nenhuma sintonia com ele, apenas está sendo gentil.

- Anne, você está afim de ir algum lugar, para conversamos melhor.

Anne percebe que nem está “tentando” ter algo com Liam, ela é fria ao conversar com ele, decide então que precisa dar uma chance para se relacionar.

- Sim podemos ir!

- Conheço um hotel aqui perto!

O que poderia dar errado? Anne se questiona, eu com certeza preciso me divertir, preciso viver.

- Vamos com meu carro! - Anne se distancia para falar com Kris, que está ao beijos com um desconhecido, - ela ficará bem! Deixarei uma mensagem.

Ao entrar no carro, Anne percebe que Liam é ainda mais bonito e cheiroso do que imaginava.O que a leva pensar que talvez não seja uma noite tão ruim. Anne é guiada por Liam e chegam em um hotel de luxo. Eles vão até a recepção depois de terem deixado o carro com o manobrista. Chegado, arecepcionista pergunta sobre o quarto e Liam escolhe um no vigésimo andar onde tem apenas dois por andar.

No elevador os dois começam a se beijar e o clima esquenta, Anne é contida, mas Liam parece estar louco por ela.

- Por favor Liam, assim não! Você disse que iríamos conversar - Anne sabia do que iria rolar, mas tanto tempo sem ter um contato íntimo com um homem que ela prefere ir devagar!

- Anne faça me o favor, você achou que o que iria acontecer, iríamos bater papo a noite toda? você aceitou vir para um hotel!

- Sim, eu sei o que aceitei, mas por favor vamos com calma, eu preciso ir devagar…

Ao chegar no andar, Liam a puxa para perto, ele a beija e lambe seu pescoço, porém Anne é dura como uma porta e não se mexe, está descaradamente desconfortável!

- Liam devagar.- ela pede baixinho!

Liam se exalta e fica nítido que está alterado por bebida ou alguma substância. Ele bate com a mão na parede encurralando Anne, que fica em estado de choque, ela tinha certeza que queria desistir disso tudo!

Ao ouvir o barulho, uma porta no andar se abre.

- Anne?

Ao perceber quem é, Anne se joga em seu braço, com medo e assustada.

- Jacob, me ajude!

Liam se enfurece.

- Então a prostituta está acostumada a vir aqui, tem até um macho esperando por ela, ia sair com ele depois de dormir comigo?

Anne tenta se explicar, mas Jacob toma a frente da situação.

- Cara, por favor está fazendo a maior cena, vai embora e nos deixe em paz!

- Eu paguei por esse quarto, para estar com ela, essa vagabunda!

Jacob o empurra, e o ameaça.

- Nunca mais fale dela assim, vá embora!

- Então não é o macho dela, é o cafetão dela…

Antes que ele pudesse terminar de falar, Jacob o nocauteia com apenas um soco.

- Alô? James, por favor venha retirar um cara aqui do meu andar e pague o quarto ao lado do meu pela noite toda, quero privacidade! - ele guarda o telefone. - Entre Anne, vem comigo, eu vou te ajudar.

Anne estava tão chocada com o que tinha acontecido, que o acompanhou, ao fechar a porta, Anne da uma boa olhada no quarto, parecida um apartamento, parecia que ele morava ali, mas por que morar em um hotel, quando tem uma família milionária?

- Você mora aqui? - Indagou Anne com calma.

- Sim e não, eu fico aqui quando quero fugir da realidade. - ele não está parecendo querer falar sobre isso, então Anne apenas assentiu com a cabeça. - Anne se quiser tomar um banho eu tenho algumas roupas.

Anne responde rude

- Com certeza deve ter muitas roupas das mulheres que você já trouxe para cá!!!

- Na verdade você não é a primeira

- Eu sabia!

- É a segunda, esse era o quarto da minha mãe, um dos primeiros negócios do meu pai foi esse hotel, e minha mãe adorava ficar nesse quarto por conta da vista para o lago, quando ela morreu eu comprei esse quarto para tentar me conectar com ela quando eu me sentisse mal. Pelo visto deveria ter comprando o andar.

Anne ficou tão chocada com as informações que ficou sem respostas.

- Aliás, a roupa que irei te emprestar é dela, espero que não se importe. - ele diz com sorriso ingênuo.

- Não me importo, muito obrigada e desculpas, eu não fazia ideia.

- Assim como eu não tenho ideia de qual sua relação com aquela pulseira.

- Eu gostaria de não falar sobre isso, por favor!

- Apenas me diga o que isso significa, que te deu? - Ele insiste e Anne vê bondade e sinceridade em seus olhos.

- Foi a pulseira que ganhei do meu marido quando nosso filho nasceu, após cinco dias ele foi assassinado, então esse era o último presente que eu tinha dele, e você fez questão de perder!

Jacob não fala nada, apenas vai até um cofre pequeno que tem na parede e pega a pulseira.

- Eu achei, e mandei consertar, peço inúmeras desculpas, não sou daquele jeito, na verdade não sei por que fiz aquilo, você não merece isso, mais uma vez me perdoe.

Anne pega a pulseira e estende a mão para Jacob a ajudá-la a prender em seu braço, ao tocar em seu pulso, Anne sente seu corpo formigar, uma sensação estranha mas ao mesmo tempo prazerosa, ela se afasta rapidamente.

- Desculpe Anne, fiz algo de errado?

- Não, não, pode prender. - Anne ficou chocada com a ligação que parece se formar entre eles.

Jacob se vira e pega uma camisola e um rompão de sua falecida mãe e a entrega, ele não havia maldade nenhuma, alias ali era um lugar sagrado para ele e a roupa que ele o dera era confortavel e nada sensual.

- Obrigada, onde é o banheiro?

Jacob aponta para esquerda e ela caminha até lá. Anne toma um banho rápido e se veste. As roupas haviam ficado tão bem nela, que ao sair Jacob fica espantado com a beleza e serenidade nela.

- Ficou bom em você - Jacob não queria demonstrar que ela estava linda, afinal ele precisa manter a visão de homem insuportável que Anne tem dele!

- Obrigada, bom eu vou indo para não ficar tarde?

- Se quiser pode dormir aí, amanhã teremos que sair cedo, aí passamos em sua casa e pegamos suas roupas. - Com toda essa confusão, Anne esqueceu que viajaria com ele para Bahamas no dia seguinte.

Ela pega a bolsa e procura o celular.

- Meu Deus, aonde eu deixei isso?!

- Se você usar mais adjetivos posso te ajudar a encontrar. - Jacob falar sarcástico, irritando Anne e deixando ela perder o rosto angelical que estava.

- Olha Jacob eu não sei nem por que eu te dou bola. Aliás me empresta seu celular, não sei onde está o meu.

- As palavras mágicas?

- Por favor?

- Parece até gente assim, tô pode usar….

Anne pega o celular, e disca o número da mãe dela.

- Oi mãe,tudo bem? - ela afina a voz, para tentar não parecer que bebeu.

- Sim filha, tudo bem e você?

- Vai pedir permissão para seus pais, para poder viajar comigo? - Jacob fala brincando. Anne é tão rápida que pega uma almofada que está na poltrona ao seu lado e joga em Jacob.

- Que voz masculina é essa filha?

- Ninguém mãe! - Jacob se aproxima e encosta a orelha no telefone para ouvir a conversa. Anne o empurra mas ele continua. - Então mãe, acabei esquecendo de avisar, amanhã terei que fazer uma viagem de negócios para Bahamas, poderia cuidar do Harry?

- Filhinha, viagem de negócios? Se for com o dono dessa voz linda, você DEVE ir.

- Vai ser comigo, mesmo. - Jacob puxa o telefone. - vou cuidar bem dela Sra. Weber, será um prazer.

- Qual seu nome meu querido? - A mãe de Anne está radiante pelo outro lado da linha. Aliás são 6 anos que Anne não apresenta ninguém para ela.

- Sou o Jacob West, um prazer falar com a Sra. - Anne está tentando pegar o telefone de Jacob, porém a diferença gritante da altura, faz com que ela desista.

- Me dê esse celular, Jacob!!! - pegando o celular, Anne finaliza. - Mãe obrigada por cuidar do Harry, depois conversamos! - Ao desligar o telefone, Anne se vira para Jacob. - Por que você foi fazer isso, agora minha mãe acha que eu você temos algo.

- Mas não temos nada amoroso, apenas negócios! Pelo menos ela se tranquiliza em saber que você irá se divertir! - de alguma forma Anne se magoa em ouvir ele dizer que são apenas negócios, ela não sabe descrever apenas sentir um vazio nas palavras dele.

- Sim apenas negócios, eu sei disso! Ah quer saber, onde posso me deitar?

- Tem esse sofá ou aquela poltrona, o que você preferir! - Anne está chocada com as afirmações de Jacob, até ver ele sorrir. - Estou brincando, deite na cama e eu fico na sala.

- O mínimo que você deve fazer por mim. - Anne sai rindo em direção ao quarto, e rouba um suspiro de Jacob que ri do outro lado da sala.

Passaram mais de duas horas e os dois continuam acordados, pelo fato de estarem dormindo tão perto e ao mesmo tempo tão longe incomoda Anne, que decide ir até a cozinha e se servir de um copo de água. Ao passar pela sala Anne tenta não olhar para Jacob, porém ele olha para ela com um olha furtivo. Anne se serve de água e olha através do copo a feição de Jacob a olhando.

Sem sono? - Pergunta Jacob.

Anne força um bocejo. - Na verdade morrendo de sono… - Jacob não acredita em sua afirmação.

- Quer assistir um filme?

- Pode ser, qual filme? - Anne olha e percebe que não há televisão na sala, apenas no quarto onde ela está. Mas parece não se importar.

- Vamos lá, podemos ver o que está passando na televisão. - Jacob se levanta e Anne percebe que ele está apenas de shorts, sem camisa, ela fica vermelha e muda o foco do olhar. Mas Jacob percebeu que ela estava olhando.

Os dois passam a noite assistindo uma comédia em um canal qualquer. Eles dividem a cama, mas a muito respeito naquele quarto, os dois se respeitam. Anne pega no sono, então Jacob desliga a televisão, ao ver ela dormindo e a observa por um momento… Pensando em como pode ser tão ligado a ela.

- Mas se ela soubesse…. Ela não iria nunca me perdoar pelo o que eu fiz….

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