Capa do romance A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

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Durante cinco anos, acreditei ser a esposa de Bruno Monteiro, enfrentando tratamentos de fertilidade dolorosos. Ele era meu porto seguro após um trauma universitário me deixar estéril. Contudo, descobri que nossa união era uma farsa jurídica. Bruno fez vasectomia e me enganou para proteger Bruna, a mulher que causou meu sofrimento. Quando ela feriu meu irmão, a devoção virou vingança. Agora, finjo ser a esposa dócil enquanto planejo destruir a vida deles.

A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela Capítulo 1

Por cinco anos, eu fui a amorosa Sra. Monteiro, suportando tratamentos de fertilidade excruciantes para dar ao meu marido, Bruno, o herdeiro que ele merecia. Ele era minha rocha, meu protetor desde que um trote violento na faculdade me deixou estéril.

Então, eu ouvi a verdade por trás da porta do seu escritório.

Nosso casamento era uma farsa, nunca registrado legalmente. Ele tinha feito uma vasectomia antes do nosso casamento. Era tudo uma mentira elaborada para proteger Bruna — seu amor de infância e a mesma mulher que orquestrou a agressão que destruiu meu futuro.

Ele não era meu salvador. Ele era cúmplice dela, e eu era apenas sua compensação. Cada toque gentil, cada palavra reconfortante, era uma atuação.

Ele achou que eu nunca descobriria. Ele achou que eu sempre seria sua esposa dedicada e ingênua.

Mas quando sua preciosa Bruna machucou meu irmão doente, meu luto virou gelo. Eu sorri docemente, interpretei o papel da esposa que perdoa e comecei a reunir as provas que incendiariam o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

POV Eloísa:

Eu encarava o folheto da clínica de fertilidade, meus dedos traçando a curva delicada da barriga de uma mãe esperançosa. Era isso. O procedimento complexo que eu estava prestes a enfrentar, uma tentativa desesperada de gerar um filho.

"Sinto muito, Sra. Monteiro", disse a agente do seguro ao telefone, sua voz monótona. "Seu marido não está listado como dependente na sua nova apólice. O sistema não mostra nenhuma certidão de casamento válida em arquivo."

"Às vezes", ela continuou, "essas coisas acontecem com registros mais antigos, digamos, 'informais'. Gostaria que investigássemos? Pode ser um descuido burocrático, ou talvez... algo mais."

Meu coração falhou uma batida. Bruno? Um erro? Impossível. Ele era meticuloso. "Não, obrigada", eu disse, minha voz mais firme do que eu me sentia. "Deve ser um erro da minha parte. O Bruno cuida de tudo perfeitamente."

Cinco anos. Cinco anos eu fui a Sra. Monteiro. Cinco anos eu vivi com a dor silenciosa da infertilidade, um legado cruel de um trote na faculdade que havia roubado muito mais do que apenas minha paz.

Bruno tinha sido minha rocha, meu protetor. Ele me protegeu da pressão implacável de sua família por um herdeiro, sempre sussurrando: "Sua saúde vem em primeiro lugar, Eloísa. Encontraremos outra maneira."

Mas eu sabia a verdade. O legado de sua família. O nome dele. Eu faria qualquer coisa por ele, até mesmo suportar essa jornada dolorosa, na esperança de finalmente dar a ele a única coisa que eu não podia fornecer naturalmente.

Meu celular vibrou, zumbindo violentamente contra o tampo de vidro da mesa. Um número desconhecido, mas a urgência no toque cortou meus pensamentos.

"Eloísa? É a Ana. Você precisa vir para a mansão. O Cláudio... ele está furioso. O Bruno está sendo confrontado. A coisa está feia." A voz dela era um sussurro tenso e em pânico.

Minha respiração engatou. Bruno? O que poderia justificar a ira de seu pai? Peguei minhas chaves, o folheto esquecido na mesa, minha mente a mil.

A mansão dos Monteiro se erguia, uma fortaleza de dinheiro antigo e regras não ditas no Morumbi. Seus grandes portões de ferro se abriram com um gemido lento e rangente, engolindo meu carro pequeno por inteiro.

Antes mesmo de eu entrar, os gritos me alcançaram, abafados, mas agudos, ecoando do escritório. A voz trovejante de Cláudio, depois os tons suplicantes de Ana e, finalmente, as respostas baixas e tensas de Bruno.

"Bruna!", Cláudio rugiu, o nome me atingindo como um golpe físico. "Tudo isso... por causa da Bruna!"

Bruna. O nome por si só revirava meu estômago. Seu rosto desdenhoso. Seus sorrisos manipuladores. A garota que sempre parecia orbitar Bruno, uma sombra que eu aprendi a ignorar há muito tempo.

Minha mão voou para a boca, abafando um suspiro. Minhas pernas pareciam gelatina, enraizadas no lugar do lado de fora da porta fechada do escritório.

"Eu tinha que protegê-la, pai!", a voz de Bruno estava crua. "Você sabe o porquê. O pai dela... o que ele fez pelo nosso. Eu devo a ela."

"Uma dívida antiga!", gritou Ana, sua voz rachando. "Uma dívida de amizade, não uma coleira para a vida toda! A visão de negócios do pai dela ajudou Cláudio a estabelecer este império, sim, mas isso não significa que sacrificamos os nossos pela depravação da filha dele!"

"É mais do que amizade, mãe", contrapôs Bruno, o cansaço claro em seu tom. "É uma promessa. Um pacto sagrado entre famílias."

"Pacto sagrado?", zombou Cláudio. "Ela é uma praga! Uma pirralha mimada e manipuladora que quase derrubou nosso nome com seus esquemas mesquinhos!"

"E quanto a Eloísa?", a voz de Ana subiu para um grito. "E o que a Bruna fez com ela? Aquele 'trote' na faculdade? Não foi só um trote, Bruno! A Bruna orquestrou a agressão que deixou a Eloísa traumatizada e estéril!"

O mundo inclinou. Meus ouvidos rugiram, um ruído branco ensurdecedor abafando todo o resto. Meu estômago se revirou, a bile subindo pela minha garganta. Bruna. Estéril. As palavras giravam, coalescendo em uma verdade grotesca e inegável.

A voz de Bruno era quase um sussurro. "Eu... eu sei. Eu resolvi isso. Garanti que ela não enfrentaria acusações."

"Resolveu?", trovejou Cláudio. "Você enterrou o caso! Você deixou aquela psicopata andar livre enquanto a Eloísa sofria em silêncio!"

"O que eu deveria fazer?", gritou Bruno. "Ela precisava de uma compensação! Proteção! Você queria uma imagem limpa, pai! Então eu me casei com a Eloísa, para mantê-la segura... e para manter a Bruna fora da prisão!"

O estalo agudo de um tapa ecoou pelo escritório. "Seu tolo!", a voz de Cláudio estava carregada de nojo. "Você sacrificou uma mulher inocente por aquela víbora!"

"E o casamento?", a voz de Ana estava fria, letal. "Nunca foi nem registrado legalmente, não é? Uma farsa. Uma charada. Tudo isso."

"Ele fez uma vasectomia antes do casamento, Eloísa!", gritou Ana, sua voz crua de dor. "Ele sabia que você nunca poderia ter filhos, e ele garantiu que ele também não pudesse! Ele nunca pretendeu construir uma família de verdade com você!"

"E onde ela está agora?", exigiu Cláudio. "Ainda escondida naquele chalé isolado que você comprou, não é? Seu segredinho, Bruno, enquanto a Eloísa se desgasta tentando engravidar!"

"Ela precisa de mim", murmurou Bruno, sua voz quebrada. "Ela é frágil. Ela não tem para onde ir."

Meus joelhos cederam. Um soluço engasgado rasgou minha garganta, cru e agonizante. O chão correu para me encontrar, frio e implacável.

Era tudo uma mentira. Cada toque gentil, cada palavra reconfortante. As memórias daquela noite, o medo, a dor, ressurgiram com uma clareza brutal.

"É isso que você ganha por ser tão ingênua, Eloísa." A voz de Bruna, presunçosa e pingando desprezo, ecoou na minha cabeça. "O Bruno sempre foi meu."

Então a voz de Bruno, suave e sincera: "Eu vou te proteger, Eloísa. Sempre." A mentira suprema.

Eu tinha acreditado nele. Acreditado em sua integridade inabalável, seu senso feroz de justiça. Ele era meu herói, aquele que me tirou dos poços mais profundos do desespero.

Ele me abraçou quando eu chorei, afastou os repórteres, me protegeu do olhar cruel do mundo.

"Eu assumo total responsabilidade pelo bem-estar da Eloísa", ele anunciou à imprensa, seu maxilar cerrado, seus olhos sérios. "Ela agora é minha prioridade."

"Case-se comigo, Eloísa", ele disse, olhando nos meus olhos, "e me deixe passar o resto da minha vida te fazendo feliz." Uma promessa vazia. Uma armadilha.

Ele não era meu salvador. Ele era o arquiteto da minha gaiola dourada, o cúmplice silencioso no meu sofrimento prolongado.

Cinco anos. Cinco anos felizes e ignorantes onde eu pensei que era amada, querida, às vezes até culpada por minha incapacidade de lhe dar um filho.

Tudo isso, uma mentira. Uma performance meticulosamente elaborada para me compensar por um trauma que ele conhecia, um trauma que seu amor de infância havia infligido.

A voz de Bruno, abafada pela porta, me alcançou novamente, cheia de uma arrogância confiante. "A Eloísa me ama, mãe. Ela sempre amou. Ela nunca vai saber."

Uma calma estranha se instalou sobre mim, fria e afiada. O desespero foi substituído por um fogo ardente e resoluto. Ele achou que eu nunca saberia? Ele estava errado. E ele se arrependeria.

Um toque de celular súbito e frenético perfurou o ar de dentro do escritório. Bruna. Eu sabia, apenas pela borda frenética do som.

A porta se abriu de repente, e Bruno saiu correndo, seu rosto pálido, seus olhos arregalados de alarme. Ele não me viu, caída no chão. Ele apenas correu.

Ele parou abruptamente quando me viu, seus olhos se fixando nos meus. O alarme frenético em seu rosto se solidificou em puro e absoluto choque.

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