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Capa do romance Seu Amor Venenoso, Minha Fuga

Seu Amor Venenoso, Minha Fuga

Arthur, visto como o marido ideal, tortura a esposa para satisfazer Joyce, a meia-irmã dela que finge ser sua salvadora do passado. Após sofrer noventa e seis punições, a protagonista descobre um áudio revelador: Arthur acredita dever sua vida a Joyce após um sequestro há quinze anos. No entanto, a verdade é que ela foi a verdadeira heroína, a 'estrelinha' que o resgatou das chamas. Diante dessa mentira cruel que sustenta seu sofrimento, ela planeja sua fuga.
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Capítulo 2

O celular vibrou em seu bolso. Era um número novo, não rastreável.

"Aqui é o Daniel."

Sua voz era exatamente como ela se lembrava da faculdade — calma, profunda e firme. Era uma âncora na tempestade de seu pânico.

"Eu preciso ir embora", Alana sussurrou, a voz rouca. "Esta noite. Preciso de uma nova identidade, uma nova vida em algum lugar que ele nunca possa me encontrar."

"Onde você está?", ele perguntou, sem nenhum traço de surpresa em seu tom.

"Estou em casa. Na mansão Bernardes."

"Fique onde está. Eu cuido de tudo. Você terá um novo passaporte, um novo nome e a confirmação de um voo em uma hora. As ações são uma oferta generosa, Alana, mas minha ajuda não depende delas."

"Não", disse ela, a voz se firmando. "É uma transação. Estou comprando minha liberdade. Você o odeia. Desmontar a empresa dele por dentro será sua recompensa."

Ela conhecia Daniel o suficiente para saber que ele era um pragmático. Apelar para sua rivalidade com Arthur era mais inteligente do que apelar para sua piedade.

Houve uma breve pausa do outro lado. "Tudo bem, Alana. Uma transação, então. Vou mandar um carro. Esteja pronta."

A linha ficou muda.

Alívio e terror lutavam dentro dela. Ela se moveu rapidamente, sua mão quebrada um lembrete surdo e latejante de sua realidade. Encontrou uma pilha de documentos na mesa de Arthur — propostas de investimento, contratos, acordos de parceria.

No fundo da pilha, ela deslizou os papéis do divórcio que seu advogado havia redigido meses atrás, uma fantasia que ela nunca pensou que teria a coragem de realizar.

Ela voltou para seu quarto, seus passos leves, quase flutuando.

Arthur voltou uma hora depois. Ele a encontrou deitada na cama, a imagem de uma esposa frágil e arrependida.

Ele correu para o lado dela, o rosto marcado pela preocupação. Ele segurou sua mão não ferida, seu toque surpreendentemente gentil.

"Meu amor, me desculpe", ele murmurou, a voz embargada pelo que parecia ser um arrependimento genuíno. "Eu odeio fazer isso com você. Eu odeio."

Ele se inclinou, seu hálito quente contra sua orelha. "Nunca pense em me deixar, Alana. Eu não sei o que faria. Acho que enlouqueceria."

Ela se lembrou da vez em que foi a um congresso de arquitetura de três dias em Curitiba. Ele rastreou seu avião, comprou todas as diárias do hotel em que ela estava e teve um ataque de pânico quando o celular dela ficou sem bateria por duas horas. Ele era obsessivo. Possessivo.

Ele via o amor dela não como um presente, mas como sua propriedade.

Alana simplesmente olhou para ele, sua expressão cuidadosamente neutra. Não podia deixá-lo ver a fúria fria que fervia sob a superfície.

"Tenho alguns projetos novos que preciso que você veja", disse ela, a voz suave. "É um novo projeto de resort. Os investidores estão ansiosos."

Ela deslizou a pilha de papéis para a cama, o acordo de divórcio escondido com segurança dentro. "Sua assinatura é necessária na aprovação preliminar."

Arthur, ansioso para voltar ao seu papel de marido solidário, nem sequer olhou para eles. Ele confiava nela implicitamente em questões de negócios e design. Era a única área em que ele a considerava sua igual.

Ele pegou sua caneta e assinou a primeira página, depois folheou, assinando cada uma sem pensar duas vezes. Sua assinatura nos papéis do divórcio foi um rabisco rápido e arrogante.

"Qualquer coisa por você, meu amor", disse ele, pondo os papéis de lado. "Sempre apoiarei seus sonhos."

Ela sentiu uma pontada amarga e triunfante. Ele acabara de assinar o fim de seu casamento, e não tinha a menor ideia.

Ele então insistiu em alimentá-la, trazendo uma bandeja de sopa e pão para a cama. Ele era um monstro, mas sua atuação como marido amoroso era impecável.

Assim que ela estava terminando a última colherada, a porta de seu quarto se abriu com um estrondo.

Joyce estava lá, um sorriso vicioso no rosto. Ela ergueu o celular.

"Olhe isso, Alana. Uma nova cicatriz para sua coleção. Esta na sua mão é particularmente feia. Será que você conseguirá segurar um lápis de novo?"

No celular dela havia uma foto em close da mão machucada e inchada de Alana.

Alana se lembrava vividamente daquela punição. Arthur havia quebrado dois de seus dedos porque Joyce alegou que Alana lhe dera um "olhar sujo".

"Apague isso, Joyce", disse Alana, a voz baixa. "E saia do meu quarto."

"Me obrigue", Joyce provocou, aproximando-se.

Passos ecoaram no corredor. Arthur estava voltando.

Os olhos de Joyce se voltaram para a porta, um lampejo de pânico e depois uma inspiração cruel neles.

Ela pegou um abridor de cartas da mesa de Alana, fez um corte superficial em seu próprio braço e cambaleou para trás bem no momento em que Arthur entrou.

"Arthur!", ela gritou, lágrimas escorrendo pelo rosto. "Alana... ela me atacou! Ela disse que ia me matar!"

Os olhos de Arthur voaram do braço sangrando de Joyce para o abridor de cartas no chão, perto dos pés de Alana.

Alana esperava a explosão. A raiva. A crença imediata nas mentiras de Joyce.

Mas não veio.

Arthur ignorou Joyce completamente. Ele correu para o lado de Alana.

"Você está bem? Ela te machucou?", ele perguntou, suas mãos pairando sobre ela, procurando por ferimentos.

Ele olhou para Joyce com fria irritação. "Joyce, o que você está fazendo aqui?"

"Ela tentou me esfaquear!", Joyce gritou, estendendo o braço.

"Alana está ferida. Ela mal consegue se mover, muito menos atacar você", disse Arthur, a voz impassível. "Não seja ridícula."

Alana o encarou, perplexa. Isso era uma novidade. Ele a estava defendendo.

"Eu não a toquei, Arthur", disse Alana, a voz tremendo com uma mistura de fúria e emoção genuína. "Verifique as câmeras. Por favor. Apenas verifique as câmeras pela primeira vez."

Seu corpo inteiro tremia. A injustiça de tudo aquilo, os anos de acusações infundadas, desabaram sobre ela.

O rosto de Arthur se suavizou. Ele a puxou para um abraço gentil. "Shh, meu amor. Está tudo bem. Eu acredito em você. Eu sempre vou acreditar em você."

Ele acariciou seu cabelo. "Você não precisa provar nada para mim."

Ele então se virou para Joyce. "Vá para casa, Joyce. Alana precisa descansar."

Joyce pareceu atordoada, depois furiosa, mas saiu do quarto batendo a porta.

Alana sentiu um lampejo de algo perigoso. Esperança.

"Você... você realmente acredita em mim?", ela perguntou, a voz baixa.

"Claro, meu amor", ele sussurrou, beijando sua testa. Ele a segurou com força por um momento, depois a soltou. "Vou buscar um pouco de água para você. Não se mova."

Ele saiu do quarto, seus passos se afastando pelo corredor.

Alana soltou um suspiro que não percebeu que estava segurando. Por um único e insano momento, ela pensou que talvez estivesse errada. Talvez ele pudesse mudar.

O pensamento foi obliterado um segundo depois.

Alguém a agarrou por trás, uma mão pressionando um pano encharcado de produtos químicos sobre sua boca e nariz.

O mundo girou, o cheiro doce e enjoativo enchendo seus pulmões.

Seu último pensamento consciente foi das palavras de despedida de Arthur. Eu acredito em você.

Outra mentira. A mais brutal de todas.

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