
Sua Noite é Nossa
Capítulo 3
LARISSA
Encontrei minha sala finalmente, entrei e vi olhares curiosos sobre mim, depois do "show" com aquele professor todos deviam estar comentando sobre aquilo.
Me sentei perto da janela sozinha, peguei minhas coisas e comecei a copiar a lição.
- Isso é lente de contato? - uma menina perguntou, se sentando ao meu lado.
- Não, na verdade é uma anomalia genética, por isso meus olhos são dessa cor - eu falei séria, sem querer prolongar o assunto.
- É muito bonito! - ela falou simpática, eu olhei para ela, era uma loira muito bonita.
- Obrigada!
- Sou a Danielle!
- Oi, Danielle sou a Larissa. E não sou rica como vocês, sou bolsista, então não precisa ficar perto de mim - fui logo falando.
- E daí que é bolsista? Eu não ligo para isso - ela falou. Parei de prestar atenção nela quando o professor que me machucou entrou na sala.
- Obrigada por me cobrir, professora Carmen, agora vou voltar a dar aula para as minhas pestes favoritas! - ele falou, todos riram.
- Somos seus favoritos sim, agora pestes aí não né, professor! - uma aluna falou e os outros começaram a falar também.
- São todos pestes mesmo! - ele falou rindo, a outra professora saiu da sala. - Vamos continuar de onde paramos, que página era mesmo? - ele perguntou.
- 55! - alguns alunos responderam juntos.
- Droga, eu achando que vocês não sabiam, aí eu teria que aplicar uma prova surpresa pelo esquecimento! - Ele brincou.
- Sai fora, credo! - alguém falou e outros falaram também, então o professor notou minha presença, ele parou seu olhar sobre mim e eu corei na hora e coloquei o livro em frente do meu rosto.
Era melhor eu ficar quietinha e não me meter com esses homens.
Na hora do almoço, eu fui para alguns bancos do lado de fora, eu não tinha dinheiro para comer nessa escola, então trouxe uma bolacha de sal.
Já estava acostumada a quase não comer em casa mesmo, ali também me acostumaria, o importante era que estava numa das melhores escolas do país e iria me dedicar muito. Com boas notas nessa escola, conseguiria entrar em boas faculdades e sumir finalmente de casa.
- Não vai comer, Larissa? - eu dei um pulo ao ouvir aquela voz grave atrás de mim, minha bolacha, já era, caiu toda no chão.
- Que susto! - eu falei e recolhi as bolachas do chão e joguei no lixo.
- Por que não está no refeitório almoçando? - o professor Ravi perguntou me olhando sério.
- Eu... não estou com fome, trouxe um lanche! - falei sem olhá-lo.
- Essa bolacha, era seu lanche? - ele perguntou me olhando inconformado.
- Bem... sim...
- Vai logo comer menina! - ele me interrompeu
- Eu estou bem!
- Não tem dinheiro, não é? - ele falou e eu corei. - Vem, eu vou pagar para você!
- Não, obrigada, eu não quero! - eu falei totalmente envergonhada daquela situação.
- É uma forma de me desculpar por ter machucado você, vem almoçar, Larissa! - ele falou.
- Não obrigada! - eu falei firme.
- Menina, eu não estou pedindo, estou mandando você vir comer! - ele falou tão sério que senti um frio na espinha. Por que ele tinha que ser tão assustador?
Ele indicou com a mão para eu segui-lo, assim o fiz e fomos até o refeitório em silêncio, chagando lá ele foi parado por vários alunos, era bem popular, principalmente entre as garotas, dava até para ouvir os risinhos e suspiros para ele.
Ele me fez sentar foi até onde serviam a comida e logo voltou com uma bandeja recheada de comida
- Você vai comer também? - eu perguntei olhando para a bandeja com espanto, ele colocou na minha frente.
- Come! - ele falou, na verdade, ele ordenou mesmo.
- É muita coisa!
- Come o que aguentar! Não sei a quantidade que come por isso peguei tudo que vi, vai comer!
- Obrigada, mesmo eu tendo dito que não precisava! - eu falei pegando um garfo e comendo. - Obrigada!
Ele apenas me observou comer, e eu nem imaginei que estivesse com tanta fome. Quando eu comecei a comer aquela comida não consegui parar mais, era a primeira vez que comia algo tão gostoso.
Em casa tudo para era regrado e nunca tinha dinheiro para comprar nada na escola.
Eu acho que ele deve ter me achado uma morta de fome, pois comi tudo o que ele trouxe na bandeja
Era a primeira vez desde que me conhecia por gente, que comia uma refeição decente e se sentia totalmente satisfeita. E mesmo sabendo que eu parecia uma esfomeada para ele, não me importava, eu estava tão feliz que quase chorei.
- Quer mais? - ele perguntou, me olhando.
- Não, obrigada! - eu falei sorrindo, ele cruzou os braços e se ajeitou na cadeira, visivelmente desconfortável.
Cheguei a achar que eu estava com sujeira nos dentes e como aquela enfermeira disse que eles têm TOC, isso devia estar incomodando-o.
- Ravi, até que enfim te achei, o que está fazendo aqui? - Um homem chegou e parou ao nosso lado, outro gato gostoso dos infernos.
Meu Deus, as alunas dessa escola passam muito bem com a visão desses homens.
Pensei e sorri involuntariamente, voltei meu olhar para o professor e fiquei séria, ele me olhava de novo.
- Só estou acompanhando uma aluna nova, Lucca! - Ravi falou ainda me olhando.
- E desde quando você faz isso? - o homem perguntou olhando o professor com a sobrancelha arqueada.
- Desde hoje. Larissa, esse é meu irmão, também é professor, de educação física e o treinador do time masculino e feminino da escola! - ele falou e eu olhei para aquele outro homem.
Esses irmãos eram muito bonitos, ele também se vestia de preto, só que roupa esportiva e luvas nas mãos também, ele era bem musculoso, mais que os outros irmãos e acho que o mais alto de todo também.
Ele me olhou e eu sorri, ele ficou parado me olhando por uns instantes, me encarando mesmo, parecia estar analisando cada canto do meu rosto me deixando extremamente desconfortável.
Esses irmãos são muito esquisitos, pensei, enquanto era analisada em silêncio. Então, fiz o mesmo e comecei a analisar cada parte dele, incluindo aquele corpo gostoso.
Passado aqueles momentos constrangedores com os professores e o diretor, o resto do dia foi normal, estudei sem mais nenhum problema.
Me enturmei com algumas pessoas, foi bem legal até. Peguei minhas coisas e saí da escola, o tempo estava fechado e parecia que ia chover e eu não trouxe guarda-chuva e era quase duas horas de caminhada até em casa.
Saí da escola e comecei a caminhar apressadamente. Não queria molhar o uniforme, pois era o único que eu tinha. Graças à minha vizinha, que o comprou para mim mesmo sem poder, eu tinha o uniforme e o material escolar. A dona Elisa era um anjo em minha vida.
Eu gostava muito dela e, sempre que dava, ela me ajudava. Olhei para o céu e o vi ficar mais fechado, comecei a correr, sabia que não adiantaria muito já que morava realmente longe, mas iria tentar.
Você pode gostar





