Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance SOB A PROTEÇÃO DO SULTÃO

SOB A PROTEÇÃO DO SULTÃO

Natalie cria Íris em segredo, escondendo do Príncipe Iman que ele é o pai da menina após uma noite de paixão. Seis anos depois, um reencontro reacende o desejo proibido. Embora Iman esteja prometido a outra, ele oferece um emprego a Natalie para mantê-la por perto. Entre mentiras do passado e a pressão familiar, o amor ressurge com força. Natalie teme revelar a verdade sobre a filha, enquanto Iman luta contra seu destino real para finalmente viver esse romance.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

Seis Anos Antes

Preciso do dinheiro. Preciso do dinheiro. Preciso do dinheiro.

Natalie repetiu incessantemente a frase em sua cabeça enquanto preparava a máquina para fazer mais café. Era para ser sua semana de folga, mas sua amiga Erin queria ir a algum show e implorou para que Natalie pegasse o voo não planejado. Por mais que Natalie quisesse passar a semana com a mãe no hospital, precisava do dinheiro para cobrir as despesas médicas.

Embora, para ser honesta, trabalhar no voo privado do Príncipe Iman Karawi não fosse fazer muita diferença na dívida, e o homem fosse um osso duro de roer. Natalie estava trabalhando com a Kaylana Voos Privados há alguns meses, e o dinheiro era melhor, mas a clientela rica deixava muito a desejar.

O avião passou por uma pequena área de turbulência e Natalie se equilibrou, apoiando a mão no balcão. Há cinco anos como comissária de bordo, não seria incomodada por um sacolejo. Quando o café finalmente ficou pronto, ela suspirou aliviada e pegou as xícaras. Sua Alteza tinha reclamado das duas primeiras vezes que ela serviu o café; não gostou do sabor e achou que estava muito fraco.

Se não gostasse desta vez, ela ia escorregar sem querer e derrubar no colo dele.

O telefone tocou.

— Sim? — ela perguntou ao atender.

— Estamos nos aproximando do Egito — Zane Maroun, o piloto, informou. — Devemos chegar ao reinado de Haamas em pouco mais de duas horas. A turbulência provavelmente vai continuar.

Tudo bem aí atrás?

— Acho que sim. Só tentando fazer uma xícara de café que seja do agrado de Sua Alteza — Natalie resmungou.

O piloto riu.

— Seja gentil.

— Vou tentar.

Ela desligou, encheu o número necessário de xícaras e pegou o carrinho de bebidas. O príncipe estava viajando com seu embaixador e três agentes de segurança.

— Até que enfim — exclamou um dos seguranças quando ela apareceu. — O Príncipe está esperando.

— Mil desculpas — ela disse com doçura. — Não percebi que o Príncipe estava com tanta pressa, já que ele rejeitou as duas primeiras xícaras que eu ofereci. Tenho um pouco de café instantâneo lá atrás que posso usar da próxima vez.

Ela ganhou uma cara feia, mas o homem não disse mais nada enquanto pegava sua xícara.

Era óbvio que a declaração dela tinha sido notada. O príncipe fixou seus maravilhosos olhos escuros nela e, a despeito da opinião que tinha sobre ele, ela não conseguiu evitar e se derreteu um pouco. Ela odiava pensar que estava sendo afetada pela aparência indecorosamente atraente dele, mas seu coração parava cada vez que ele olhava para ela.

Se apenas conseguisse ficar de boca fechada, seria quase perfeito.

Ele nunca falava diretamente com ela, preferindo expressar suas críticas mordazes por meio dos seguranças. E ela não sabia o que irritava mais: o fato de ele ser um babaca completo ou o fato de achar que ela não merecia ouvir, dele próprio, suas exigências ridículas.

Ele nem mesmo aceitou a xícara diretamente da mão dela. Ela teve que colocar na mesinha que ficava perto do assento grande de couro. Ele correu os olhos pelo corpo dela, demorando-se em certos lugares inapropriados, e ela estreitou os olhos e retribuiu o olhar, furiosa.

A sombra de um sorriso brincou nos lábios dele, fazendo-a corar enquanto desviava o olhar. Droga. Ela estava agindo como uma garota de quinze anos que ainda se apaixonava pelo garoto sexy e rebelde. Depois de terminar de servir o café, ela se virou para voltar à cozinha.

— Bem melhor — disse o príncipe repentinamente. A voz dele estava carregada de desdém.

As costas dela se retesaram; ela congelou e fechou os olhos, dizendo a si mesma para continuar andando.

Perdeu a batalha e deu meia volta. Fazendo uma pequena cortesia, ela ofereceu a ele o seu maior e mais falso sorriso.

— Obrigada, Vossa Majestade.

O embaixador arregalou tanto os olhos que eles quase pularam para fora. Mas Natalie não estava nem aí. Não seria feita de capacho. Ela se virou novamente e seguiu em direção à pequena cozinha.

Ao chegar, puxou a cortina, suspirou e foi esvaziar o filtro da máquina de café. Este voo de Chicago para algum reino do Oriente Médio, do qual ela nunca tinha ouvido falar, estava se tornando o mais longo da sua vida.

E ela esteve em alguns voos particularmente ruins. Passageiros desrespeitosos. Crianças chorando sem parar. Animais de serviço enjoados e vomitando. Colegas de trabalho achando indigno limpar o banheiro imundo da aeronave durante o voo. Honestamente, algumas vezes esse trabalho era péssimo.

Ela pensou que os voos privados seriam melhores e, em alguns aspectos, eram mesmo. Pelo menos a quantidade de gente era menor.

O lado bom era poder viajar. Ela teria dois dias inteiros em Haamas para explorar e conhecer os pontos turísticos, antes que o avião estivesse abastecido e pronto para o voo de retorno. Neste ponto em sua carreira, ela já tinha ficado embasbacada com a incrível arquitetura da Rússia. Havia visitado lindos castelos na Alemanha, Irlanda e Escócia. Tinha experimentado a deliciosa gastronomia da Ásia e atravessado templos antigos e jardins serenos. Apreciou as deslumbrantes obras de arte do Louvre e nadou no Mar Egeu, na costa da Grécia. Fugia da realidade colecionando memórias, e não teria feito nada disso sem esse trabalho.

Valia cada uma das indignidades que ela sofreu. Quase sempre.

Duas horas até o pouso. Nenhuma refeição mais para servir. Talvez café. Seus pés doíam e ela estava exausta. Durante o voo de treze horas, não tinha conseguido fechar os olhos por mais de uma hora. A mudança de última hora permitiu que ela dormisse apenas algumas horas antes da viagem e ela estava um bagaço. Se não saísse logo daquele avião, seu sarcasmo se tornaria tão ácido que provavelmente faria com que fosse demitida.

Ela desabou no banquinho da cozinha e começou a massagear os pés. Mas seu alívio durou pouco, pois um dos seguranças escancarou a cortina.

— O Príncipe requisita que você mude o vento que sai pelas passagens de ar. Ele está com frio.

— Os controles estão bem em cima dele — ela disse. — Ele pode ajustar do jeito que quiser.

O segurança só olhou para ela, que suspirou, colocou de volta o sapato de salto alto e se levantou.

— Chego lá em um minuto.

Depois de lavar rapidamente as mãos, ela respirou profundamente para acalmar os nervos e saiu.

— Príncipe Iman — ela disse gentilmente quando se aproximou dele. — Gostaria que eu desligasse o ar ou apenas diminuísse?

Novamente, ele a encarou com aquele sorriso estranho em seus lábios sensuais.

— Certo. Bom, vou diminuir. — Inclinando-se sobre o assento dele, ela girou o botão totalmente para a direita. — Se quiser ligar de novo, gire o botão pra direita.

Ela olhou para baixo, para se certificar de que ele tinha entendido, e percebeu que estava exatamente entre as pernas dele.

Seu olhar era voraz.

Um pânico inesperado e descabido a atingiu. Espantada, ela deu um passo para trás. Os homens ao redor dela riram, e ela balançou a cabeça.

Chega. Era demais. Ela não era a diversão deles. Mas, quando abriu a boca para repreendê-los, foi interrompida por um barulho alto de explosão e o avião inteiro se inclinou para a esquerda.

Com um arquejo, ela perdeu o equilíbrio e caiu bem no colo real.

— O que foi isso? — Um dos guardas exigiu saber, enquanto deslizava em seu assento em direção à janela para olhar para fora. — O que foi isso? — ele repetiu, com o corpo tenso e a concentração fixa na janela.

— Por favor, permaneçam calmos — ela disse em sua melhor voz profissional, ao mesmo tempo em que, desajeitada, tentava sair do colo do príncipe. Evitando contato visual com todos eles, ela olhou pela janela e viu, horrorizada, que a asa do avião estava em chamas.

Pelo menos não tinham despencado feito uma pedra, mas o voo permanecia instável, sacolejando e perdendo altitude. Foi difícil chegar até a porta da cabine de comando. Pegando o telefone, ela apertou o botão para falar com a tripulação.

— O que está acontecendo?

— Perdemos controle do estabilizador. — A voz de Zane estalou, fatídica, nos ouvidos dela. — Prepare todos para um pouso forçado.

Tremendo, ela apertou outro botão no telefone e disse na voz monótona, “de gravação”, que tinha aprendido a fazer:

— Por favor, permaneçam calmos. Estamos experimentando uma falha mecânica e faremos um pouso de emergência. — Ela colocou o telefone no gancho e andou no sentido do seu assento, mas precisou se agarrar aos encostos das poltronas quando uma queda súbita da aeronave fez com que, dolorosamente, sua mandíbula se fechasse com violência. Inspirou com força, expirou e levantou a voz para ser ouvida acima do tumulto. — Por favor, afivelem seus cintos e verifiquem se seus assentos e bandejas estão na posição vertical. Permaneçam calmos até que o piloto forneça outras instruções.

Ela se encolheu mentalmente. O discurso tinha sido automático, impresso dentro dela para eventuais emergências nos voos comerciais em que comumente trabalhava. Mas este avião não tinha bandejas.

O pânico tomou conta da cabine de passageiros; dois seguranças que estavam em pé mergulharam em seus assentos e todos lutavam para colocar os cintos de segurança. Somente o príncipe parecia manter a calma.

Natalie se sentou e afivelou o cinto. Comprimindo com as mãos as alças cruzadas do assento dos tripulantes, ela fechou os olhos.

Tinha apenas vinte e três anos. Era muito jovem para morrer. E o que seria da sua mãe?

Se ela morresse hoje, sua mãe desistiria de lutar contra o câncer.

Não teria mais razão para viver.

Você pode gostar

Capa do romance A vingança de Carolina e a Descoberta do Amor
8.3
Carolina vive aprisionada por traumas do passado e alimentada por um desejo implacável de retaliação. Marcada por eventos que transformaram sua personalidade, ela dedica cada ação à busca por justiça contra aqueles que a feriram. Contudo, em meio ao seu plano de vingança, surge um encontro inesperado capaz de subverter suas prioridades. Esta obra narra uma jornada emocional de mistério onde a sede de revanche confronta a chance real de um novo recomeço amoroso.
Capa do romance As Noventa e Nove Traições Dele, Minha Liberdade
8.4
Após ter seu casamento adiado 99 vezes por um Comandante do GRUMEC em favor da irmã manipuladora, a protagonista impõe um ultimato. No centésimo cancelamento, ele ameaça a carreira dela para forçar a aceitação de um plano absurdo: um matrimônio temporário com a cunhada para fins terapêuticos. Traída também pela mãe, ela decide abandonar o papel de reserva. Com uma tesoura e um novo destino em uma missão isolada, ela destrói o vestido e sua antiga vida.
Capa do romance Inferno de Laca Branca
8.7
Presa a um pacto cruel, vi meu marido João me trocar por Sofia repetidas vezes. Entre humilhações públicas e traições, descobri que meu casamento foi uma farsa orquestrada por ela. O ápice ocorreu quando João protegeu Sofia em um acidente que me deixou ferida e abandonada. No hospital, a ficha caiu: ele nunca me amou. Com uma calma gélida, decidi pedir o divórcio. Agora, enquanto ele se arruína por caprichos alheios, estou pronta para reconstruir meu próprio destino.
Capa do romance O retorno triunfal da minha ex-mulher
8.9
Após três anos sem sequer conhecer o rosto do próprio marido, Eliana recebe o divórcio e descobre que ele busca outra mulher. Livre do descaso, ela assina os papéis e surpreende o mundo ao revelar faces ocultas como médica, hacker, pilota e espiã. Diante do brilho de suas múltiplas identidades, o ex-marido mergulha em profundo arrependimento, implorando por perdão e oferecendo toda a sua fortuna e vida para reconquistar a mulher extraordinária que ignorou.
Capa do romance Profundo desejo
9.3
Aaron, herdeiro de uma renomada boate de luxo e conquistador inveterado, vê sua rotina mudar com a chegada de Luna. Diferente de outras mulheres, ela resiste ao seu magnetismo. O interesse de Aaron vira obsessão ao descobrir o segredo da jovem: ela leva uma vida dupla, trabalhando como dançarina noturna e professora diurna de seu irmão caçula, Joseph. Determinado, ele cruzará os limites de ambos os mundos para seduzi-la e finalmente conquistá-la.
Capa do romance Quando o Conto de Fadas Vira Pesadelo
9.6
Sofia e Vicente viviam o romance perfeito no Rio até que a traição destruiu tudo. Após ser seduzido por Isadora, o herdeiro do café humilha a esposa, dando sua joia de família à amante grávida. Entre pedidos de sangue e abandono em uma ilha deserta sob tempestade, Sofia vê seu amor virar cinzas. Diante da crueldade do homem que jurou protegê-la, ela decide abandonar a ilusão do conto de fadas para renascer livre e buscar seu próprio destino.