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Capa do romance Sinal Vermelho

Sinal Vermelho

Em São Paulo, um semáforo ignorado muda o destino de Lorenzo Fonseca para sempre. Após causar uma batida de carro, ele se vê obrigado a indenizar Pâmela Duarte pelo prejuízo. No entanto, o que começa como uma dívida financeira logo se transforma em uma conexão inesperada. Enquanto Lorenzo tenta se aproximar, Pâmela hesita em ceder aos sentimentos, relutante em avançar quando todos os sinais de seu coração indicam que ela deve parar e manter a cautela.
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Capítulo 2

O despertador está soando pela terceira vez em dez minutos e a necessidade do meu namorado pelo controle do tempo me irrita profundamente, até mais do que a música Despacito que ele escolheu para nos acordar. Sério, que tipo de ser humano coloca para despertar de cinco em cinco minutos?

Desligo o alarme e tento me desvencilhar de seus braços, mas ele me puxa de volta para perto de seu corpo. Viro-me para ele e acaricio sua pele cheia de sardas com as pontas dos dedos. Não havíamos conseguido sair para jantar na noite passada, então ele perguntou se poderia dormir aqui e apesar de acordarmos cedo no dia seguinte, tentamos aproveitar esse momento juntos o máximo possível.

— Fê, acorda — digo baixinho e ele resmunga algo que não compreendo. — Anda, você tem prova hoje.

Ele faz um careta de dor e eu dou risada. Ele está no quinto semestre de Direito, enquanto eu estou no quarto de Biblioteconomia.

— Nem me lembre. — Abre os olhos castanhos devagar e deixa um selinho em meus lábios. — Bom dia, amor.

— Bom dia, meu bem. Achou que se esquecendo dela, ela desaparecia? — brinco.

— Como adivinhou?

Ele ri e desvio de seu aperto, levantando-me da cama e caminhando em direção ao banheiro. Ouço seus passos atrás de mim e o barro ainda na porta.

— Eu te convidaria para entrar, mas já enrolamos muito por hoje e sair do banho já com o café da manhã pronto me faria muito feliz.

Lanço-lhe uma piscadela e Fernando fecha a cara. Gargalho e tranco a porta do banheiro. Tiro o pijama e caminho até o chuveiro, ligando-o e fechando o box de vidro atrás de mim. Desfaço o coque em meu cabelo e deixo a água morna cair por todo meu corpo. Os cachos escuros batem em minhas costas e aproveito para lava-los e hidrata-los.

Ao finalizar o banho, puxo a toalha do gancho e seco meu corpo. Saio do banheiro enrolada com o tecido felpudo e abro meu guarda-roupa, tirando uma calça mom jeans, uma regata branca com um decote pequeno e tênis da mesma cor. Jogo-os em cima da cama e pego meu celular na cômoda, checando as notificações. Vejo pela barra uma mensagem de Lorenzo:

E aí, como foi o almoço ontem? [5h33m].

Ontem, um pouco antes de chegar na casa de vovó, deixei meu carro na oficina. O mecânico responsável disse que iria avaliar e me dar uma resposta referente ao orçamento hoje. O carro é um pouco antigo, então acabo me perguntando se compensaria mesmo consertar ou seria melhor comprar um novo. Financeiramente, é claro que a primeira opção, afinal, não seria eu a pagar.

A mensagem que enviei para Lorenzo ontem foi apenas para saber se, de fato, aquele número era dele e depois de confirmar que sim, me arrependi amargamente, já que ele é um pé no saco e sempre me recorda porquê odeio homens.

Visto-me e começo a finalizar meu cabelo. Alguns minutos passam e Fernando entra no quarto.

— Para quem estava preocupada se iríamos nos atrasar ou não, você está demorando bastante, hein? — resmunga, indo em direção ao banheiro. — O café já está pronto, vida.

— Obrigada, você é o melhor.

— Também te amo.

Sorrio e termino de finalizar meu cabelo com o braço dolorido. Ser cacheada definitivamente não é fácil. Pego minha mochila e vou até a cozinha. Esquento o café novamente e me sirvo com pães e frutas. Logo após terminar de comer, aguardo meu namorado, que não demora a aparecer trajando um terno azul escuro com uma gravata borboleta listrada na mesma tonalidade e com seus cabelos ruivos perfeitamente alinhados. Como ele se arruma tão rápido?

— Meu Deus, deveria ser crime alguém ser tão bonito assim.

— Você teria pegado prisão perpétua. — Dou risada e vejo-o avaliar minha roupa em seguida. Lá vem. — Mas não acha melhor colocar uma blusa mais comportada, amor?

— Não gostou? — pergunto, olhando para minha blusa. Não há nada demais nela.

— Eu gostei, mas outros caras também vão.

Reviro os olhos. Como todo homem que nasce em uma sociedade estruturalmente machista, Fernando ainda tem muitos pensamentos a desconstruir. A minha sorte é que mamãe me criou ensinando-me como homens são ou esse projeto de advogado já teria me manipulado há muito tempo.

— E mulheres — complemento. — Você sempre esquece que sou bissexual.

— Eu não esqueço, só não me preocupo com elas — balança os ombros.

Mas deveria, quis dizer.

Decido que vou assim mesmo e apesar de emburrado, ele pega o molho de chaves e saímos do apartamento, fechando a porta e seguindo até o estacionamento. Hoje ele será meu motorista particular, já que meu carro está no conserto, e como estudamos em faculdades diferentes ele passará primeiro na minha e depois na sua.

Músicas sertanejas nos acompanham durante todo o trajeto e ao chegarmos, despeço-me dele com um beijo rápido, para que não se atrase. Saio do carro e encontro Anabel em frente ao local.

— Amiga, você não vai acreditar — ela me aborda quando me aproximo, cruzando nossos braços e caminhando para dentro da instituição.

Rio. Ela adora uma fofoca e não há nada que aconteça nesse lugar que ela não saiba, e foi graças a sua alma de jornalista que demos início a nossa amizade.

— Se você não me contar, não mesmo.

— Credo, tá naqueles dias? — Reviro os olhos. — Enfim, sabe a Sofia?

— A irmã da Larissa?

— Ela mesma. Vazou um vídeo dela com o professor de física. A faculdade inteira só fala disso.

Olho ao nosso redor e o corredor está repleto de burburinhos, basta somente que Sofia o cruze de cabeça baixa para que eles aumentem.

— Meu Deus, essas pessoas não tem o que fazer, não?

Ana dá de ombros e solta meu braço para entrarmos na sala de aula. A professora ainda não chegou, então sentamos em nossos lugares e mantivemos a conversa em um tom de voz um pouco mais baixo.

— Eu, particularmente, não sinto pena alguma, ou você se esqueceu de como ela saiu espalhando para todo mundo quando você beijou a irmã dela?

No início da faculdade, Sofia fez da minha vida um verdadeiro inferno quando eu fiquei com a Larissa, mesmo ela sendo assumidamente lésbica a muito tempo, e eu nunca entendi o porquê disso.

— Bom dia, hoje vamos falar sobre... — diz a professora de Documentação Audiovisual, após entrar na sala de aula. Desvio o olhar de Ana e presto atenção na aula.

[...]

Alguns meses depois que iniciei a minha graduação, eu passei em uma entrevista para trabalhar na biblioteca da faculdade, então agora eu passo a maior parte do tempo aqui, o que não é incômodo algum por ser algo que amo. Recebemos hoje um novo lote de livros técnicos e acabo de abri-lo para verificar algumas informações, quando escuto passos quebrarem o silêncio do ambiente.

— Boa tarde, você sabe me dizer se... — Ergo a cabeça para conversar com a pessoa, e as palavras morrem em sua boca assim que vê meu rosto.

A sua mensagem não respondida ecoa em minha mente, assim como a colisão de nossos carros e o exato momento em que os cacos caíram na calçada e a porta tornou-se uma lataria velha amassada. Tento dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas tudo que deixa minha boca é:

— V-você? — indagamos em uníssono.

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