Capa do romance Aprisionada em um Casamento Mafioso

Aprisionada em um Casamento Mafioso

7.9 / 10.0
Dante Rossi, um Dom implacável, permitiu que a mão de sua esposa fosse destruída ao priorizar sua amante. Sob o olhar frio de seu filho Nico, que vê a dor materna como prova de amor, a compositora perde sua carreira e dignidade. Vítima de uma obsessão doentia e agressões físicas, ela finalmente desperta para a crueldade da família. No hospital, ela decide quebrar o ciclo de silêncio. Ao assinar o divórcio, ela inicia uma guerra perigosa contra a máfia.

Aprisionada em um Casamento Mafioso Capítulo 1

O cirurgião me disse que eu tinha uma hora para salvar minha mão direita, aquela que transformava minha alma em sinfonias. Meu marido, Dom Dante Rossi, deu essa hora para a amante dele, por causa de uma fratura simples.

O médico implorou, explicando que cada minuto de atraso arriscava um dano catastrófico e permanente.

Mas Dante apenas olhou para o nosso filho de dez anos, Nico.

“O que você acha?”

Da maca, Nico encontrou meus olhos. O olhar dele era de uma calma assustadora.

“Mamãe é forte. Ela vai entender o sacrifício. Além do mais”, ele acrescentou, “se ela sentir dor, significa que nos ama mais.”

Minha mão foi arruinada, minha carreira como compositora, acabada. Mas para eles, o jogo estava apenas começando. Eles precisavam do meu ciúme, das minhas lágrimas, da minha dor, para alimentar a definição doentia que tinham do amor. Eles me empurraram escada abaixo só para me ver chorar.

Eu tinha confundido a obsessão do meu marido com paixão, a crueldade dele com um teste. Finalmente, eu vi o que era: uma patologia de posse. Meu sofrimento era o troféu deles.

Caída e quebrada no pé da escada, ouvi a voz do meu filho flutuar lá de cima.

“Viu, pai? Agora ela está chorando de verdade. Ela realmente nos ama.”

Algo dentro de mim não apenas quebrou; congelou. Quando meu advogado me visitou no hospital, peguei os papéis que ele trouxe. No nosso mundo, a esposa de um Dom não vai embora. Ela aguenta ou desaparece. Eu assinei o pedido de divórcio. Eu estava escolhendo a guerra.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alessia

O cirurgião me disse que eu tinha uma hora para salvar minha mão direita, aquela que tecia minha alma em sinfonias. Meu marido, Dom Dante Rossi, deu essa hora para a amante dele.

“A dela foi uma fratura limpa, uma fratura simples”, o cirurgião, um homem com o rosto contraído de pavor, tentou explicar para Dante. “A lesão da Sra. Rossi é um esmagamento. Os nervos, os ossos... cada minuto que adiamos a cirurgia aumenta a chance de um dano permanente e catastrófico.”

O olhar de Dante era como granito polido, frio e imóvel. Ele estava parado no corredor branco e estéril do Hospital Albert Einstein, o cheiro de antisséptico incapaz de mascarar o odor de ferro do seu poder. Ele comandava a família Rossi, um império gigantesco construído sobre sussurros e sangue, e cada alma nesta cidade, do prefeito a este cirurgião aterrorizado, sabia disso.

Ele não olhou para mim, deitada na maca com a mão envolta em gaze ensopada de sangue, uma massa disforme de carne e osso presa sob o metal retorcido do nosso carro. Ele olhou para o nosso filho de dez anos, Nico, que estava ao seu lado, uma miniatura perfeita da compostura assustadora do pai.

“O que você acha, Nico?”, Dante perguntou, sua voz um trovão baixo.

Os olhos de Nico, do mesmo tom escuro dos de Dante, encontraram os meus. Não havia neles simpatia infantil, apenas uma curiosidade fria e analítica. Ele fora criado com uma dieta de lealdade distorcida, ensinado que o amor era algo a ser testado, a ser provado através da dor. Ele acreditava que meu ciúme, meu sofrimento, era a declaração máxima da minha devoção a eles. A Omertà, o código de silêncio, não era apenas para os negócios; era para o coração. O meu coração.

“A Seraphina estava com medo”, disse Nico, a voz perturbadoramente calma. “Mamãe é forte. Ela é a esposa do Dom. Ela vai entender o sacrifício. Além do mais”, ele acrescentou, um brilho calculista nos olhos, “se ela sentir dor, significa que nos ama mais. Ela vai ficar com ciúmes que a Seraphina conseguiu o médico primeiro. E ciúme é prova.”

Um suspiro de aprovação, quase imperceptível, escapou dos lábios de Dante. Ele assentiu, um gesto único e seco que selou meu destino. Ele pousou a mão no ombro de Nico, um elogio silencioso por interpretar corretamente as leis brutais do mundo deles. A Supremacia da Lealdade não era a uma pessoa, mas ao poder do Dom, e esse poder era demonstrado através do controle.

Meu mundo silenciou. O bipe frenético dos monitores, os protestos gaguejados do cirurgião, o lamento distante de uma sirene — tudo se transformou em um zumbido surdo e monótono. Eu os vi se afastarem, as costas largas de Dante uma muralha de indiferença, Nico trotando para acompanhar. Eu os vi pela janela do quarto de Seraphina, paparicando o pulso elegantemente enfaixado dela, uma performance de preocupação pela ferramenta que usavam para me atormentar.

O amor que eu nutri por doze anos, uma flor teimosa que insisti que poderia crescer nas rachaduras desta fortaleza de concreto, murchou e morreu naquele momento. Não foi uma explosão dramática. Foi uma implosão silenciosa e fria, deixando nada além de um vazio doloroso onde meu coração costumava estar.

Um novo pensamento criou raiz naquele espaço vazio, duro e afiado como um diamante. Eu vou sair. Eu vou fazê-los pagar. E vou usar as próprias regras deles contra eles.

Semanas depois, a previsão do cirurgião se tornou realidade. O laudo era clínico. “Dano neural severo... perda de controle motor fino... permanente.” Minha carreira como compositora clássica estava acabada. Minha mão era uma garra inútil e cheia de cicatrizes.

Eles me mandaram para casa, para a mansão grandiosa e silenciosa que se tornara minha prisão. Dante e Nico continuaram seu jogo, me cercando como tubarões que sentem o cheiro de sangue, esperando pelas lágrimas, pelas acusações, pelo ciúme que alimentaria sua definição doentia de amor.

Eles não conseguiram.

Aprendi a ficar em silêncio. Aprendi a observar. Eu fazia minhas refeições, comparecia aos eventos, interpretava o papel da esposa obediente do Dom. E toda noite, eu os evitava. Meu advogado, Dr. Almeida, um homem de fora do alcance da família, já estava trabalhando, silenciosa e eficientemente.

Uma noite, procurando por um livro no escritório particular de Dante, um cômodo que eu geralmente evitava, meus dedos tocaram um painel solto atrás de uma estante. A curiosidade, um instinto há muito adormecido, despertou. Eu o abri.

Não era um cofre ou um compartimento secreto para armas. Era um quarto. Uma pequena galeria escondida. E as paredes estavam cobertas comigo.

Centenas de fotografias, tiradas sem meu conhecimento. Eu dormindo, meu rosto relaxado e vulnerável. Eu no jardim, um sorriso raro e genuíno nos lábios. Eu chorando depois de um de seus testes cruéis. Eu no chuveiro, a água escorrendo pelo meu corpo. Esta galeria representava quatro anos do meu trabalho — minha alma — pendurada nessas paredes brancas imaculadas. Meu trabalho, minha alma, propriedade dele.

Eu conheci Dante em um recital onde minha primeira sinfonia foi apresentada. Lembro-me da intensidade em seus olhos, da maneira como ele me olhou não como uma artista, mas como uma obra-prima que ele precisava adquirir. Eu tinha confundido com paixão. Agora eu via que era o olhar frio e calculista de um colecionador.

Meu sangue gelou quando vi a parede do fundo. Era o canto de Nico. Ele havia replicado a obsessão de seu pai em menor escala. Pedaços das minhas roupas, uma mecha do meu cabelo cortada enquanto eu dormia, um diário cheio de garranchos infantis detalhando cada vez que eu chorei, cada vez que eu recuei. Ele não era apenas meu filho; ele era meu carcereiro júnior.

Qualquer ilusão remanescente de que isso era amor, por mais distorcido que fosse, se estilhaçou. Isso era patologia. Isso era posse.

Saí daquele quarto e fui para o nosso quarto principal. Peguei nosso álbum de casamento da mesa de cabeceira. Metodicamente, rasguei cada foto nossa, da nossa família, em pedaços minúsculos e irreconhecíveis. Deixei o confete da nossa vida morta cair na lixeira.

Quando Dante e Nico voltaram naquela noite, eles vinham de um jantar comemorativo. Seraphina havia se mudado para uma das alas de hóspedes, sua presença um lembrete constante e irritante da crueldade deles.

“A Seraphina acha que deveríamos redecorar a sala de estar oeste”, anunciou Nico na mesa de jantar, empurrando a comida em seu prato. “Ela quer cortinas douradas. O que você acha, mamãe?”

Eu não respondi. Apenas continuei comendo.

“Alessia.” A voz de Dante era baixa, um aviso. Ele odiava ser ignorado. Era um desafio à sua autoridade absoluta. “Seu filho lhe fez uma pergunta.”

“Eu não tenho opinião”, eu disse, minha voz sem emoção.

Seraphina, sentada à minha frente, sorriu com desdém. “Ah, deixe-a em paz, Dante. Ela provavelmente ainda está chateada com a mão.”

O jogo começou. Eles tentaram por uma hora, cutucando e provocando, esperando por uma reação. Eu não lhes dei nada. Meu coração era um lago congelado. Eles podiam patinar nele o quanto quisessem; nunca mais conseguiriam quebrar o gelo.

Mais tarde, Dante serviu a sobremesa pessoalmente. Uma mousse de chocolate rica e decadente. Ele sabia que eu era alérgica a um tipo específico de chocolate amargo, uma alergia que causava choque anafilático. Ele havia se certificado de que os chefs usassem exatamente esse tipo. Ele colocou uma tigela na minha frente, seus olhos me desafiando.

Olhei para ele, depois para Nico, que observava com uma expectativa ofegante. Era outro teste. Um teste de lealdade até a morte. Eu comeria o veneno que ele me serviu, apenas para provar que confiava nele?

Um sorriso mínimo e amargo tocou meus lábios. Peguei minha colher.

Mas quando a levei à boca, uma dor ardente atravessou meu peito, completamente sem relação com o chocolate. Minha respiração falhou. Meu coração se contraiu, um punho se fechando com força na minha caixa torácica.

Os olhos de Dante piscaram com algo — por um segundo, pareceu preocupação genuína. Nico se levantou um pouco da cadeira. “Mamãe?”

Então Seraphina soltou um gritinho. “Ai! Cortei meu dedo nesta taça de vinho!” Ela levantou a mão, uma pequena gota de sangue se formando na ponta do dedo.

Foi tudo o que precisou. A chave virou. O breve lampejo de preocupação nos olhos de Dante desapareceu, substituído pela máscara familiar de cuidado performático por sua preciosa ferramenta. Ele e Nico correram para o lado dela, fazendo um estardalhaço por causa do corte minúsculo.

“Você está bem, querida?”

“Deixa eu ver, deixa eu ver!”

Minha visão começou a embaçar. A dor no meu peito era insuportável. Eu não conseguia respirar. Meu corpo tombou para frente, minha cabeça batendo na mesa de mogno polido com um baque surdo e medonho.

A última coisa que ouvi antes que a escuridão me levasse foi a voz de Dante, carregada de irritação, enquanto ele olhava para minha forma desabada.

“Pelo amor de Deus, Alessia. Pare de tanto drama.”

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