Capa do romance Sinal Vermelho

Sinal Vermelho

7.9 / 10.0
Em Sinal Vermelho, um acidente em São Paulo força Lorenzo Fonseca a indenizar Pâmela Duarte. Neste romance modern novel, o destino os aproxima, desafiando Pâmela a decidir se ignora os avisos de seu coração. Leia histórias de romance no webnovel e descubra o desfecho deste encontro.
Resumo de Sinal Vermelho
Em São Paulo, um semáforo ignorado muda o destino de Lorenzo Fonseca para sempre. Após causar uma batida de carro, ele se vê obrigado a indenizar Pâmela Duarte pelo prejuízo. No entanto, o que começa como uma dívida financeira logo se transforma em uma conexão inesperada. Enquanto Lorenzo tenta se aproximar, Pâmela hesita em ceder aos sentimentos, relutante em avançar quando todos os sinais de seu coração indicam que ela deve parar e manter a cautela.
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Sinal Vermelho Capítulo 1

Ainda que não seja contra planejamentos, vovó Emília não é adepta à eles e é por isso que quase sempre está correndo contra o tempo — ou fazendo o restante da família correr. E como se não bastasse mandar uma mensagem em cima da hora no grupo da família, sequer me deu a oportunidade de fingir que não recebi seu convite de almoço, ligou-me perguntando se eu já estava pronta e eu, seguindo meu papel de neta preferida, respondi que já estava a caminho, quando na verdade eu nem tinha levantado da cama.

Arrumei-me o mais rápido que pude e saí de casa como uma louca desvairada. Nesse exato momento, encontro-me no carro, realmente a caminho da casa de vovó. Com a temperatura marcando 23°, minha pele queima dentro da blusa de algodão e o suor começa a escorrer pela minha testa. Para piorar minha situação, o tráfego de veículos em São Paulo está infernal. Diminuo a velocidade gradativamente quando o semáforo muda de cor e bufo frustrada. Já são onze e meia, e com a minha sorte chegarei lá somente no jantar.

Afasto os fios de cabelo grudados em meu rosto e fecho a janela para ligar o ar condicionado. Quando a temperatura esfria, respiro aliviada e ligo o rádio, colocando na minha estação favorita. Está tocando Expectations, o primeiro single solo da Lauren Jauregui após a pausa de Fifth Harmony. Batuco os dedos levemente no volante de acordo com o ritmo da música e alguns instantes depois, o sinal abre, permitindo que eu siga meu destino. Cantarolo o refrão com energia, enquanto adentro uma rua com um trânsito menor. Espero que daqui em diante seja mais tranquilo.

Avisto a tela de meu celular piscar e “amor” brilhar na tela. Curiosa, olho de relance para o semáforo que continua verde, mas antes que eu cogite pega-lo para ler a mensagem, um carro partindo do cruzamento em alta velocidade me faz pisar no freio, em uma tentativa frustrada de impedir a colisão. Arregalo os olhos ao ouvir o estrondo e sinto meu coração saltar do peito. Meu corpo pende bruscamente para frente e o cinto de segurança impede que eu me machuque gravemente. Minha cabeça bate no teto do carro e quando minha mão a toca, o sangue entra em contraste com meus dedos pálidos.

Que merda. Era só o que me faltava... um motorista bêbado.

Abro a janela do carro e coloco a cabeça entre o vão, gritando a plenos pulmões:

— Qual o seu problema, porra? Nunca ouviu a frase “se beber, não dirija”?

Pessoas curiosas deixam suas casas para ver o que aconteceu e logo ouço batidas na outra janela do carro. Franzo o cenho para a mulher que está fazendo gestos estranhos e abro-a.

— Meu Deus, moça, tá tudo bem? — Assenti. — Tem certeza? Você tá sangrando.

Desvio o olhar e abaixo o espelho interno. Pego um lenço umedecido no porta-luvas e limpo o ferimento com delicadeza. Por sorte foi apenas um corte superficial. Jogo o lenço na lixeira e saio do veículo para avaliar sua situação.

Sua frente está toda amassada, assim como a lateral direita do Chevrolet Prisma do outro motorista. A vidraça fumê me impossibilitaria de ver se ele ainda está lá dentro, contudo, parte dela havia quebrado, dando-me a visão de sua silhueta. Ele abre a porta do carro e afasta a multidão com apenas um sinal. Conforme ele se aproxima e checa meu estado, noto que há um misto de culpa e alívio em seu olhar.

— Você está bem?

Em seu tom de voz há suavidade e urgência. Seu visual, apesar de desleixado, não transpassa a imagem de um bêbado.

— Sim, mas não graças a você — respondo ríspida. — Você é louco? Poderia ter matado alguém.

Acidentes de trânsito acontecem e tiram vidas o tempo todo no Brasil, e é bizarro ver que dentre as principais causas está a imprudência do próprio ser humano.

— Eu sinto muito, a minha mãe...

Reviro os olhos sem querer ouvir sua desculpa esfarrapada. É sempre a mãe, a irmã, a tia, a namorada... nunca assumem a culpa.

— Pode remover seu carro da via, por gentileza? — o interrompo.

Ele fecha a boca, balança a cabeça em concordância e retorna até o carro. Pego meu celular em cima do banco do passageiro e tiro uma foto do ocorrido, de forma que fique visível as placas. Adentro meu veículo e assim que ele libera a passagem, tomo a iniciativa de fazer o mesmo, estacionando no acostamento. Ligo o pisca-alerta e visualizo o rapaz pegar o triangulo e sinalizar o acidente. Digito uma mensagem rápida para a vovó, avisando que me atrasaria para o almoço e me assusto quando sua voz soa ao meu lado:

— Podemos resolver a situação sem acionar a justiça, eu vou arcar com todos os prejuízos. — Ergo a cabeça para olha-lo e ele me entrega um papel contendo onze dígitos. — Esse é meu número pessoal, você pode me ligar para acertarmos os detalhes e novamente, eu sinto muito pela situação. Estou muito arrependido.

— Deveria ter pensado nisso antes de ultrapassar um sinal vermelho.

Pego o papel de suas mãos e abro os contatos de meu celular, digitando seu número e salvando seu contato como “sem noção”.

— Confesso que já me deram apelidos piores — constata espiando o visor pela janela. Além de sem noção, é intrometido. — Meu nome é Lorenzo e o seu?

— Pâmela — respondo, com desdém. — Eu preciso ir, sua falta de atenção me custou um almoço.

— Posso arcar com isso também, Pâmela.

Ele se afasta do automóvel e fecho a janela, ignorando sua existência. Por sorte a casa da minha avó não fica distante daqui e há uma oficina em que poderei deixar meu carro para o conserto. Abro a caixa de mensagens do meu namorado.

Bom dia, amor [11h37m].

Sei que não temos conseguido passar muito tempo juntos, então o que acha de sairmos para jantar hoje? [11h37m].

Com o fim do semestre chegando, faz algum tempo que não saímos para nos divertir. O trabalho e a faculdade ocupam boa parte do nosso dia e os fins de semana tem sido dedicados aos trabalhos e preparação para as provas. Suspiro em chateação.

Desculpa, mas não vai dar. Vou almoçar na vovó e passar na oficina depois de lá [12h43m].

Oficina? Seu carro quebrou? [12h43m].

Longa história, explico quando chegar [12h44m].

Saio da conversa e digito na barra de pesquisa “sem noção”. O perfil de Lorenzo aparece e abro a sua foto. Nela ele vestia uma camiseta preta que marcava seus braços repletos de tatuagens e sustentava nos lábios um sorriso ladino. Seus fios escuros estavam bagunçados e cobriam boa parte de seu rosto. Reviro os olhos e vejo-o adentrar seu carro. Ativo o teclado.

Boa tarde, gostaria de falar com o sr. sem noção [12h47m].

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