Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Seu Amor Venenoso, Minha Fuga

Seu Amor Venenoso, Minha Fuga

Arthur, visto como o marido ideal, tortura a esposa para satisfazer Joyce, a meia-irmã dela que finge ser sua salvadora do passado. Após sofrer noventa e seis punições, a protagonista descobre um áudio revelador: Arthur acredita dever sua vida a Joyce após um sequestro há quinze anos. No entanto, a verdade é que ela foi a verdadeira heroína, a 'estrelinha' que o resgatou das chamas. Diante dessa mentira cruel que sustenta seu sofrimento, ela planeja sua fuga.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

Escuridão.

Essa foi a primeira coisa que Alana registrou enquanto a consciência retornava lentamente. Uma escuridão densa e sufocante que a pressionava de todos os lados.

Ela tentou mover as mãos, mas estavam amarradas firmemente atrás das costas. Seus tornozelos também estavam amarrados.

Uma voz familiar cortou o silêncio, tingida de uma decepção cansada que fez sua pele arrepiar.

"Alana, Alana. Por que você tem que tornar isso tão difícil? Eu te disse para não machucar a Joyce."

Era Arthur.

"Eu disse que acredito em você", ele continuou, sua voz ecoando no espaço pequeno e escuro. "Mas ações têm consequências. Você tem que aprender isso."

Ela se debateu contra as amarras, um grito silencioso preso na garganta. A corda áspera cortava seus pulsos.

"Agora", a voz de Arthur comandou de algum lugar fora de sua linha de visão, "prosseguiremos com a punição número noventa e sete."

Ele nem estava na sala. Estava assistindo, ouvindo de outro lugar.

Uma luz súbita e ofuscante inundou o espaço, e uma máquina zumbiu para a vida. Duas garras de metal dispararam, agarrando sua mão esquerda já estilhaçada e prendendo-a a uma mesa de aço.

"Isso é pela dor da Joyce", a voz de Arthur anunciou, desprovida de toda emoção.

Uma broca desceu do teto, sua ponta brilhando sob a luz forte. Ela girava cada vez mais rápido, um zumbido agudo que perfurava sua própria alma.

Ela desceu em direção ao seu dedo indicador.

Alana mordeu o próprio lábio com força, o gosto metálico de sangue inundando sua boca, qualquer coisa para não gritar. A dor era excruciante, um universo de agonia explodindo em sua mão. Ela sentiu a broca ranger contra o osso.

A próxima coisa que soube foi que estava acordando em um quarto de hospital. Não um hospital público, mas a ala médica particular de Arthur em sua mansão.

O ar cheirava a antisséptico e lírios.

Através da névoa dos analgésicos, ela ouviu vozes do lado de fora de sua porta. Arthur e um médico.

"O soro de regeneração nervosa está pronto", disse o médico. "Mas só há uma dose disponível este mês. A Srta. Cummings também precisa para o corte no braço."

O coração de Alana gelou.

"Dê para a Joyce", disse Arthur sem um momento de hesitação. "A lesão dela, embora menor, foi causada pela agressão de Alana. Isso servirá como um lembrete para minha esposa. Deixe que a dor dela lhe ensine uma lição."

Uma lição. Ele havia destruído a mão dela e estava chamando isso de lição. Ele ainda acreditava em Joyce. Suas palavras de confiança no quarto não passaram de um prelúdio para essa tortura.

Um pequeno som involuntário escapou de seus lábios, um gemido de puro desespero.

A porta se abriu com um estrondo.

Arthur correu para o lado dela, seu rosto uma imagem perfeita de preocupação amorosa.

"Meu amor, você está acordada", ele sussurrou, estendendo a mão para ela. "Você me assustou."

Ele a viu se encolher ao seu toque.

"O que há de errado?", ele perguntou, a testa franzida. "Você ainda está com raiva de mim?"

Ele se ajoelhou ao lado da cama dela, seus olhos suplicantes. "Eu sei que você está chateada. Mas você não pode continuar machucando a Joyce. Ela é inocente. Ela é frágil. Você quase a fez ter um ataque cardíaco."

Alana o encarou, o puro absurdo de suas palavras sugando o ar de seus pulmões.

"Minha mão, Arthur", ela sussurrou, a voz um arranhão rouco. "Você está preocupado com os sentimentos da Joyce, mas e a minha mão?"

Uma sombra de culpa cruzou seu rosto. Ele olhou para baixo, incapaz de encontrar seus olhos.

"Foi necessário", disse ele em voz baixa. "Para te ensinar."

Então ele fez algo que revirou seu estômago. Ele tirou uma pequena faca afiada do bolso, do tipo que usava para abrir cartas.

Ele passou a lâmina pela própria palma da mão, um corte profundo e limpo. O sangue brotou, pingando no chão branco e imaculado.

"Vê?", disse ele, seus olhos selvagens com uma espécie de dor distorcida. "Eu também estou sofrendo, Alana. Sua dor é a minha dor. Me perdoe. Por favor, me perdoe."

Ela se lembrou dele fazendo isso antes. Era sua tática de manipulação final. Quando suas punições iam longe demais, quando ele via a luz nos olhos dela começar a diminuir, ele se machucava. Uma forma de compartilhar a dor, de provar que seu amor era real, um ato de penitência desequilibrado para puxá-la de volta da beira do abismo.

Tinha funcionado antes. Ela havia chorado, cuidado de seus ferimentos e acreditado em seu remorso.

Não mais. Ela via o ato pelo que era: uma performance. Uma forma de controlá-la, de fazê-la se sentir culpada por sua própria crueldade.

"Estou cansada", disse ela, a voz plana e vazia. "Quero dormir."

Ele pareceu magoado com a frieza dela, mas assentiu. "Claro, meu amor. Descanse. Estarei bem aqui."

Ele puxou uma cadeira para o lado da cama e se recusou a sair, apesar dos protestos das enfermeiras. Ele ficou ali por dois dias, observando-a, às vezes falando com ela em tons baixos e amorosos, recontando suas memórias mais felizes.

Ele a alimentou, a banhou e cuidou de seus ferimentos com uma gentileza que era absolutamente aterrorizante em seu contraste com sua violência.

Uma das enfermeiras suspirou sonhadoramente enquanto trocava o soro de Alana. "O Sr. Bernardes te ama tanto. Nunca vi um marido tão dedicado."

Alana quis rir. Se elas soubessem.

No terceiro dia, ela ouviu um choro suave vindo do corredor.

Era Joyce. Ela estava parada do lado de fora da porta, falando com Arthur.

"Arthur, eu te amo", Joyce sussurrou, a voz embargada por lágrimas falsas. "Eu sei que ela é sua esposa, mas você sabe como eu me sinto."

O sangue de Alana gelou. Ela se ergueu um pouco, o coração batendo forte.

Pela fresta da porta, ela viu.

Arthur, seu marido dedicado e amoroso, puxou Joyce para um abraço.

Ele olhou nervosamente para o quarto de Alana, certificando-se de que ela ainda estava "dormindo".

Então, ele se inclinou e beijou Joyce.

Não foi um selinho de consolo na bochecha. Foi um beijo profundo e apaixonado, um que falava de um segredo feio e compartilhado.

Alana sentiu o último pedaço de seu coração virar pó.

Sua aliança de casamento parecia uma marca de ferro em seu dedo. Com a mão boa, ela, lenta e deliberadamente, a tirou. Foi uma luta, seus dedos inchados pelo soro.

Ela segurou o anel de diamante, o símbolo de seu "amor eterno", e o jogou na lixeira de metal ao lado de sua cama.

Ele caiu com um clique suave e final.

Arthur escolheu aquele momento para voltar. Ele viu o espaço vazio em seu dedo, depois seus olhos correram para a lixeira.

Ele viu o anel.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A Governanta dos filhos do CEO
8.9
Rejeitada pelo pai e vítima de uma armadilha cruel da irmã, Lucia enfrentou o trauma de perder um filho e o isolamento em um hospital psiquiátrico. Sem memórias, ela tenta reconstruir sua vida com o apoio de um amigo fiel. Tudo muda ao aceitar o cargo de governanta para os filhos de um CEO, desenvolvendo um laço maternal inexplicável com os pequenos. Enquanto a afeição cresce, lembranças do passado retornam, revelando segredos sombrios sobre sua própria história.
Capa do romance Apaixonada pelo melhor amigo do meu pai - Parte 2 - Final
9.2
Sete anos após fugir da culpa e do julgamento alheio, Mally O'Brien retorna para honrar seu pai e encarar Haniel Galleghan. Ele, o melhor amigo de seu progenitor e seu amor secreto de juventude, vive sob a sombra de uma promessa antiga. O reencontro explosivo reacende um desejo proibido, forçando-os a escolher entre o dever e a paixão. Enquanto ela busca perdão, ele tenta recuperar o tempo perdido, enfrentando um sentimento que nem o tempo ou a distância puderam apagar.
Capa do romance Apenas Me Ame (DEFICIÊNCIA)
8.1
Alvo constante de deboche e olhares de piedade por sua forma de caminhar, uma jovem aprendeu a conviver com as limitações de sua deficiência desde o nascimento. Sua rotina de isolamento e superação sofre uma reviravolta drástica ao cruzar o caminho de Eros Campbell. Ciente de que esse encontro transformará sua existência para sempre, ela agora enfrenta a incerteza de que essa mudança trará a felicidade esperada ou novos desafios dolorosos.
Capa do romance Match! Amor e Redenção
9.8
Megan desistiu da paixão avassaladora para focar apenas na filha, Crystal. Seu ex-marido, Antony, nunca soube o que era amar e foi infiel durante o casamento. Contudo, ao descobrir o amor paterno através da pequena Crystal, ele inicia uma jornada de mudança. O destino força um reencontro entre Megan e Antony, provando que sentimentos antes secos podem florescer. Agora, ambos enfrentam a ambiguidade de um novo laço que promete transformar suas vidas.
Capa do romance O Capo Que Esqueceu Sua Amada Esposa
8.2
Dante Moretti já foi o homem que daria a vida por Elena, mas agora ele a vê como uma serva. Manipulado por sua amante, Carla, o mafioso amnésico pune a esposa brutalmente, costurando seus lábios para silenciá-la. Quando suas memórias finalmente retornam, Dante tenta desesperadamente reconquistar o perdão de Elena. Contudo, as cicatrizes profundas do passado e os cinco anos de sofrimento perdidos impedem que o amor de antes seja restaurado tão facilmente.
Capa do romance O prazer é todo meu - Contos eróticos - Edição especial
9.3
Explore uma coletânea exclusiva de narrativas eróticas que mergulha profundamente nos domínios da sedução e do desejo. Nesta edição especial assinada por Ana Delmas, acompanhamos diferentes personagens que, apesar de suas particularidades, compartilham o objetivo único de alcançar a satisfação plena. Cada conto revela uma faceta distinta da sensualidade humana, convidando o leitor a se perder em encontros intensos onde a busca pelo prazer é a regra absoluta.