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Capa do romance Sob o céu de dois destinos

Sob o céu de dois destinos

Camila Azevedo cresceu em um lar humilde, nutrindo o sonho de uma vida melhor e um amor secreto por Dante Marconi, seu amigo de infância. Anos depois, Dante é um bilionário do setor tecnológico, vivendo em um luxo distante da realidade de lutas dela. Quando o destino promove um reencontro, a antiga conexão ressurge com força total. Agora, Camila precisa enfrentar seus medos e decidir se o amor entre dois mundos tão opostos pode vencer as barreiras do tempo.
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Capítulo 2

CAMILA

Contudo, depois de um tempo, as cartas dele pararam de chegar. O silêncio se tornou pesado, como se uma porta tivesse sido fechada sem aviso, deixando um eco doloroso na minha alma. A ausência de notícias se transformou em um vazio que parecia se expandir a cada dia, uma ferida aberta que não cicatrizava. Senti como se as cores da minha vida fossem se esvaindo, e eu, presa em um ciclo de lembranças nostálgicas, lutava para encontrar um novo propósito. As memórias de Dante e das promessas que fizemos eram como fantasmas que me assombravam, sussurrando as verdades que eu não conseguia aceitar.

O amor que guardava por ele, embora enterrado sob a dor da separação, continuava a pulsar dentro de mim, como uma chama que se recusava a se apagar. Após um tempo, acabei descobrindo, através da mãe dele, que ele havia começado a namorar. Naquele momento, senti como se uma parte de mim desmoronasse, um desabamento interno que me deixou atordoada. O que eu sempre temia havia acontecido: o mundo dele estava se afastando cada vez mais do meu, e a dor era quase insuportável. Uma onda de desespero e impotência me envolveu, como se eu estivesse sendo arrastada por uma correnteza forte e implacável, incapaz de nadar contra a maré de sentimentos que me consumia.

Para ser honesta, eu também não estava sozinha. Durante esse período, iniciei um relacionamento com Fernando, um rapaz que conheci por acaso em um evento de trabalho. Ele era gentil, atencioso e parecia a escolha certa naquele momento da minha vida, uma âncora em meio à tempestade emocional que eu enfrentava. Ele tinha um jeito carinhoso que me confortava, e, por um breve instante, achei que poderia encontrar paz nos braços dele. Mas, mesmo assim, saber que Dante estava com outra pessoa mexeu profundamente comigo, muito mais do que eu gostaria de admitir.

A imagem dele, com seu sorriso encantador e seus olhos brilhantes, persistia na minha mente como uma sombra que não me abandonava. Ele era a luz que eu tinha perdido, e a dor da perda era uma constante que não se apagava. Cada vez que estava com Fernando, havia um eco da presença de Dante, como se ele estivesse me observando à distância, lançando sombras sobre os momentos que eu deveria estar aproveitando. Era uma luta constante entre seguir em frente e o desejo de voltar no tempo, para um momento em que tudo era mais simples e mais puro, onde risadas e promessas preenchiam o ar ao nosso redor.

Eu tentava me convencer de que estava feliz com Fernando, mas a verdade é que uma parte de mim ainda aguardava por Dante, como se o universo tivesse prometido que um dia nos reencontraríamos. Eu me sentia como uma viajante perdida, vagando entre dois mundos: um onde a vida seguia seu curso natural e outro onde o amor da minha infância ainda tinha a capacidade de me fazer sonhar. E assim, enquanto tentava construir uma nova vida, a saudade de Dante se tornava uma presença constante, um lembrete doloroso de que algumas histórias nunca têm um final feliz.

Naquele mesmo mês, a decisão brotou dentro de mim como uma planta que não podia mais ser sufocada. Eu decidi romper com Fernando. A ideia de continuar naquele relacionamento já não me parecia viável; eu simplesmente não conseguia seguir em frente. Era como se uma névoa densa me sufocasse, escondendo o que realmente desejava, e a clareza finalmente começava a se fazer presente. Não podia mais viver uma mentira, enganando a mim mesma e a ele em relação aos sentimentos que, no fundo, eram tão imaturos e frágeis. Convoquei toda a coragem que tinha e marquei um encontro para conversarmos. Meu coração disparava enquanto pensava nas palavras que eu usaria, e uma onda de ansiedade me invadia a cada passo em direção ao café onde nos encontraríamos. A atmosfera estava carregada, e as mesas ao redor pareciam distantes, como se o mundo tivesse se concentrado apenas naquele instante.

Quando Fernando chegou, seu sorriso iluminou o local. Mas, para mim, era apenas uma lembrança do que não poderia ser. A conversa fluiu no início, mas a cada palavra que trocávamos, uma parte de mim se despedia, como se estivesse enterrando algo precioso. Eu sabia que, em algum lugar dentro de mim, ainda havia carinho por ele. Mas, ao olhá-lo nos olhos, percebi que não era o amor que ele merecia, e isso me cortou como uma faca afiada. 

— Fernando, precisamos conversar sobre nós… — comecei, minha voz tremendo ligeiramente. 

Ele franziu a testa, e a expressão dele começou a mudar, como se uma nuvem tivesse cruzado seu rosto ensolarado. Eu continuei, a verdade transbordando de mim, cada palavra uma libertação.

— Eu não estou sendo honesta. Não posso continuar com isso. Não é justo com você, nem comigo. 

A dor no meu peito se intensificou, mas ao mesmo tempo, havia uma leveza que começava a surgir, como se eu estivesse me libertando de correntes invisíveis. Fernando, em sua generosidade, tentou entender, mas a expressão de confusão e dor em seu rosto me partiu o coração. 

— Eu pensava que estávamos felizes! — ele respondeu, a tristeza transparecendo em sua voz.

— Sinto muito por isso, você é uma pessoa excelente e merece alguém que te ame com todo o coração. Eu não posso te dar esse amor; queria poder, mas não posso! — Eu suspirei, e a profundidade das minhas palavras parecia ressoar no ar ao nosso redor. 

Fernando não disse uma palavra sequer, apenas me encarou. O silêncio se estendeu entre nós, pesado e carregado de emoções não ditas. Seu olhar, que antes era repleto de alegria, agora estava tingido de confusão e tristeza. Eu podia ver a luta interna em seu rosto, como se estivesse tentando entender a repentina mudança no nosso mundo. A dor que eu causava a ele me atingia como uma onda, e eu desejava poder apagar aquele momento, de alguma forma aliviar a ferida que estava abrindo. Mas a verdade era que eu não podia mais me esconder. O amor que sentia por Dante era uma chama que não se apagava, e era hora de dar um passo à frente, mesmo que isso significasse deixar Fernando para trás.

— Eu só... eu não quero que você sofra… — eu continuei, tentando explicar, mesmo sabendo que as palavras pareciam inadequadas. — Você merece alguém que possa te dar tudo o que você quer. Alguém que possa realmente estar presente. 

Ele balançou a cabeça lentamente, como se tentasse se convencer de que aquilo era apenas uma fase passageira. Mas a dor em seus olhos dizia o contrário. Fernando era uma boa pessoa, e a ideia de magoá-lo me deixava ainda mais angustiada. Ele não merecia essa incerteza.

— Eu não sabia que você estava tão confusa! — ele disse, a voz embargada. — Pensei que estávamos felizes, que tudo estava indo bem.

Minhas mãos tremiam sob a mesa, e uma onda de culpa me invadiu. Eu queria gritar que estava tão perdida quanto ele, que minha mente estava uma tempestade de sentimentos conflitantes. Mas em vez disso, mantive meu olhar firme, tentando transmitir a sinceridade que não conseguia colocar em palavras.

— Eu só quero que você encontre alguém que te faça feliz, Fernando. Você é incrível, e eu sei que irá conquistar o mundo! — eu disse, desejando que ele sentisse um pouco da verdade nas minhas palavras. 

Finalmente, ele desviou o olhar, encarando a mesa entre nós, onde as xícaras de café vazias pareciam se tornar testemunhas mudas da nossa despedida. O silêncio se fez novamente, e eu sabia que ele estava absorvendo tudo. Depois de alguns instantes que pareceram horas, Fernando olhou para mim com uma expressão de resignação e tristeza. 

— Eu entendo. Você tem que seguir seu coração. 

Essas palavras, embora suaves, cortaram ainda mais fundo. Ele se levantou lentamente, como se cada movimento fosse um desafio. O espaço entre nós, que antes estava repleto de risadas e confidências, agora se tornava um abismo de solidão. Eu assisti enquanto ele se afastava, sentindo meu coração pesar a cada passo que ele dava em direção à porta. Assim que ele desapareceu do meu campo de visão, uma mistura de alívio e tristeza me invadiu. A decisão estava tomada, mas o peso da escolha pesava em meus ombros. Eu sabia que o caminho à frente seria desafiador, mas não havia como voltar atrás.

E ali, enquanto estava sozinha, eu percebi que, embora estivesse fazendo a coisa certa, isso não tornava a decisão menos dolorosa. Era como se um capítulo da minha vida estivesse sendo encerrado, e eu me sentia perdida em um mar de emoções contraditórias. Mas no fundo, eu sabia que a única maneira de realmente encontrar a felicidade seria enfrentar a verdade que sempre esteve em meu coração: o amor que eu sentia por Dante nunca havia desaparecido.

Ano de 2008.

Quatro anos haviam passado sem que nos víssemos pessoalmente, mas a ausência de Dante parecia mais um eco do que uma distância. Nesse tempo, muitas coisas mudaram na minha vida. Eu havia crescido e amadurecido; até mesmo tentei seguir em frente com meu coração. No entanto, algo sobre aquele período parecia sempre estar incompleto, como se faltasse uma peça fundamental que eu nunca conseguisse encontrar.

As lembranças de nossa infância e adolescência eram um misto de doce nostalgia e dor. Os risos compartilhados, as promessas inocentes de um futuro juntos, tudo isso ainda ressoava dentro de mim, como uma melodia que nunca deixava de tocar. Mesmo distante, Dante ainda era uma sombra viva em meus pensamentos, uma presença que, de alguma forma, nunca havia me deixado completamente.

Era como se, mesmo sem saber, ele continuasse a influenciar cada decisão que eu tomava, cada caminho que escolhia. Às vezes, enquanto caminhava pela cidade, me pegava imaginando como ele estaria. “Seria o mesmo garoto sorridente que eu conheci, com seu jeito despreocupado e olhar curioso, ou teria se tornado um estranho?” O tempo, que havia me transformado em uma mulher, também o havia transformado em homem, e essa dualidade me deixava intrigada e ansiosa.

As conversas que um dia compartilhamos se tornaram um tesouro guardado em meu coração, mas a incerteza do futuro me mantinha em um estado de limbo emocional. As noites eram particularmente desafiadoras. Eu me deitava na cama, cercada por sombras e lembranças, e a ausência de Dante se tornava evidente, como um peso que pressionava meu peito. As estrelas brilhavam lá fora, e eu me perguntava se ele também olhava para elas, se ainda se lembrava de mim. O que mais me atormentava era a sensação de que o universo ainda guardava um desfecho para nossa história, mas qual seria esse desfecho? Era em momentos de solidão que as palavras dele se tornavam meu consolo. A promessa de que ele um dia voltaria, de que teríamos a chance de reescrever nossa narrativa, ecoava em minha mente.

Eu sabia que precisava seguir em frente, mas não conseguia me desvincular do passado. Cada novo relacionamento que tentava estabelecer parecia se desvanecer diante da lembrança dele, como uma sombra que se recusava a desaparecer. Os anos passavam, mas eu ainda me lembrava de seu sorriso, da maneira como seus olhos brilhavam quando falava sobre seus sonhos. E mesmo que o mundo ao meu redor estivesse mudando, uma parte de mim permanecia presa naquela infância, onde tudo era mais simples e onde a amizade era o maior tesouro. A ideia de reencontrá-lo me preenchia de esperança e medo, como um coração dividido entre o que foi e o que poderia ser.

Certa manhã, enquanto tomava café em uma cafeteria local, uma música familiar começou a tocar ao fundo. Era aquela mesma canção que costumávamos ouvir juntos, nas tardes ensolaradas, enquanto sonhávamos acordados. O som suave das notas era como um portal que me transportava de volta para aqueles momentos mágicos. Eu fechei os olhos, permitindo que a melodia me envolvesse, e, por um breve instante, pude sentir a presença de Dante novamente ao meu lado.

A vida continuava, mas dentro de mim havia um espaço reservado, um canto secreto onde as memórias de Dante dançavam como folhas ao vento. Eu não sabia se algum dia teríamos a chance de nos reencontrar, mas a esperança persistia, como uma luz tênue que se recusava a se apagar. Enquanto tentava construir uma nova vida, a presença dele ainda me acompanhava, como um sussurro suave que insistia em não ser esquecido. A cada passo que dava, sentia sua sombra se projetar sobre mim, um lembrete constante do que havia perdido. Ao olhar para trás, percebia que meu coração havia sido moldado pela sua ausência, um vazio que deixava marcas profundas e indeléveis.

Mesmo com o passar dos anos, a imagem de Dante permanecia inabalável, como uma âncora que me impedia de navegar em águas desconhecidas. A saudade se tornava uma companheira constante, um eco de risadas e carinhos que um dia foram reais, uma lembrança dolorosa da inocência perdida e da simplicidade de um amor que ainda não tinha coragem de deixar ir. Então, um dia, enquanto revisitava algumas fotos antigas empoeiradas, encontrei uma imagem de nós dois. Nela, nossos sorrisos largos e olhos brilhantes refletiam a pureza de um tempo que parecia distante. A fotografia capturava não apenas um momento, mas a promessa de um futuro que, na época, parecia tão certo.

Uma onda de emoção me invadiu, e percebi que, não importava quantos anos se passassem, Dante sempre teria um lugar especial em meu coração. A partir daquele momento, fiz uma promessa a mim mesma, uma determinação silenciosa que ressoava em minha alma: “um dia, eu o encontrarei novamente. E se o destino permitir, terei a coragem de revelar o que realmente sinto, de abrir meu coração e libertar os sentimentos que tanto tempo estiveram guardados.”

Ano de 2013. Duas décadas depois do início.

Era quase seis horas da tarde, e o céu começava a tingir-se de laranja e roxo, uma paleta vibrante que anunciava a despedida do sol no horizonte. Saí do trabalho exausta, mas minha mente continuava vagava por memórias antigas, como se aquelas lembranças estivessem ganhando vida novamente, dançando sob a luz do crepúsculo. Peguei o metrô e, durante as duas ou três horas que passei a bordo, o movimento rotineiro das pessoas entrando e saindo parecia me afastar da realidade. Os rostos anônimos e as conversas indistintas ao meu redor formavam um fundo sonoro para a nostalgia que me consumia, envolvendo-me em um manto de recordações. Ao desembarcar, encontrei-me caminhando pelas ruas do bairro onde cresci, já próxima da casa dos meus pais, onde ainda moravam com minha irmã. Não ia lá há tempos, desde que decidi ser independente e aluguei uma pequena casa só para mim.

Mas naquele dia, algo inexplicável me puxou de volta, como uma força invisível que não pude ignorar. À medida que caminhava, uma imensa onda de nostalgia me envolveu. As ruas que antes eram familiares, as árvores balançando suavemente com o vento, os sons conhecidos da vizinhança... tudo parecia me puxar de volta para um tempo que eu tentava manter à distância. Porém, o que realmente mexeu comigo foi ver a casa em que Dante havia morado. Ela estava lá, tão imponente e bonita quanto eu me lembrava, as paredes preservadas, o jardim ainda florido e vibrante.

Parecia intacta, como se o tempo não tivesse ousado tocá-la. A saudade que senti naquele instante foi esmagadora, quase insuportável, uma pressão no peito que me fez parar. Lágrimas inesperadas surgiram em meus olhos, misturadas a um turbilhão de lembranças que invadiu minha mente, trazendo de volta risos, promessas e sonhos que um dia foram nossos. Era como se todas as emoções que eu havia guardado durante anos de repente explodissem dentro de mim, uma tempestade de sentimentos reprimidos. Sem perceber, soltei as palavras no ar, como se estivesse tentando conversar com o passado:

— Como seria se eu tivesse ficado com ele? Com certeza seria tudo muito diferente!

Minha voz quebrou o silêncio da rua vazia, reverberando nas paredes da casa como um eco perdido. O vento pareceu sussurrar, carregando a fragilidade do meu desejo. Mas o que eu realmente buscava não era apenas uma resposta; era a validação de um sentimento que ainda existia, enterrado sob camadas de experiências e escolhas que fiz ao longo dos anos. O eco da minha pergunta ficou apenas comigo, uma lembrança amarga do que poderia ter sido, um desejo que ficou preso em algum lugar entre o tempo e a distância, como uma história interrompida, aguardando por um final que nunca chegou.

A saudade era uma amiga constante, sempre me acompanhando em meus dias, mas naquele momento, ela se tornava um peso que eu precisava carregar. Olhei mais uma vez para a casa de Dante, desejando fervorosamente que ele estivesse lá, que o tempo não tivesse nos afastado. Uma onda de nostalgia me envolveu, e então percebi que, embora as coisas não tivessem saído como eu esperava, as lembranças dele sempre estariam presentes, como uma sombra que nunca se dissiparia, eterna e silenciosa. Respirei fundo, tentando me recompor, e continuei caminhando, perdida em meus pensamentos. O som dos meus passos ecoava na calçada vazia, quando, de repente, ouvi meu nome cortando o ar frio da noite:

— Camila! — uma voz feminina me chamou, vibrante e familiar.

Ao me virar, fiquei surpresa ao ver dona Georgiana, a mãe de Dante, parada no portão da casa onde tantas memórias estavam guardadas. Ela parecia a mesma de sempre, com aquele olhar endurecido que me fez sentir como se nenhum tempo tivesse passado. A visão dela foi como um sopro de vida em um dia de outono, trazendo de volta a essência de um passado que eu pensava ter enterrado, uma conexão que imediatamente me envolveu em calor e conforto.

— Oi, dona Georgiana. Quanto tempo! — exclamei, enquanto me aproximava e a abraçava com carinho. O toque dela era familiar, e aquele abraço me envolveu em uma onda de lembranças, como se eu estivesse de volta àquela infância despreocupada, repleta de risadas e promessas.

— Em breve o Dante estará de volta. Ele quer que você trabalhe com ele! — ela disse com uma naturalidade que me pegou de surpresa, como se a conversa fosse tão comum quanto perguntar sobre o tempo. As palavras dela ressoaram dentro de mim, uma mistura de esperança e ansiedade.

Eu franzi o cenho, confusa e um tanto hesitante. A ideia de Dante de volta à minha vida era ao mesmo tempo excitante e assustadora, um convite para reabrir feridas que eu tentava desesperadamente cicatrizar.

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