Capa do romance CICATRIZES - O FINAL

CICATRIZES - O FINAL

8.8 / 10.0
Emma vê seu sonho de felicidade desmoronar ao enfrentar a frieza de Samuel, o futuro subchefe da máfia com quem foi obrigada a casar. Amargurado por erros do passado, ele a trata apenas como um fardo. No entanto, ela não aceitará ser ignorada e decide lutar para romper a armadura emocional do marido. Resta saber se Emma terá forças para suportar a verdade sombria que se esconde por trás das muralhas de Samuel após conseguir conquistá-lo.

CICATRIZES - O FINAL Capítulo 1

Cicatrizes – O Final

Copyright ©2025 A.Fagundes

Todos os direitos reservados. Este livro, ou qualquer parte dele, não pode ser reproduzido ou utilizado de nenhuma forma sem a autorização expressa por escrito da autora, exceto para o uso de breves citações em uma resenha.

Esta é uma obra de ficção. Todos os nomes, personagens, empresas, eventos e lugares são produtos da imaginação da autora ou usados ficticiamente.

Dedicatória:

Ao leitor...

Que esperou com o coração apertado,

que acreditou no amor de Emma e Samuel mesmo nos momentos mais sombrios,

e que caminhou por entre as dores, silêncios e reencontros com esperança nos olhos.

Essa história é sua também.

Porque só quem ama de verdade entende que algumas cicatrizes não afastam, elas unem.

Obrigada por não desistir deles.

Obrigada por sentir, sonhar e esperar.

Com carinho,

A. Fagundes

Agradecimentos:

A Deus,

por me sustentar nas noites silenciosas, por ser meu refúgio em cada palavra escrita e por iluminar o caminho mesmo quando a história parecia escura demais. Toda honra e glória a Ti.

Ao meu esposo,

meu parceiro de vida, que acreditou em mim mesmo quando duvidei. Obrigada por me apoiar, por compreender meus silêncios e por ser meu porto seguro em meio ao caos criativo.

À minha filha,

meu raio de sol, que me inspira a ser melhor todos os dias. Que você cresça sabendo que os sonhos são possíveis e que palavras têm poder.

À minha equipe literária,

obrigada por vestirem essa história comigo. Pelos conselhos, pelas madrugadas de revisão, pelas capas que dão vida aos sentimentos e por acreditarem em cada personagem como eu acredito.

E, principalmente,

a você, leitor(a)...

Obrigada por cada segundo dedicado a Emma e Samuel. Por esperar, por sentir, por torcer. Vocês são a razão pela qual continuo escrevendo. Suas mensagens, carinho e presença constante me impulsionam.

Sem vocês, esta história não teria final.

Ou melhor, não teria um final com alma.

Com todo meu amor,

A. Fagundes

SINOPSE

Quando Emma Mancini recebe a notícia de seu iminente casamento arranjado com Samuel Mione, um futuro subchefe e um dos solteiros mais cobiçados da organização, ela se sente esperançosa quanto ao futuro deles, apesar da diferença de idade. No entanto, as fofocas intermináveis em torno da união e a atitude fria de Samuel extinguem essa esperança.

Após uma decisão infeliz tomada no passado, a culpa e a amargura são companheiras constantes de Samuel. Ele não tem tempo para bobagens emocionais, e o vínculo com uma mulher só acrescenta mais uma obrigação indesejada.

No entanto, Emma não é alguém que se resigna ao seu destino. Ela superou obstáculos muito maiores do que um marido frio, determinado a mantê-la à distância.

Será que Emma conseguirá romper as muralhas impenetráveis de Samuel? E se o fizer, conseguirá conviver com o que descobrir?

PROLOGO

EMMA

11 anos de idade

Bip. Bip.

Seguido de chiado.

Eu me sentia cercada por algodão.

Meu corpo estava dormente, quase como naquela vez em que toquei o vidro da lareira e queimei os dedos. Durante dias, não senti nada na ponta dos dedos. Agora, todo o meu corpo estava assim, não apenas a pele. Havia uma dormência em quase todas as camadas dos meus membros, uma névoa espessa de nada que eu não entendia.

Bip. Bip.

Uau.

Minha mão estava pesada. Eu podia senti isso. Parecia mais substancial do que o resto de mim. Minhas pálpebras estavam fechadas com crostas, e foi preciso um esforço considerável para abri-las, mas, eventualmente, a escuridão foi substituída por uma parede branca. Meus olhos se contraíram para a esquerda porque minha cabeça parecia pesada demais para se mover. Mamãe estava sentada em uma cadeira ao meu lado, com a cabeça apoiada no colchão, e sua mão segurava a minha. Essa era a sensação de peso.

Onde eu estava? O que estava acontecendo?

Minha boca e garganta estavam dolorosamente secas. Tentei engolir, mas algo bloqueou minha garganta. Meus olhos se abriram de repente quando o pânico se instalou. Eu queria gritar, mas minha boca também estava bloqueada.

- Emma, -, disse a mãe.

Nossos olhares se encontraram. Os dela estavam cheios de lágrimas. Afastei minha mão dela, e mesmo esse movimento foi impossivelmente extenuante.

Levei a mão ao rosto, querendo arrancar qualquer coisa que me impedisse de engolir, de falar.

De gritar.

Toquei num tubo estranho. Mamãe agarrou minha mão e a retirou com cuidado. O que ela estava fazendo? Por que não estava me ajudando?

- Está tudo bem, - disse ela, mas sua voz traia as palavras, revelando que era mentira. Ao mesmo tempo, ela apertou um botão que disparou um alarme. O som estridente ecoou na minha cabeça, tão dolorosamente alto que eu queria tapar os ouvidos, mas mesmo isso era impossível. Um som tão insuportável quanto unhas arranhando um quadro-negro. Os pelinhos da minha nuca se arrepiaram, e até esse pequeno movimento muscular doeu.

- Este é o seu tubo de respiração, querida. Não toque nele. A enfermeira já chegará para tirá-lo.

Eu não entendia o que estava acontecendo. Enfermeira? Meus olhos percorreram o ambiente, a máquina monitorando meus batimentos cardíacos e pulso, o respirador, o soro.

Mamãe apertou minha mão.

- Shhh, - murmurou ela. - Vai ficar tudo bem. Mas, assim que disse isso, começou a chorar.

A porta se abriu e uma enfermeira entrou, seguida pelo papai e meu irmão, Danilo. Todos correram para o meu lado. A enfermeira começou a explicar o que faria, mas eu mal prestei atenção. Papai acariciou minha mão, mas sua expressão me dizia que algo ruim tinha acontecido. E o Danilo?

Seu rosto se contorceu de dor, como se me ver assim o machucasse. Seu cabelo castanho estava completamente desgrenhado, como se ele tivesse passado os dedos repetidamente por ele, e sua camisa branca estava amassada. Amassada. A situação deveria ser terrível se Danilo não cuidou da própria aparência.

Engasguei quando a enfermeira removeu o tubo e tossi. Minha boca estava com um gosto ruim e minha garganta estava seca, como se eu tivesse adormecido com a boca aberta porque meu nariz estava fechado. Mas pior.

Mamãe me entregou um copo d'água e apertou um botão para que o encosto subisse até a metade. Eu queria facilitar e me sentar, mas meu corpo permanecia inerte. Meus músculos não obedeciam ao meu comando. Eu queria me sentar, mas a sensação de algodão ainda persistia em quase todas as partes do meu corpo, exceto no braço esquerdo, na garganta, no peito e na cabeça.

Danilo e papai trocaram um olhar que realmente me assustou.

Pigarreei, mas minhas palavras ainda estavam presas.

Tomei outro gole de água e tentei de novo.

- O quê... - Tossi.

- Beba, - minha mãe me encorajou, com a mão tremendo enquanto levava o copo aos meus lábios novamente.

Balancei a cabeça. - O que... acon... teceu.

Algo ruim aconteceu e ninguém me contava nada.

Danilo finalmente se aproximou da cama enquanto papai afundava na outra cadeira com um gemido trêmulo. Ele estava pálido, e seu cabelo castanho parecia que não era lavado há muito tempo. Geralmente, era ele quem visitávamos no hospital. Era por ele que mamãe chorava.

Franzi a testa. Ele não estava no hospital? Tentei me lembrar, mas minhas memórias eram nebulosas.

Danilo tocou meu ombro. Vi as pontas dos dedos dele pousadas nele, mas o toque era distante, como se a camisola do hospital fosse muito acolchoada.

Olhei novamente para seu rosto preocupado.

- Você sofreu um acidente de carro. Lembra?

Minhas sobrancelhas franziram. Eu estava na escola... depois fui para casa... não. Fui ao meu balé. Meu maior papel até então. O balé foi ótimo. Meu guarda-costas tinha me levado para casa porque minha mãe estava no hospital com meu pai para uma cirurgia de câncer... e Danilo teve que sair mais cedo da minha peça.

Pisquei para Danilo, confusa. Depois, olhei para o papai.

Mamãe foi até a janela e olhou para fora.

- Você está em coma há algumas semanas.

- Não consigo sentir meu corpo.

Papai fechou os olhos e apertou o topo do nariz.

Danilo sentou-se na cadeira que a mamãe ocupara antes. Ele pegou minha mão, mas não começou a falar imediatamente. Quando o fez, sua voz falhou várias vezes.

- Você teve que ser retirada do carro, Emma. Foi muito ruim. Você sofreu alguns danos na medula espinhal.

- Posso dançar de novo? - perguntei. Nem sabia bem por que foi a primeira coisa que perguntei. Às vezes, eu queria parar de dançar porque nossa professora nunca estava feliz comigo, mas agora, a ideia de parar me rasgava o peito.

Danilo balançou a cabeça. - Não.

- Nada é definitivo, - disse mamãe rapidamente.

Danilo balançou a cabeça. - É improvável que ela recupere o controle das pernas. Não dê falsas esperanças a ela, mãe.

Falsas esperanças?

Tentei mover minhas pernas, tentei senti-las, qualquer coisa abaixo do meu peito, e quando não consegui, o pânico se instalou novamente.

Danilo apertou minha mão com mais força. - Emma, estamos aqui para você. Você não está sozinha. Sempre cuidaremos de você.

Fechei os olhos. Se eu pudesse mover as mãos, teria tapado os ouvidos também. Eu não queria ouvir nem ver mais nada. Eu nem queria pensar. Eu só queria acordar daquele pesadelo e me sentir normal novamente.

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