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Capa do romance Sob Seu Domínio (MÁFIA)

Sob Seu Domínio (MÁFIA)

Uma simples atendente de restaurante vê sua vida mudar drasticamente ao cruzar o caminho de um influente líder da máfia. Obcecado desde o primeiro instante, ele está disposto a usar qualquer meio, inclusive a força, para torná-la sua. Cercada por um homem autoritário e intensamente protetor, ela se vê dividida entre a segurança e o medo. Resta descobrir a verdadeira identidade desse misterioso perseguidor e o perigo que ele representa.
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Capítulo 3

ELLE NARRANDO

Fiquei com muita raiva do que aconteceu. Eu fui completamente humilhada por esse tal de Henry Abel. Tanto faz quem ele é, se é rico ou pobre, o que me interessa foi o jeito com que ele me tratou que eu odiei! Porém, eu não posso deixar de admitir uma coisa: Ele é um homem muito, muito bonito... E seu ar dominador me deixou meio... Eu não sei dizer, com os joelhos bambos. Homens poderosos sempre me deixaram assim, mas eu apenas ignoro. Não tenho tempo para ficar me derretendo por cada homem poderoso que acho bonito dentro do restaurante onde trabalho. O problema é que, o olhar de Henry Abel no meu não me sai da cabeça. E isso me faz ficar com mais raiva ainda.

Quando cheguei em casa, depois desse dia horrível, liguei para minha melhor amiga, Nicole.

— Oi, amiga. — Falei, no telefone.

— Oi, linda! Como você está? — Questionou.

— Irritada. Tive um dia péssimo. — Bufei. — Você não vai acreditar no que me aconteceu hoje.

— O que aconteceu?

— Hoje de manhã, eu estava atrasada e um carro preto passou em uma poça de água, me molhou por completo. — Falei. — Sério, meu cabelo ficou ensopado com a água da chuva. Meu pobre guarda-chuvinha minúsculo não resistiu.

— Poxa, amiga... E aí? — Ela questionou.

— Aí, eu anotei a placa do carro. Anotei no celular, mas aquela maldita placa ficou rodando na minha cabeça. Eu até pensei em denunciar, você sabe que isso causa multa, não sabe? — Questionei.

— Molhar pedestres, né? Vi na televisão que dá multa. — Afirmou.

— É, exatamente. Mas aí, o que aconteceu foi: Eu fui para o meu trabalho, tive que passar o dia com um coque horroroso e obviamente, fui servir os clientes. Por sorte consegui me arrumar com um uniforme reserva e tive que lavar o cabelo na pia, mas deu certo. Enfim... Esse homem, Abel não sei das quantas, e o filho de cinco ou seis anos chegou.

— Abel? Tá brincando que você atendeu um Abel.

— Ah, lá vem mais uma paga-pau da família de ricos. — Girei meus olhos ao falar.

— Não, espera, você não tá falando do Henry Abel, tá? Você atendeu o Henry Abel com o filho dele? — Questionou.

— Acho que era esse o nome. Mas não tô me lembrando direito. — Falei. Me esforcei para tentar lembrar, mas estava difícil.

— Elle! O Henry Abel é uma perdição! Você lembra se o nome da criança era Benny? — Questionou.

— Sim, era Benny. Esse lembro bem. Tive que ficar dando comida na boca dessa criatura, acredita? Foi muito ridículo.

— Amiga do céu! Esse cara é um gato. Como você pode achar uma coisa dessa ruim? — Questionou. — Henry Abel é o herdeiro mais desejado de toda Nova Iorque. Ele tem um império nas mãos!

— Ah, é? — Questionei, desinteressada. — Pois eu quero que ele pegue esse império e enfie no rabo. Ele e o filho são uns chatos. — Falei, depois, repensei o que eu disse. — Não, o menininho não é chato. Ele parece precisar de uma atenção que o pai não dá, sabe? O cara passou o tempo todo no celular. Achei ridículo.

— Entendi. Mas... De qualquer forma, você o conheceu. Se fosse eu, teria tirado uma foto. — Dei risada ao ouvir.

— Meu chefe me mata se eu tentar tirar foto com cliente. E não, eu não tiraria foto com esse chato. Desculpa reclamar tanto... Estou chateada, sabe? O dia foi terrível. E aquele idiota não sai da minha cabeça. Aquela cara de cretino mandão... Ai, que ódio! — Reclamei. Ela riu.

— Sabe o que a gente devia fazer? Aproveitar que amanhã é sua folga e ir ao bar. Assim, você esquece o “chato”. Só não se esqueça que a linha entre amor e ódio é tênue demais, hein? — Ela gargalhou e eu fiquei em silêncio.

Amor? Por aquele cretino? Jamais.

— Quer saber? Acho uma excelente ideia. Vamos, eu preciso esquecer esse dia horrível.

— Nos vemos as dez, no bar de sempre. — Ela disse e desligamos.

Cheguei ao bar e vi Nicole sentada. Ela já estava me esperando, e estava tão linda quanto eu.

— Oi, amiga! — Chamei.

— Oi, linda! — Nicole me abraçou. — Deus do céu, você tá um arraso.

— Obrigada.

Nos sentamos juntas e começamos a conversar. Então, enquanto conversávamos, ela começou a olhar para um rapaz do outro lado do bar, que estava olhando para ela também. e aí, ela foi e me deixou sozinha.

Ouvi um barulho de bagunça e me virei para observar. Um grupo de vândalos entrou no bar, vestidos com camisa de time. Grandes valentões do futebol, também apelidados de “hooligans” por aqui. Isso me deixou um pouco apreensiva, então, eu me levantei e decidi ir embora... Porém, meu olhar cruzou com o olhar de um deles sem querer, e ele veio em minha direção.

— Olha o que eu achei por aqui. — Ele gritou. Fiquei com medo, muito medo mesmo. — Você é uma gracinha! Por que não bebemos juntos?

— Ahn... Na verdade, eu estou indo embora.

— Não, não está. — Ele disse. Eu arregalei meus olhos. — Você vai beber comigo! — Disse.

Eu não sabia o que fazer, principalmente quando ele tomou uma garrafa de vodka da mão de um amigo, e levantou.

— Ahn... Eu não bebo isso aí. — Falei.

— Abre a boca, bonequinha! — Ele disse, e eu não abri. — Abre, eu estou mandando! — Disse, apertando o meu braço.

Eu acabei cedendo. Pensei que tomar um gole de vodka era melhor do que apanhar de um valentão. Depois que bebi o grande gole que ele despejou na minha boca, eu comecei a procurar Nicole, mas ela havia sumido junto com o cara gato que ela arrumou. Que droga, eu estou sozinha!

Eu tentei me desvencilhar do grupo dos hooligans várias e várias vezes, mas não consegui. De tempos em tempos, o homem que me segurava pelo braço, me obrigava a tomar mais um gole de vodka. E em um determinado momento, apesar de sóbria, eu já não conseguia mais ficar em pé.

— Pelo amor de Deus... Chega... — Eu falei, quando ele me mostrou a garrafa de vodka. Eu me segurei em um banco, pra não cair.

— Esse é o último, e eu te levo pra casa. Pra minha casa, é óbvio. — Ele riu com os amigos. — Vou ter uma noite ótima!

— Vai mesmo! Olha, como ela é gostosa! Olha essas coxas! Já veio para o bar na intenção de transar com alguém, hein? — Um deles disse. Eram três ao meu redor, como eu iria me defender?

Tive medo de ser estuprada, e eu sabia que seria. Então, eu comecei a procurar por alguém que fosse no bar... E eu vi aquele homem: Henry Abel. Ele estava ali, e estava vindo em minha direção. Seria uma visão do paraíso?

— Henry... — Eu falei, tentando chama-lo.

— Elle. — Ele disse, se aproximando, com a voz séria. — Vou te levar pra casa. — Ele falou, me segurando pelo braço.

Quando ele percebeu que eu não conseguia mais ficar em pé, passou o braço ao redor da minha cintura e me segurou.

— Epa, epa, epa... Você chegou agora no bar, e está querendo levar minha garota embora? — O homem que estava me embebedando disse.

Henry olhou para o lado com um sorrisinho irônico.

— Sua? — Disse, erguendo as sobrancelhas.

— Eu não sou dele, eu não sou dele. — Falei, desesperada.

O homem tentou agarrar meu punho, mas Henry não deixou. Ele me ajudou a encostar em um dos bancos que estava próximo, e foi conversar com o homem.

— Solte a garota, ela é minha. — O homem disse. Eu me agarrei em Henry, com medo.

— Não. Vamos embora, Elle. — Henry disse, e fez menção de se virar para ir embora.

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