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Capa do romance Sob Seu Domínio (MÁFIA)

Sob Seu Domínio (MÁFIA)

Uma simples atendente de restaurante vê sua vida mudar drasticamente ao cruzar o caminho de um influente líder da máfia. Obcecado desde o primeiro instante, ele está disposto a usar qualquer meio, inclusive a força, para torná-la sua. Cercada por um homem autoritário e intensamente protetor, ela se vê dividida entre a segurança e o medo. Resta descobrir a verdadeira identidade desse misterioso perseguidor e o perigo que ele representa.
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Capítulo 2

ELLE NARRANDO

Henry Abel levantou a mão, me chamando para que eu fosse atende-lo. Eu fui até eles, para anotar o pedido.

— Para mim, uma paleta de cordeiro do chef, por favor. E pode sugerir uma entrada que achar agradável. — Ele disse, meio que sem se importar.

— Vinho para acompanhar, senhor? — Questionei.

— Qual sua sugestão? — Questionou.

— Esse prato harmoniza muito bem com nosso vinho Chianti, que vem diretamente da Toscana e é elaborado com uvas Sangiovese. Mas se o senhor não gostar de vinhos italianos, posso sugerir o Bordeaux, também harmoniza bem.

— Pode ser o Chianti.

— E você, meu amor, o que vai querer? — Eu sorri para o garotinho, o observando de forma carinhosa.

— Eu quero esse, esse, esse e esse! — Disse, apontando para os quatro pratos no cardápio.

— Ah, meu amor, você não vai aguentar comer tudo isso. Por que não escolhe apenas um, hm? Eles são pratos bem grandes. — Falei, pacientemente.

— Não, eu quero todos. — O garoto me olhou com seriedade, como se eu fosse obrigada a fazer aquilo. Eu ergui as sobrancelhas.

— Vai ser um desperdício de alimentos, querido. — Olhei para o pai do garoto, buscando algum apoio. Ele nem me dava atenção. Estava mexendo no celular.

— Não! Eu quero os quatro pratos e acabou! — O menino berrou, para minha surpresa. — Me dá os pratos! Papai! — Ele gritou, mais alto.

— Jesus Cristo. — Girei meus olhos. Crianças mimadas me tiram a paciência.

— Me traz os pratos! — A criança gritou. — Eu quero todos!

— Ei, você não vai fazer nada? Teu filho vai jogar um monte de comida fora! — Chamei o pai, que parecia ocupado demais para lidar com o próprio filho.

— Traga os pratos. Eu quem vou pagar a conta, não você. — Arregalei os olhos, chocada.

— É sério?

— Olha, por favor, apenas faça seu serviço em silêncio e atenda o menino. — Henry Abel, o homem mais poderoso de Nova Iorque praticamente me mandou calar a boca.

— Como quiser, só não se esqueça que tem pessoas passando fome nessa cidade, e o senhor vai atender o pedido de uma criança que não faz ideia do que significa desperdício.

Saí nervosa, mas atendi o pedido do homem e seu filho.

— Meu Deus, eles pediram tudo isso? — Senhor Hopkins disse, com os olhos arregalados.

— O garoto é um mimado que não ouve “não” nunca, pelo visto. Melhor atender, porque ele causou uma cena ali. — Avisei e senhor Hopkins ergueu as sobrancelhas.

— Ah, obrigado por avisar. — Disse.

Eu continuei atendendo normalmente, mas não conseguia tirar os olhos da mesa do senhor Henry Abel. Ele não dava atenção para o filho, parecia estar compenetrado no celular, resolvendo algo importante. O garoto parecia triste, e isso me fez pensar em algo: Ele escolheu todas aquelas coisas para chamar atenção do pai, mas não deu certo. Crianças fazem isso. Elas tentam, de todos os jeitos, chamar atenção de seus pais...

Quando os pratos chegaram, eu comecei a trazer para a mesa. Primeiro, um dos pratos da criança, que escolheu os quatro pratos do cardápio infantil. Deixei os pratos em frente ao garoto e depois trouxe o cordeiro de Henry Abel, o colocando em sua frente. Ele agradeceu acenando com a cabeça, e logo eu trouxe seu vinho.

— Papai! Papai, eu quero que ela coma comigo! — O garotinho apontou para mim.

— Meu amor, eu não posso, estou trabalhando. — Falei. Quando eu ia sair, ouvi a voz dele.

— Sente-se ao lado do meu filho. — Disse, em um tom impositivo.

— Eu estou trabalhando, o senhor não ouviu? Tenho outras mesas para atender.

Naquele momento, o garotinho começou a chorar. Eu fechei meus olhos e respirei de forma pesada.

— Eu só vou comer se ela me der na boca! — A criança disse, apontando para mim. Eu mereço!

— Sente-se ao lado do meu filho. — Disse, me olhando nos olhos.

Algo nele me faz querer obedecer... Deus, por que eu pensei algo extremamente promíscuo nesse momento? Se controla, Elle!

— Não. — Respondi, caminhando para longe.

O garoto, chorando, começou a gritar. E eu? Bom, eu fingi ignorar, mas Henry Abel veio andando atrás de mim. Senhor Hopkins veio ao nosso encontro, e eu estava assustada, sem saber o que fazer.

— Está acontecendo alguma coisa, senhor? Posso ajuda-lo? — Senhor Hopkins disse.

— Qual o salário dessa moça? — Ele questionou, apontando para mim.

— Ela ganha quarenta dólares por dia. Por que, senhor? — Senhor Hopkins questionou. Eu observava tudo atônita.

— Quero que ela passe o resto do dia servindo meu filho. Pago dez vezes o salário dela em retribuição.

— Meu trabalho não é servir crianças mimadas. — Eu falei, olhando para ele. Ele me olhou nos olhos mais uma vez, e abriu a carteira, tirando quatrocentos dólares de lá, e entregando diretamente para meu chefe, enquanto me olhava nos olhos.

— Faça o que ele pediu, Elle. Vá comer com a criança. — Meu chefe disse.

— Mas... — Eu tentei falar algo.

— Sem mas! Vai logo, ou te demito! — Retrucou.

Eu e Henry Abel nos olhávamos nos olhos, e era como se faíscas de ódio pulassem de nós dois. Eu odeio esse homem com força, e talvez ele me odeie também, porque eu sou apenas uma garçonete que está o enfrentando sem se importar com o fato dele ser o grande Henry Abel.

Me sentei na mesa com a criança, me sentindo humilhada. O garoto limpou as lágrimas e eu comecei a cortar sua carne, e servi-lo. Ele sorriu de forma doce. No final das contas, fiquei com um pouco de pena do garoto. Ele só quer um pouco de atenção de algum adulto.

— Está gostoso, criatura? — Questionei, meio sem paciência.

— Delicioso! — Respondeu.

Henry comia ao meu lado, vez ou outra me olhando, para se certificar que eu estava fazendo meu trabalho de forma correta, e eu o olhava com ódio. Inacreditável.

Quando o garotinho terminou de comer, Henry pagou a conta e eu os levei até a porta do restaurante. O mais inacreditável veio a seguir: Eu o vi entrando no carro... Que era exatamente o carro que me ensopou no início da manhã! Ah, eu odeio esse homem!

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