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Capa do romance Sua Noite é Nossa

Sua Noite é Nossa

Noah, Ravi e Lucca são irmãos marcados por um passado obscuro que os forçou a uma rotina de isolamento e vigilância. No entanto, a vida solitária desses justiceiros muda drasticamente ao conhecerem Larissa, uma jovem que tenta desesperadamente escapar de sua própria realidade sombria. Unidos pelo destino em meio a perigos urbanos, o encontro inesperado transforma a dor em esperança, onde cada um deles acaba se tornando a única salvação possível para o outro.
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Capítulo 2

LARISSA

Chegamos na enfermaria e entrei com o diretor, ele conversou com a enfermeira e veio até mim.

- Assim que terminar de limpar e fazer algo com seu machucado, vá até minha sala por favor, Srta. Andrade! - Noah falou olhando para os meus olhos sorrindo, ele parecia gostar dos deles, o que me deixava um pouco tímida.

- Mas eu preciso ir para a aula - eu falei o encarando séria.

- Você é nova na escola, não é? Eu conheço todos os alunos, sei a fisionomia de todos e nunca vi você e, com certeza como olhos tão bonitos assim, eu me lembraria fácil - ele falou.

- É meu primeiro dia nessa escola!

- Seu primeiro dia e já está retrucando seu diretor? - ele falou com sorriso de lado irônico, eu corei na hora com aquele sorriso tão bonito.

Eu me repreendi, ele era muito mais velho que eu e jamais iria olhar para mim de outra maneira, ainda mais o diretor da escola tão gato assim, nunca olharia para uma aluna magra e desnutrida feito eu.

- Eu não estou retrucando o senhor, só gostaria de ir para minha sala e...

- Na diretoria assim que sair daqui ou vai levar advertência no seu primeiro dia! - ele falou e saiu.

- Só tem gente assustadora nessa escola! - eu falei e a enfermeira riu.

- Já conheceu os irmãos Navarro? Eles são assustadores à primeira vista, mas são boas pessoas, são os donos da escola! - ela falou sorrindo e limpando o sangue do meu rosto. - Como fez isso, menina? - ela perguntou, olhando minha boca inchada.

- Eu esbarrei no professor de matemática, caí em cima dele e ele simplesmente me jogou longe e bati a boca! - falei, me lembrando daquele professor grosseiro.

- Ah, sim, os três irmãos não gostam de serem tocados, tem algum tipo de TOC ou algo assim. Por isso vivem de roupas de mangas compridas e luvas, pode fazer frio ou calor eles sempre estão vestidos assim!

- Nossa, que esquisito os três tem a mesma coisa - eu falei, um tanto curiosa, os três tem o mesmo TOC, era um tanto esquisito.

- Sim, os três irmãos odeiam que encostem neles!

- Isso está muito feio, é meu primeiro dia e não queria que todos me vissem com a cara arrebentada!

- Bom, está inchado, mas você é muito bonita, ninguém vai reparar! - ela falou.

- Eu não sou bonita, sou um palito ambulante! - falei rindo.

- Você é muito bonita menina, vai fazer sucesso na escola com esses olhos!

- Ah não, não, eu só quero estudar em paz! - falei, a última coisa que eu queria era me envolver com algum garoto, nenhum homem presta.

- Pronto, já terminei, pode ir até a sala do diretor Noah!

- Poderia me dizer onde fica?

Ela me explicou e eu segui até a sala do diretor. Ao chegar, a secretária me anunciou e eu entrei, o professor que me jogou longe estava lá também.

Ele olhou para o corte na minha boca e virou o rosto, parecia desconfortável com aquilo.

- Senta menina! - o diretor falou e eu obedeci.

- Me desculpe por isso! - ele falou apontando para minha boca. - Não foi minha intenção te machucar!

- Oh, sim, tudo bem, eu estou bem e isso logo vai desinchar... eu espero! - eu falei fazendo careta e os dois sorriram e, nossa, cheguei a sentir um formigamento entre minhas pernas, e logo afastei esse sentimento estranho por esses homens assustadores.

Eu fiquei vermelha com meus próprios pensamentos promíscuos com os dois. Logo eu, que prometi nunca namorar ou gostar de homem nenhum, para mim são todos uns malditos nojentos.

- Eu te chamei aqui porque você foi machucada por um dos nossos professores, mesmo sendo um dos donos da escola, nosso procedimento é chamar os seus pais e...

- Não! - eu falei rapidamente e em pânico. - Por favor, senhor diretor, não foi nada, eu estou bem!

Os dois se entreolharam por um momento e eu tentei me acalmar e não deixar transparecer meu pânico.

Nenhum dos meus pais viriam, nem minha mãe muito menos o maldito do meu pai, e se viessem obrigados, eu estaria ferrada.

- É o nosso procedimento Srta. Andrade! - o diretor falou, eu senti meus olhos se encherem de lágrimas, nem cheguei a ter um dia de aula e já iria ser forçada a largar a escola.

Foi tão difícil conseguir essa bolsa de estudos escondida dos seus pais e quando consegui convencer eles a virem assinar todos os documentos da matrícula foi terrível e, agora se eles tiverem que vir aqui, tenho certeza de que nunca mais volto.

- É tão errado te achar ainda mais linda com esses olhos lindos, cheios de lágrimas assim! - o diretor falou e eu o olhei sem entender se aquilo foi um elogio.

Ele pigarreou algumas vezes, notando que falou algo sem pensar

- Pode ir para a sala menina, depois resolvemos isso! - ele falou e eu saí da sala rapidamente, para que não desse tempo de mudar de ideia.

NOAH

- Você notou aqueles olhos? - eu falei para o meu irmão, me sentindo um pouco abalado, aquela menina mexeu comigo e isso era totalmente errado.

- E tem como não notar aquela perfeição? - Ravi falou, ele parecia tão mexido quanto eu por causa daquela menina.

- Isso é errado, somos muito mais velhos que ela e somos seu professor e diretor! - eu falei afastando os pensamentos que invadiam minha mente.

- Como se pudéssemos tocá-la mesmo, de qualquer maneira, só podemos admirá-la de longe! - Ravi falou

- E você, seu ogro, como pôde machucar a menina daquele jeito? - eu falei sério.

- Foi o reflexo, ela quase me tocou e eu não queria ficar todo vermelho e cheio brotoejas pelo meu corpo todo! - Ravi falou, como se aquilo justificasse sua brutalidade.

- Precisava usar tanta força?

- É, isso foi muito horrível, eu não medi minha força e ela é tão leve que um vento a joga longe! - ele falou sorrindo.

Conversamos um pouco e ele voltou para sua sala e eu fiquei ali pensando naquela garota. Era a primeira vez em minha vida que ficava tão impressionado por uma garota e, para piorar, uma aluna, provavelmente menor de idade ainda. Apesar de parecer mais velha, ela tinha traços de uma menina nova ainda.

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