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Capa do romance Sob o céu de dois destinos

Sob o céu de dois destinos

Camila Azevedo cresceu em um lar humilde, nutrindo o sonho de uma vida melhor e um amor secreto por Dante Marconi, seu amigo de infância. Anos depois, Dante é um bilionário do setor tecnológico, vivendo em um luxo distante da realidade de lutas dela. Quando o destino promove um reencontro, a antiga conexão ressurge com força total. Agora, Camila precisa enfrentar seus medos e decidir se o amor entre dois mundos tão opostos pode vencer as barreiras do tempo.
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Capítulo 3

CAMILA

— Mas eu já estou trabalhando… — respondi, fazendo uma careta, sem saber muito bem o que pensar. O que ela estava dizendo parecia um sonho, uma promessa que poderia se transformar em realidade, mas a realidade parecia tão distante.

Ela me olhou de cima a baixo e acrescentou, com um olhar decidido:

— Você sabe como as pessoas da minha família são. Nunca aceitamos um não como resposta. Acho que seria prudente você pedir demissão, se possível amanhã mesmo.

A firmeza nas palavras dela me deixou sem reação. A ideia de ver Dante novamente, de trabalhar com ele... girava como uma tempestade em minha mente. Era tudo tão repentino, e ao mesmo tempo, algo dentro de mim se agitava com aquela possibilidade, como um pássaro preso numa gaiola, ansioso por voar, pela liberdade que sempre sonhou. Não consegui dizer nada. Apenas concordei com a cabeça, como se estivesse em um sonho, incapaz de processar tudo o que estava acontecendo.

Nossa conversa terminou ali, mas eu fiquei parada por um momento, sentindo o peso das palavras dela. Imaginava o que aquela volta poderia significar, não apenas para minha vida profissional, mas para tudo o que eu ainda sentia por ele. A ideia de reencontrá-lo, de redescobrir as emoções que um dia haviam sido tão intensas, fazia meu coração acelerar e minha mente girar em um turbilhão de expectativas e medos. Eu trabalhava no atendimento de uma farmácia, uma rotina simples que havia se tornado familiar e reconfortante. Era um emprego seguro, mas, aos poucos, o dia a dia começava a parecer monótono e sem graça, como um filme repetido que eu já conhecia de cor.

Continuei meu trajeto até a casa de meus pais, onde estranharam minha visita repentina, já que fazia tempo que eu não os via. A surpresa deles trouxe um sorriso ao meu rosto, e logo me vi desfrutando de um jantar agradável com eles, rindo e contando histórias enquanto os aromas da comida caseira preenchiam o ambiente. Durante a refeição, expliquei para minha mãe sobre a oferta de trabalho que Dante havia feito, e seus olhos brilharam com a possibilidade. Ela rapidamente se animou com a ideia, como se visse um reencontro esperado há muito tempo. Minha família sempre gostou muito dele, e minha mãe, com seu olhar sagaz, secretamente sabia dos sentimentos que eu guardava por Dante, mesmo quando eu tentava escondê-los.

Decidi passar aquela noite na casa dos meus pais. Já era tarde e, assim, poderia ficar um pouco mais com minha irmã também, desfrutando da companhia que me lembrava os dias simples e felizes da infância. Na manhã seguinte à conversa com a dona Georgiana, tomei coragem e pedi minha demissão, como ela havia sugerido. O coração batia acelerado, ecoando em meu peito, enquanto falava com meu supervisor. As palavras saíam de mim num turbilhão de emoções, uma mistura de medo e esperança. Era um passo arriscado, mas a ideia de voltar a ter Dante em minha vida, mesmo que de forma profissional, era tentadora.

A possibilidade de reatar aquela conexão perdida me deixava inquieta, como uma chama acesa que iluminava uma parte de mim que eu achava que estava apagada. Ao sair da farmácia pela última vez, uma mistura de ansiedade e expectativa tomou conta de mim. O futuro era incerto, mas havia algo no ar que prometia renovação, como a brisa fresca que traz o cheiro da terra molhada após a chuva. Com cada passo que eu dava, a esperança crescia, e finalmente eu poderia estar a um passo de descobrir se os sentimentos que guardava ainda eram tão intensos quanto antes. O horizonte parecia mais brilhante, e uma nova aventura se desenhava à minha frente, como um livro em branco aguardando para ser preenchido com novas histórias e emoções.

Nos dias que se seguiram, fiquei em casa descansando, mergulhando em reflexões sobre as mudanças que estavam por vir. A expectativa crescia dentro de mim, pulsando como um tambor em um ritmo frenético, enchendo meu coração de uma mistura de ansiedade e esperança. Quando finalmente Dante voltou, tudo parecia estar se ajustando de uma maneira que eu nunca poderia imaginar. Ele não era mais aquele menino tímido que eu conhecia. Agora, era o poderoso CEO de uma grande corporação, ostentando o sobrenome da família na fachada do edifício, um símbolo de prestígio e tradição que ressoava com a força de suas conquistas.

O garoto sonhador, que costumava compartilhar seus anseios de futuro comigo, agora tinha a postura confiante de um homem que carregava o peso de uma responsabilidade imensa sobre os ombros. Nosso reencontro foi intrigante e surreal ao mesmo tempo. Quando me vi diante dele, o tempo pareceu parar por um momento. Sentir o aperto do abraço forte dele foi como encontrar um abrigo acolhedor após uma longa tempestade. O calor do seu corpo se misturou ao meu, e olhar aquelas veias saltantes de seus braços musculosos mexia com todos os meus sentidos, me deixando sem ar, como se cada respiração fosse uma lembrança do que um dia compartilhamos. No entanto, havia também uma distância sutil entre nós, como se as experiências e os anos passados criassem uma barreira invisível.

Mas, naquele instante, enquanto me entregava ao abraço, percebi que, apesar de tudo, a conexão que existia entre nós ainda tinha a mesma intensidade. O passado se reascendia em meu coração, como uma chama que nunca tinha se apagado. Quando ele me contratou como sua secretária executiva, senti uma mistura de alegria e nervosismo. Uma parte de mim estava extasiada por estar ao seu lado novamente, mas outra parte se perguntava se eu era realmente a pessoa certa para aquele cargo. Eu não tinha experiência na área, e essa falta de conhecimento me deixava insegura, mas Dante acreditava em mim de uma forma que me dava coragem.

Ele sempre foi meu maior apoiador, e naquele momento, era minha vez de retribuir essa confiança. Apesar de tudo, mergulhei de cabeça no desafio. Me esforcei ao máximo para me adaptar e me tornar a melhor profissional que pudesse ser. O trabalho era intenso e exigente, mas eu me dedicava a aprender rapidamente cada aspecto da função. Os dias se transformaram em uma maratona de reuniões, telefonemas e prazos apertados, e, mesmo assim, a energia no escritório era eletrizante. Eu estava ansiosa, mas a adrenalina me impulsionava a dar o meu melhor. No entanto, a parte mais difícil para mim eram os comentários maldosos que ouvia ao longo do caminho.

Muitos colegas insinuavam que eu estava ali apenas por ser amiga do CEO, como se minha amizade com Dante fosse a única razão pela qual eu havia conseguido aquela posição. Essas palavras eram uma faca de dois gumes; sabia que, de certa forma, havia um fundo de verdade. Era inegável que, em um ambiente tão competitivo, a conexão pessoal poderia abrir portas, e isso me deixava em conflito. A ideia de ser vista apenas como "a amiga do CEO" era dolorosa. Ainda assim, eu me recusava a deixar que isso me abalasse. Me esforçava muito, estudava fora do horário de trabalho e tentava absorver o máximo possível. Queria mostrar a todos que merecia estar ali, não apenas por causa do nosso passado, mas por minha própria capacidade. Cada pequeno sucesso no trabalho era uma vitória pessoal, um passo para afirmar que eu não era apenas uma sombra no mundo de Dante, mas uma profissional capaz e dedicada.

Com o passar do tempo, as pequenas conquistas se tornaram um combustível que alimentava minha determinação. Concluí projetos importantes, organizei reuniões bem-sucedidas e, aos poucos, os olhares de desdém começaram a se transformar em reconhecimento. Para cada comentário malicioso, eu respondia com um sorriso e um desempenho impecável, porque sabia que, no fundo, minha maior motivação era superar não apenas as expectativas dos outros, mas também as minhas. E, apesar dos desafios, havia algo reconfortante em saber que, não importava o que acontecesse, eu estava novamente perto de Dante, e isso tornava tudo mais significativo.

Cinco anos depois. Ano de 2018.

Era surpreendente pensar que cinco anos haviam passado desde que comecei a trabalhar com Dante. Ao refletir sobre esse tempo, percebi que passava mais momentos ao seu lado do que com qualquer outra pessoa na minha vida. A proximidade diária, as reuniões que se estendiam por horas, as conversas despreocupadas e até os pequenos momentos durante o expediente foram alimentando um sentimento que crescia em meu coração como uma chama que se recusava a se apagar.

Cada risada compartilhada e cada olhar furtivo trocado tornavam meu amor por ele mais intenso, mais difícil de ignorar. Era um sentimento que parecia estar emaranhado em cada fibra do meu ser, um misto de alegria e angústia que pulsava como um eco constante. Foi em um almoço em nosso restaurante favorito, aquele que havia se tornado um refúgio de risos e confidências, que tudo mudou. Estávamos sentados em nossa mesa habitual, cercados pela familiaridade do ambiente e pelo aroma de pratos que já conhecíamos de cor.

Conversávamos despreocupadamente sobre o trabalho, relembrando histórias engraçadas de projetos passados, quando, de repente, Dante quebrou a leveza do momento com uma revelação inesperada. Suas palavras cortaram o ar como um raio em dia ensolarado.

— Cacau, preciso que me ajude a escolher um colar e um anel de noivado! 

Naquele instante, o suco que eu estava bebendo quase saiu pela boca, e eu me engasguei. O mundo ao meu redor desapareceu. O burburinho do restaurante, as risadas dos outros clientes, tudo se tornou irrelevante. Olhei para Dante, confusa e aterrorizada, tentando decifrar o que aquelas palavras significavam. Meu coração disparou, e, naquele momento, percebi que meus sentimentos estavam em um ponto crítico; a linha entre amizade e amor se tornava cada vez mais tênue.

— Noivado? Com quem? — Minha voz saiu trêmula, e a desilusão se fez evidente. O medo de perder o que tinha recuperado com ele começou a se materializar em meu peito.

— Ah, você não a conhece! Ela fez faculdade comigo, seu nome é Sophie! — Ele respondeu com um brilho nos olhos, e enquanto mostrava uma foto da mulher para mim, meu mundo pareceu desmoronar. 

A imagem de Sophie, uma desconhecida que eu nem sabia quem era, sorriu de volta, radiante e cheia de vida. Ela era uma mulher bonita e elegante, e na foto usava um vestido vermelho de lã que realçava suas curvas de maneira sofisticada. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque impecável, com algumas mechas soltas emoldurando seu rosto de forma delicada. Senti uma onda de ciúmes e tristeza se misturando dentro de mim, como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés.

O peso da realidade me atingiu com força, e a dor do que poderia ser se transformou em um lamento silencioso. Como pude chegar a esse ponto? Como não percebi que estava prestes a perder Dante para outra? O vazio se instalou em meu coração, e a esperança de que um dia ele pudesse sentir o mesmo por mim parecia uma miragem distante.

— Gosta tanto assim dela? Ao ponto de querer se casar? — perguntei, um nó se formando em minha garganta, como se as palavras fossem difíceis de engolir.

— Bem, eu não a amo, mas gosto o suficiente para poder casar! Um homem na minha posição tem que formar uma família. Tenho que causar uma boa impressão, entende? E, por falar nisso, já estamos com trinta e dois anos, e você sequer conseguiu um namorado ainda; isso é preocupante! — Ele me encarou, seu olhar desafiador cortando através da confusão que me envolvia.

— Minha vida amorosa não está em discussão aqui! — Tossi algumas vezes, nervosa com a direção do assunto, as palavras escapando como um grito contido.

— Você é engraçada! — Ele bagunçou meu cabelo, um gesto familiar que, em outro momento, teria feito meu coração acelerar de alegria, mas agora apenas serviu para aumentar a agonia que se instalava dentro de mim. — Preciso me apressar, tenho uma reunião com os executivos daqui a pouco! Você pode cuidar do colar e do anel pra mim? Escolha como se fossem para você! — Ele sorriu, levantando-se da mesa com uma leveza desconcertante, como se nada tivesse acontecido.

Levantei-me em seguida, ainda processando suas palavras, e ajeitei a gravata dele que estava torta, um gesto automático que só aumentava meu tormento. Ele saiu do restaurante com a mesma despreocupação de sempre, enquanto eu fiquei parada, consumida por uma mistura de rancor e ressentimento. O peso da sua escolha se abateu sobre mim como uma tempestade, e cada segundo que se passava parecia um lembrete amargo de tudo o que eu nunca teria. Uma tristeza profunda invadiu meu ser, como se um abismo tivesse se aberto sob meus pés. Como pude ter sido tão cega? As horas que passei ao lado dele, os momentos que compartilhamos, as confidências trocadas... tudo parecia ter sido em vão.

O amor que sentia se transformava em um espinho que se cravava cada vez mais fundo, e a ideia de escolher um colar e um anel para a mulher que ele amava, mesmo que apenas “suficientemente”, parecia uma tortura insuportável. A vontade de me afastar, de pedir demissão, crescia a cada instante, como um grito de socorro em meio a um mar de dor, mas a realidade de deixar tudo para trás; tudo o que havia construído, cada risada, cada olhar compartilhado, era igualmente angustiante. Eu estava presa entre o desejo de escapar e a necessidade de permanecer, sufocada pela imensidão daquilo que nunca poderia ser. Engoli meu orgulho ferido e segui até uma das joalherias mais sofisticadas da cidade para cumprir o que Dante havia pedido.

Assim que entrei, fui recebida por uma exibição deslumbrante de joias, cada peça mais linda que a outra, refletindo a luz de maneira hipnotizante. Com as mãos trêmulas, coloquei um anel que havia escolhido no meu dedo. Por uma fração de segundos, senti uma imensa felicidade, uma sensação de sonho realizado; mas essa alegria logo se transformou em dor aguda. Era pra ser eu. Era pra ele se casar comigo. Ele não passa de um homem sem palavra! Ele prometeu que se casaria comigo há vinte anos atrás… O pensamento me atingiu como um soco no estômago, e uma lágrima quente e dolorosa escorreu pela minha bochecha, tornando amargo o sabor da perda de alguém que eu tanto amava. O anel, que deveria simbolizar amor e compromisso, agora era um lembrete cruel de tudo o que eu não tinha, uma ironia cruel do destino.

— Camila? Está tudo bem? Por que está chorando? — A voz familiar de Laura, uma amiga do trabalho, me trouxe de volta à realidade. Ela havia acabado de entrar na joalheria, e a preocupação estampada em seu rosto me fez sentir um pouco envergonhada.

— Estou com uma tremenda dor de cabeça, é por isso! — Tive que mentir, a verdade se escondendo sob um véu de vergonha, pois não poderia revelar a ela o real motivo da minha angústia.

— Eu estava passando e resolvi dar uma olhada na vitrine. Acabei vendo você! Estou indo pra empresa, você vai demorar? Podemos ir juntas, se quiser! — Ela explicou, sua voz calorosa e amigável contrastando com o peso que eu sentia no peito.

— Claro. Eu já estou indo, me dê só um minuto pra pagar pelas joias do CEO! — Suspirei, tentando esconder a tempestade de emoções que se passava dentro de mim enquanto me dirigia até o caixa.

Entreguei o cartão de crédito de Dante, que sempre ficava comigo por conta das compras que ele frequentemente me pedia para fazer. Quando vi o valor do comprovante: um esplêndido cento e quarenta mil reais, meus olhos quase não conseguiam acreditar no que estavam vendo. Era uma quantia absurda, e o pensamento de que eu estava escolhendo essas joias para outra mulher me deixava ainda mais atordoada, como se o mundo ao meu redor estivesse girando rapidamente.

— Pagar pelas joias do CEO? Nunca vi você o tratando com tanta formalidade! O que ele tá aprontando? É aniversário de alguém? — Laura perguntou, curiosa enquanto caminhávamos até a empresa, que ficava bem próxima do local.

— Aparentemente, ele vai se casar! — Murmurei, minha voz tão baixa que mal conseguia ouvir a mim mesma.

— Nossa, isso foi tão de repente. Estou surpresa! — Ela arregalou os olhos, claramente chocada pela novidade. Sua reação era compreensível; todos na empresa conheciam a nossa amizade e, agora, eu me via no centro de um turbilhão emocional.

— Acredite, você não está tão surpresa quanto eu! — Respirei fundo, deixando escapar o peso que sentia, a verdade um fardo que eu não conseguia mais suportar.

— Você gosta dele, não é? — O olhar de Laura sobre mim era melancólico, como se ela pudesse enxergar além da minha fachada, penetrando as camadas de dor que me envolviam.

— O quê? Claro que não! De onde você tirou essa ideia ridícula? — Sorri, completamente sem graça, mas a minha própria risada soava vazia e nervosa, como um eco que reverberava sem vida.

— Bem, o jeito que você olha para ele me diz o contrário. Mas quem sou eu para insistir nesse assunto! — Ela deu de ombros, mas a expressão dela deixava claro que sabia mais do que estava disposta a admitir. Uma sensação de desconforto começou a me envolver, como se ela tivesse exposto algo que eu tentava esconder até de mim mesma.

— Eu pretendo sair da empresa em breve! Acredito que em um mês, no mais tardar! — Acabei revelando, quase sem pensar, a confissão escapando como um segredo guardado por tempo demais.

— O quê? Por que vai sair tão de repente? — Laura arqueou a sobrancelha, claramente intrigada, seu olhar penetrante parecendo investigar as camadas da minha decisão.

— Por motivos pessoais! — Engoli em seco, tentando manter a voz firme, mas a emoção estava prestes a transbordar.

— Ah, já entendi tudo. Vai sair por causa do noivado! — Laura revirou os olhos, como se a situação fosse óbvia, e eu percebi que a minha máscara estava se desgastando.

— Claro que não. Eu recebi uma oferta melhor de emprego! — Inventei, de forma descarada, a primeira coisa que me veio à mente, as palavras saindo como um reflexo de desespero.

— É mesmo? Em qual empresa? — Ela estreitou os olhos, claramente cética, a desconfiança transparecendo na expressão dela. Eu poderia sentir o peso da mentira pesando sobre meus ombros.

— Na hora certa você vai descobrir. Preciso entregar essa encomenda, a gente se vê depois! — Despedi-me dela, forçando um sorriso que não alcançou meus olhos, e segui até o elevador, com o coração pesado. 

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